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Violencia sem noção: Professora é agredida e assaltada em Recife depois de ignorar cantada

Depois de não responder a uma cantada num endereço movimentado do centro de Recife, a professora Brunna Dias Ribeiro foi agredida e assaltada. Enquanto voltava da Universidade Federal do Pernambuco, em Recife, para casa, ouviu um rapaz dizer “Morena gostosa! Morena linda!”. Sem resposta, ele voltaria, sem sucesso, a tentar chamar sua atenção: “Não vai me responder?”. Ela descreve o caso num post do Facebook (leia na íntegra abaixo), que já tem mais de 8 000 compartilhamentos.


Na foto acima a professora Brunna Dias Ribeiro: 
post no Facebook já tem mais de 8 000 compartilhamentos
(Foto: Reprodução/Facebook).
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link http://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2016/09/12/no-recife-professora-espancada-apos-ignorar-cantada-exige-justica-49135
 

Brunna disse que preferiu não responder ao assédio, e que dois outros rapazes que acompanhavam o agressor começaram a rir da rejeição ao amigo. Conta, ainda, que o agressor se aproximou e que, antes que pudesse perceber, acertou a lateral de seu olho, perto do rosto. Caída no chão, teria levado novo golpe, perto da boca. Irado, Brunna diz que o agressor pegou sua bolsa, jogou tudo o que tinha dentro dela no chão e levou 70 reais. A jovem, que registrou ocorrência pela internet, neste sábado (10), diz que seu grande choque foi a falta de ação das pessoas que presenciaram a cena.

Do MSN

 Eu me espantei com a repercussão do meu post, muito porque as pessoas dizem que, além de roubada, fui agredida. Não foi isso que aconteceu. Eu fui cantada e, como não correspondi, fui agredida e depois roubada. É por causa dessa cultura que acha normal esse tipo de coisa que essas violências continuam acontecendo — protesta Brunna.

Ninguém fez nada. Cheguei a ver um homem passar bem do lado e não fazer nada. Como ver uma covardia como essa e não fazer nada? É muito triste, mas a verdade é que eu não me sinto mais segura perto de homem nenhum, nem na rua, nem na faculdade, em lugar algum. Não quer continuar vivendo numa sociedade em que dizer “psiu” para uma mulher é normal ou mesmo toca-la, por qualquer desculpa que seja. Não existe justificativa até porque, no meu caso, eu estava completamente vestida, de calça jeans e blusa alta. O machismo venceu — completa.

Leia desabafo da jovem:
Aconteceu de novo. Mais uma mulher foi agredida e dessa vez fui eu. Atacada e assaltada. Estava nas imediações da praça do derby na tarde de hoje, caminhando, quando meu caminho se cruza com o de três rapazes e um deles resolve soltar "gracinhas" para mim. Aquelas "gracinhas" normais, coisa de homem, sabe? Só que não! Coisa de macho escroto e machista, que acha que a mulher tem que responder e gostar dessas nojeiras. O deixei falando sozinho e segui em frente, não respondendo às gracinhas. Ele não se contentou e me abordou, se aproximou de mim e me deu um soco muito forte no rosto. Caí no chão. Ele achou pouco e me bateu novamente. Sacudiu todo o conteúdo da minha bolsa no chão, roubou todo o dinheiro que estava na minha carteira e depois saiu correndo com os outros dois rapazes. Ninguém fez nada. Ninguém me ajudou. Estava sozinha e atônita. Absolutamente sozinha, no chão e juntando todas as minhas coisas. Só lembro de ter ouvido um dos rapazes gritar: "ei, meu irmão, tas doido, é?". A sensação de impotência é absoluta. Já estamos "acostumadas" a receber esse tipo de gracinha, não imaginava que ele iria tão longe, mas isso acontece todos os dias. Todo santo dia algum homem passa dos limites e agride ou mata uma mulher. Todo santo dia a gente assiste calado ao vizinho que bate na mulher, ao sobrinho que grita com a namorada, ao pai que bate na esposa. Todo santo dia. E eu to cansada dessa merda toda! E essa foi a minha vez. Não me sinto mais segura em nenhum lugar dessa cidade. Não me sinto segura com homem nenhum.

Do Extra

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