Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Estupradores usam aplicativos de namoro para atacar mulheres

"Mãe, você está doente faz tempo demais." Essa é uma reclamação que a advogada Cristina (nome fictício), 43, tem ouvido do caçula, de 7 anos, no último mês por perceber a mãe sempre triste e agora com 9 kg a mais.
 

A advogada Cristina (nome fictício), 43, estuprada por homem que conheceu pelo Tinder (Foto: Bruno Santos)
O peso extra foi efeito dos remédios profiláticos contra sífilis que teve de começar a tomar. Por causa disso, Cristina perdeu quase todas as suas roupas. "Me desculpe pelo atraso, não tenho mais roupa para vestir. Tive de revirar todo meu armário", afirmou à Folha após atrasar 40 minutos para a entrevista.
Cristina não está doente. Ela só não sabe mais como esconder a verdade do filho: que está se recuperando de um trauma após ter sido estuprada por um rapaz que conheceu no Tinder –um aplicativo de relacionamentos. Além do menino, Cristina também tem uma filha, de 11 anos, ambos frutos do casamento que terminou no começo do ano. Para a mais velha, a advogada contou tudo.
Pelo aplicativo para celular, os usuários se apresentam por meio de fotos e podem trocar "curtidas" entre si. Quando duas pessoas se curtem mutuamente, acontece o famoso "match" –quando só então o dispositivo permite o envio de mensagens ao outro.
"Fiquei vários dias conversando com o cara. E no dia 20 de agosto decidi sair com ele. Fomos para minha casa. Ele me obrigou a fazer sexo anal e eu não queria. Fiquei toda machucada", disse Cristina. O rapaz, segundo a advogada, se apresentava no app pelo nome de um jogador de futebol. Cristina nem suspeitou, até porque nunca foi muito ligada ao esporte.
Para ganhar a confiança dela, o homem chegou até a dar números de CPF e RG, o que tranquilizou a advogada. Tudo falso, o que, no entanto, ela foi saber só mais tarde, quando descobriu outra vítima do mesmo homem –neste mês de setembro. Essa segunda mulher foi à polícia, mas não quis dar entrevista. Segundo Cristina, o rapaz também agia, com uma identidade diferente, no Happn, outro aplicativo de namoro, semelhante ao Tinder.
PAQUERA
Camila (nome fictício), 19, passou por situação muito parecida no ano passado. Aconteceu quando a estudante topou assistir a um filme na casa do novo paquera que conheceu pelo Happn.
"Ele começou a alisar meu corpo e ia descendo a mão. E eu tirava. Mas ele continuou, até colocar a mão lá. Não consegui tirar a mão dele, não deu. Pedia para parar, mas ele continuou", disse a estudante. "Ele inseriu os dedos lá dentro e eu não conseguia fazer com que ele parasse."
Tanto o caso de Camila quanto o de Cristina aconteceram em São Paulo. Só na capital paulista, até agosto, foram registradas 1.574 ocorrências de estupro, maior índice dos últimos três anos.
A Secretaria da Segurança Pública paulista não sabe informar quantos casos aconteceram por meio do uso de aplicativos de relacionamento –que tiveram forte expansão no país nos últimos anos. A subnotificação também é frequente em crimes de estupro, por motivos como medo e vergonha das mulheres.
O Tinder, lançado em 2014, foi procurado pela Folha, mas não se manifestou. O Brasil é o terceiro país com maior número de usuários (10 milhões) da plataforma no mundo. O Happn afirma que a segurança do usuário é "prioridade" da empresa. Lançado em 2015 no Brasil, tem 5,4 milhões de usuários no país.
"Incentivamos que as pessoas sigam precauções de segurança ao conhecer alguém, incluindo se encontrar em lugar público e manter família e amigos informados", diz o Happn, que também afirma estar à disposição das autoridades para investigações.
A advogada criminalista Roselle Soglio, especialista em perícias criminais, explica que as penas em casos de violência sexual variam de acordo com o enquadramento do caso e podem chegar a 12 anos de prisão, segundo o código penal. "Em todos eles a lei determina reclusão. Não há penas alternativas", diz.
PROVAS
Em Manaus, a pedagoga Mariana (nome fictício), 26, também diz que foi estuprada depois de ter saído com um rapaz (militar) que conheceu pelo Tinder. Assim como Cristina, Mariana não foi prestar queixa na delegacia. "O rapaz que me estuprou sabia que não tinha como denunciá-lo. Ninguém ia acreditar em mim. Eu não tinha provas. Só as marcas no meu corpo", afirmou à Folha.
Mariana contou que o homem a levou para jantar em um apartamento que dividia com mais um casal de amigos. Depois de comerem, Mariana disse ter transado com o rapaz no quarto dele.
"Foi então que eu pedi um remédio para dor muscular. Ele voltou da cozinha com um copo de água e uma pílula. Tomei e em menos de 10 minutos apaguei. Só lembro de acordar com dores no ânus e marcas de mordidas nas costas e na bunda", disse.
A pedagoga contou que, zonza, começou a chorar e a se vestir. "'Deixa eu vestir você, bebê. Você pode se machucar', ele dizia para mim." Com ânsia de vômito, ela afirmou que começou a chorar mais alto e comunicou o rapaz que pediria um táxi.
Ele não deixou e pegou uma arma na gaveta, com a qual fez sinal de silêncio, já que a pedagoga estava fazendo muito barulho e poderia acordar os amigos no outro quarto do imóvel.
"Ele colocou a arma na bermuda e me levou para casa. No elevador, ficou segurando minha cabeça contra o peito dele e me beijando na testa enquanto eu chorava", afirmou Mariana. "Chorei não por tristeza, ou medo. Foi de ódio. Ele me estuprou porque realmente queria. Não tem nada a ver com sexo." 

