Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Princípio da dignidade: Obrigar transexual a usar banheiro masculino causa dano moral indenizável

Os transexuais têm direito a ser tratados socialmente de acordo com a sua identidade de gênero, inclusive na utilização de banheiros públicos. Violar esse direito significa violar os princípios constitucionais da honra e da dignidade humana e dá direito a indenização por dano moral.
O fundamento levou a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a confirmar, na íntegra, sentença que condenou em danos morais uma casa de diversões porque seus funcionários xingaram um travesti que usou o banheiro das mulheres. Pelo constrangimento e humilhação por que passou, a autora receberá a quantia de R$ 8 mil.
Para os desembargadores, a pessoa tem direito de frequentar o banheiro conforme sua opção de gênero, ainda mais, como no caso dos autos, quando a "identificação da transgeneralidade" é manifesta. Segundo o acórdão, quando tal direito é desrespeitado, está configurada a discriminação, "que não deve e não pode mais ser aceita". O acórdão, com entendimento unânime do colegiado, foi lavrado na sessão de 19 de abril.
Situação vexatória
Na inicial, a autora informa que assumiu sua transexualidade aos 18 anos de idade e passou a usar o nome Roberta. Em março de 2013, ela e amigos foram a uma festa, mas já na entrada foi compelida a comprar o ingresso masculino, mais caro. A briga com os seguranças no lugar aconteceu depois que ela saiu do banheiro feminino. Ela e os amigos foram levados a um canto do estabelecimento e xingados pelos seguranças, sendo, depois, expulsos.

Em sua defesa no processo, a casa disse que forçou Roberta a comprar o ingresso masculino por causa do documento de identidade que apresentou, que ainda tinha seu nome de batismo.
Violação da honra subjetiva
Na primeira instância, a ação indenizatória foi julgada totalmente procedente. Para o juiz Ivan Fernando de Medeiros Chaves, do 1º. Juizado da 2ª. Vara Cível da Comarca de São Leopoldo, a narrativa da boate deixou patente que a autora teve sua honra violada e foi ofendida por ser transexual, o que feriu sua dignidade.

Chaves citou o voto do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, ao se manifestar sobre a questão do tratamento aos transexuais no Recurso Extraordinário 845.779. Nesse caso, Barroso deixou claro que, em respeito ao princípio constitucional da dignidade e ao princípio democrático, devem ser respeitados os direitos dos transexuais de ser tratados pela forma com que se apresentam. Inclusive para usar banheiros públicos.
"O padrão cultural heterossexual e cisgênero impõe às orientações sexuais e identidades de gênero desviantes o rótulo de aberrações naturais ou perversões sociais, a serem curadas ou combatidas. As pessoas transexuais convivem, portanto, com o preconceito e a estigmatização. São, rotineiramente, encaradas como inferiores e têm seu valor intrínseco desrespeitado", escreveu Barroso.
Tratamento social adequado
Para o ministro, a Constituição e as leis devem ser interpretadas de modo a neutralizar essa situação e para assegurar o tratamento social adequado. "A negativa de tratamento socialmente adequado a um transexual afeta tanto (i) a pessoa transexual, reimprimindo nela o rótulo de não aceita, de doente ou depravada, com reforço ao profundo estigma social sofrido desde a sua primeira infância, quanto (ii) todo o grupo, ao contribuir para a perpetuação do preconceito e conduzir a outras formas desigualdades e injustiças, como discriminações graves no acesso aos serviços públicos de saúde, educação e segurança pública, e ao mercado de trabalho", conforme escreveu no voto.

No caso gaúcho, o juiz reafirmou que o direito dos transexuais de ser tratados conforme sua identidade social está amparado no artigo 1º, inciso III, da Constituição, que define o princípio da dignidade humana.
"É um valor intrínseco ao ser humano, que corresponde ao direito à igualdade, como também por ser um direito fundamental à autonomia, correspondente ao ‘direito de ser como se é’ e, ainda, amparado no Princípio Constitucional Democrático, no aspecto concernente à proteção das minorias", escreveu na sentença.
O relator que desproveu a Apelação do clube no TJ-RS, desembargador Carlos Eduardo Richinitti, disse que o mundo está mudando, o que demanda novos comportamentos que favoreçam a inclusão e a aceitação das minorias. "A questão de gênero, está mostrando a ciência, não é opção, mas destino biológico. Só essa constatação mostra o quanto nós, enquanto sociedade, erramos até hoje, impondo sofrimento, humilhação, exclusão e marginalidade àqueles que não se identificam com o gênero que lhes foi imposto ao nascimento", expressou no acórdão.
Clique aqui para ler o voto do ministro Barroso, do STF.
Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para ler o acórdão do TJ-RS.


Do Conjur
Share:

Travesti é morta a tiros na Grande Fortaleza

Uma travesti de 21 anos foi assassinada a tiros em Maracanaú, na noite dessa segunda-feira, 31, e o corpo foi encontrado na faixa de acostamento da CE-060. A vítima teria sido baleada por dois homens em uma moto, de acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Os suspeitos, conforme informações preliminares da Polícia, estavam em uma Honda Fan preta. Até o início da tarde desta terça-feira, 1º, ninguém foi preso. A vítima foi identificada apenas pelo nome de registro - Paulo Henrique Carneiro de Sousa, morador da comunidade do Benjamin, em Pacatuba, próximo à rodovia.
Ela tentou fugir, mas acabou baleada e morreu no local.
Este é pelo menos o quinto assassinato de travesti no Ceará registrado pelo O POVO, em 2017. A violência contra travestis repercutiu no primeiro semestre por causa dos vídeos do assassinato de Dandara dos Santos. Ela foi espancada até a morte em 15 de fevereiro.
Hérica Izidório foi espancada em jogada em um viaduto da José Bastos em 17 de fevereiro, chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu aos ferimentos. Ketlin foi morta a facadas em Juazeiro do Norte, no último dia 13 de maio. Em 2 de julho, Rayane foi morta em Horizonte.

