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Com título, Miss AP Gay 2017 quer ajudar LGBTs a lutarem pela vida


Após três horas de cuidados e montagens, o cabeleireiro e maquiador amapaense Diego Santos, de 28 anos, se torna Ísis Goulart, a Miss Amapá Gay Universo 2017. Com coroa, faixa e o título, ele acredita que vai ajudar outras pessoas a lutarem na vida e irem em busca dos próprios sonhos, principalmente a classe LGBT.
“Eu não me reconheci nos meus vídeos do concurso. Depois de toda essa maratona, ter chegado às semifinalistas e, em seguida, ser coroada Miss Amapá 2017 foi um exemplo para mim e para os outros de que se eu luto, eu posso vencer”, disse Santos.

A preparação para se tornar miss começou ainda em agosto de 2016, com importação de peruca dos Estados Unidos, a compra do sapato, até as aulas “intermináveis” de passarela, que foi o maior desafio para ele, por nunca ter andado num “salto”. Diego Santos venceu outros dez transformistas no concurso de beleza, que ocorreu em 3 de março, no Teatro das Bacabaeiras, em Macapá.
Depois de ter ajudado tantas misses a conquistarem os títulos e maquiado modelos que se destacaram pelo país, Diego Santos achou que chegou a vez dele se transformar e encarar as passarelas. Na preparação para o concurso foi a primeira vez que ele se viu como uma mulher.
“À princípio eu não me reconheci. Mas me olhando no espelho depois de montado, eu me vi como eu tinha traçado. Eu fico exatamente igual eu gostaria de ser. Eu sempre me voltei para a moda, trabalhando em desfiles de moda e conquistei títulos junto com misses. Na verdade, eu acho que era algo que eu idealizava para mim e queria que as meninas conseguissem. Quando eu percebi que era isso que eu queria, achei justo lutar por mim”, afirmou o amapaense.

Dedicação social
Para o cabelereiro, a Ísis Goulart vai poder alertar às pessoas da classe LGBT a buscarem ajuda pela vida. Segundo ele, muitos ficam doentes e não procuram ajuda por vergonha.

Percebendo essa realidade, o amapaense criou em 2015 a ONG “Amigos do Bem”, que faz ações voltadas a esse público, principalmente com entrega de lubrificantes e preservativos aos profissionais da noite como prostitutos e dançarinos, e esclarecimentos sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
“Sem o título, eu já fiz muitas coisas. Com a faixa de Miss Amapá e, quem sabe de Miss Brasil, eu poderei fazer por muito mais pelas pessoas. Meu sonho é tornar a ONG ainda maior, e levar esse suporte para tantas pessoas que eu tenho certeza que estão precisando da gente. Eu perdi um amigo há 2 anos, vítima do HIV, porque ele tinha vergonha de se tratar. Quantas pessoas eu puder evitar passar por isso, isso sim é uma vitória para mim”, comentou Diego Santos.

Carinho para enfrentar desafios
Diego Santos nasceu em Macapá, a infância foi no bairro Congós, na Zona Sul, e a formação toda foi na rede pública de ensino. Também já morou em Natal (RN) e voltou ao Amapá quase há 2 anos. Nesse tempo, ele buscou formação e se tornou professor com dupla habilitação em português e inglês e está se alfabetizando na língua espanhola.
Sempre se destacando por onde passa, o amapaense acredita que o carisma para acolher as pessoas o livrou de enfrentar preconceitos por ser homossexual, sexualidade descoberta perto dos 15 anos. Além disso, o apoio da família para ir em busca dos sonhos também foi combustível para as conquistas dele.

“Eu tive uma infância que foi muito amparada por eles. Sempre tive carinho, respeito. Meus pais sempre souberam que eu era um menino diferente e cuidaram para que isso fosse o mais confortável possível. Graças a Deus eu posso dizer que não fui vítima de nenhum tipo de agressão moral ou assédio, nada desse tipo, em relação à minha sexualidade. Pelo contrário, sempre tive muitos amigos por onde eu passo. Acredito que é tudo uma questão de postura. Ser homossexual não é um padrão, as pessoas são diferentes umas das outras e eu sou tratado por quem eu sou”, disse Santos.
Sobre relacionamentos, o cabelereiro contou que os namoros dele foram duradouros. Ele namora há um ano, com um profissional da beleza que faz parte da equipe dele, e os planos são de casamento em breve e até adoção de uma criança.

Concurso mundial
Diego Santos contou que, aos 18 anos, sonhou em ser miss ao ver pela primeira vez um concurso de beleza LGBT. Esse sonho da juventude deu gás para ele ir em busca do título estadual. Agora ele começa a preparação com foco no Miss Brasil Gay Universo 2017 e até mesmo no Miss Global Gay Universo 2017.
“Foi maravilhoso ter me preparado tanto para o Miss Amapá que isso já me antecipa muito para o Miss Brasil. A preparação vai continuar a mesma, aulas de dança, oratória, passarela, cuidados com a pele, com o corpo. Eu só vou dar seguimento ao que eu já estou fazendo”, falou o Miss Amapá Gay 2017.
Ao vencer a etapa estadual, ele e a equipe ganharam passagens de ida e volta, hospedagem e alimentação em São Paulo, onde representará o estado no Miss Brasil Gay Universo 2017 no dia 26 de setembro. Ísis também ganhou no concurso os trajes de gala e típico para o concurso nacional, assinados pelos estilistas Ruy dos Anjos e Rony Alencar, respectivamente.
 
Do G1

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