Da FS
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Ministério Público Federal recomenda às Forças Armadas que não vetem transexuais

O Ministério Público Federal, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, expediu recomendação aos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para que a transexualidade não seja considerada como motivo determinante para a reforma de militares, nem como forma de incapacidade para o exercício da atividade militar.
A recomendação leva em consideração ‘elementos colhidos’ durante um inquérito civil instaurado em 2014 – nº 1.30.001.000522/2014-11 -, que teve como objetivo apurar suposta violação aos direitos humanos no âmbito das Forças Armadas Brasileiras, que estariam reformando sistematicamente militares por causa da condição ou opção sexual, sob o fundamento da incapacidade para o serviço militar.
Nos casos concretos de militares transexuais analisados durante o inquérito – um do Exército, dois da Marinha e um da Aeronáutica -, todos foram excluídos do serviço ativo das Forças Armadas após manifestarem o desejo de realizar transição de gênero.

Para os procuradores da República Ana Padilha e Renato Machado, autores da recomendação, a suposta impossibilidade de manutenção da militar transexual nas Armas ou Quadros Militares exclusivamente masculinos não encontra amparo constitucional ou legal, seja pela possibilidade de transferência de militares entre Corpos e Quadros, seja pelo ingresso de militares mulheres em Armas/Quadros/Funções antes exclusivamente ocupados por homens.
O Ministério Público Federal recomenda ainda que sejam estabelecidos programas de reabilitação ou transferência de militares transexuais em funções compatíveis em outros Corpos ou Quadros das Forças Armadas, caso exerçam originalmente funções que não podem ser ocupadas por mulheres e tenham alterado o gênero masculino para o feminino.
A Procuradoria quer implementação de programas de combate à discriminação, ‘voltados à erradicação da homofobia e transfobia, de modo a não excluir das Forças Armadas as pessoas transgênero ou homossexuais’.
Os respectivos Comandantes ‘deverão, no prazo de 30 dias, informar as providências adotadas, sob pena de impetração da medida judicial cabível em caso de inércia ou descumprimento’.

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Pela 1ª vez, 'Playboy' da Alemanha coloca modelo trans na capa


A edição alemã da revista "Playboy" publicará pela primeira vez uma edição com uma modelo transgênero em sua capa.
O editor-chefe Florian Boitin disse terça-feira (9) que colocar Giuliana Farfalla na capa de topless – como é costume para essas revistas na Alemanha – está em linha com a tradição do fundador da "Playboy", Hugh Hefner, de "oposição a todas as formas de exclusão e intolerância", informa a agência AP.
Boitin diz ainda que a modelo, de 21 anos, é um "exemplo maravilhoso de quão importante é a luta pelo direito à autodeterminação".
Giuliana Farfalla, nasceu Pascal Radermacher e é conhecida no país por ter participado no ano passado do programa de televisão "Germany Next Top Model".
A edição de janeiro da revista tem previsão para chegar nas bancas na quinta-feira (11).
"Meus queridos, estou na última capa da Playboy e muito orgulhosa do resultado. Espero que gostem da capa tanto quanto eu", publicou Farfalla no Instagram.
No ano passado, a "Playboy" dos EUA retratou pela primeira vez uma "playmate" transgênero na página central de sua edição de novembro. Ines Rau, uma modelo francesa que posou nua em uma edição de 2014 da Playboy e que já trabalhou com a Balmain e a Vogue Itália, foi a primeira modelo transgênero a aparecer na página dupla central da revista.
No Brasil, a modelo Roberta Close posou para a publicação e foi capa em 1990. 

Do G1
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A primera transexual na Superliga feminina de vôlei, entre a ciência e o preconceito


Um furacão, dentro e fora das quadras. Assim pode ser definida a trajetória tão recente quanto arrebatadora da ponteira Tifanny Abreu pelo vôlei brasileiro. Ela é a primeira mulher transexual a disputar a Superliga feminina, mas, além de levantar o debate sobre uma possível vantagem que levaria sobre outras atletas, seu pioneirismo não passou imune a manifestações de preconceito. Mensagens discriminatórias nas redes sociais se misturam a teses pretensamente científicas que insinuam um suposto oportunismo da atleta, como se jogar com mulheres cisgênero fosse uma escolha para sobressair pela imposição física. “Não tem nada de errado no que faço. Estou dentro das regras do esporte”, rebateu Tifanny após sua primeira exibição pelo Bauru.