Do O Povo
Share:

Entenda um pouco sobre Transexualidade

Em “A Força do Querer”, a personagem Ivana, interpretada pela atriz Carol Duarte, está passando por momentos decisivos para descobrir sua verdadeira identidade de gênero. Acompanhada por uma psicóloga, a personagem irá perceber que, além de homem trans, ela também pode ser homossexual.

Segundo a sexóloga e psicóloga especializada em sexualidade humana, Priscila Junqueira, a identidade de gênero, diferente da orientação sexual, é o ato de se sentir pertencente à outra identificação, diferente da biológica, ou seja, uma criança pode nascer menina e se identificar com o feminino, ou não. Ou pode nascer um menino, e pode se identificar ou não com o masculino.

Apesar de parecer simples na teoria, a condição de ser “trans” é muito mais complexa na prática. Além de acarretarem problemas como a não aceitação na sociedade, problemas na hora de conseguir um emprego, conquistar a mudança de sexo e o nome social, existem outros obstáculos ainda mais graves que influenciam o fator psicológico.

O processo de descoberta, se dá através da disforia de gênero, que além de ser um sentimento de inquietude e incômodo ao ver que o corpo não reflete com o que realmente é, acarreta outros problemas como ansiedade, angústia, depressão, e até mesmo tentativa de suicídio, e automaticamente transforma os sentimentos internos em problemas familiares e profissionais, influenciando o preconceito diário.

Na trama esse conflito interno que Ivana sente vem desde criança, ela foi imposta pela mãe para viver uma feminilidade que não fazia parte do seu interior e com isso ela deixa de entender o real sentido da pessoa que  é. Segundo Priscila Junqueira, desde a infância os transexuais sentem que seu corpo foi trocado, ela explica uma parte essencial de como deve ser feito o tratamento psicológico: “Cabe ao profissional contribuir para que essa pessoa primeiro sinta-se acolhida na sua dor e assim poderão caminhar para um autoconhecimento e conflitos diminuídos. Com ajuda profissional a pessoa poderá entender o que está acontecendo, e ser orientado a buscar a terapia hormonal, e até mesmo a cirurgia de redesignação sexual, caso deseje, e receber orientações legais quanto a todo processo”.

Na novela da Glória Perez, ela relata as diferenças, vemos isso com o personagem Nonato, interpretado por Silvero Pereira, que é um travesti que ama seu corpo e não tem problemas com sua identidade de gênero. Isso é abordado de forma nítida mostrando as diferenças

 “O transexual é diferente de travesti. Os travestis irão usar roupas do sexo oposto durante parte da vida para ter uma experiência temporária ou permanente de ser do gênero oposto. Eles podem enfrentar os mesmos conflitos que os transexuais, além de encarar a falta de  respeito a diversidade sexual” – explica Junqueira.

Existe muita confusão com relação às diferenças de orientação sexual e identidade de gênero, mas a sexóloga pontua: “A orientação sexual irá fazer com que a pessoa busque relacionamentos afetivos-sexuais com pessoas do mesmo sexo (homo), sexo oposto (hetero) e ambos (bi). Já a identidade de gênero a questão é o sentir mulher ou homem”.

Apesar do tema ser discutido no horário nobre da televisão brasileira, ainda existe muitas barreiras ao falarmos sobre transexualidade, Para Priscila Junqueira, a educação é fundamental, pois se torna um incentivo falar sobre o assunto em vários lugares, permitindo que esse pré-conceito se quebre.

O processo de descoberta, se dá através da disforia de gênero, que além de ser um sentimento de inquietude e incômodo ao ver que o corpo não reflete com o que realmente é, acarreta outros problemas como ansiedade, angústia, depressão, e até mesmo tentativa de suicídio, e automaticamente transforma os sentimentos internos em problemas familiares e profissionais, influenciando o preconceito diário.
Na trama esse conflito interno que Ivana sente vem desde criança, ela foi imposta pela mãe para viver uma feminilidade que não fazia parte do seu interior e com isso ela deixa de entender o real sentido da pessoa que  é. Segundo Priscila Junqueira, desde a infância os transexuais sentem que seu corpo foi trocado, ela explica uma parte essencial de como deve ser feito o tratamento psicológico: “Cabe ao profissional contribuir para que essa pessoa primeiro sinta-se acolhida na sua dor e assim poderão caminhar para um autoconhecimento e conflitos diminuídos. Com ajuda profissional a pessoa poderá entender o que está acontecendo, e ser orientado a buscar a terapia hormonal, e até mesmo a cirurgia de redesignação sexual, caso deseje, e receber orientações legais quanto a todo processo”.
Na novela da Glória Perez, ela relata as diferenças, vemos isso com o personagem Nonato, interpretado por Silvero Pereira, que é um travesti que ama seu corpo e não tem problemas com sua identidade de gênero. Isso é abordado de forma nítida mostrando as diferenças
 “O transexual é diferente de travesti. Os travestis irão usar roupas do sexo oposto durante parte da vida para ter uma experiência temporária ou permanente de ser do gênero oposto. Eles podem enfrentar os mesmos conflitos que os transexuais, além de encarar a falta de  respeito a diversidade sexual” – explica Junqueira.
Existe muita confusão com relação às diferenças de orientação sexual e identidade de gênero, mas a sexóloga pontua: “A orientação sexual irá fazer com que a pessoa busque relacionamentos afetivos-sexuais com pessoas do mesmo sexo (homo), sexo oposto (hetero) e ambos (bi). Já a identidade de gênero a questão é o sentir mulher ou homem”.
Apesar do tema ser discutido no horário nobre da televisão brasileira, ainda existe muitas barreiras ao falarmos sobre transexualidade, Para Priscila Junqueira, a educação é fundamental, pois se torna um incentivo falar sobre o assunto em vários lugares, permitindo que esse pré-conceito se quebre.

