Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

EUA permitirão militares com disforia de gênero

O pessoal militar que deseja se vestir como o sexo oposto pode agora fazê-lo, de acordo com um anúncio da secretária de Defesa Ashton B. Carter.Carter disse, no entanto, que os novos recrutas teriam de atravessar por pelo menos 18 meses antes de se juntar ao militar, presumivelmente para evitar transições de última hora de um modo de vestir para outro. Ainda assim, se um membro das forças armadas deseja trocar gêneros durante o serviço ativo, essa pessoa pode ser capaz de fazê-lo ", se um médico médico provedor determina que é necessário", de acordo com relatórios.Se qualquer soldado gostaria de dar mais um passo e passar por uma cirurgia de mudança de sexo, o Pentágono cobriria os custos médicos, acrescentou Carter."Com efeito imediato, os americanos transgêneros podem servir abertamente", disse Carter. "Eles não podem mais ser descarregados ou separados dos militares apenas por serem transgêneros".De acordo com o New York Times, há "milhares" de transexuais nas forças armadas que até agora foram "forçados a uma existência envolta em segredo para evitar serem descarregados".A nova posição veio apesar das objeções de alguns dos mais altos escalões do exército, que chamaram o transgenderismo de um experimento social que poderia prejudicar a eficácia militar em combate.A partir deste outubro, uma parte das horas de treinamento de militares e mulheres será dedicada a explicar como as novas regras sobre o transgenderismo irá afetá-los.Junto com a recente abertura de papéis de combate às mulheres, a permissão do crossdressing militar é "a mesma idéia - que as atribuições de trabalho devem ser baseadas no mérito, não sobre identidade de gênero ou sexualidade", disse Aaron Belkin, diretor de pesquisa Instituto chamado Palm Center.Um relatório da RAND Corporation, encomendado por Carter, alegou que se o Pentágono não abranger os procedimentos médicos, incluindo a terapia hormonal e cirurgia, os membros do serviço de transexuais provavelmente não procurar atendimento médico e poderia ter taxas mais elevadas de abuso de substâncias e suicídio.De fato, no entanto, as taxas de suicídio são vinte vezes mais altas entre os adultos que usam hormônios sexuais cruzados e submetidos a cirurgia de reatribuição de sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países LGBTQ mais afirmando no mundo.O American College of Pediatricians publicou recentemente uma declaração dizendo que um povo que acredita ser membro do sexo oposto sofre de "um problema psicológico objetivo" que "está na mente não no corpo e deve ser tratado como tal".Esses indivíduos sofrem de disforia de gênero (GD), anteriormente identificada como GID (Gender Identity Disorder), os médicos observaram, "um transtorno mental reconhecido na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatística da American Psychiatric Association"."As teorias de aprendizagem psicodinâmica e social de GD / GID nunca foram refutadas," a indicação disse.Em seu anúncio de quinta-feira, Carter não disse se os soldados exigirão um diagnóstico clínico de disforia de gênero a fim de crossdress, ou se a opção estará aberta a todos.


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“Faço questão de dizer que sou mulher transexual”, diz a miss Náthalie de Oliveira

A brasileira Náthalie de Oliveira foi eleita na sexta-feira (10) a segunda mulher transexual mais bonita do mundo, durante o concurso Miss International Queen, em Pattaya, na Tailândia. Vice no campeonato, ela mostrou muito mais que beleza: mas charme, inteligência e talento.

Nascida em Bom Jardim, interior do Rio de Janeiro, ela sempre gostou de fazer história. Aos 17 anos, passou em primeiro lugar no concurso público da cidade. Também cursou enfermagem e driblou os comentários transfóbicos dos colegas. “Sempre soube me impor e mostrar que não somos bicho de sete cabeças”.

Depois, tentou o Miss T Brasil em 2013, em 2014 e, por fim, em 2015, quando finalmente levou o título. Na época, muito se falou sobre sua forma física e a ausência de cirurgias, que estava “aquém dos concursos de beleza”. Hoje, com uma excelente colocação no concurso internacional, ela sambou na cara das inimigas.

Aliás, pouco antes de ir ao Miss na Tailândia, Náthalie conversou pessoalmente com o NLUCON em um shopping em São Paulo. Disse que não gostaria de ter nascido uma mulher cis, que tem orgulho de ser uma mulher transexual e admite os seus privilégios. “Cada história é única e acho que esse é o meu diferencial”.

Confira o que pensa a nossa miss:

- Toda vez que eu escrevo matéria de miss, as pessoas falam: “tem tanta travesti e mulher transexual morrendo e você dando visibilidade para concurso de beleza”...

Os meios de comunicação dão prioridade para as notícias ruins. Mas de tantas notícias ruins, a gente tem as boas e a gente acaba esquecendo. É óbvio que existem mortes, que a gente não pode deixar de lado, não podemos esquecer dessa violência. Mas eu acho que focar apenas em notícias ruins acabam com a nossa autoestima e nos coloca para baixo. Acho que podemos mostrar nossas competências, habilidades, possibilidades, um lado positivo de ser trans. Eu posso ser uma miss, uma modelo, eu posso ser quem eu quiser ser, pois a minha vida me pertence. É dizer que, diante de tanta violência e preconceito, temos motivos para sorrir e ter esperanças. (Durante o concurso, Náthalie aproveitou da sua visibilidade para falar sobre a transfobia no Brasil e citou o caso da Dandara).

- Você já tentou três vezes ser Miss T Brasil e hoje é a segunda mais bonita do Mundo no Miss International Queen. Ser miss era um grande sonho?

Não foi, mas acabou se tornando. Em 2013, era uma garotinha gordinha do interior que recebia bastante elogios, então achava que era capaz de vencer. Fui e não ganhei, mas não fiquei chateada. Não tinha o brilho nos olhos pela coroa e nem pela faixa. No ano seguinte, um dos prêmios era a CRS (Cirurgia de Redesignação Sexual) e então eu me inscrevi novamente pensando no título, mas na cirurgia. Já em 2015 foi para provar para mim mesma que, se eu corresse atrás de verdade, eu poderia ser miss. É claro que veio pelo interesse da cirurgia, mas não foi a prioridade. Eu já tinha mais consciência de querer representar a classe, o meu município e de ter a coroa.

- Quando você ganhou, falaram que você estava "fora de forma". Como você lidou com as críticas em relação a peso?

Tive consciência de que independente de quem ganhasse, poderia ser a mais magra ou a que mais tivesse silicone, sempre teria algum tipo de cobrança. Afinal, ninguém é perfeita. Mesmo tendo ganhado um pouco acima do peso, foi um orgulho para a minha cidade e fico pensando em quantas meninas gordinhas puderam se espelhar. Hoje, eu não faço mais parte do grupo de gordinhas, mas eu vivi a minha vida toda como gordinha. E até acho mais bonito o padrão de uma mulher mais cheinha, mais gostosa. Hoje, me adequei ao concurso, mas não penso viver assim o resto da minha vida. Acho que independentemente de estar magra ou gorda, o importante é se sentir bem. Hoje em dia a gente tem o mercado plus size também. Então, veja, uma mulher trans, que é uma minoria, gordinha, que é outra categoria, em um concurso de beleza. Por que não? Acho que é bacana esse olhar também.

- Um ano de preparação de preparação com a Majorie Marchi (organizadora do concurso, que morreu no último ano) e ela morreu... Como foi interromper o processo?