De fato, o regulamento da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), em conformidade com diretrizes aprovadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2015, permite a participação de transexuais em competições oficiais. Não há sequer a exigência da cirurgia de mudança de sexo. No caso das mulheres trans, é preciso comprovar um nível de testosterona (hormônio masculino) abaixo de 10 nanomols por litro de sangue para competir na categoria feminina. A atleta só pode defender uma equipe após manter esse índice por pelo menos 12 meses consecutivos e, depois de estrear, deve passar por monitoramento frequente do nível de testosterona. Aos 33 anos, Tifanny cumpre os requisitos. Ela concluiu o processo de transição de gênero em 2015 e atualmente registra em torno de 0,2 nanomol de testosterona por litro de sangue.
Terminada a transição, como esperado em casos desse tipo, a atleta perdeu força muscular, resistência e velocidade devido ao tratamento hormonal. A impulsão, segundo ela, teria sido um de seus fundamentos mais afetados. Entretanto, boa parte da comunidade médica e especialistas do esporte entende que apenas o controle do nível de testosterona não é suficiente para colocá-la em pé de igualdade – ao menos no aspecto físico – com as outras atletas cisgênero. Como a transição de gênero só foi iniciada quando ela já tinha quase 30 anos, seu corpo se desenvolveu a partir da composição fisiológica masculina. Um diferencial que o tratamento hormonal, apesar das consideráveis perdas de testosterona, seria incapaz de anular. “Se tivesse feito o tratamento para a mudança de sexo mais cedo, ela provavelmente teria menos vantagens físicas em relação às demais atletas”, afirma a médica do esporte Karina Hatano.
Coordenador da Comissão Nacional de Médicos do Vôlei, responsável pelo parecer da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que liberou Tifanny, João Grangeiro defende que ela não deveria atuar com mulheres cisgênero, mas, por falta de estudos científicos para embasar uma decisão contrária, chancelou a liberação da jogadora com base na norma do COI. “A diretriz médica que leva em conta apenas o índice de testosterona está aquém da complexidade do caso. De qualquer forma, é o único parâmetro que temos até o momento. E ele foi respeitado para liberar a atleta na CBV”, explica Grangeiro.

Recorrendo à retórica da biologia, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula escreveu uma carta ao COI atribuindo a inclusão de transexuais no esporte feminino a uma “questão ideológica”. Segundo ela, a liberação de Tifanny configura “um grande deboche às mulheres” e pode incentivar o surgimento de um mercado de atletas trans, em que “homens biológicos ocuparão o lugar de mulheres nos times”. Por outro lado, ativistas sociais, militantes LGBT e especialistas em diversidade como Liliane Rocha, fundadora da Gestão Kairós, encaram como indignação seletiva os protestos que se dizem solidários às atletas cis supostamente injustiçadas pela concorrência com Tifanny, mas desconsideram o futuro da jogadora trans caso seja impedida de disputar a liga feminina. “Estamos diante de um caso emblemático”, diz Liliane. “Vejo as reações negativas à presença da Tifanny muito mais como um reflexo de preconceito do que um levante pela igualdade no esporte. Se não jogar no feminino, o que ela vai fazer da vida? O acesso ao trabalho é um direito básico. Mas há pouca gente se preocupando com ela nessa história.”
A especialista em diversidade também rejeita a hipótese de que homens passem a mudar de gênero somente para integrar modalidades femininas, ressaltando que, antes de se aventurarem pelas quadras, transexuais precisam lutar pela sobrevivência. A expectativa de vida de pessoas trans no Brasil é de 35 anos, metade da média nacional. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, uma pessoa trans é assassinada a cada 48 horas no país. Para Liliane, é nesse contexto, de marginalização e violência, que a inclusão de Tifanny precisa ser assimilada, descartando ainda a criação de uma categoria específica para transexuais, já que há poucos casos semelhantes ao da ponteira do Bauru no esporte de alto rendimento – o que contribui para a escassez de estudos científicos sobre a questão do desempenho. “Em todo mercado de trabalho, o profissional trans ainda enfrenta muitas barreiras. Essa realidade se reproduz na esfera esportiva. Parte-se do princípio de que todo homem é forte e toda mulher é fraca. Por que, em vez de julgamentos precipitados, não sugerem à Tifanny um teste de força, para checar se ela leva tanta vantagem assim como dizem?”, questiona.

Tifanny jogando pelo Dero Zele-Berlare, time masculino da Bélgica.
 