Do  Revista News - Na foto ilustrativa a bela transexual Raphaella Freitas, de 22 anos vai participar do concurso Miss e Mister Diversidade TL e região. O evento foi promovido em Três Lagoas, no clube do JK AQUI.
Share:

Transexual que teve ficha do Exército vazada recebe indenização

Marianna Lively, estudante transexual de 19 anos, teve suas informações pessoais e fotos divulgadas na internet em 2015 logo depois de fazer o alistamento militar obrigatório em Osasco, na Grande São Paulo. Depois de muitas ligações ofensivas e perseguições, a jovem conseguiu justiça com a decisão da Justiça Federal de São Paulo, a qual condenou a União a pagar uma indenização de 60 mil reais à jovem.
Ela, no entanto, está ainda mais feliz por ter feito seu papel de cidadã e por conseguir garantir seus direitos na sociedade. “Para mim foi algo gratificante receber essa notícia, me deixou feliz, que consegui impor respeito, coloquei meu papel de cidadã na sociedade. Eu tenho ido atrás dos meus direitos, não tenho deixado passar batido. Acho que isso foi um marco e que sirva de lição, que não repitam isso, espero que eu seja a última pessoa que tenha passado por isso”, afirmou ela em entrevista ao G1.
Marianna também expressou suas indagações acerca da postura que o serviço militar adotará daqui para frente com relação aos transexuais. “O serviço militar não deu nota sobre o que vai fazer com base de transexuais e travestis no alistamento obrigatório. Espero que eles tomem providências, que possam dispensar as meninas logo quando entrarem com o pedido de reservista e que esse caso não tenha de ocorrer novamente”.
A jovem, que mora atualmente em Londres e espera retornar logo ao Brasil, contou ao veículo que toda essa situação assustou muito não somente ela, como também sua família. “É triste, pois eu sei que não fui a primeira garota a sofrer isso. Muitas meninas me mandaram mensagens dizendo que já havia acontecido com elas em outros estados do Brasil. Foi um choque, algo que não eu não esperava, algo que não tem como falar como foi horrível, me machucou muito. Tenho trauma em andar em público e se eu vejo uma pessoa com celular levantado eu entro em desespero, me sinto muito mal. Espero que isso não venha a acontecer de novo”, reflete a jovem.

A HISTÓRIA E O OUTRO LADO

Marianna contou ao G1 que tudo aconteceu muito depressa. Ela se alistou próximo às 7h e no início da tarde, quando seus dados e fotografias já haviam sido divulgados, passou a receber diversas ligações de pessoas que a procuravam pelo seu nome de registro – que já não utiliza desde os 15 anos de idade. Além do nome e dos telefones, seu endereço também foi vazado, o que fez com que muitas pessoas desconhecidas aparecessem no portão de sua casa.
A jovem e sua mãe decidiram falar com o comandante do quartel sobre o que estava acontecendo e, de acordo com Marianna, não foi de grande ajuda. “Ele pediu desculpas pela infantilidade dos soldados, mas me pediu para deixar a poeira baixar e pediu para eu trocar o número do celular para cessar as ligações. Como se isso resolvesse o problema de terem divulgado meu endereço e meus documentos todos”, contou ela na época.
A reportagem do G1 procurou o Exército que, até o momento da publicação da matéria, não havia se manifestado. No entanto, a instituição divulgou uma nota dizendo que “não discrimina qualquer pessoa em razão da raça, credo, orientação sexual ou outro parâmetro. O respeito ao indivíduo e à dignidade da pessoa humana, em todos os níveis, é condição imprescindível ao bom relacionamento de seus integrantes com a sociedade”.
Ainda em 2015, constava na nota que o Exército tinha conhecimento do ocorrido e já havia instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar o caso e responsabilizar os envolvidos. Também figurava no comunicado que a instituição “não compactua com este tipo de procedimento e empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta, sejam corrigidos, imediatamente, dentro dos limites da lei. O autor das fotos e o responsável pela divulgação das imagens e dos dados pessoais da jovem ainda não foram identificados”.

De Claudia
Share:

Mulher transexual é impedida de embarcar em aeroporto de SC ao usar nome social

Uma mulher transexual foi impedida de embarcar no Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville, na manhã de quinta-feira (16), porque o nome social que constava na passagem aérea era diferente do nome presente nos documentos de identificação. Para viajar, Mariana Franco precisou comprar outra passagem e aguardar até as 15h para pegar o voo até São Paulo, onde fez conexão para Brasília.
“Foi uma humilhação, fui acusada de falsidade ideológica, estou em choque. Eu cheguei às 7h e fui embarcar às 15h, fiquei o tempo todo no aeroporto, não recebi nenhuma assistência. Eu sou transexual, o mercado de trabalho para mim não é fácil, no aeroporto não tem nada barato. Então, foi um constrangimento enorme”, disse. 

Revolta

Mariana Franco, de 30 anos, é presidente da União LGBT de Jaraguá do Sul e vice-presidente da União Nacional LGBT de Santa Catarina. Ela foi a Brasília para participar da Conferência de Saúde da Mulher.
“Eu costumo fazer palestra para até 300 pessoas sobre o uso do nome social e acontece isso comigo. Fiquei bastante chateada, revoltada, não tive meus direitos reconhecidos”, disse. 

Aspecto legal

A advogada de Mariana, Júlia Melim Borges, informou que notificará a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que apresente uma resposta formal sobre o caso.
“Queremos saber quais orientações são passadas às companhias aéreas sobre o uso do nome social por passageiras e passageiros. Em razão do decreto 8727, de 2016, que reconhece a identidade de gênero das pessoas transexuais e travestis e o uso do nome social por elas, entendo que o nome social deve ser respeitado, inclusive pela Latam. A companhia aérea será processada. Houve violação de direitos. É bem provável que a Anac venha a responder a ação judicial também, em razão do princípio da responsabilidade solidária”, explicou. 