Não chegou a ser nem um ano. Eu fiquei triste pela perda, desanimada, desmotivada, achei que mais nada fosse acontecer. Só que depois apareceu a Alessandra Vargas, que foi madrinha, ela me adotou praticamente, mora na Alemanha e me ajudou na questão financeira. Tive que colocar prótese, fiz rifa, eu fazia almoço beneficente, eu fazia o escarcéu para participar e sempre consegui. E ela acabou inteirando o valor que faltava. A minha inscrição no concurso também foi paga por ela. Tive contato com o Ribas Azevedo, que me patrocinou. Hoje, mostro para a Majorie que não decepcionei.

- O que acontece depois que você ganha a faixa? O que ninguém fala?

Assim que ganhei o concurso, achei que as coisas fossem mais fáceis, mais encaminhadas. Mas vi que quando você coloca uma faixa e uma coroa na cabeça as responsabilidades aumentam. A cobrança pelo padrão de beleza aumenta. Querem um estereótipo. E mesmo não querendo fazer parte deste estereótipo, a gente só vai ter chance no próximo concurso desta forma. Tive que me empenhar na dieta e em toda a preparação. Só que como o concurso foi adiado (morreu o Rei da Tailândia), tive mais tempo de me preparar, emagreci 26 e até a minha cirurgia de redesignação (CRS) foi antecipada.
Durante o MIQ, no traje típico

- A CRS que você fez foi por meio do concurso Miss T Brasil?


Na verdade a Kamol, que é patrocinadora do Miss T, oferece voucher de
cirurgias plásticas. E eu optei por essa cirurgia de redesignação. E eles bancaram a cirurgia. Eu concordo que lá ainda seja o melhor lugar, mas já escutei opiniões diversas sobre a cirurgia.

- Você chegou a fazer outra cirurgia?

Na Facial Teen em São Paulo em fiz frontoplastia e também coloquei a prótese de silicone. E ao contrário do que as pessoas falam, eu não coloquei pelas críticas que recebi pelo concurso. Porque disseram que trans para ganhar concurso tinha que ter peito. E eu não acho isso. A gente vê aquelas que se sentem bem sem. A modelo Valentina Sampaio é um exemplo de top model e nem por isso está se quebrando toda, né? É super feminina, super bonita e está aí no mercado. Afinal, sabemos que não é a cirurgia que faz de alguém mulher. Mas eu sempre quis colocar, porque para mim é um agregador de feminilidade.

- Sobre a CRS, o o que mudou em sua vida?

Mesmo com a cirurgia eu vou continuar sendo uma mulher transexual. Estou falando isso porque muitas, após a cirurgia e trocar os documentos, querem ter uma identidade de mulher cis, mudam de cidade e fazem de tudo para esconder o passado. Acho que você sofre menos aceitando quem você é. Meu corpo já passou por algumas adaptações e eu procuro viver da melhor forma possível. Eu me enxergo como mulher, meu marido me enxerga como mulher, minha família também. O que eu preciso é que as pessoas que me amam e que me respeitam me enxerguem dessa forma. Já as pessoas que não me amam, não me respeitam, não querem me ver feliz, eu não me importo com elas. Na verdade, eu faço questão de falar que sou uma mulher transexual, sabe?

- Me explica...

Cada pessoa é única. Mas no meu caso – e eu estou falando de mim, tá? – é o que fez a diferença na minha vida. É o que me fez estar aqui hoje dando essa entrevista, participar do concurso, ganhar, ir para outro país... Talvez se eu nascesse uma mulher cis, acho que eu seria meio sem sal. Eu me movo na dificuldade. Eu busco o problema para solucionar, sabe? Eu gosto de ser desafiada, e ser bem-sucedida. Eu gosto de ser mais notada, porque isso acontece, né? Normalmente a gente tem uma estatura mais alta, às vezes é o subconsciente da pessoa ficar te olhando. E depois contar: eu sou uma pessoa trans. E a pessoa falar: nossa, que bacana. Eu gosto de ouvir isso. Eu gosto de ouvir que a diferença também é aceita, ela não é só julgada.

- Se alguém te apontar e falar que é travesti, isso te incomoda?

Sou bem tranquila quanto a isso. Me chamem do que quiser. Até porque o concurso que ganhei era de travestis e transexuais, então eu represento toda uma classe. Todas nós passamos por fases, passamos por um processo e em algum momento já podemos ter ficado em dúvida em uma ou outra nomenclatura.

- Se existisse uma outra vida, e a sua resposta valesse mesmo, você voltaria como mulher trans de novo?

É uma vida que envolve muitas dificuldades, mas que eu tive muita sorte. Se fosse para voltar com a sorte que eu tive, de olhar no espelho, me sentir bem e conquistar o meu espaço, eu voltaria. Mas se for para voltar como transexual e não saber se vou conseguir fazer as mudanças que eu tanto quero, não saber se vou conquistar o espaço, se vou sofrer violência, é frustrante e eu não encararia. Cada uma tem uma história para contar, e eu reconheço que tenho privilégios. E não gostaria que fosse uma exclusividade minha, porque a gente vê que tem uma a cada mil com esse padrão mais comum. É difícil porque a cabeça das pessoas ainda é fechada. É difícil falar que identidade de gênero não tem relação a valores, índole...

- Trans-fobia é medo de trans. Você acha que as pessoas têm medo de uma pessoa trans?

Acho. E acho que a gente acabar com isso. Tem gente que acha que só por ser trans é marginal. Esquecem que tem gente boa e ruim em todo lugar. Isso é índole, não tem a ver com a identidade de gênero. A transexualidade é só mais uma característica, não é apenas o que define. Às vezes eu vejo na televisão: “travesti assaltou”, “travesti espancou” e eles fazem questão frisar que foi uma travesti. E as pessoas tendem a achar que toda travesti faz aquilo ali, mas não... É como se não quisessem dar crédito para esse grupo, porque esse grupo é marginal.
- Você já sofreu transfobia?

Desde sempre chamei muita atenção, então desde pequena eu recebia uma abordagem dos homens voltada para a promiscuidade. Algumas vezes aconteceram inconvenientes, mas nada que me tirou do sério. O mais sério aconteceu quando fui fazer exame médico no laboratório da minha cidade e os papeis vieram com o nome social Nathalie de Oliveira. Quando cheguei para fazer o exame a atendente não aceitou porque havia divergência de nome. Da identidade era um e no pedido de exame era outro. Foi transfobia porque mostrei o meu cartão do SUS, que unifica os dois nomes. Tentei explicar o respeito ao nome social naquela fila do SUS, me expondo daquela forma.

- Como foi o seu processo de transição em sua cidade?

O meu pai rejeitou de cara, já a minha mãe, apesar de triste, ela conversava bastante comigo. Depois eu entendi o lado dela, pois ela ficava triste em relação ao que eu sofreria. Eu comecei tudo isso com 14 para 15 anos, com pequenas mudanças e de repente estourou. Hoje eu tenho aprovação do meu pai e da minha mãe, mas eu precisei provar. Sabe aquela coisa o “filho pródigo à casa torna”? Então os pais quiseram se orgulhar de mim, independente de gênero, de sexualidade. Eles viram que o fato de eu ser trans não mudou a minha moral, a minha conduta, a minha ética, aquilo que eles criaram. Só fiquei de uma forma diferente e com um agir diferente.
- E como foi a questão da hormonização em uma cidade pequena?

Difícil, viu? (risos). Porque não tinha nenhuma informação, procurei endócrinos que não sabiam de nada. Comecei com o velho e bom Youtube e no começo fazia a loucura de tomar o hormônio tal de quinze em quinze dias, ou de tomar cinco comprimidos que te deixa... Enfim, faz muito mal à saúde. Hoje eu faço o uso do hormônio em gel, que é o menos prejudicial à saúde. Até então, eu descobri que no Rio tinha um lugar que fazia tratamento para transexuais que queriam se operar pelo SUS. E davam, não só hormônio, mas todo tratamento psicológico para emissão de laudo e entrada na fila. Como eu não tinha ganhado concurso, fui para essa fila também.