Hoje, Tifanny se enxerga como “uma mulher forte”. Ela estreou pelo Bauru no último dia 10 de dezembro. Em seis jogos na Superliga, alcançou uma média de 4,8 pontos por set, igualando a marca da oposta Tandara, do Vôlei Nestlé e da seleção brasileira, que é a maior pontuadora do torneio. Antes de iniciar o processo de transição de gênero, levava o nome de batismo, Rodrigo Pereira de Abreu, mas era conhecida como “Rodrigo Pará”, em referência ao estado onde foi criada. Chegou a disputar a Superliga masculina no Brasil antes de ir para a Europa. Passou por equipes de Portugal, França e Holanda. Em 2016, com a transição de gênero concluída, defendeu o Dero Zele-Berlare, time da segunda divisão masculina na Bélgica, mas sentiu o declínio físico causado pelo tratamento hormonal e decidiu interromper a carreira.
Naquele mesmo ano, Alessia Ameri tornava-se a primeira mulher trans a disputar um campeonato de vôlei feminino na Itália. Na temporada seguinte, Tifanny recebeu autorização da FIVB para seguir o mesmo caminho e fechou com o Golem Palmi, da segunda divisão italiana. Sua estreia, em fevereiro de 2017, causou furor semelhante ao despertado no Brasil. Logo no primeiro jogo, entrou em quadra no segundo set e comandou a vitória de virada da equipe. Jogadoras, treinadores adversários e até o presidente da liga reclamaram de sua “estrondosa imponência física”. Equipes rivais chegaram a ensaiar inclusive uma ação conjunta na Justiça esportiva para impedi-la de jogar. “Tifanny perdeu quase 40 centímetros de impulsão no salto. Precisou adaptar todo seu estilo para a dinâmica do vôlei feminino. Não é algo simples”, conta seu ex-técnico na Itália, Pasqualino Giangrossi. “Ela é quase perfeita tecnicamente, não se resume à potência física. Isso precisa ser considerado.”
Após uma temporada no Golem Palmi, Tifanny voltou ao Brasil para se recuperar de uma cirurgia na mão. O Bauru ofereceu tratamento à atleta e, meses depois, acertou sua contratação. No entanto, o regresso ao país de origem, agora como uma mulher trans, não lhe blindou de sofrer a mesma resistência – e os mesmos preconceitos – que enfrentou na Itália. Em sua carta ao COI, Ana Paula disse que várias atletas da Superliga estão descontentes em dividir quadra com uma jogadora transexual. Técnicos adversários do Bauru já expuseram publicamente a contrariedade diante do início arrasador da ponteira. As queixas começam a surtir efeito. Na última quarta-feira, Annie Peytavin, presidente da comissão médica da FIVB, ratificou o aval a transexuais na modalidade, mas admitiu que a decisão pode ser revista a partir de novos estudos. O COI também prometeu reavaliar suas diretrizes nos próximos meses.
Enquanto isso, Tifanny resolveu não conceder mais entrevistas nem participar de programas de TV. Pretende evitar a superexposição e, de acordo com a assessoria de imprensa do Bauru, quer “manter o foco em treinos e jogos”. Mesmo em silêncio, ela continua sendo, até quando permitirem, o grande símbolo de representatividade da pessoa trans no esporte brasileiro.

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Laverne Cox é a primeira atriz transexual na capa da Cosmopolitan

Laverne Cox, atriz de Orange Is The New Black, sempre foi uma grande ativista pelos direitos transexuais e é uma das maiores porta-vozes do assunto em Hollywood. Ela se tornou, na última segunda-feira, 22, a primeira mulher transexual a ser capa da revista Cosmopolitan.
A edição de fevereiro da publicação sul-africana tem como tema a hashtag #SayYestoLove, ou seja, diga sim ao amor. Na carta de abertura da Cosmopolitan, Laverne escreveu: “Mulheres trans merecem ser amadas a céu aberto”.
Não é a primeira vez que a atriz se consolida como primeira trans na capa de uma grande publicação. Em 2014, ela saiu como destaque da revista Times.

De Isto É
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Daniela Vega é a primeira atriz transexual indicada ao Oscar

A estrela do filme chileno, "A Mulher Fantástica", Daniela Vega, 28, é a primeira atriz transexual que recebe uma indicação ao Oscar. A produção concorre ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.
Além de atuar, Vega, é cantora lírica desde os 8 anos de idade. Ela começou sua atividade em Santiago com pequenas apresentações. Na capital também desenvolveu o seu talento no teatro, mas foi em 2014, que ganhou destaque após participar do clipe "Maria", de Manuel García.
Pouco tempo depois, em 2017, estrelou a produção indicada e aclamada pela crítica no Festival Internacional de Cinema de Berlim. O enredo garantiu o Urso de Prata para Melhor Roteiro, que conta também a história de uma mulheres trans. Confira:

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A história do caminhoneiro que se assumiu crossdresser e roda o Brasil de salto alto

