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A importância dos crossdressers do passado para um mundo mais tolerante nos dias de hoje


O termo crossdresser tem ocupado destaque na mídia recentemente. Personagens de novela das oito, temas de documentários e algumas apresentadoras de talk shows (como Laerte Coutinho) são crossdressers

Basicamente, crossdresser é alguém que gosta de se vestir como uma pessoa do gênero oposto com frequência. O mais comum são homens que se vestem como mulheres.

Embora pareça uma novidade, o fato é que o costume é muito antigo, de vários séculos. A história nos oferece exemplos de diversas épocas. Mesmo nos Estados Unidos da década de 1950, marcada pela onda conservadora do McCarthismo, o crossdressing estava presente, ainda que às escondidas na maioria dos casos.

Um exemplo era a Casa Susanna, localizada nos arredores de Nova Iorque, onde homens heterossexuais (boa parte casados) se encontravam eventualmente e conviviam como mulheres por alguns dias, normalmente em finais de semana e sob sigilo. As meninas se dedicavam a diversas atividades identificadas na época como “femininas”: limpar a casa, cuidar do jardim, organizar chás da tarde, jogar bridge e posar para fotos artísticas como modelos. As fotos eram guardadas na Casa e, por acidente, quarenta anos depois, boa parte delas foi encontrada em um mercado de pulgas de Manhattan.

A dona da propriedade, organizadora dos eventos e “matriarca” das crossdressers, Susanna Valenti, era uma das ensaístas de uma revista chamada Transvestia na década de 60, voltada para o público cross. Incrível pensar em um periódico como este e suas fotos de capa em tempos de costumes tão rígidos. Entretanto, os fortes preconceitos da época se faziam sentir mesmo naquele meio: a revista se definia como uma publicação voltada para homens “sexualmente normais” (ou seja, heterossexuais) que gostavam de se travestir.

O sigilo era importante para garantir a reputação de quem ocupava altos cargos no governo. J. Edgar Hoover, o poderoso Diretor da FBI na década de 50, tinha consciência disso. Afinal, usar roupas do sexo oposto era considerado crime. Ele frequentemente perseguia os jornalistas e celebridades que em algum momento diziam tê-lo visto vestido de mulher e na companhia de jovens rapazes. Nunca se conseguiu provar que ele era realmente crossdresser e gay, embora existam diversos relatos a respeito.

Mais amigável e fora do armário era Ed Wood, o melhor diretor de filmes ruins de todos os tempos. Em vários de seus filmes, Ed aparece vestido com seu tecido favorito, o angorá, e sua inconfundível peruca loira. Sempre que ficava tenso, se travestia como forma de relaxar.

Durante a guerra, por exemplo, usava lingerie por baixo do uniforme. E nos momentos mais difíceis dirigia seus filmes como mulher. Também saía com naturalidade pela cidade sem se importar com a reação dos outros, e é interessante notar que nunca chegou a ser maltratado ou agredido por isso.

Ed chegou a fazer um filme dedicado ao tema, chamado Glen ou Glenda, de 1953. Hoje em dia é considerado cult, mas não por suas qualidades dramáticas. Também pudera: é um dos produtos que fizeram a fama de Ed Wood como diretor de filmes ruins e está no ranking de piores filmes de todos os tempos. Por conta disso, os admiradores do kitsch dos anos 50 adoram assisti-lo.

Se hoje vivemos em tempos mais tolerantes, muito se deve à coragem de gente como ele, que não escondia sua personalidade e aceitava a si mesmo!

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