- Muitas misses trans do passado fizeram o uso do silicone industrial. O que pensa sobre ele?

Acho que devemos fazer tudo nessa vida para se sentir melhor, mas existem coisas que a gente faz e depois se arrepende. O silicone, pelo que eu observo, é como se aplicasse uma dinamite no seu corpo. A qualquer momento ele pode acender e explodir. Três anos estudando enfermagem, eu seria uma louca se dissesse que colocaria. E mesmo se eu fosse muito magrinha, eu ia tentar dieta, exercício, tentar outros recursos. O grande problema é que a gente quer o resultado imediato, então a gente acaba se submetendo. E quase sempre se arrepende. Você leva uma pancada, o silicone reage e te dá N problemas.

- Quando era criança, você tinha alguma referência de feminilidade ou beleza?

Eu não tinha nem consciência de que existia a transexualidade. Então nunca tive uma trans como referência. Me espelhava muito na minha mãe. Ela era aquela pessoa que cuidava da casa e dos filhos e eu era aquela pessoa que me enxergava daquela forma daqui uns anos. Eu aprendi fazer crochê, bordado, a cozinhar, eu queria ser como a minha mãe. Depois, passei a admirar a Marcela Ohio, a Rafaela Manfrini, que são misses trans que eu considero exemplo de beleza. E também a Lady Gaga, que nos representa.

- Você já chegou sair na mídia anteriormente por ter sido a primeira do concurso público. Como repercutiu?


Normalmente a transexualidade e travestilidade são associadas à marginalidade e prostituição. E com 17 anos, eu passei no concurso público da minha cidade e calhou de eu ter pegado a primeira colocação. E as pessoas falavam pejorativamente: “como a gente vai ter um viado trabalhando com a gente?”. Mas eu sempre soube me impor e mostrei que não era nenhum bicho de sete cabeças. Então eu sou concursada, agente comunitária de saúde, vai fazer quatro anos. Curso faculdade de enfermagem. É impressionante, porque é como se a gente fosse uma criança incapaz e, de repente, conseguiu alguma coisa. As pessoas dizem: “essa aí PELO MENOS faz faculdade”, essa aí PELO MENOS tem um emprego decente. Mas isso aí não agrega valor na realidade, porque depois elas chegam e falam: “Como você é uma enfermeira?” Como atende no posto de saúde?”.

- Embora você seja concursada pública, 90% das travestis e transexuais estão na prostituição. Como é carregar este estigma?

Não condeno quem faz e acho que independente da profissão o que vale é a índole, a moral e a ética. Só acho muito perigoso, acontecem muitas coisas ruins no meio e acho que quem não quer fazer deveria ter outras oportunidades. E investir mais. E quem não conseguir oportunidade e não quiser, que tente associar a prostituição com outra fonte de renda, com um pouco mais de cultura, ler, se informar... Isso vale para todo mundo. O que quero dizer é que não tem problema nenhum em ser profissional do sexo, mas que a gente pode sim ser dona da nossa história. Eu queria que as travestis e transexuais tivessem o direito de ir e vir, fazer programa se quiserem, ter acesso à escola, emprego, se formar e ser reconhecida. Porque muitas até tem condições de pagar uma faculdade, mas adianta ela cursar uma faculdade se o mercado de trabalho depois não vai dar uma chance para aquela profissional?

- Vi pelas redes sociais que você está namorando... É namorado ou marido?

É namorado, futuro marido. Eu agradeço todos os dias pelo meu namorado. No dia em que a gente se conheceu, eu avisei ele sobre tudo aquilo que a gente passaria, como eu passei. E eu sou assim: magoe-me, mas não magoa as pessoas que eu gosto. É comigo, o problema sou eu, se o problema é a trans, a trans sou eu. Não envolve a minha mãe, o meu namorado, então deixa-os em paz. Quando ele foi me buscar em casa, eu entrei e fui subir o vidro, pois queria preservá-lo. Fui preconceituosa comigo mesma. E ele desceu o vidro. Depois, pegava na minha mão, não tinha vergonha, tinha orgulho de estar comigo. Hoje a gente é o casal sensação da cidade. Todo mundo conhece. E nem por isso perdeu a masculinidade, nem deixou de ser hétero...

-  Como "a cidade" lidou com o relacionamento?

Ele costuma dizer que foi um filtro de amigos. Acho que essa frase é esclarecedora, né? Quando ele estava ficando com mulheres cis, ele era “o cara”. Mas quando ficou com uma trans, cadê aquele círculo de amigos tão grande. Então hoje ele até agradece os que ficaram, pois esses são amigos. E me enxergam com a mulher dele. Observo que os outros até aceitam que o cara fique com uma garota trans, mas desde que seja no escurinho no reservado, mas andar de mãos dadas, como ele faz comigo, não. Ele me apresentou para a família dele como mulher transexual, todo mundo sabe a minha história, tanto que eles estão muito felizes com a minha cirurgia, e a gente segue a vida.

(A entrevista foi realizada em outubro, antes da ida para a Tailândia e, na época, Náthalie estava namorando outra pessoa. Hoje, ela está namorando um italiano).

- Hoje em dia qual é o meu maior sonho?

Vivia falando que o sonho da minha vida era a cirurgia e, agora que eu consegui, eu vi que não era o sonho da minha vida. Eu vejo que era uma coisa que estava ali para mim, e eu apenas peguei ela com a mão. Tinha que acontecer, uma hora ia acontecer e eu só tinha que alcançar. Então o meu maior sonho hoje é me casar, sucesso profissional, constituir família.

- A referência da sua mãe continua?

Aí já entram muitas histórias, mas a minha mãe é muito guerreira. E se eu for metade do que a minha mãe é, eu já estou 100% satisfeita. O que nós passamos juntas, em todos os sentidos, até mesmo na fase do apoio que eu precisei, nossa, ela tirou de letra. Ela é evangélica do meio, de cabelão, de saia lá no meio, e pode mudar a cabeça. Ela continua sendo evangélica, porém tem uma visão diferenciada. Ela tem uma filha trans e aprendeu a conviver com a diferença. Me chama no feminino. É outra coisa que gosto de mencionar, porque existem pessoas que insistem em chamar de “ele”, “porque você nasceu assim”, “não me acostumo”, usam como desculpa, né? Mas acho que quando a pessoa respeita e gosta de você, ela vai te chamar da maneira que você achar mais adequada. Agora a minha mãe foi espetacular, ela soube passar por essa prova e me ensinar.

- Qual é a mensagem que você quer deixar com a sua participação de sucesso no Miss International Queen?

Eu gostaria que as pessoas soubessem que independente de condição financeira ou status, porte físico, qualquer pessoa é capaz e ela pode chegar onde ela quiser. É mostrar que você tem os seus valores que você zela por eles. Eu levanto a bandeira contra o racismo, contra a transfobia, acho que todas as formas de amor são válidas, respeito ao próximo e respeito a humanidade. O que está faltando hoje em dia é SER humano. Eu acho que cada uma de nós que nasce com o peso de ser transexual, mas porque nós damos conta sim do recado. Não viemos a passeio. Queremos representatividade, visibilidade, oportunidade e somos capazes de qualquer coisa.