O caminhão Mercedes, de cor azul bebê, estaciona e abre as portas. A motorista, Afrodite, de 68 anos, desce com destreza em cima de um par de saltos, habilidade conquistada nas décadas em que utilizou o calçado escondida de todos. Seu vestido é de cor preta, uma forma de luto, em respeito à morte do homem que foi um dia.
Afrodite nasceu Heraldo Almeida Araújo - nome que consta em todos os seus documentos -, mas há cerca de seis meses pede para ser chamada pelo nome feminino, escolhido por conta da admiração que nutre pela deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade.
Em meados do ano passado, decidiu se assumir como crossdresser, prática na qual homens utilizam roupas e acessórios considerados femininos.
"Desde criança, sempre me senti mulher. Perguntava para a minha mãe por que meus seios não cresciam e ela dizia que homens não têm seios. Nunca entendi por que nasci assim", revela.
Afrodite se considera heterossexual e parou de se envolver com mulheres há alguns anos. Em meio às mudanças dos últimos meses, espera virar transexual e passar a se interessar por homens, deixando para trás uma vida que avalia como triste, por não ter conseguido ser quem realmente é. 


Já foi cabo do Exército, caminhoneiro, eletricista, empresário e pastor. Casou-se duas vezes e teve uma filha. E arrumava formas para suprir os desejos escondidos.
"Na infância, eu pegava roupas de algumas primas e usava. Depois, quando adulta, eu mesma costurava minhas roupas, escondida, ou comprava algumas peças. E usava roupas íntimas femininas, como calcinha ou sutiã, por baixo das roupas masculinas."
Usou roupas de mulher pela primeira vez aos 13 anos, quando pediu às primas que a vestissem e maquiassem. Agora, mais de cinco décadas depois, decidiu que irá fazer a cirurgia de redesignação sexual. "O procedimento, junto com o silicone que pretendo colocar, vão fazer com que eu complete esse ciclo", diz.

A vida de Afrodite assemelha-se à de diversas crossdressers brasileiras. Conforme Cristina Camps, uma das diretoras do Brazilian Crossdresser Club - dedicado a praticantes do crossdressing e transgêneros -, muitas demoram décadas para se assumir. 

"Normalmente, essa vontade surge na infância, mas em função dos padrões da sociedade, somente na faixa adulta irão compreendê-lo. Geralmente, os homens se assumem entre quatro paredes, pelo receio de serem descobertos e perderem as conquistas profissionais e sociais."
Não há levantamentos sobre o número de crossdressers no Brasil. Entretanto, Cristina explica que mais de 3 mil homens já passaram pelo Brazilian Club. "O crossdressing, no Brasil, ainda é embrionário. Nós somos o primeiro clube voltado a esse fetiche no país. Surgimos em 1997, mas, antes disso, certamente centenas de pessoas já eram adeptas da prática. É difícil mensurar", comenta.

Casamentos

Nascida em Jacarezinho (PR), Afrodite hoje vive em Cuiabá (MT). Durante a infância no Paraná, ela se recorda que sempre teve tendência a escolher atividades relacionadas às meninas, o que a tornava alvo de comentários dos colegas de classe. "Ele riam de mim, por causa do meu jeito mais delicado."
Na puberdade, teve uma crise de identidade. "Fiquei revoltada quando nasceram os primeiros pelos em mim e minha voz engrossou. Foi estudando anatomia que passei a entender que não poderia ter seios. Mas ainda assim, mantive meu sonho de um dia me tornar mulher", declara.

Quando se mudou para São Paulo, ainda na adolescência, começou a trabalhar em uma tecelagem e passou a costurar roupas femininas para si, quando ficava sozinha. E usava-as apenas dentro da fábrica, porque não tinha coragem de sair à rua.
Manteve o costume de usar, secretamente, roupas íntimas femininas nos períodos em que serviu o Exército, em que foi funcionária pública em Corumbá (MS) e, posteriormente, caminhoneira. Na cidade sul-mato-grossense, conheceu sua primeira mulher, de quem escondeu o fetiche. Eles se casaram em 1974.
"Muitas vezes, eu tinha que viajar de caminhão, a trabalho, e usava lingeries. Mas nunca usei nada na frente dela", relata. Certa vez, a mulher encontrou, no bolso de uma calça de Heraldo, calcinhas que haviam sido utilizadas pelo próprio marido. "Talvez ela desconfiasse, mas não falou nada."
Foi também nesse período que Afrodite teve a única filha, Tatiana, um ano após o casamento. Foi um dos momentos mais importantes de sua vida.
"Eu sempre quis ter uma filha, porque acreditava que me identificaria mais", comenta.
O casamento durou 16 anos e terminou após Afrodite engatar um romance com outra mulher. Depois desse relacionamento, pela primeira vez, ela arriscou sair na rua com roupas femininas.
"Eram coisas discretas. Comecei no fim de 1995. Eu não conhecia sobre crossdresser nem transgênero, só tinha muita vontade de andar vestida de mulher e de ser uma", relata.
Ela deixou de esconder os desejos aos amigos mais próximos, mas logo desistiu de usar roupas femininas em público. "O preconceito era muito grande nas ruas. Não cheguei a ser alvo de nenhuma agressão, mas ouvia comentários como 'bicha' ou 'viado'. Então, decidi me preservar e também desisti, temporariamente, dos meus planos de mudar de sexo."
O segundo casamento durou 14 anos e terminou em 2013. Um dos motivos do rompimento, diz a crossdresser, era a vida sexual do casal - Afrodite diz que sempre teve dificuldade em se relacionar com mulheres, mas tampouco se interessa por homens. "Eu me considero heterossexual, porque pessoas do mesmo sexo nunca me atraíram. Às vezes penso que posso ser assexual."