Contraponto

Por e-mail, a Anac confirmou à NSC TV que o nome fornecido no momento da compra da passagem deve ser igual ao nome do documento de identificação do passageiro, mesmo nesse caso.
A Latam Airlines Brasil informou em nota que, “conforme determinação da Anac, para que o embarque possa ser realizado, é necessário que o bilhete seja compatível com o documento de viagem do passageiro. A diversidade faz parte da cultura da companhia, que atende qualquer pessoa com a mesma atenção, cuidado e respeito", declarou.

Do G1
Share:

Morreu aos 74 anos a atriz Rogéria "a travesti da família brasileira"

 Morreu por volta das 22h da ultima segunda-feira a artista Rogéria, aos 74 anos, em decorrência de uma infecção generalizada. Ela já estava internada há um mês no Hospital da Unimed-Rio, na Barra, segundo a amiga Jane Di Castro, para tratar um quadro de infecção urinária. Chegou a ter alta no último dia 25, mas voltou para o hospital ao se sentir mal novamente. O velório de Rogéria acontecerá no Teatro João Caetano, no Centro do Rio: das 11h até as 13h para parentes e amigos, e das 13h às 18h para os fãs que quiserem prestar a última homenagem à artista. Rogéria será sepultada no município de Cantagalo. As informações foram postadas pela atriz Leandra Leal em sua página numa rede social.
— Eu nem consegui vê-la, porque não permitiam visitas. Ela permaneceu na UTI por muitos dias. O problema dos rins se agravou muito, ela precisava operar, mas não podia, por conta de uma taquicardia, e acabou virando uma infecção generalizada — contou Jane, por telefone, depois de sair aos prantos do "8º Concurso Talentos Dublagem Gay", que acontecia esta noite, no Theatro Net Rio, em Copacabana: — A Gottsha (cantora) me contou durante o evento e eu não aguentei ficar. Estou aqui, chocada, porque é mais uma parte da nossa história que se vai. Ainda bem que as "Divinas Divas" ficaram imortalizadas no filme da Leandra Leal. Rogéria nem soube da alegria de estarmos na lista para tentar uma vaga no Oscar. Se formos classificadas, será uma grande homenagem a ela.
Jane e Rogéria eram amigas desde a adolescência e construíram uma história nas artes juntas:
— Ela foi e sempre será o maior ícone travesti do Brasil. Brilhou com tanta dignidade, com tanto talento, e agora se foi... Mas a vida é assim, tem um começo, um meio e um fim. Infelizmente, o fim chegou — lamentou Jane.

Angela Leal, administradora do Teatro Rival e mãe de Leandra, foi uma das primeiras a anunciar a morte de Rogéria, com tristeza. Em seu Twitter, ela escreveu: "Minha Amiga Rogéria a Diva mais Divina! Acaba de partir! Vai querida em paz! A eternidade te aguarda de braços abertos! Triste estou!".

Nascido Astolfo Barroso Pinto (foto ao lado), o mais ilustre filho de Cantagalo, cidade do interior do Rio, já mostrava ser um menino diferente desde pequeno. Ao 3 anos, andava pela casa da família com um pedaço de pano fazendo às vezes de cauda de vestido. O curioso é que tinha horror a bonecas, brincava com os meninos e saía no braço com quem o ameaçasse. Já na adolescência, com a consciência de sua orientação sexual, bem recebida, inclusive, pela família, Astolfo virou Rogério e, aos 19 anos, já trabalhando como maquiador, embelezou as estrelas da música, teatro e da extinta TV Rio.

A consagração do nome artístico veio no concurso de fantasia no Teatro República, em 1964. Ao ficar com o primeiro lugar, foi apresentada pelo locutor como: "Este é Rogério, o maquiador da TV Rio". Mas o público começou a gritar "Rogéria, Rogéria" e, assim, foi batizada com o nome que a deixaria famosa. Foi por três anos vedete de Carlos Machado, no auge do Teatro de Revista, no fim dos anos 60. Circulou por Espanha, Inglaterra e França, onde atuou nos mais animados cabarés.

Na televisão, fez as novelas "Tieta" (1989), "Paraíso tropical" (2007), "Duas caras" (2008), "Malhação" (2012), "Lado a lado" (2012) e "Babilônia" (2015). Além de várias participações em programas de humor como "Sai de baixo", " A praça é nossa", "Zorra total", "A grande família" e "Toma lá da cá" e vários filmes. A artista está no grupo de travestis e transexuais retratado no documentário "Divinas divas", dirigido por Leandra Leal, eleito o melhor filme do mais recente Festival do Rio. Ano passado, lançou sua biografia "Rogéria - Uma mulher e mais um pouco".
Considerada a "travesti da família brasileira", Rogéria dizia nunca ter desejado ser mulher, apenas gostava de se parecer uma. "Sou Rogéria, com muito orgulho de preservar o Astolfo Barroso Pinto", afirmava. Por isso, nunca pensou em ser transgênero. "Minha mãe, Eloá Barroso, só tinha essa preocupação: que eu quisesse me operar. Isso nunca me passou pela cabeça. Pra quê? Se a tampa da privada estiver abaixada, sento para fazer pipi. Se não, faço em pé com a maior naturalidade", disse Rogéria, em entrevista à Canal Extra, em 2013.
Nessa mesma entrevista à revista, a artista falou sobre o medo da morte: "Só gostaria que ela me avisasse três horas antes. E que não viesse na forma de caveira, com foice, mas como o fantasminha Pluft. Eu me arrumaria toda. Queria ser enterrada num caixão de vidro. Antes que endurecesse, as bichas me esticariam. Meu irmão faria a maquiagem. Na lápide, estaria escrito: "Aqui jaz a maior estrela do transformismo nacional".

Do Extra - Adaptado por Kátia
Share:

STF tem a 1ª argumentação feita por advogada transexual

A advogada Gisele Alessandra Schmidt foi a 1ª transexual a falar em defesa de uma causa no STF (Supremo Tribunal Federal).
Ela foi chamada como amiga da corte. Argumentou para auxiliar juízes a decidirem em caso que discute se transexuais podem alterar nome e sexo em documentos, independente de cirurgia de transgenitalização.