Do NLucon - Por Neto Lucon
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Relato de um homem lésbico

Marcos Augusto tem 20 anos e é estudante de sociologia. Ele entrou em contato com o BlogSoubi para relatar seus estudos e descobertas sobre os homens lésbicos. Além de ter entrevistado alguns deles, ele também se encaixa nessa categoria. Abaixo, alguns trechos do relato.
“Atualmente, depois de tantos estudos e descobertas, é bem mais fácil você conseguir se descobrir sexualmente. Ao entender mais sobre sexualidade, você logo começa a perceber que é homossexual, bissexual ou transgênero. Porém, ainda há pessoas que dizem não se encaixar em nenhuma dessas categorias, o que acaba sendo um transtorno imenso, muitas vezes por toda a vida. Dentre essas novas tipagens, há o homem lésbico. Imagine você, um homem que gosta de mulher. Tudo normal, certo? Errado. Por mais que acreditemos estar tudo tranquilo, um mar de perturbações se passa pela cabeça deste homem. Como esta é uma classe em “fase de descoberta”, ainda há muitos conflitos e contradições.
Algumas pessoas confundem e acreditam que o homem lésbico é apenas um cara “sensível demais”. Outras já confundem com crossdressers (homens heterossexuais que gostam de se vestir de mulher).
Mas o homem lésbico é diferente. A sua sensibilidade é maior, seus sentimentos são como de uma mulher. Entretanto, isso nada tem a ver com homossexualidade, muito pelo contrário. Apesar de ter seu lado feminino, esse homem não se sente um transgênero, pois, teoricamente, está satisfeito com seu corpo. Eles gostam de ser homens, mas sentem que sua “alma” feminina é lésbica.Tenho me dedicado a esse assunto há algum tempo e tirei algumas conclusões.Com base em casos que presenciei, nos relatos que li e nas confissões que fizeram a mim, percebi que há vários níveis de homens lésbico, do mesmo modo que existem homossexuais mais ativos, passivos ou relativos (que alternam entre ativo e passivo). Os homens lésbicos podem ser “mais masculinos” ou “mais femininos”. Mas o fato é que todos têm algo em comum: são homens que gostam de mulheres, mas não se sentem homens na relação sexual. É complexo.
Presenciei um caso de um homem que se considerava uma mulher, mas no corpo de um homem. Ele realmente queria ser tratado como “uma princesa”. Mas isso em nada impedia ele de curtir rock, videogame, sair com uns amigos e tomar umas. Ele gostava de ser totalmente passivo. Já outros são difíceis de distinguir, visto que são homens lésbicos ativos. Há ainda os relativos, que estão no meio termo. Às vezes gostam de ser mais femininos, outras vezes mais masculinos. O que os coloca na mesma categoria é que na hora do sexo, esses homens não sentem necessidade de utilizar órgão sexual no ato. Alguns até repudiam a penetração peniana e fazem sexo como uma mulher lésbica. Há alguns (mais passivos) que gostam de ser penetrados por sua parceira.
Pela falta de entendimento de muitas mulheres sobre o assunto, muitos desses homens acabam escondendo sua verdadeira identidade e vivem como homens heterossexuais, embora no fundo, por mais que amem sua parceira, nunca serão completamente felizes. O maior desafio é encontrar alguém que os aceite como realmente são. Relacionamento com lésbicas é, teoricamente, impossível, afinal, elas gostam de mulheres. E relacionamento com bissexuais também costuma ser complicado, principalmente para os mais passivos, pois geralmente uma garota bi, quando se relaciona com um garoto, prefere que ele seja ativo na relação. Ainda há muito a pesquisar, muito a discutir e muito a aprender. Mas como sempre digo, o importante é não haver discriminação e, claro, por mais diferente que se possa ser, toda forma de amor é válida, afinal, o importante é ser feliz”.
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Acredito que muitas mulheres já devam ter se relacionado com homens lésbicos. Se alguma puder dar o seu depoimento, seria extremamente valioso. Deve ter sido difícil de compreender. Eu, como uma mulher bissexual, confesso que também teria dificuldades em me relacionar com um parceiro assim. Mas sabendo de tudo isso e amando a pessoa, talvez eu tentasse me adaptar a essa situação, desde que isso, de alguma maneira também me realizasse.
Não adianta satisfazer o outro se para você a situação não é prazerosa.Somos complexos, somos todos diferentes, cada um com seu desejo, manias e gostos. Cresceremos como sociedade quando entendermos de verdade tudo isso.

Foto ilustrativa - Texto do Blog do blogsoubi
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Conheça Ticiane Fernandes de 24 anos e que concorre ao "Miss T" em São Paulo

 Sou bem resolvida como mulher trans e gostaria de representar todas as meninas que, como eu, passam por dificuldades e preconceitos". Estas são palavras da modelo transexual uberlandense, Ticiane Fernandes, de 24 anos, que se prepara para representar Minas Gerais no "Miss T". O concurso será na próxima sexta-feira (21), no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo (SP). Serão 30 concorrentes representando os estados do Brasil. A campeã concorrerá ao Miss Universo, que acontece na Tailândia, em 2018. E antes de embarcar, o G1 falou com ela sobre transformação e carreira.
Durante a entrevista, a jovem ressaltou que o país vive um momento em que as trans podem ganhar mais visibilidade e se empoderar perante a sociedade. "Estou muito ansiosa e, ganhando ou não, já estou feliz”, comentou.
Vida e preconceito
Ticiane lembra que desde a infância já se sentia diferente. “Eu não me sentia um menino e já nessa idade tinha interesse por coisas de mulher. Vestia sapatos da minha avó, da minha tia, brincava com bonecas e outras brincadeiras consideradas de meninas”, afirmou. Aos 13 anos, ela começou a usar roupas femininas, pintar o cabelo e as unhas. Aos 16, deu início ao tratamento hormonal, psicológico e às cirurgias para a transformação.
A modelo contou que no início teve um pouco de dificuldade de aceitação por parte da sociedade, mas principalmente dos pais, o que considera normal, mas que agora eles a aceitam e apoiam. “Se hoje, com muito mais informação ainda existe uma dificuldade de entender, há 10 anos o transexualismo era um tabu”, pontuou.

Ticiane relatou que atualmente sofre menos preconceito, até mesmo, segundo ela, pelo fato de muita gente não saber que é trans. “Com a divulgação do concurso passei a ser reconhecida como trans em toda a cidade. Não que isso me incomode, até porque sou muito bem resolvida, mas acredito que posso passar por algumas situações que ainda não aconteciam”, comentou.
Sonhos e carreira
Aos 24 anos, a modelo está noiva e se casará em fevereiro de 2018. “A família dele também aceita e apoia muito o relacionamento. Quero constituir uma família. Sonho em ser mãe e já estamos planejando um filho”, contou.
Sobre a carreira, Ticiane disse que sempre amou moda e fotografia e que virar modelo ocorreu há três anos, quando participou de uma seleção e foi aprovada, porém, não continuou por não se sentir preparada. Dois anos depois, fez um novo catálogo e decidiu que era o momento. “Desde então, já fiz vários trabalhos de fotos, desfiles e filmagens e vi que realmente é isto que quero como profissão”, acrescentou.
Esta será a primeira vez que a modelo participará de um concurso nacional.
Do G1
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Conheça a história de Alana Rocha, primeira repórter transexual de programa policial na TV aberta do Brasil

Na pequena Riachão de Jacuípe, cidade a 186 quilômetros de Salvador, Alana Adrielle, de 36 anos,  desenvolveu o blog Hora da Verdade onde mescla reportagens policiais,  sobre acidentes e propagandas do comércio local. Os vídeos, a maioria com média de 5 mil visualizações, lhe credenciaram para um voo mais alto: esse mês Alana ‘esqueceu’ o ‘Adrielle’, passou a assinar seu sobrenome Rocha e tornou-se a primeira a jornalista transexual a ser repórter de um programa policial no Brasil.
Feito raro, Alana foi contratada, de forma temporária, para ser a repórter do programa Ronda (TV Aratu/SBT) em substituição do atual apresentador  – Murilo Vilas Boas – que tirou férias. “Eu acredito que é muito importante o mercado de trabalho abrir esse novo horizonte para as pessoas trans. O mercado de trabalho formal precisa ver que nós temos capacidade para realizar qualquer função. Temos que dar murro em ponta de faca para conseguir um emprego. Tem que bater de porta em porta até a mão sangrar para conquistar uma vaga de trabalho”, comemora Alana que, além das reportagens, também fará eventualmente a apresentação do programa que é exibido para a Bahia, Sergipe e também pela internet de segunda à sexta a partir das  12h.