A carreira de pastor

Durante o segundo casamento, Heraldo, espírita kardecista desde a infância, decidiu conhecer mais sobre a religião da companheira, que era evangélica. Acabou se tornando pastor, função que exerceu por mais de 10 anos na Assembleia de Deus em Cuiabá.
"Eu pregava, dava testemunhos e falava sobre a palavra de Deus. Eu fazia até culto em minha residência, para 150 pessoas. Gostava muito". E costumava liderar cerimônias religiosas com roupas íntimas femininas. "Ninguém percebia, mas eu usava, porque me sentia bem."
Com o passar dos anos, passou a se questionar sobre como a religião enxergaria o fato de se sentir como uma mulher. "As minhas fantasias continuavam e, muitas vezes, perguntei a Deus se eu estava errada. Mas me sentia em paz com minha consciência e isso me tranquilizava."
Em 2013, após decidir que iria se tornar crossdresser, deixou a Assembleia de Deus. "Muitas coisas iam contra os meus princípios e me sentia muito reprimida. Eu acho que não deveria ter ficado tanto tempo (na igreja). Hoje penso que não deveria ter retardado tanto a minha felicidade."

Relação com a família

Afrodite conta que tinha uma boa relação com seus irmãos - com quem chegou a formar uma sociedade em uma empresa eletrotécnica - até ela passar a usar roupas femininas abertamente.
"Falaram que eu estava ficando maluca. Foram me isolando e até me proibiram de atender clientes", afirma.
Afrodite chegou a registrar boletim de ocorrência contra parentes, alegando sofrer ameaças de agressão. E abriu um processo contra os dois irmãos por injúria e difamação. "Já tivemos algumas audiências e a juíza orientou que a gente faça acompanhamento psicológico", diz.


A doutora em psicologia social Sandra Elena Sposito afirma que o acompanhamento psicológico pode auxiliar uma crossdresser a se entender melhor. "Essas pessoas podem precisar, talvez, de algum amparo para enfrentar situações de estigma e preconceito. Não pelo crossdressing em si, mas para que compreendam que essa situação não precisa gerar sofrimento. A dificuldade vem da forma de estar no mundo e não ser reconhecida, não poder transitar na sociedade nem se expressar socialmente."
O preconceito dentro da própria família foi justamente a parte mais difícil para Afrodite. "Eram pessoas que eu esperava que, ao menos, me respeitassem. Não imaginava que fossem me atacar dessa forma", lamenta. No entanto, ela afirma ter recebido apoio dos sobrinhos e do pai. "Ele agiu normalmente comigo. Não fez nenhum comentário quando me viu de mulher pela primeira vez."
Ao recordar-se da mãe, já falecida, ela se emociona. "Ela me amaria ainda mais. Sei que ela me assiste, porque nada dá errado para mim. Sei que estou conseguindo vencer. Hoje, sinto a presença dela me encorajando", diz, entre lágrimas.
Outro apoio importante veio da filha, a dona de casa Tatiana Rodrigues, de 42 anos. "Ela lidou tranquilamente com isso. Na primeira vez em que ela me viu, só me deu um conselho: 'não pinta a unha de cor muito forte quando estiver trabalhando'. Mas eu disse que gosto de cores assim, pois escondem a sujeira da unha, por conta do meu trabalho como caminhoneira."
Rodrigues conta que, até 2017, nunca havia identificado no pai um interesse em se transformar em mulher. "Nunca pensei nisso. Meu pai não era aquela figura extremamente machista, mas nunca demonstrou tendência afeminada. Era um senhor comum", explica.
"Não posso dizer que (vê-lo vestido de mulher) foi algo que você olha e pensa: 'tudo bem'. A primeira coisa que pensei foi: 'nossa, é o meu pai. Aquela imagem que eu tinha antes não existe mais'. Mas a essência dele é a mesma e é isso que importa. Depois do primeiro impacto, passei a encarar normalmente, porque meu pai para mim é um tesouro, junto com a minha mãe", conta.