O tema é discutido em duas ações (aqui e aqui). O julgamento foi suspenso na 4ª feira (7.jun.2017).
Natural de Curitiba, ela reivindica o status de 1ª advogada transexual da região Sul do país.
“Fiz historia hoje. Foi a 1ª sustentação oral da minha vida. Tudo o que acontece com pessoas trans são extremadas. Em 2 anos de advocacia, a minha 1ª sustentação foi no STF”, afirmou.
“Geralmente a figura das pessoas trans, principalmente das mulheres trans, está associada com a marginalidade e isso está mudando. Acho que eu quebrei um paradigma”, disse Gisele.
 
Do Poder 360 
 
Sinto que estou fazendo história, mas se estou aqui perante Vossas Excelências é porque sou sobrevivente”, disse nesta quarta-feira (7) Gisele Alessandra Schmidt e Silva, ao iniciar a sustentação oral da primeira advogada transexual brasileira a falar perante os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - leia ao final desta reportagem a íntegra da fala da advogada.
Há dois anos na profissão, a advogada do Paraná subiu à tribuna para defender o direito de transexuais mudarem o nome e o sexo no registro civil sem a necessidade de realizar uma cirurgia de “transgenitalização”.
Dizendo-se “sobrevivente”, Gisele relatou os sofrimentos que passou na vida social, incluindo o “apedrejamento moral e físico, à proibição de estar na rua nos espaços públicos mesmo que à luz do dia”, além de bullying na escola, exclusão do ambiente familiar e do mercado de trabalho.
A advogada contou ter conseguido mudar seus documentos sem precisar fazer a cirurgia, mas falou em nome de outros transexuais que não conseguem realizar o processo por entraves burocráticos e judiciais.
“Também sei que falo de um lugar de privilégio, seja porque sou advogada, seja porque minha documentação civil reflete meu nome verdadeiro e minha identidade de gênero. A imensa maioria de travestis, transexuais e homens trans não teve a oportunidade que eu tive, estão à margem de qualquer tutela. Reitero: morrendo apedrejadas e a pauladas em total violação ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana”, afirmou no julgamento.
"A imensa maioria de travestis, transexuais e homens trans não teve a oportunidade que eu tive, estão à margem de qualquer tutela. Reitero: morrendo apedrejadas."
Em abril, o STF começou a analisar duas ações que questionam a necessidade de cirurgia para a mudança no registro civil.
Num dos casos, um transexual recorreu contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) que permitiu a troca de feminino para masculino em sua identidade, mesmo sem a cirurgia, mas sob a condição de que no documento constasse que se tratava de uma pessoa transexual.
Nesta quarta, o julgamento foi retomado com a discussão de outra ação, protocolada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também defende a desnecessidade de cirurgia para a troca dos documentos, dificultada em vários tribunais.
Em sua fala, Janot disse que não é cirurgia que dá à pessoa a condição de transexual. “Condicionar a realização de tal procedimento médico à alteração do registro civil, ainda que de modo indireto, vai de encontro, dentre outros, ao direito à vida, à saúde, à dignidade da pessoa humana, ao reconhecimento, à liberdade, à privacidade, à não discriminação, valores constitucionais de primeira envergadura”, afirmou.
“Não se pode exigir do indivíduo verdadeira mutilação física para assegurar direito constitucional básico assegurado a todo cidadão. Certamente não será ela, a transgenitalização, pressuposto para o exercício dos direitos da personalidade”, completou em seguida.
A decisão do STF sobre essas ações deverá ser obrigatoriamente seguida pelas demais instâncias. Os relatores são os ministros Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli, mas a decisão final depende da maioria dos votos dos 11 integrantes da Corte. O julgamento foi interrompido nesta quarta e ainda não há data certa para a tomada de votos.