Antes de ganhar fama por conta do programa policial – onde já na estreia revelou ao vivo para o público quer era mulher transexual – Alana passou por situações de preconceito. “Já passei por situações de preconceito em Salvador. Em uma empresa que eu trabalhei ainda na fase de transição cheguei a ser dispensada do trabalho quando o chefe viu que eu era uma mulher transexual. Em minha cidade (Riachão) cheguei a pedir demissão depois que passei por algumas situações de preconceito por conta das minhas roupas, por exemplo”, explica Alana que é formada pela faculdade Anísio Teixeira, em Feira de Santana.
Em Salvador, Alana tem uma fada madrinha que é bem conhecida aqui do Me Salte: a querida Scher Marie Mercury, que promove concursos e shows de arte transformista. Pelas mãos de Scher, inclusive, a jornalista já fez performances em famosos points LGBTs de Salvador. “Nos conhecemos fazendo shows. Era um trabalho que eu fazia justamente por não ter espaço aqui em Salvador. Não conseguia emprego fácil. Os shows eram uma alternativa. Hoje, sempre eu posso, participo de alguns shows artísticos”, conta Alana que recentemente deu um close babadeiro dublando a vocalista da banda Calcinha Preta no bar Âncora do Marujo, na rua Carlos Gomes.
Sua estreia no programa, segundo conta Alana,deu um up grade na audiência da emissora. “Me senti muito bem e confortável quando disse, ao vivo, na estreia do programa que era uma mulher trans. Isso quebra muitos paradigmas, muito machismo. Isso sinceramente me deixa anestesiada. Esse momento vai entrar para a história e vai inspirar muitas pessoas que podem pensar: se ela conseguiu eu consigo. Isso me deixou muito feliz. A receptividade foi muito grande. Foi uma audiência que não tinha antes. Muitas cidades do interior que conheciam o programa ficaram ligadas assim como o meio LGBT”.
A jornalista pondera, contudo, que não ficará ‘encegueirada’ pela audiência: “Temos que ter respeito ao telespectador, aos nossos entrevistados, mesmo suspeitos de crimes e comprovadamente perigosos que nós vamos entrevistar. Sempre respeitando os direitos humanos dele e da família”.
O estilo do programa e das reportagens que Alana apresentam seguem o padrão do jornalismo popularesco – mais conhecido como de sangue pelo excesso de violência como tema. Muitos programas desse estilo já tiveram suas exibições suspensas e suas equipes foram processadas por agressões verbais a presos assim como exposição de ações policiais e matérias que ferem os direitos humanos. Diante disso, Alana promete imprimir sua personalidade nas reportagens e fazer diferente. “Eu quero humanizar isso. Eu quero mostrar também que uma transexual é sensível e que a sensibilidade dela, por estar num local que a sociedade impõe que não deveria estar, é também um exemplo para o bandido que estou entrevistando. Quero passar uma mensagem que as pessoas podem sair do crime e vencer na vida”.
Alana revela, inclusive, que com sua chegada, o programa mudará um pouco de formato. “Ainda não posso adiantar nada para não perder a surpresa. Vamos ter outras vertentes e mostrar a cara do povo na TV. Quero dar leveza ao programa para que esse estereótipo de programa policial seja quebrado”, promete Alana. Ela está fazendo sucesso nas redes sociais desde a sua estreia no programa – dia 10 de abril – com a frase “comigo o galo canta” referindo-se ao mascote da emissora (Galinho) e aos presos que entrevista.

Cata aí alguns vídeos de Alana:

Matéria sobre crime


Reportagem sobre chuva



Do Correio 24 Horas
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Minha mensagem de pascoa a vocês!

Desejo à você e todos seus familiares uma excelente Páscoa!

Celebre a vida nova e realize novos sonhos. Construa esperanças para novos projetos, com pés firmes rumo ao novo tempo. Viva a cada dia uma nova ressurreição, deixando o homem velho morrer e dando oportunidade para esvaziarmos o sepulcro e construir morada para o homem novo.
"Faça desta Páscoa, a tua Páscoa. Faça desta ressurreição, tua ressurreição. Nunca se entregue, pois é somente a cada adversidade que poderemos vislumbrar uma nova oportunidade".
Ivan Teorilang.

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Bianka Gonçalves, de 22 anos, foi morta a tiros durante assalto em ponto de prostituição em Mato Grosso

Uma travesti de 22 anos foi assassinada a tiros na madrugada desta sexta-feira (7) na cidade de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, a vítima trabalhava com outras travestis em um ponto de prostituição, perto da feira municipal, quando foi vítima de um suposto assalto e acabou morta. Nenhum suspeito foi preso ou identificado até o momento.
A travesti foi identificada como Walisson Denis de Carvalho Gonçalves, mas usava o nome de Bianka Gonçalves. De acordo com as informações recebidas pela polícia, a vítima tinha chegado recentemente na cidade, há apenas três dias. O local do crime fica às margens da MT-130.

“Esse local é um ponto de prostituição, elas [as travestis] ficam espalhados em alguns quarteirões. As outras travestis não levam bolsas ou pertences para os programas pois sabem que correm risco de sofrerem assalto. Como esse rapaz era novato, ele tinha levado os objetos pessoais [para o local]”, explicou o delegado Rafael Diniz.

A polícia ainda não sabe se a travesti teria entrado em algum carro ou apenas foi abordada pelos criminosos. “Estamos procurando imagens [de câmeras de segurança] que poderiam ter registrado a ação. A princípio ele levou entre dois a três disparos e teve todos os pertences, documentos pessoais, bolsa, dinheiro e celular levados”, disse o delegado.
Conforme o delegado, algumas testemunhas devem ser ouvidas para tentar ajudar na investigação do crime. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Do G1
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No país dos crimes transfóbicos, travestis e transexuais lutam por visibilidade

O Estado de Minas conversa com cinco pessoas que contam como lidam com o preconceito e as batalhas para serem reconhecidas, no dia dedicado à comunidade.

“Em todos os meus aniversários, eu soprava a vela do bolo e fazia o mesmo pedido: quero ser um menino.” Já aos 3 anos de idade, Nathan Phellipe, de 25, identificado como mulher ao nascer, em virtude de seu sexo biológico, percebeu que não se encaixava com o gênero imposto. Agora, reconhecido legalmente como homem, ele mostra com muito orgulho seu novo documento de identidade. No Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais, comemorado hoje, Nathan, Anyky Lima, de 61, Gisella Lima, de 35, e Lucca Najar, de 25, relatam como encaram o preconceito diário e as lutas por direitos de reconhecimento perante a lei e a sociedade.

Com uma camisa polo azul, cabelo cortado rente à cabeça, barba aparada e perfume caprichado, Nathan Phellipe é um cidadão como outro qualquer – ou ao menos gostaria que assim fosse. Ao contrário do que muitas pessoas ainda pensam, gênero não é uma opção. “Desde muito pequeno sabia o que sou. Lembro-me de quando vi minha mãe trocando o absorvente e perguntei: ‘O que é isso?’ e ela respondeu: ‘Você vai saber quando ficar mocinha’. Foi então que pensei e disse: ‘Não, não serei mocinha porque eu sou um menino.”’ E foi dessa maneira ingênua e, ainda, espontânea, que a “garotinha”, que chorava durante a noite por não pertencer àquele corpo, se afirmou pela primeira vez. Inicia-se, assim, uma nova etapa da vida.