Preconceito e mudança de gênero

Mas a filha teme pela integridade física do pai. "O meu medo é que ele sofra algum tipo de violência, porque o mundo está cada vez mais perigoso e existem muitas pessoas intolerantes", diz.
É o mesmo temor do pai. "Nunca fui agredida fisicamente, mas esse é o meu maior medo", conta Afrodite.
Desde que se assumiu como crossdresser, ela passou a enfrentar comentários maldosos e situações constrangedoras. "Já levei empurrões em bares, mas outras pessoas entraram para me defender. Eu também já fui impedida de entrar em alguns estabelecimentos. O preconceito agora faz parte da minha rotina. As pessoas torcem o nariz, às vezes levantam e vão sentar em outro lugar. Eu ignoro, mas isso tudo machuca."
Um dos momentos mais difíceis é quando precisa utilizar banheiro em algum estabelecimento público. "Muitos não me deixam entrar no feminino e eu tenho que ir ao masculino. É ruim, porque eu uso meia-calça, tenho que usar o mictório e acabo tendo que levantar o vestido. Me sinto exposta, porque sempre tem alguém que me constrange ou me xinga dentro do sanitário", lamenta.
Afrodite gostaria de realizar a cirurgia de mudança de sexo ainda neste ano. Antes, porém, deverá fazer acompanhamento terapêutico, para que possa receber laudo psicológico/psiquiátrico favorável e o diagnóstico de transexualidade.
 
Enquanto isso, ela entrou com uma ação na Justiça para que o nome Afrodite passe a constar em seus documentos. "Expliquei para a juíza que eu não sou homossexual, sou transexual. No Fórum, todos me chamavam de Afrodite", relata. O processo ainda está em tramitação.
Atualmente, Afrodite se classifica como crossdresser, por não ter feito nenhuma modificação em seu corpo. Quando fizer a cirurgia de mudança de sexo, passará a se considerar transexual. "Eu quero chegar o mais próximo possível de uma mulher, que é como eu realmente me sinto", conta.
Crossdresser há cerca de dez anos, a psicóloga e artista plástica Fe Maidel argumenta que o crossdressing não necessariamente precede uma mudança de gênero: "Cada pessoa tem uma maneira única de se expressar no mundo. Ser crossdresser pode ser o começo de um processo de conhecimento, que pode culminar na transição de gênero, ou não".
A vontade de concluir a fase de transição é tamanha que Afrodite tem tomado hormônios por conta própria, sem consultar um médico, há cinco meses. "A minha filha já me deu bronca. Ela falou: 'papai, eu convivi com o Heraldo por 42 anos e quero viver o mesmo período com a Afrodite'", comenta. A crossdresser prometeu suspender o medicamento até a devida indicação médica.
A redesignação sexual será, segundo ela, o começo de uma nova vida. "É um sonho que tenho desde criança. Eu preciso muito dessa cirurgia", diz. E, mesmo antes disso, Afrodite já decretou a morte do homem que era desde a infância. "As pessoas me perguntam o porquê de eu gostar tanto de preto. É porque estou de luto, em respeito ao Heraldo, que morreu."
A crossdresser leva uma vida solitária. Sua rotina se resume a alguns fretes no caminhão, ir a lojas comprar roupas e frequentar bares, nas noites em que está feliz. A maior parte de seus dias ela tem passado em casa, onde mora sozinha, junto com 16 gatos. Diz que há poucas pessoas com as quais pode contar. "É triste, mas eu sei que acabam se afastando de mim. Só tenho a minha filha, minha neta, meu genro e minha primeira esposa."
Mesmo assim, Afrodite não se arrepende de ter se assumido crossdresser. "Eu só me culpo por não ter feito isso antes. O que me deixa triste é que sei que já estou velha e não vou ter tanto tempo para desfrutar desse meu sonho."


Da BBC
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Transgênero de Guarujá: Flávia é personagem da vida real

A imagem que vemos no espelho é o reflexo da luz. Mas, para Luís Fernando de Oliveira Weiss, essa luz esteve apagada por 42 anos. Apenas em julho do ano passado é que os holofotes se acenderam, todos de uma vez só, iluminando uma nova pessoa. O gênero masculino continuou no escuro, mas a luz fez surgir Flávia Bianco, uma mulher vaidosa, sempre de olhos delineados e com boca e unhas vermelhas.
Pela ordem cronológica da vida, Flávia acaba de completar um ano. É o tempo que ela tem de princesa e que o sapo que lhe permitiu a metamorfose se mantém apenas nas lembranças.
Com sua identidade social, que já consta oficialmente no CPF junto com o nome de batismo, Flávia trouxe consigo uma história verídica de alguém que não se reconhece no corpo do sexo oposto, exatamente como a personagem Ivana, da novela A Força do Querer, de Glória Peres. 
“Meu desafio hoje é retornar ao mercado de trabalho como Flávia e vencer a desconfiança de amigos e até de familiares nesse processo de transição”. 
A diferença é que Flávia já existia nos sonhos de Luís Weiss desde quando ele vestiu a roupa de uma prima pela primeira vez ainda criança, aos 7 anos. Ainda assim, seu lado feminino nunca o impediu de cumprir seu “papel social”, como define a “vida do sapo” nos anos em que trabalhou com despacho aduaneiro, cursou Publicidade ou mesmo durante os 23 anos de seus dois casamentos.
Para quem não conhece nada do movimento crossdressing,  sapo é o homem que dá a origem à mulher-princesa, criada a partir do uso de roupas, acessórios e maquiagem. Para os crossdressers, o que importa é o gênero e não a orientação sexual. E assim foi a vida da hoje Flávia até julho do ano passado. 