Íntegra

Leia abaixo a sustentação completa da advogada:
Excelentíssima senhora Presidente, Ministra Carmem Lúcia,
Excelentíssimos relatores Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli,
Excelentíssimo senhor representante da Procuradoria Geral da República,
Excelentíssimas senhoras ministras e senhores ministros,
Colegas advogadas e advogados e todas as pessoas presentes,
Boa tarde.
Para mim é uma honra estar aqui. Sou a 1ª advogada transexual da região sul do Brasil e, como tudo na vida das pessoas trans é extremado, comigo não poderia ser diferente. Esta é a primeira sustentação oral que faço nestes meus dois anos de advocacia e ela acontece na suprema corte do nosso país.
Sinto que estou fazendo história, mas se estou aqui perante Vossas Excelências, é porque sou uma sobrevivente. Sobrevivi ao apedrejamento moral e físico, à proibição de estar na rua e nos espaços públicos mesmo à luz do dia, à mendicância e ao sepultamento como indigente, como acontece com a maioria das pessoas trans brasileiras sem que, nem mesmo neste momento tão extremo de morte, tenham merecido respeito ao nome e ao gênero com o qual se identificam.
Também sei que falo de um lugar de privilégio, seja porque sou advogada, seja porque a minha documentação civil reflete meu nome verdadeiro e minha identidade de gênero. A imensa maioria de travestis, transexuais e homens trans não teve as oportunidades que eu tive e estão à margem de qualquer tutela, reitero, morrendo apedrejadas e a pauladas em total violação ao principio constitucional fundamental da dignidade da pessoa humana.
Somente em 2016, 130 pessoas trans foram assassinadas barbaramente no Brasil, segundo dados divulgados pela organização Transgender Europe.
Não obstante estar hoje neste espaço e gozar de certa dignidade, não fui exceção no que concerne às agruras vividas pelas pessoas trans brasileiras: “bullying” no ambiente escolar, exclusão do seio familiar quando veio à tona minha identidade de gênero, exclusão do mercado de trabalho. Estas situações que vivi por ser pessoa trans trouxeram feridas intratáveis em minha alma.
Não realizei a cirurgia de transgenitalização por não considerar que uma parte do meu corpo me defina enquanto mulher e por não ter a mínima estrutura e coragem para realizar um procedimento tão invasivo que pode colocar em risco minha vida.
A versão institucional da transfobia também está presente. No estado de onde venho, no Paraná, não há uma definição clara da competência para o processamento do pedido de retificação judicial, o que acarreta consequentes declarações de incompetência e demora jurisdicional, que se debruça em detalhes técnico-processuais e posterga a concretização dos direitos fundamentais envolvidos.
Minoria que somos, vimos bater às portas deste tribunal para pedir mais uma vez que esta corte exerça o seu papel contra majoritário, como o fez o excelentíssimo ministro Roberto Barroso quando sustentou nesta tribuna em favor do reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Não somos doentes, como pretende a classificação internacional de doenças. Não sofro de transtorno de identidade sexual. Sofre a sociedade de preconceitos historicamente arraigados contra nós e nossos corpos que ousam romper as barreiras das fortes e violentas normas de gênero que invisibilizam e apagam da sociedade a nossa experiência tida como abjeta.
Não há no nosso ordenamento jurídico regulação do procedimento de retificação de prenome e designativo de sexo para pessoas trans. Este vácuo normativo nos lança a toda sorte de interferências e condicionamentos para alcançar este direito, quando ele não nos é negado ao final de anos num processo judicial custoso, do ponto de vista emocional e financeiro.
Somos obrigadas a demonstrar certo padrão de feminilidade ou de masculinidade que varia ao sabor da subjetividade que estes conceitos encerram. Muitas vezes, se nos permitem mudar o prenome, não nos permitem mudar o designativo de sexo. Temos que obter um laudo médico que ateste termos um transtorno mental. Somos ouvidas pela justiça e pelo ministério público, também são ouvidas testemunhas, e nossas memórias e intimidade são escrutinadas através de fotografias que demonstrem sermos quem dizemos ser.
Tudo para provar que nossa identidade não é um delírio. Somos acusadas de querer prejudicar direitos de terceiros ou fugir de dívidas. Somos obrigadas a uma violenta intervenção em nossos corpos mesmo quando não desejamos. É esta uma vida digna, livre, e que recebe igual consideração?
Senhoras ministras, senhores ministros, hoje pode ser um dia histórico para a cidadania de travestis, transexuais e trangêneros.
E o que pretende o Grupo Dignidade, entidade que represento nesta tribuna, é a aplicação dos princípios constitucionais já diversas vezes invocados neste plenário desde o ano de 1988: o direito à igualdade, a uma vida livre de discriminação, ao reconhecimento da dignidade humana e à liberdade.
Não apenas a nossa constituição tem comandos suficientes para corrigir esse estado de coisas que oprime e que exclui.
Também no direito internacional dos direitos humanos há ricos fundamentos que permitem demonstrar a procedência do pedido inicial. Os princípios de Yogyakarta, estabelecem que a identidade de gênero é uma profundamente sentida experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento.
Sobre intervenções no corpo, gostaria de destacar a íntegra do princípio número 18:
Nenhuma pessoa deve ser forçada a submeter-se a qualquer forma de tratamento, procedimento ou teste, físico ou psicológico, ou ser confinada em instalações médicas com base na sua orientação sexual ou identidade de gênero. A despeito de quaisquer classificações contrárias, a orientação sexual e identidade de gênero de uma pessoa não são, em si próprias, doenças médicas a serem tratadas, curadas ou eliminadas.
Portanto, Condicionar a retificação do registro civil das pessoas trans à cirurgia, portanto, viola também norma internacional ratificada pelo Brasil no ano de 2006.
Por fim, gostaria de destacar que, como experiência interna, o gênero da pessoa não pode depender de demonstração exaustiva de certo padrão de feminilidade ou de masculinidade para que se conceda a retificação do registro civil à pessoa trans. A autodeterminação deve prevalecer a análises altamente subjetivas a respeito de conceitos que a história nos mostra ter passado por radicais alterações ao longo dos anos.
Assim, também será um grande avanço se deste julgamento resultar tese que estabeleça como critério de demonstração do gênero assumido a mera declaração da pessoa perante a autoridade judicial ou registrador.
Nesse sentido, destaco que tramita no CNJ pedido de providências a Defensoria Pública da União requer que seja expedida orientação daquele órgão aos cartórios de registro civil para que processem os pedidos de retificação de que ora tratamos sem intervenção judicial e sem exigência de cirurgia de transgenitalização. O procedimento está suspenso até julgamento desta ação.
Como corolário do princípio da dignidade da pessoa humana, a desburocratização do procedimento de retificação do registro civil na forma ora pleiteada é medida que tornará exercível o direito à autodeterminação individual, retirando entraves que a todo momento se impõem à cidadania das pessoas trans em razão.
Assim, encerro pedindo a esta corte que julgue parcialmente procedente o pedido inicial para reconhecer o direito à retificação de prenome e designativo de sexo às pessoas trans sem a necessidade de cirurgia de transgenitalização, afastando as condicionantes propostas pela Procuradoria Geral da República, isto é, idade mínima de 18 anos, prova de que a pessoa vive como pertencendo ao sexo oposto pelo prazo mínimo de 3 anos e condição atestada “por um grupo de especialistas que avaliem aspectos psicológicos, médicos e sociais”.
Estou aqui, perante Vossas Excelências, hoje, não apenas por mim, mas sim por toda uma população de pessoas que ainda sofrem imenso constrangimento e tem sua dignidade violada diariamente. Negar a uma pessoa o direito ao nome e à expressão de sua identidade é negar o direito de existir. Requer-se às Vossas Excelências, portanto, que não nos neguem este direito.
Muito obrigada.
 