Hoje, formado em design e cursando a segunda graduação, o jovem vive com a leveza de se sentir seguro em relação à própria identidade, mas ainda enfrenta os preconceitos da sociedade por ser um transexual. Dados divulgados pela ONG Transgender Europe (2016) apontam que o Brasil ocupa o 1º lugar em crimes por transfobia no mundo. Em Belo Horizonte, 96,4% dessa população já sofreu algum tipo de violência física, 74,5% suportou ameaças e 46,8% foi estuprada. São os números mais recentes da pesquisa “Direitos e violência na experiência de travestis e transexuais na cidade de Belo Horizonte: Construção de um perfil social em diálogo com a população”, do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados foram tabulados em 2015.

“Minha mãe não me aceitava. Quando criança, ela me batia com uma panela de pressão”, afirma a travesti exemplo de luta e resistência Anyky Lima, de 61, vice-presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos). “É por isso que visibilidade trans é importante, justamente, para mostrar que não existe foco para essa população. Meninas e meninos são assassinados com requintes de crueldade diariamente e nós não temos nenhum órgão de competência que nos apoie. É como se nós não existíssemos”, diz.

Aos 12 anos, Anyky foi expulsa de casa e passou dias na rua. Foi quando conheceu uma pessoa que a levou para Vitória (ES). A partir dali, ela se prostituiu até completar 50 anos. Outra militante da causa trans, Gisella Lima, de 35, explica como o preconceito afeta direitos básicos como cidadã, levando pessoas trans a buscar trabalhos informais. “Era adolescente quando fui expulsa da escola por conta da discriminação de professores e colegas de turma”, conta Gisella. O estudo da UFMG aponta também que somente 59,4% das travestis e transexuais de Belo Horizonte completaram o ensino médio. “A prostituição pode ser uma opção para pessoas que querem o ofício, mas não pode ser a única. É importante ter a garantia do emprego formal”, afirma Gisella. “O lugar de uma pessoa trans é onde ela quiser”, completa.

TRANSIÇÃO O estudante Lucca Najar, de 25, usa o YouTube para levar informações sobre preconceito, convívio familiar, machismo, nome social e transição de gênero. Lucca conta que tentou se encaixar em várias tribos femininas antes de se compreender como homem trans. Com a ajuda da família, da namorada e da psicóloga, ele se entendeu. Portanto, há um ano, o jovem começou a medicação com testosterona e registra em vídeo todo o processo: “Se assistir do primeiro ao último vídeo já verá a diferença. Olha! Já está começando a nascer uma barbinha”, conta o jovem, alisando os pequenos pelos no rosto.

O processo de transição pode variar. Dalcira Ferrão, psicóloga, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-04) e militante LGBT, explica que a grande maioria das pessoas trans tem desejo em realizar processo de hormonioterapia para as modificações estético-corporais, “mas não necessariamente querem se submeter a procedimentos cirúrgicos”.

Já Clara Houri, de 20, decidiu passar pela cirurgia de transgenitalização, imposto a ela por sua condição biológica. Há dois anos, faz uma ‘vaquinha virtual’ para realizar seu sonho. “Minha genitália me incomoda pra fazer coisas diárias como xixi, tomar banho e ter relações sexuais. Eu não consigo nem pensar nela”, desabafa Clara. Para o procedimento, a jovem precisa de R$ 38 mil. No Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais, diversas atividades serão realizadas na capital mineira para repercutir o tema. Hoje, ocorrerá às 14h a concentração para a “Marcha em luto pelo direito de viver – travesti e trans”, na Praça Sete, no Centro de BH. Já na terça-feira, será inaugurado o “Cine Diversidade”, onde serão exibidos filmes relacionados a temas do universo LGBT, no MIS. A programação completa pode ser conferida no em.com.br.

Você sabe as diferenças?
GÊNERO, SEXUALIDADE E SEXO BIOLÓGICO
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, gênero é diferente de orientação sexual. Dalcira Ferrão, psicóloga, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-04) e militante LGBT, esclarece todos esses pontos.

Cisgênero – Toda pessoa que se identifica com as características do gênero designado a ela no nascimento.

Transgênero – Toda pessoa que não se identifica com as características do gênero designado a ela no nascimento. Nesse caso, podemos dividir entre o grupo denominado “dimensão identitária” (travesti, mulher transexual e homem transexual) e “dimensão funcional” (crossdressers, drag queens, drag kings e transformistas).

Identidade não binária ou Genderqueer – Termo “guarda-chuva” para identidades de gênero que não sejam exclusivamente homem nem mulher, estando, portanto, fora do binarismo de gênero masculino e feminino e da cisnormatividade.

É importante ressaltar que o gênero é diferente de orientação sexual, podendo se comunicar, mas um aspecto não necessariamente depende ou decorre do outro. Em outras palavras: “pessoas transgênero são como as cisgênero, podem ter qualquer orientação sexual – nem todo homem e mulher é 'naturalmente' cisgênero e/ou heterossexual”, explica a psicóloga Dalcira Ferrão.

Nome social 
O governador Fernando Pimentel garantiu, por meio de decreto publicado neste sábado no Diário Oficial Minas Gerais, que em todos os segmentos da administração pública estadual, travestis e transexuais poderão utilizar o nome social e terão reconhecida a sua identidade de gênero.Organizações e coletivos voltados à proteção e luta por direitos LGBTs, em especial os que visam à plena cidadania da população de travestis, transexuais e transgêneros no estado, enviaram na última semana a carta ao governador solicitando a assinatura de um decreto. O nome social refere-se à forma como a pessoa travesti ou transexual se identifica e é socialmente reconhecida. O intuito é garantir o direito de toda pessoa à livre expressão de sua identidade de gênero, de forma que o nome de registro ainda não retificado não possa ser indutor de constrangimentos e preconceitos.  

Do EM
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Exército Brasileiro é condenado a indenizar mulher trans por danos morais

 A estudante transexual Marianna Lively, de 19 anos, vai receber do Exército Brasileiro a indenização de R$ 60 mil reais. A Justiça Federal condenou o Exército após a jovem passar pelo Serviço de Alistamento Militar em Osasco na Grande São Paulo e ser exposta nas redes sociais em 2015, informou o jornalista Gustavo T Miranda, do jornal A Tribuna.

A decisão inédita saiu na quarta-feira (06), um ano e oito meses após ela ter sido fotografada no quartel e, além das fotos, ter o nome de registro e o certificado de alistamento divulgados. E detalhe importante: apenas os militares tinham acessos aos documentos.

Após a exposição durante o processo de Serviço Militar Obrigatório, Marianna sofreu perseguição nas redes sociais, ligações e até mesmo visitas de estranhos em sua casa. Por causa da repercussão, a jovem abandonou Baureri, mudou-se para a capital e, depois para Londres. Ela entrou com uma ação por meio das advogadas Patrícia Gorisch e Ana Carolina Borges, de Santos.

Segundo a juíza Gabriela Azevedo Campos Sales, da 1ª Vara da Justiça Federal de Barueri, ficou comprovado que o Exército é responsável pelos danos materiais e morais causados pelos agentes da corporação. E que a dignidade da estudante foi violada.
 

“É sabido que as transexuais são uma das minorias mais marginalizadas e estigmatizadas da sociedade (...) Ao haver a divulgação indevida das fotos e do Certificado de Alistamento Militar, a autora passou a receber telefonemas de estranhos em sua resistência, bem como ficou exposta a todo tipo de ofensas pessoais e humilhações de forma pública”, declarou a magistrada.