Por longos 42 anos, a luz de Flávia esteve apagada (Foto: Rogério Soares / AT)
 
A sua história como crossdresser chegou a ser contada na AT Revista de 28 de maio. Mas foi a publicação de um apelo por trabalho nas redes sociais, no último final de semana, que novamente a trouxe para as páginas de A Tribuna.
 “Não gosto de crachás e rótulos. Eu sou a Flávia. Não vou apontar o dedo e dizer que aquele ali é cross, a outra é trans e aquele lá é drag ou uma travesti. Não gosto de subdivisões
Surpresa
Quando a porta do elevador do jornal abriu na Redação do 3º andar, na terça-feira passada, um mulherão de 1,90 metro se apresentou toda sorridente, plena, realizada com a repercussão de sua história. Acima de tudo, estava ali uma mulher corajosa.
O tamborilar das unhas perfeitamente pintadas durante a entrevista evidencia o resultado do tratamento hormonal iniciado em setembro de 2016 e também a resposta de seu corpo à libertação do feminino. 
A barba cerrada do passado foi retirada a laser e a obesidade que um dia chegou aos 160 quilos ficou para trás. Novos são os contornos mais arredondados dos quadris, mãos enfeitadas com anéis e também cabelos compridos. 
Vestida com uma blusa vermelha, saia longa, colar, bracelete e brincos, tudo em perfeita harmonia, ela diz se sentir muito à vontade para, por exemplo, desfilar na calçada da Rua João Pessoa, no Centro de Santos, em pleno horário de pico. 
“Hoje não sou mais a cross. Em qualquer lugar que vou, eu sou a Flávia, mesmo estando com a maquiagem perfeita ou só com o olho pintado”.
É assim que ela fez as pazes com o espelho do qual fugiu desde sempre. Na verdade, dos 7 aos 42 anos, o finado Luís Weiss nunca permitiu que qualquer pessoa o visse como mulher. “Ninguém nunca soube ou sequer desconfiou. Nunca fui efeminado ou me interessei por homem. O problema é que as pessoas confundem identidade de gênero com orientação sexual. Graças à Glória Peres, essa diferença vem sendo explicada”.
Mas ela é uma mulher que nasceu no corpo errado assim como a Ivana? Sim. Mas a diferença é que Flávia começou seu processo como crossdresser e decidiu fazer a transição por completo na vida adulta, longe dos conflitos da adolescência. “Não vivi o trauma da Ivana, porque eu sempre aceitei o meu papel social de homem, enquanto ela usava até uma faixa para apertar os seios e escondê-los. Eu nunca fui assim”. 
Outra diferença é a idade com que ambas fizeram a transição. Ela acredita que ter vivido a adolescência e o início de sua vida adulta como Luís tenha garantido até mesmo sua profissão na área portuária e a formação em Publicidade. “Não sei como teria sido se eu me assumisse naquela época. Será que teriam me colocado pra fora de casa? Eu teria feito faculdade? Minhas opções seriam as mesmas das travestis que estão pelas ruas?”
“Eu me vejo como transgênero e isso não tem nada a ver com ser homossexual, hetero ou pansexual (indivíduo que aprecia e é atraído por todos os tipos de gêneros). Há uma pergunta recorrente sobre o que eu sou. Sendo bem sincera? Fui durante 42 anos da minha vida hetero e hoje a Flávia é assexuada”
Trabalho
O desemprego chegou na vida de Flávia em março do ano passado, quando o Luís ainda existia. Logo depois veio o divórcio da segunda mulher, a volta para a casa da mãe em Guarujá e os desafios da aceitação. Já trabalhou temporariamente em uma empresa de seguros, mas seu maior sonho, agora, é se recolocar em alguma vaga que necessite de um profissional experiente em Administração. 
Assim como tem sido aceita entre familiares e amigos antigos, inclusive pela filha de 9 anos, Flávia acredita que possa encontrar uma oportunidade diante de sua capacidade e currículo. “Eu já gerenciei um terminal portuário”, orgulha-se.
Até que a chance apareça, ela segue “respeitando para ser respeitada”. Uma das vantagens da sua transição de gênero é ter aprendido a ser mais compreensiva. “Quem introduziu um fato novo nesta história fui eu. Então eu é que tenho que ter paciência para que a novidade seja digerida. Não posso exigir urgência na aceitação. Hoje eu saí de casa montada (arrumada e maquiada) e dei ‘oi’ normalmente para dois vizinhos que estavam na calçada. Agora, o que eles pensam, não faço a mínima ideia. Mas, na boa? Não me importa”. 

De A Tribuna Por: Christiane Lourenço
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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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