Do G1
Share:

Mulher transexual denuncia conduta transfóbica de PMs: 'Fui humilhada'

Passavam das 20h30, quando a assistente administrativa Amanda Castro, de 27 anos, que é estagiária da Prefeitura do Rio e transexual, sofreu uma das piores humilhações da sua vida. Ela acusa um grupo de policiais militares de transfobia, durante uma abordagem em um ponto de ônibus, na altura da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Avenida Brasil. O caso aconteceu, na última quarta-feira, e depois de sofrer ofensas e ser obrigada a tirar a roupa na frente dos militares, ela não conseguiu encontrar apoio na 37ª DP (Ilha do Governador), onde o agente se negou a registrar o fato por "falta de provas e testemunhas".
— Nunca passei por uma cena tão absurda de constrangimento, quanto essa. Estava no ponto de ônibus ao lado de uma senhora, quando uma viatura da Polícia Militar parou. Os PMs ficaram por uns 5 minutos dentro do carro me olhando. Achei estranho, mas como eu não devia nada, permaneci esperando o meu ônibus. Mas, logo depois, um dos pms saiu do carro e já veio em minha direção mandando que eu desse a bolsa para ele revistar. Perguntei o motivo e ele disse de forma grosseira que eu tinha que abrir e pronto e que era o trabalho dele — conta a Amanda. 

Ainda segundo a vítima, a história ganhou contornos ainda pior depois que os outros dois PMs saíram da viatura se aproximaram dela. E em tom de deboche perguntaram o motivo dela estar nervosa:
— Falei que não estava entendendo o motivo da abordagem, já que existia uma outra senhora no ponto e só eu que fui abordada. Como eles não acharam nada em minha bolsa, um deles disse que teria que revistar o meu corpo. Eu falei então que eles precisariam chamar uma policial mulher, porque sou transexual e estou resguardada por lei. Mas foi nesse momento, que as ofensas cresceram. Um deles disse: 'Então você é menina? Me passa a identidade'. Expliquei que já tinha alterado a certidão de nascimento, mas que não havia conseguido ainda tirar a identidade, porque o Detran estava em greve. 

Amanda conta que passou a ser tratada pelo gênero masculino e que um dos PMs virou para o outro e disse: "Ele me falou que é menina, mas tem pau. Se tem pau é macho".
— O policial virou para mim e falou que ele não era igual aos PMs de UPP não e que com ele as coisas eram diferentes. Foi então que ele me ordenou a baixar as calças e mostrar os peitos. Eles riam e debochavam de mim. Eu respirei fundo e disse que sabia dos meus direitos e que eles estavam apenas querendo me humilhar. Depois de 10 minutos, eles entraram na viatura e foram embora – relembra.
Muito abalada, a vítima conta que foi para a casa de um amigo na Ilha do Governador e que ele a encorajou para que ela registrasse o caso:
— Cheguei na 37ª DP (Ilha do Governador) já na madrugada de quinta-feira. E o agente disse que não iria registrar, porque eu não tinha provas e testemunhas. E me mandou procurar a Polícia Militar.
Amanda diz que conseguiu amparo com Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS-RIO), órgão da Prefeitura do Rio. 


— Tenho medo de tudo isso, mas vou lutar para ser respeitada. Respeito muito o trabalho dos policiais. Sei o quanto sofrem nas ruas. Mas o que esse grupo fez comigo não faz parte do lema da corporação deles que é o de "servir e proteger".
O coordenador do Ceds, Nélio Georgini, disse que está acompanhando o caso de perto e que já marcou um encontro com Amanda para a próxima quarta-feira:
— Também convoquei o Fabiano Abreu (coordenador do Rio Sem Homofobia) e daremos todo o apoio jurídico para ela. Vamos cobrar explicações destes órgãos sobre a postura dos PMs e do policial civil que não quis registrar o fato.
Repercussão nas redes
O relato da Amanda ganhou repercussão nas redes, após o jornalista e amigo dela, Alexsander Lepletier gravar um depoimento e postar nas redes sociais. O relato foi publicado, pela primeira vez, no site riogaylife.com.br.
— Fiquei bem abalado. A dor dela é minha também. Sofremos violências diferentes, mas com o mesmo fim: o aniquilamento quer seja de nossas identidades, corpos ou mesmo de nossas vidas. Todo o sentimento de indignação foi combustível e motivação para que pudéssemos fazer algo para resgatar a dignidade da Amanda — comentou Lepletier.
De acordo com o delegado titular da 37ª DP (Ilha do Governador), Geraldo Assed Estefan, um procedimento disciplinar será instaurado pela unidade policial para apurar a conduta dos servidores envolvidos no atendimento à vítima.
Já a Polícia Militar disse, em nota, esclarece que até o momento não recebeu qualquer denúncia a respeito do fato relatado. "Procedimentos considerados inadequados devem ser formalizados junto à Corporação para que seja feita a apuração dos fatos".
A nota ainda informa que a PM disponibiliza canais para que a população denuncie através de sua Corregedoria pelo telefone (21) 2725-9098 e endereços de e-mails denuncia@cintpm.rj.gov.br ou aic@cintpm.rj.gov.br. Também há a Ouvidoria de Polícia - (21) 3399-1199.

Do Extra
Share:

Transexual é demitida e denuncia loja da "Bio Mundo" por transfobia

Uma transexual fez uma denúncia ao Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos alegando ter sido demitida da loja Bio Mundo, do Lago Sul, por transfobia. Nicole, 23 anos, trabalhou no local durante quatro meses e garante ter sofrido agressões verbais e físicas de um funcionário que a chamava de "viadinho". Em dezembro de 2016, após ter sido chutada pelo acusado, ela enviou um e-mail a diretoria da empresa pedindo ajuda. Porém, na semana seguinte, sem explicações, recebeu a carta de demissão. Segundo o gerente da unidade, o caso não se trata de transfobia, mas sim de uma disputa entre vendedores. 