O Exército veio a público falar sobre transfobia e discriminação e admitiu a divulgação, sem autorização, das informações de Marianna durante o processo do Serviço Militar Obrigatório. A Advocacia Geral da União, que defende o Exército, não informou se irá recorrer da sentença.

Ao NLUCON, Ana Carolina afirmou que mais importante que o valor da indenização é o reconhecimento por parte do Judiciário de um ato de transfobia. "Esta é uma resposta do judiciário totalmente positiva e que servirá de exemplo para muitas pessoas, inclusive para que não ocorra mais esse tipo de coisa já que se converte em pagamento pecuniário".

"Que este caso sirva de exemplo para outros. Há também pessoas que sofrem discriminação e não procuram seus direitos por achar que nunca vai acontecer nada. Esta condenação serve, então, de incentivo para aquelas e aqueles que são vítimas de transfobia ou homofobia e também de exemplo para que atacam. Pensem bem antes de agir de forma discriminatória", disse.

A advogada Patrícia, que também é presidente da Comissão de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro da Família (Ibdfam) afirmou que a sentença é histórica e um marco na luta contra o preconceito. “Nunca o Exército foi responsabilizado por condutas transfóbicas e homofóbicas por parte de seus agentes”, declarou ao jornal A Tribuna.

Do NLucon 





De acordo com a advogada Patrícia Gorisch, que também é presidente da Comissão de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), a sentença é um marco na luta contra o preconceito. “Nunca o Exército foi responsabilizado por condutas transfóbicas e homofóbicas por parte de seus agentes”.

Pela primeira vez na história deste tipo de ação, a Justiça Federal condenou o Exército Brasileiro a pagar R$ 60 mil de indenização para a estudante Marianna Lively, de 19 anos por danos morais. Em 2015, a jovem, que é mulher transexual, sofreu perseguição, recebendo ligações e até mesmo visitas de estranhos em casa, após passar pelo Serviço de Alistamento Militar em Osasco, na Grande São Paulo.
A decisão saiu nesta quarta-feira (6), 1 ano e 8 meses após ela ter sido fotografada por militares dentro do quartel e ter tido sua imagem espalhada pelas redes sociais. Também foram divulgados a ficha de inscrição, com nome de registro, e o certificado de alistamento — apenas militares tinham acesso aos documentos.
O caso teve repercussão nacional e, logo, as advogadas Patrícia Gorisch e Ana Carolina Borges, de Santos, assumiram a causa. Segundo a decisão, da 1ª Vara da Justiça Federal de Barueri, onde a jovem morava, ficou comprovado que o Exército é responsável pelos danos materiais e morais causados pelos agentes da corporação.
A decisão judicial afirma ter ficado claro que a dignidade da estudante foi violada. “É sabido que as transexuais são uma das minorias mais marginalizadas e estigmatizadas da sociedade. (…) Ao haver a divulgação indevida das fotos e do Certificado de Alistamento Militar, a autora passou a receber telefonemas de estranhos em sua residência, bem como ficou exposta a todo tipo de ofensas pessoais e humilhações de forma pública”, frisa a juíza Letícia Dea Banks Ferreira Lopes.
Extremismo
Para a magistrada, como a exposição aconteceu na internet, as consequências foram ampliadas. “Observo que além da foto, o certificado de alistamento possuía todos os dados da autora, inclusive endereço e telefone, o que a tornou sujeita até aos atos de grupos preconceituosos extremistas”, cita.
Pela primeira vez, o Exército veio a público falar sobre homofobia e discriminação. Em uma nota, a corporação admitiu a divulgação, sem autorização, das informações da jovem, durante o processo do Serviço Militar Obrigatório.
Decisão inovadora
Por causa dos constrangimentos, a jovem abandonou Barueri, mudou-se para a Capital e, depois, para Londres. Segundo a advogada Patrícia Gorisch, que também é presidente da Comissão de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), a sentença é um marco na luta contra o preconceito. “Nunca o Exército foi responsabilizado por condutas transfóbicas e homofóbicas por parte de seus agentes”, diz.
Até o fechamento desta edição, a Advocacia Geral da União, que defende o Exército, não determinou se pretende recorrer da sentença.

Da Revista FórumCom informações da Tribuna de Santos.
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Médicos acreditam que cura da Aids deve ser descoberta até 2020

Grande parte da comunidade médica mundial acredita que a cura para o HIV é possível e deve ser encontrada em poucos anos. “Se me perguntassem três anos atrás se o HIV tem cura, minha resposta seria não. Hoje, é sim”, afirmou Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA.
Durante conferência sobre o tema em São Paulo, o profissional reforçou que “é difícil, como médico, não enxergar um caminho para a cura”. Segundo o jornal O Globo, a Fundação para Pesquisa da Aids, na Escola da Medicina da Universidade de São Paulo (USP), apontou que a “mágica” é encontrar um meio eficiente para eliminar os reservatórios virais, que acumulam os vírus “adormecidos”.
A fundação estipula até 2020 o prazo para descoberta da cura.


Segue a Entrevista  Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA, publicada na revista Isto é:


O virologista molecular escocês Mario Stevenson tem 59 anos, mais de 25 deles dedicados à pesquisa sobre o HIV, o vírus responsável pela Aids. Pela primeira vez em quase três décadas de estudos, ele se sente confiante em afirmar que haverá cura para a doença. “Ela virá de ideias inesperadas, surpreendentes”, acredita o pesquisador, professor de Medicina da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, e considerado um dos maiores estudiosos do vírus que se tornou um desafio para a ciência. Stevenson baseia boa parte de sua certeza na vitória da medicina contra a Aids no trabalho conduzido pelo colega Ronald Desrosiers, que curou um macaco fazendo com que o organismo da cobaia produzisse anticorpos extremamente potentes contra o HIV. Casado com uma baiana e dono de um português invejável para um escocês, ele esteve em São Paulo para participar do encontro promovido pela Fundação amfAR, maior instituto sem fins lucrativos do mundo envolvido em pesquisa sobre HIV.
Haverá cura para a Aids?
Há um ano eu responderia que não. Mas agora minha resposta é sim. A cura da Aids será possível.
O que mudou em tão pouco tempo, especialmente considerando uma doença que vem sendo estudada há 36 anos?
Estamos conduzindo na Universidade de Miami (Estados Unidos) um trabalho com resultados muito importantes. O cientista Ronald Desrosiers está tentando criar uma vacina para o HIV, para prevenir a infecção, e descobriu que o mecanismo cura a doença em macacos. Há um deles curado. O animal foi tratado um ano atrás e agora não é possível encontrar mais presença do vírus em seu corpo.
Como funciona essa vacina?
Há algum tempo a ciência descobriu que algumas pessoas criam anticorpos muito potentes contra o HIV. Mas não se sabia como fazer com que o organismo produzisse esses anticorpos. Uma das estratégias é tentar vacinas que induzam as mesmas respostas imunológicas, mas hoje agora não conseguimos isso. Desrosiers decidiu que não tentaria criar uma reação que estimulasse a fabricação dessas defesas. Foi por outro caminho.
Qual?
Ele extraiu a informação genética dos genes que determinam a produção desses anticorpos e a colocou em adenovirus (vírus que não causam doenças usados em terapia genética como “carregadores” de DNA até o ponto desejado pelos cientistas). Quando o vírus infecta as células, há a produção de anticorpos potentes, continuamente, e em concentrações muito altas.
Quais os resultados registrados até agora?
O animal foi infectado com o SHIV (mistura material genético do SIV, o vírus que causa imunodeficiência em macacos, com o HIV, e é usado com fins de pesquisa). Ele tinha altos níveis de carga viral. Depois de uma semana da injeção do adenovírus, a carga viral desapareceu. Foi muito rápido. E, após um ano, foram retirados dele linfonodos (produzem anticorpos), posteriormente colocados em outro macaco. Este animal não foi infeccionado pelo HIV. O macaco está de fato curado. Os dados serão publicados brevemente.
Ele também estava recebendo medicação anti-retroviral?
Não.
Quando serão realizados os testes em humanos?
Devem começar em um ano e meio, dois anos. E aí então saberemos se funcionará.
No que essa vacina se difere das outras que estão em pesquisa?
Não é um antígeno, feito com parte de vírus atenuado para provocar a resposta de defesa do corpo e a consequente fabricação de anticorpos. Trata-se de um vírus que produz anticorpos, e aqueles muito potentes. São dois anticorpos específicos, com propriedades especiais.
 
De que forma ela consegue superar um dos maiores obstáculos contra o HIV, que é o de fazer com que as medicações alcancem as células nas quais ele fica em estado latente? Os chamados esconderijos?
Muitos cientistas acham que não será possível eliminar totalmente as células infectadas pelo HIV porque o vírus fica latente, escondido, em algumas delas. Não concordo com isso. Na minha opinião, o vírus produz proteínas continuamente, o que permite a identificação dos esconderijos. E esses anticorpos sobre os quais estamos falando atacam esses pontos. Eles podem inclusive entrar no cérebro porque ultrapassam a barreira hematoencefálica (barreira permeável que protege o sistema nervoso central de compostos tóxicos).
Quais são os outros avanços mais significativos contra a Aids?
Temos em estudo a terapia genética. A única pessoa curada do HIV é o berlinense Timothy Ray Brown. Ele tinha HIV e foi submetido a um transplante de medula óssea para tratar uma leucemia. Acontece que o doador apresentava uma mutação genética que impossibilita a produção de uma proteína, a CCR-5. Essa substância permite a entrada do HIV circulante no sangue dentro das células a serem infectadas (as CD-4). Alguns cientistas acham que podem recriar essa situação de uma forma mais segura.
O que acha dessa estratégia?
O transplante de medula tem 30% de mortalidade. Isso acontece porque a imunidade é suprimida e a pessoa fica mais vulnerável às infecções. E também é muito caro. Custa em torno de US$ 200 mil a US$ 300 mil. Não é a cura para a maior parte das pessoas com HIV que mora em locais pobres, como os países da África. Precisamos de uma fórmula e de mecanismos que funcionem em todos os lugares, para os 44 milhões de pessoas infectadas pelo HIV no mundo. Não uma cura só para quem está em Nova York ou em São Francisco (duas cidades americanas).
O desafio de criar soluções médicas eficazes e ao mesmo tempo acessíveis é um dos mais urgentes na medicina. Quais os caminhos para que ele seja superado quando se trata da Aids?
Temos um ótimo recurso contra o HIV que se chama terapia antirretroviral. Mas, apesar disso, muitas pessoas não têm a oportunidade de usar essas medicações. Na Tailândia, as prostitutas entram em uma clínica e em dez minutos saem com os antirretrovirais. Em muitos outros lugares isso é impossível.
 
O recrudescimento da epidemia em todo mundo está sendo alimentado em boa parte por pessoas, jovens em sua maioria, que não vêem a Aids como uma doença perigosa porque tem remédio contra, e se expõem à infecção. Como mudar essa ideia equivocada?
Em Miami, o grupo no qual há mais novas infecções é o de homens entre 15 e 23 anos. Muitos jovens acham que não serão infectados mesmo se praticarem sexo sem proteção e, se forem, basta tomar uma pílula e pronto. No entanto, isso não é verdade. A vida do paciente será seis anos mais curta se ele não tomar as drogas de forma correta, se não for ao médico no tempo certo. Os medicamentos apresentam efeitos colaterais sérios (aumentam o risco cardiovascular, por exemplo). Cerca de 30% dos doentes fracassam porque não tomam os remédios direito. O vírus fica resistente e eles adoecem. Sem falar que fazer sexo sem camisinha eleva a chance de contaminação por outras doenças sexualmente transmissíveis e de infectar outros indivíduos. As pessoas precisam entender que a vida com Aids não é nada fácil.
Quais as principais lições que os cientistas aprenderam com os estudos sobre a doença até hoje?
São muitas. As pesquisas com os anticorpos, por exemplo, nos dão a lição de que a cura chegará de ideias inesperadas. Uma vacina eficaz será resultado de diferentes tipos de pesquisa. Será algo que não esperávamos que nos levará ao sucesso. O governo dos Estados Unidos está patrocinando vários estudos, mas muitos não estão dando em nada porque são muito focados. É preciso realmente pensar fora da caixa.
Por que defende isso com tanta convicção?
Muitas das grandes descobertas vieram de investigações inusitadas. Veja o último Prêmio Nobel de Medicina (o japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o título por suas pesquisas em leveduras, e depois em células humanas, descrevendo como as células fazem a autofagia, processo que permite a elas degradar ou reciclar componentes. O cientista já havia tentado vários campos de pesquisa antes de chegar a esse especificamente). As informações têm de vir de pessoas de diferentes áreas. Às vezes as respostas estão na nossa frente e sozinhos não as enxergamos.
 
 


 
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O DIA DA MULHER existe para nós TRANSEXUAIS?

Nesse dia tão hipocritamente cor de rosa, tudo parece ser direcionado à homenagear às mulheres...
Midias de todos os formatos (televisão, rádio, jornais, internet, etc) afirmam reconhecimento e respeito às questões e nessecidades dessa população que durante todo o restante do ano fica em segundo plano!

Menores salários, violência doméstica, não acesso à saúde pública são apenas alguns dos pontos desanimadores do tratamento imposto por uma sociedade machista e opressora! Exemplo: em minha cidade, em pleno outubro rosa, não havia ginecologista nem acesso ao exame de mamografia!

Mas voltando ao dia de hoje, DIA DA MULHER, nesse ano em especial até percebi a inclusão das mulheres trans em algumas campanhas ou mensagens na internet, talvez pelo "politicamente correto"... Mas, será que estamos realmente inseridas e acolhidas? Reconhecidas, Não como mulheres biológicas, mas em nossa realidade?

Algumas pessoas me parabenizam nessa data, algumas com sinceridade, outras por gentileza ou por parabenizar a quem está ao meu lado e sentir-se na obrigatoriedade de extender o gesto à mim! ( risos)

O fato é que temos o sentimento feminino... Às vezes a doçura do SER MULHER... Não somos o sexo frágil, longe disso (nem as mulheres CIS são)!!! Não me considero mulher, mas me sinto uma!
Quero ser homenageada TODO DIA!!! Com direitos iguais, respeito, equidade!
Hoje é mais um dia de luta do que de flores...


Ela é você!:




*Gif copiado de homenagem da página que me transborde, do Facebook.




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Reflexões e Desabafos - By Katia Steelman Walker: Rendo-me aos teus carinhos

Rendo-me aos teus carinhos
Aos teus beijos que me despertam o capricho
De ter-te com volúpia e prazer
De no amanhecer amar-te.
 

Entrego-me sem pudores
Caem os tabus e as mascaras que acompanham o dia a dia
Digo-te coisas ao ouvido, te instigo mais
A loucura e o prazer já são as únicas coisas que nos restam.
Não há o porque lembrar-se de nada
Se a chuva cai, se o sol já não brilha
O mundo explode em cores
 

Conquistamos o momento de êxito.
Somos agora uma única inspiração
Uma única célula a formar o universo
Nosso universo particular
Onde só é essencial o ímpeto de nossos corpos a estremecer.

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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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