A jovem atuou como vendedora na empresa entre setembro e dezembro de 2016. Durante a entrevista de emprego, Nicole contou a gerente que é uma mulher transsexual e relatou estar tomando hormônios devido à transição para o gênero feminino.  “Ela me disse que não havia problema, que se algum funcionário mexesse comigo, era para avisá-la, para que uma providência fosse tomada”, conta. Na semana seguinte, Nicole começou a trabalhar no local, e já no primeiro mês começou a ser alvo de piadas ofensivas de um colega. 

Segundo a denunciante, as agressões verbais se tornaram cada dia mais frequentes. “Avisei para a minha gerente o que estava acontecendo. Ela dizia que conversaria com ele, mas a situação só piorava”, narra. A agressão física ocorreu no fim de novembro, dentro da própria loja. “Um cliente estava vindo em minha direção para perguntar sobre um produto. Daí, ele (o suposto funcionário agressor) entrou na minha frente para impedir que eu o atendesse. Estava com uma cestinha de plástico na mão e empurrei nele, de leve, enquanto perguntava quando ele pararia com essa atitude. Daí, ele virou e me deu um chute muito forte, em frente a todos os clientes e funcionários, eu joguei a minha cesta nele e recebi outro chute. A partir daí, corri chorando para o banheiro”, relata. 

Segundo Nicole, o atendente era bastante competitivo e já teria a segurado para que ela não atendesse clientes, afirmando que ela “já tinha vendido o suficiente”. Após o episódio da agressão, Nicole comunicou imediatamente o ocorrido a gerente, que prometeu tomar uma providência, o que, segundo ela, não ocorreu. “Fiquei bastante abalada, não poderia continuar naquela situação, então enviei um e-mail para a diretoria da empresa, contando todo o ocorrido e pedindo uma solução. Menos de uma semana depois eu e a gerente acabamos demitidas. Eles não queriam nem que cumprissemos o aviso prévio, além de não explicarem o motivo da demissão”, conta Nicole. 

Denúncia 


Nicole estuda Estética e Cosmética no Centro Universitário Iesb e sonha em atuar na área. Porém, desde a demissão no fim de 2016, parou de procurar emprego. “Tenho medo que isso se repita. Fiquei muito triste e depressiva. Apaguei fotos e redes sociais porque me sentia mal em me ver”. Em junho deste ano, Nicole procurou apoio psicológico e foi aconselhada a denunciar o ocorrido. “Quando tudo aconteceu, tive medo de denunciar, por estar lidando com uma empresa grande. Mas agora entendi que se eu não fizer, outras pessoas passarão por isso também”, explica. 

A estudante entrou com uma denúncia circunstanciada no Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (CDPDDH), que convocou as partes para uma tentativa de conciliação nessa sexta-feira (11/8). O proprietário da rede Bio Mundo também foi convocado, mas não compareceu à audiência. “Foram o atual gerente da loja, a responsável pelo RH e o advogado da empresa, que foi bastante rispito. Eles não queriam ouvir a minha história, disse que fui despedida por não vender bem, mas ignorou toda a violência que sofri”, conta Nicole.

O Correio procurou a Bio Mundo do Gilberto Salomão para argumentar sobre o caso. O atual gerente, Marcus Tayrone, que era vendedor à época em que Nicole trabalhava na loja, nega que a transsexual sofria transfobia. “Ele (Nicole) teve um desentendimento pessoal com um funcionário, o agrediu primeiro e sofreu a reação”, afirma. 

Marcus esteve presente na audiência de conciliação e conta uma versão diferente da de Nicole. “A moça dos direitos humanos é bem esquentadinha, nem me deixou falar nada. Nosso advogado só questionou porque a denúncia já era dada como real. Eu não vi nenhuma discriminação, só porque foi com um homossexual que levam para um cunho maior. Ninguém fez nada para ofender a opção dele”, garante o gerente. O funcionário que teria agredido Nicole segue no quadro de funcionários da Bio Mundo do Gilberto Salomão. 

Justiça


O presidente do CDPDDH-DF, Michel Platini relata que a intenção era chamar as duas partes (quem denuncia e o denunciado) para entrar em um consenso. Como não houve conciliação, um processo foi aberto no conselho, que tem até 30 dias para decidir e adotar medidas que podem ir de advertência simples ao fechamento do estabelecimento, e ainda remeter a denúncia a outros órgãos como o Ministério Público.

“O dono da loja foi convocado, mas descumpriu a determinação e enviou um advogado que não soube levar a situação. Temos os e-mails como prova, a única resposta dada a funcionária foi a demissão. Tanto que o outro continua trabalhando normalmente. Ele quis defender o comportamento do funcionário e justificou a discriminação alegando que, na verdade, se tratava de uma disputa de metas. Geralmente as empresas não apresentam esse comportamento e se mostram interessadas em resolver e fazer os cursos de capacitação. Esse tipo de comportamento nos preocupa muito”, destacou Platini.
Por meio da assesoria de imprensa, a Bio Mundo emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso. Confira abaixo na integra: 
A Loja Bio Mundo esclarece que a demissão do colaborador Jonathan Abreu de Queiros Silva decorreu do seu mau desempenho nas vendas e das faltas injustificadas e atrasos ao trabalho. 
A empresa reforça que a orientação sexual não é critério para não admitir ou para demitir colaboradores, tanto é assim que o denunciante foi contratado, inclusive de forma pessoal pelo sócio proprietário da rede. 
Em verdade, o que ocorreu em relação à suposta violência física foi uma disputa entre vendedores, que culminou em uma agressão por parte do denunciante ao seu colega, que revidou aquela.  Ressalta, a empresa que o colaborador que revidou a agressão do denunciante foi advertido formalmente. 
Informa, ainda, a empresa que o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos não facultou que a empresa apresentasse a sua defesa e sequer a sua versão sobre os fatos narrados na denúncia. 
A rede Bio Mundo repudia quaisquer alegações de prática de transfobia e reitera seu respeito aos seus colaboradores e seus clientes. 

Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages