Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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Solongo Batsukh, uma miss transexual que rompe tabus na Mongólia


Solongo Batsukh, uma midiática miss transexual, sempre se apresenta elegante e enfrenta o inverno glacial na Mongólia com um delicado vestido preto debaixo de um casaco em tom pastel.
"Não quero parecer um muffin", diz, em um de seus vídeos no Facebook, esta jovem de 25 anos, enquanto se dirige ao salão de beleza onde trabalha como agente publicitária.
Graças a esta sinceridade e autoestima, Solongo decidiu se apresentar em outubro à primeira competição organizada em seu país para escolher a candidata da Mongólia ao concurso Miss Universo, que foi celebrado no último dia 17 na Tailândia.
A filipina Catriona Gray foi a vencedora da edição deste ano do concurso, celebrado em Bangcoc.
Embora não tenha conseguido representar seu país na competição, Solongo Batsukh virou um símbolo em seu país, muito conservador.
Se tivesse vencido a seletiva, teria competido em Bangcoc ao lado da espanhola Ángela Ponce, a primeira candidata transexual da história do Miss Universo.
"Queria inspirar o maior número de mulheres possível", disse Solongo em entrevista à AFP. "Estou muito orgulhosa por ter tido a oportunidade de competir. A Solongo que criei é uma verdadeira vencedora no meu coração", acrescentou.
No entanto, sua participação no concurso de beleza gerou grande polêmica na Mongólia.
"O mundo teria uma imagem negativa do nosso país se um homem nos representasse, tendo milhares de mulheres magníficas", escreveu um leitor na página do Facebook da Miss Universo Mongólia.
- 'Não devemos nos esconder' -
Estas críticas, no entanto, não intimidaram Solongo, que nasceu em um corpo de menino em Bilguun, na província semidesértica de Dundgovi, no centro da Mongólia.
Quando trabalhava para a associação "Juventude pela Saúde", que dá orientação sexual a pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), se deu conta de que na realidade era uma mulher presa no corpo de um homem.
Então, começou a usar perucas e vestidos e iniciou um tratamento hormonal.
É das poucas pessoas que afirmam abertamente sua transexualidade na Mongólia, onde 80% das pessoas LGBT preferem omitir sua verdadeira orientação sexual, segundo um estudo da ONU.
"É muito difícil para os transexuais encontrarem trabalho", lamenta Baldangombo Altangerel, encarregado do centro LGBT.
No ano passado, foi divulgado nas redes sociais o vídeo de uma pessoa transexual vítima de agressões físicas, o que evidenciou a difícil situação das pessoas LGBT neste país asiático de 3 milhões de habitantes.
Solongo tenta agora aproveitar a fama para combater esses preconceitos. Tanto nas redes sociais quanto na TV, explica que ser transexual não resulta de uma doença mental, nem significa prostituir-se.
Solongo trabalha como maquiadora, viaja muito frequentemente e ficou famosa em seu país após ter terminado na décima posição um concurso de beleza transexual na Tailândia.
"Se continuarmos nos escondendo, a sociedade continuará nos odiando. Não nos conhece", defende.
- Um exemplo -
No entanto, Solongo também se mostra crítica à comunidade transexual por lamentar demais e não fazer esforços suficientes para ser reconhecida.
"Ao invés de dizer, 'somos seres humanos como os demais', temos que demonstrá-lo através dos nossos próprios atos. Mostrar às outras pessoas que ganhamos a vida como todo mundo".
Solongo, cuja página do Facebook tem 120.000 seguidores, incentivará um programa no qual participarão cinco mulheres que queiram ter uma nova imagem. Ela as ajudará a perder peso, a mudar o penteado ou como se maquiar.
"Seus objetivos e sua paciência são inspiradores", afirma Sarangoo Sukhbaatar, de 25 anos, uma das cinco mulheres pré-selecionadas. "Se um homem pode ser tão bonito quanto ela, as mulheres podem ser ainda mais belas", afirma Sukhbaatar.
Do EM




 
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No mês da visibilidade transexual, organizações preparam Caminhada pela Vida Trans

Janeiro é o mês da visibilidade das pessoas transexuais ou travestis, ou seja, pessoas que não se identificam com gênero que foi designado a elas no nascimento. Para dialogar melhor sobre o tema com a sociedade, organizações e órgãos públicos como o Mães Pela Diversidade, o Espaço Trans do HC e a Defensoria Pública do Estado de Pernambuco promovem a Caminhada pelas vidas Trans. O evento acontecerá no dia 26 de janeiro com concentração a partir das 14h na Praça do Derby e segue em direção ao Monumento Tortura Nunca Mais, com chegada prevista ás 17h
Edição: Monyse Ravenna

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Reflexão e Desabafos: Travestis e Transgêneros são marginalizadas

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"Muitas Travestis e Transgêneros são marginalizadas por se envolver a profissões ligadas ao sexo . Embora algumas estejam nessa vida por opção do chamado " Dinheiro fácil " (embora pelo que elas precisam aguentar eu não diria ser tão fácil assim) Muitas só estão vivendo essa vida porque não conseguem ingressar no mercado de trabalho por puro preconceito.

Muitas vendem seus corpos porque precisam comer, beber, pagar aluguel e contas , dar de comer aos seus filhos etc. Tudo porque muitos empregadores nos negam trabalho.

Porém São esses mesmos empregadores que muitas das vezes de maneira hipócrita nos procuram pelas madrugadas deixando suas esposas em casa em busca de nossos serviços após baterem com a porta de um emprego formal em nossa cara. Nada contra minhas amigas que vivem de seu corpo por opção.

Mas muitas de nós como eu queremos estar em uma Empresa mostrando nossa competência e profissionalismo... e não aturando... bêbados... drogados... bandidos... pelas madrugadas correndo risco de vida.

Se temos essa visão por parte da sociedade é porque a própria sociedade fecha as portas para nós. E como precisamos comer...beber...vestir...pagar as contas... bem advinha o que nos resta.

 Eu particularmente não sirvo pra viver na vida . Sou romântica demais pras ruas podres da madrugada. Mas ainda não passei por uma situação extrema pra saber até que ponto iria . E peço a Deus nunca passar pra descobrir. Que Deus me ajude a nunca me ver sem opção".

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Genocídio da população trans e travesti é tema de ciclo de debates na Bahia

A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) promove, entre hoje (16) e amanhã, o 1º Ciclo Estadual de Conferências Sobre Identidade Trans e Travesti, no campus da instituição, em Salvador. O sexólogo, estudante de Psicologia, monitor e professor do Projeto Universidade para Todos (UpT), Armando Januário dos Santos, que organiza e palestra no evento, classifica o evento como “de máxima importância", já que "estamos em um país que, de acordo com a Associação Nacional de travestis e Transexuais, em relatório de 2017, uma pessoa de identidade T vive, em média, 35 anos”.

Armando estuda o tema desde 2011 e, em suas pesquisas, relata que a situação dessas pessoas é de “um verdadeiro genocídio”. Para ele, a discriminação está em diferentes esferas sociais, em diferentes áreas do convívio, inclusive na academia. “Aquilo que a Inquisição da Igreja fazia com o autodenominado Santo Ofício, hoje existe o mesmo mecanismo por parte da ciência. A maior prova é que quem está falando sobre isso hoje é um homem cis heterossexual.”
“Na verdade, quem deveria estar nessa entrevista é uma pessoa trans, de preferência não binária. Mas não temos pessoas com identidade T liderando esse debate na universidade”, disse à RBA, ao argumentar que apenas 0,02% da população trans e travesti está nas universidades. Santos classificou seu ofício como “uma questão de compromisso social”. “É nossa obrigação promover o espaço de discussão de proposições sobre as identidades T, discutindo em todas suas especifidades”, completou.
Esta primeira edição traz o tema “A exclusão de pessoas trans e travestis – uma questão social”. Entre os objetivos está a discussão sobre a identidade de gênero T com a sociedade, a fim de desmistificar preconceitos. “A formação de estereótipos impacta na redução da qualidade de vida dessas pessoas. O mesmo relatório de 2017 informa que, a partir dos 13 anos, em média, pessoas desse gênero são expulsas de casa pela família. Então, o primeiro mecanismo de acolhimento social já não serve. A escola também não as aceita. Reprime e enxota com o bullying transfóbico”, acrescentou.
Essa exclusão acaba explicitando as razões pela baixa expectativa de vida dessas pessoas. “Uma vez sem família e sem escola, chegar ao mundo do trabalho é complicado. Aí entra outro dado: 90% da população T sobrevive da prostituição. A profissão do sexo é uma imposição para essas pessoas. Isso tudo em cima de estereótipos criados desde cedo. A essas pessoas é imposto um caráter de aberração, de afronta ao Ser divino. A sociedade rotula.”

 

Imposição sobre os corpos

O pesquisador explica que as identidades de gênero T são as mais vulneráveis dentro do universo LGBT, em razão da natureza de seus corpos. “No caso de pessoas homossexuais, a sociedade hétero cis normativa, quando vê essas pessoas, a enxerga uma possibilidade de haver uma ‘salvação’. Um retorno à sua condição hétero cis normativa. Isso para lésbicas e gays. Com as travestis e trans isso não é possível. A construção de seus corpos diz à sociedade que não há ‘salvação’. Como não há retorno, a sociedade impõe uma lógica de morte social ou física. Ou os dois, já que o Brasil é o país que mais mata a população T.”
Esse modelo normativo, como explica Santos, é reiteradamente fracassado. “Não podemos confundir questões de identidade de gênero com orientação sexual. Até porque, identidade de gênero não se constrói a partir de órgão sexual. As pessoas trans mostram como o projeto hétero cis normativo é falido, fracassado. Esse projeto está equivocado. Homem e mulher são construções sociais, políticas, assim por diante.”
Como exemplo disso, o pesquisador fala sobre a recepção dessa identidade de gênero em outras culturas. “O que chamamos de identidade T é algo que sempre ocorreu. Povos indígenas na América do Norte chamam de pessoas de dois espíritos. Na Índia temos uma casta dos rijras, que são chamadas de pessoas sagradas. Elas batizam os filhos."

População golpeada

A conferência vai tratar da questão das identidades T dentro do contexto político atual, aonde se destacam ondas ultraconservadoras. “Vamos tentar dar conta e fazer um enlace entre esse momento político que vivemos, de ascensão de um neo-obscurantismo, como diria o Rubens Casara (jurista) em seu livro Estado Pós-Democrático (2017), em que ele fala sobre a gestão dos indesejáveis. Então, como o golpe de 2016 impacta sobre esses indesejáveis. Embora Casara não fale especificamente da população trans, quando fala de rejeitados, fala das minorias”, disse.
Com o avanço do discurso conservador, vemos uma perpetuação de discursos de desigualdade social. Nas últimas semanas, vi discursos, inclusive de pessoas LGBT, sobre o discurso do Johnny Hooker (cantor não binário) dizendo que Jesus é travesti. Talvez as pessoas não tenham entendido a riqueza do discurso dele e levado apenas para o campo semântico. Eu, como cristão progressista, me pergunto: dentro do discurso cristão, que é altamente reacionário, por que Jesus não poderia ser uma travesti?”, completou o sexólogo, ao afirmar que sua pesquisa não o fez menos cristão. “Cristo trouxe a mensagem de respeito, não julgamento e de acolhimento.”
A programação completa do evento pode ser acessada no site da Uneb.

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Crossdressers têm festa própria em São Paulo

Quando recebi o convite da artista Luhly Cow para ser jurado de um concurso que elegeria a “melhor crossdresser" de uma festa em São Paulo, me assustei. Nunca tive proximidade com o grupo e a imagem que tinha até então beirava ao preconceito: fotos de “bundas peludas com calcinha publicadas nas redes sociais”.

Relutei ao convite num primeiro momento, até por esperar uma resposta negativa dos leitores, mas logo entendi que muitas vezes é preciso encarar o outro lado e se permitir a entender universos que ficam evidentes somente entre quatro paredes, em festas fechadas e em fotos de redes sociais.

E lá estava eu, em frente à festa Rainha Cross, no Bar Queen, no centro de São Paulo, com os preconceitos e conceitos deixados em casa. Logo no início a imagem preconceituosa dá vida a rostos maquiados, tensos e com muito medo. Deparo-me na portaria com três jovens CDs. De peruca, maquiagem e salto alto. Corriam e pareciam assustadas, intimidadas com a rua, com os olhares e com o preconceito que poderia bater a porta. 

Outra apareceu dentro de um taxi e, quando virei o rosto, já estava dentro da festa.

O espaço – já conhecido pela temática LGBT - conta com música eletrônica, clipes de divas internacionais nos televisores e pequenos grupos de CDs conversando nas mesas. A vestimenta vai desde vestidinhos “periguete” aos vestidos de gala. A maquiagem vai desde as primeiras montagens às profissionais de concurso. E não há regra ou padrão de público.  Teve até uma que estava de peruca, bermuda e... Tênis! Todas olhavam e riam.

No piso superior, figuras ilustres aguardavam o início dos shows e do concurso: a drag queen Kaká di Polly, a apresentadora Marisa Carnicelli e o apresentador Cazé Peçanha, que há pouco falou sobre crossdresser no programa A Liga, da Band, são algumas delas. 


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MAS O QUE É CROSSDRESSER?

O termo foi criado nos EUA e existe desde os anos 60. A princípio, era referido aos "homens, geralmente casados com mulheres e heterossexuais, que se realizavam em se vestir com trajes do universo feminino em algum espaço de tempo". E, depois, se desmontar e levar a vida como qualquer outro homem. No Brasil, não é uma prática apenas de héteros, tendo muitos gays e bissexuais praticando o crossdressing. E nem com um único discurso ou motivação.

“O que eu mais gosto é poder usar um vestido, sentir o tecido na minha pele, colocar peruca e desabrochar esse outro lado feminino em alguns momentos. Depois, tirar tudo e levar uma vida de homem, como qualquer outro”, declarou a CD Carla, que é um empresário em outros espaços. “Para mim, é um modo de vida e a possibilidade de viver o lado masculino e feminino”, concordou a amiga, que é bancário.

Enquanto a maioria dava as costas quando sabia que eu era jornalista, outras surpreendiam ao mostrar que, em alguns casos, a vivência crossdresser é um passo para se assumirem posteriormente travesti ou mulher transexual. A cartunista Laerte Coutinho, por exemplo, iniciou dizendo-se crossdresser. Hoje, com o guarda-roupa todo feminino e o contato com outros grupos de militância TT e definições, define-se como travesti ou simplesmente transgênero.

Bianca vê na cartunista uma inspiração: “Sou CD porque não tenho condições de me tornar uma travesti. É o meu sonho, mas minha família não me aceitaria”. “Não fico com uma aparência bonita para me assumir trans. Então me contento com esses momentos. Mas, para mim, desmontar, tirar o vestido, o esmalte e a maquiagem é o momento mais triste”. Chamam de síndrome da acetona.

Além disso, concorrendo no concurso havia uma pessoa que se reconheceu como travesti por uma década, mas que acabou desistindo pela transfobia. Hoje, ela se diz verdadeiramente feliz em espaços em que pode se montar e ser uma CD. "É onde eu respiro", limitou-se a responder.  


NOITE PARA SE SENTIR MULHER – SEM CULPA

A festa é produzida e comandada por Jaime Braz Tarallo, que encarna a personagem Lizz Camargo – cover de ninguém menos que Hebe Camargo. “Criei a festa há quatro anos, quando percebi que não havia um espaço social para elas em São Paulo, que tivesse estrutura adequada, com camarim para elas se montarem”, contou.

Segundo Lizz, o primeiro evento teve a presença de apenas nove CD, fruto do medo de serem flagradas e sofrerem preconceito. “Há resistência de algumas ainda, por culpa ou medo da visibilidade. É uma festa delicada, pois há cross que se programam para vir há três anos, mas ainda não conseguiram. Seja porque a esposa ainda não sabe, por medo e até por não entenderem a sua condição”.


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Ela, que também se considera cross e até é chamada de mãe por algumas, defende que luta é para que elas possam ter uma noite em que se sintam mulheres – e sem culpa. “Antes da Luhly surgir na minha vida, há um ano e meio, a Lizz não existia. Ela fez o make e, depois de dois dias, a internet estava bombando com todo mundo me dizendo: ‘Olha a Hebe’. Foi algo espontâneo e que eu adorei”.

No palco, Lana Miranda – artista transformista que é cover oficial de Carmem Miranda – arrasa nas performances.

CDZINHA É PEJORATIVO

- Posso falar CD para dizer crossdresser ou é um termo pejorativo?
- O termo CD não é ofensivo, mas CDzinha, sim.
- Sério?
- As CDzinhas, apesar de também se considerarem crossdresser, tem o fetiche alto e normalmente utilizando do crossdressing para promover encontros sexuais.
- Mas qual é o problema de partir para o lado fetichista?
- Nenhum, mas é que é bem diferente do princípio do crossdressing, que fala mais sobre arte.
- Para você ser crossdresser é fazer arte?
- É um estilo de vida. Pessoas que levam dois momentos e que transitam nos universos masculinos e femininos. Se você reparar aqui, as pessoas não estão pensando em fazer pegação, estão mais para vivenciar o lado feminino. Entende a diferença?
- Total!

CAZÉ PEÇANHA É HOMENAGEADO

Durante a festa, o apresentador Cazé Peçanha, que estava acompanhado da mulher Fernanda Thompson, foi homenageado, devido à reportagem que fez para o programa A Liga, da Band. Ao anunciar, Liz declarou que ele tirou as CDs das sombras.
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Muito simpático e aparentemente bem a vontade, Cazé tirou foto com vários presentes e declarou que a reportagem o ajudou a “harmonizar o lado masculino com o feminino”. Foi a primeira vez que entrei neste universo feminino, com bastante respeito. E tentei trazer a mulher que existe dentro de mim para fora.

O apresentador declarou que o ser humano divide as pessoas em tantos rótulos que, muitas vezes, algo que poderia ser unido está separado. Da experiência de se montar para a reportagem, ele declarou que pior parte foi a depilação. “Foi muito doloroso e quase desisti”.

Ao NLUCON, Liz comentou a declaração sobre as CDs quererem “sair das sombras”, uma vez que grande parte prefere, sim, o anonimato. “Referia-me ao respeito e entendimento que elas precisam ter delas próprias e pela sociedade. O anonimato que elas querem é de exercer o fetiche e numa noite de sonho. Mas muitas, quanto acabam as festas, não se conformam em ter de se desmontar”.

O CONCURSO

Ao todo foram 12 concorrentes, das cidades de São Paulo, Roraima, Santo André, Morro do Pinhalzinho, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Elas foram anunciadas por Luhly e desfilaram para a plateia com seus vestidos.

Diferente de outros concursos de beleza, não há padrões pré-definidos para participar, tampouco a cobrança de andar ou figurinos de miss. As candidatas têm de 18 a 43 anos, 1,67m a 1,84m, diversos padrões de beleza (magras, gordinhas, novatas, veteranas...) e apostas diversas de figurino.

Depois de vários desfiles – tímidos, desinibidos, desajeitados e até de modelos de passarela – os jurados deram os votos em público. Cazé Peçanha votou em Alyssa Brandão, o Neto Lucon votou em Playt Patricia, assim como Kaká di Polly. E os demais jurados deram o voto para Cynthia Andreia, tornando-a Rainha Cross.

Ela recebeu a faixa, tirou fotos e terá, entre as responsabilidades, bater cartão na festa e representar as crossdressers.

BATE-PAPO COM A RAINHA CROSS
Andréense ou Cynthia Andreia, 35 anos, projetista mecânico, solteiríssima, meiga e adora fazer amizade.


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- Me falaram aqui que crossdressers buscam o direito a um estilo de vida. Me explica?

A gente quer poder transitar nestes dois mundos sem problema nenhum, sem sofrer preconceito. O crossdressing pode ser encarado como um hobbie, um estilo de vida e para algumas pessoas também pode ser um fetiche. Mas no fundo queremos o que todos os transgêneros querem, sermos reconhecidas e podermos andar na rua livremente, se sentir a vontade com o gênero feminino, mesmo que temporariamente.

- Mas não se trata de uma luta pela identidade, como é o caso das travestis e mulheres transexuais, certo?

Não, pois a luta pela identidade é das travestis, transexuais, que são mulheres ou que vivem o gênero feminino 24h. Ele não faz parte da vontade da crossdresser, que vivencia os dois gêneros por determinado período. Apesar disso, não há rivalidade. Nós entramos como apoiadoras da luta e achamos legítima a luta. Até porque tem algumas cross que acabam se descobrindo travestis ou transexuais depois de um tempo.

- A Liz disse que o Cazé tirou as CDs do escuro. Mas o grupo não prefere justamente ficar às escondidas? Não é um grupo fechado?

Não queremos ficar escondidas de forma alguma, esse grupo tem que ser aberto, a maioria ainda fica se escondendo por medo exatamente dessa sociedade. E muitas também são casadas, namoram, a família não sabe, o emprego também não aceitaria este outro gênero. Mas no fundo sabemos que temos que nos mostrar para ampliar este grupo, para que a sociedade passe a nos ver com menos preconceito e mais aceitação. No meu trabalho, por exemplo, todos sabem que me monto, porém isso não interfere em nada. Até porque nunca fui montada para lá.

- E você gostaria de trabalhar montada?

Diria que sim, porque às vezes acordo tão menina que minha vontade é ir (risos).

- Existe diferença entre as CDs do Brasil e dos EUA?

Aqui noto que a maioria é gay ou bissexual, sendo que lá existe aquela questão de “serem homens heterossexuais que se vestem...”. Neste sentido, acho que estamos mais soltos. Eu sou sou heterossexual, ou seja, só me relaciono com mulher. 

- Como foi que você percebeu que era uma CD?

Costumo dizer que a gente não se descobre CD, nasce CD. Eu já curtia esse lado feminino desde criança mesmo. Sempre achei mais graça nas peças femininas que nas masculinas. E o interessante é que nunca fui afeminadinha, sempre curti mulheres... Mas o lado feminino me atrai demais, incluindo essa mudança temporária de gênero.

- Foi tranquilo o processo de se entender CD?

No início foi difícil, porque eu me achava totalmente diferente. Às vezes pensava: Será que eu sou travesti, será que eu sou trans? Mas depois de muito pesquisar, ler e conversar com outros iguais, me encontrei. Resolvei buscar amizade com outras CDs também para trocar experiências, ver novas perspectivas e abrir mais a minha mente também. Hoje, eu me considero dentro da categoria transgênero.

- Lembra a primeira vez que você se montou?

Com sete anos eu já colocava escondida as lingeries da minha mãe, tia e primas (risos). Mas quando realmente me montei por completo eu tinha uns 23 anos. E fui só evoluindo e tomando gosto cada vez mais por essa prática.

- O que acha da festa Rainha Cross?

Essa festa foi uma das maiores descobertas da minha vida. Me deu muita liberdade em fazer o que realmente é importante, que é ampliar minhas amizades com as cross, além de ajudar as iniciantes. O Jaime é um anjo de pessoa, um ser humano fantástico e tem me ajudado muito nessa minha caminhada. A festa realmente é um lugar para as cross se sentirem bem recepcionadas e serem tratada como Divas e Rainhas, por que ali é o momento delas.

- Como foi ganhar o Miss Rainha Cross?

Foi uma surpresa, porque tinha candidatas maravilhosas. Adorei! É uma responsabilidade grande representar essa classe.

- E miss pode beijar nas festas?

Só se não borrar o batom (risos).


Do NLucon - Por Neto Lucon
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BDSM: Festa no Frágil Reino dia 14 de julho!!!


A querida Beth Andrade, também conhecida como Rainha Frágil promoverá no próximo dia 14 de julho de 2018, a partir das 20 horas o encontro sadofetichista Festa no Frágil Reino.

O evento conta com o apoio do Grupo BDSMCe e o patrocínio da Via Libido Sexsphop.

O evento contará espaço e equipamentos para práticas sadofetichistas para realização de cenas de dominação, podolatria dentre outras.


Maiores informações pelos telefones Beth 85 992478669 (whatsapp) e Via Libido 85 32429595 e 41413088.

O evento só permitirá a entrada de maiores de 18 anos.

O evento só permitirá a entrada de maiores de 18 anos.

By Kátia
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“Faço questão de dizer que sou mulher transexual”, diz a miss Náthalie de Oliveira

A brasileira Náthalie de Oliveira foi eleita na sexta-feira (10) a segunda mulher transexual mais bonita do mundo, durante o concurso Miss International Queen, em Pattaya, na Tailândia. Vice no campeonato, ela mostrou muito mais que beleza: mas charme, inteligência e talento.

Nascida em Bom Jardim, interior do Rio de Janeiro, ela sempre gostou de fazer história. Aos 17 anos, passou em primeiro lugar no concurso público da cidade. Também cursou enfermagem e driblou os comentários transfóbicos dos colegas. “Sempre soube me impor e mostrar que não somos bicho de sete cabeças”.

Depois, tentou o Miss T Brasil em 2013, em 2014 e, por fim, em 2015, quando finalmente levou o título. Na época, muito se falou sobre sua forma física e a ausência de cirurgias, que estava “aquém dos concursos de beleza”. Hoje, com uma excelente colocação no concurso internacional, ela sambou na cara das inimigas.

Aliás, pouco antes de ir ao Miss na Tailândia, Náthalie conversou pessoalmente com o NLUCON em um shopping em São Paulo. Disse que não gostaria de ter nascido uma mulher cis, que tem orgulho de ser uma mulher transexual e admite os seus privilégios. “Cada história é única e acho que esse é o meu diferencial”.

Confira o que pensa a nossa miss:

- Toda vez que eu escrevo matéria de miss, as pessoas falam: “tem tanta travesti e mulher transexual morrendo e você dando visibilidade para concurso de beleza”...

Os meios de comunicação dão prioridade para as notícias ruins. Mas de tantas notícias ruins, a gente tem as boas e a gente acaba esquecendo. É óbvio que existem mortes, que a gente não pode deixar de lado, não podemos esquecer dessa violência. Mas eu acho que focar apenas em notícias ruins acabam com a nossa autoestima e nos coloca para baixo. Acho que podemos mostrar nossas competências, habilidades, possibilidades, um lado positivo de ser trans. Eu posso ser uma miss, uma modelo, eu posso ser quem eu quiser ser, pois a minha vida me pertence. É dizer que, diante de tanta violência e preconceito, temos motivos para sorrir e ter esperanças. (Durante o concurso, Náthalie aproveitou da sua visibilidade para falar sobre a transfobia no Brasil e citou o caso da Dandara).

- Você já tentou três vezes ser Miss T Brasil e hoje é a segunda mais bonita do Mundo no Miss International Queen. Ser miss era um grande sonho?

Não foi, mas acabou se tornando. Em 2013, era uma garotinha gordinha do interior que recebia bastante elogios, então achava que era capaz de vencer. Fui e não ganhei, mas não fiquei chateada. Não tinha o brilho nos olhos pela coroa e nem pela faixa. No ano seguinte, um dos prêmios era a CRS (Cirurgia de Redesignação Sexual) e então eu me inscrevi novamente pensando no título, mas na cirurgia. Já em 2015 foi para provar para mim mesma que, se eu corresse atrás de verdade, eu poderia ser miss. É claro que veio pelo interesse da cirurgia, mas não foi a prioridade. Eu já tinha mais consciência de querer representar a classe, o meu município e de ter a coroa.

- Quando você ganhou, falaram que você estava "fora de forma". Como você lidou com as críticas em relação a peso?

Tive consciência de que independente de quem ganhasse, poderia ser a mais magra ou a que mais tivesse silicone, sempre teria algum tipo de cobrança. Afinal, ninguém é perfeita. Mesmo tendo ganhado um pouco acima do peso, foi um orgulho para a minha cidade e fico pensando em quantas meninas gordinhas puderam se espelhar. Hoje, eu não faço mais parte do grupo de gordinhas, mas eu vivi a minha vida toda como gordinha. E até acho mais bonito o padrão de uma mulher mais cheinha, mais gostosa. Hoje, me adequei ao concurso, mas não penso viver assim o resto da minha vida. Acho que independentemente de estar magra ou gorda, o importante é se sentir bem. Hoje em dia a gente tem o mercado plus size também. Então, veja, uma mulher trans, que é uma minoria, gordinha, que é outra categoria, em um concurso de beleza. Por que não? Acho que é bacana esse olhar também.

- Um ano de preparação de preparação com a Majorie Marchi (organizadora do concurso, que morreu no último ano) e ela morreu... Como foi interromper o processo?

Não chegou a ser nem um ano. Eu fiquei triste pela perda, desanimada, desmotivada, achei que mais nada fosse acontecer. Só que depois apareceu a Alessandra Vargas, que foi madrinha, ela me adotou praticamente, mora na Alemanha e me ajudou na questão financeira. Tive que colocar prótese, fiz rifa, eu fazia almoço beneficente, eu fazia o escarcéu para participar e sempre consegui. E ela acabou inteirando o valor que faltava. A minha inscrição no concurso também foi paga por ela. Tive contato com o Ribas Azevedo, que me patrocinou. Hoje, mostro para a Majorie que não decepcionei.

- O que acontece depois que você ganha a faixa? O que ninguém fala?

Assim que ganhei o concurso, achei que as coisas fossem mais fáceis, mais encaminhadas. Mas vi que quando você coloca uma faixa e uma coroa na cabeça as responsabilidades aumentam. A cobrança pelo padrão de beleza aumenta. Querem um estereótipo. E mesmo não querendo fazer parte deste estereótipo, a gente só vai ter chance no próximo concurso desta forma. Tive que me empenhar na dieta e em toda a preparação. Só que como o concurso foi adiado (morreu o Rei da Tailândia), tive mais tempo de me preparar, emagreci 26 e até a minha cirurgia de redesignação (CRS) foi antecipada.
Durante o MIQ, no traje típico

- A CRS que você fez foi por meio do concurso Miss T Brasil?


Na verdade a Kamol, que é patrocinadora do Miss T, oferece voucher de
cirurgias plásticas. E eu optei por essa cirurgia de redesignação. E eles bancaram a cirurgia. Eu concordo que lá ainda seja o melhor lugar, mas já escutei opiniões diversas sobre a cirurgia.

- Você chegou a fazer outra cirurgia?

Na Facial Teen em São Paulo em fiz frontoplastia e também coloquei a prótese de silicone. E ao contrário do que as pessoas falam, eu não coloquei pelas críticas que recebi pelo concurso. Porque disseram que trans para ganhar concurso tinha que ter peito. E eu não acho isso. A gente vê aquelas que se sentem bem sem. A modelo Valentina Sampaio é um exemplo de top model e nem por isso está se quebrando toda, né? É super feminina, super bonita e está aí no mercado. Afinal, sabemos que não é a cirurgia que faz de alguém mulher. Mas eu sempre quis colocar, porque para mim é um agregador de feminilidade.

- Sobre a CRS, o o que mudou em sua vida?

Mesmo com a cirurgia eu vou continuar sendo uma mulher transexual. Estou falando isso porque muitas, após a cirurgia e trocar os documentos, querem ter uma identidade de mulher cis, mudam de cidade e fazem de tudo para esconder o passado. Acho que você sofre menos aceitando quem você é. Meu corpo já passou por algumas adaptações e eu procuro viver da melhor forma possível. Eu me enxergo como mulher, meu marido me enxerga como mulher, minha família também. O que eu preciso é que as pessoas que me amam e que me respeitam me enxerguem dessa forma. Já as pessoas que não me amam, não me respeitam, não querem me ver feliz, eu não me importo com elas. Na verdade, eu faço questão de falar que sou uma mulher transexual, sabe?

- Me explica...

Cada pessoa é única. Mas no meu caso – e eu estou falando de mim, tá? – é o que fez a diferença na minha vida. É o que me fez estar aqui hoje dando essa entrevista, participar do concurso, ganhar, ir para outro país... Talvez se eu nascesse uma mulher cis, acho que eu seria meio sem sal. Eu me movo na dificuldade. Eu busco o problema para solucionar, sabe? Eu gosto de ser desafiada, e ser bem-sucedida. Eu gosto de ser mais notada, porque isso acontece, né? Normalmente a gente tem uma estatura mais alta, às vezes é o subconsciente da pessoa ficar te olhando. E depois contar: eu sou uma pessoa trans. E a pessoa falar: nossa, que bacana. Eu gosto de ouvir isso. Eu gosto de ouvir que a diferença também é aceita, ela não é só julgada.

- Se alguém te apontar e falar que é travesti, isso te incomoda?

Sou bem tranquila quanto a isso. Me chamem do que quiser. Até porque o concurso que ganhei era de travestis e transexuais, então eu represento toda uma classe. Todas nós passamos por fases, passamos por um processo e em algum momento já podemos ter ficado em dúvida em uma ou outra nomenclatura.

- Se existisse uma outra vida, e a sua resposta valesse mesmo, você voltaria como mulher trans de novo?

É uma vida que envolve muitas dificuldades, mas que eu tive muita sorte. Se fosse para voltar com a sorte que eu tive, de olhar no espelho, me sentir bem e conquistar o meu espaço, eu voltaria. Mas se for para voltar como transexual e não saber se vou conseguir fazer as mudanças que eu tanto quero, não saber se vou conquistar o espaço, se vou sofrer violência, é frustrante e eu não encararia. Cada uma tem uma história para contar, e eu reconheço que tenho privilégios. E não gostaria que fosse uma exclusividade minha, porque a gente vê que tem uma a cada mil com esse padrão mais comum. É difícil porque a cabeça das pessoas ainda é fechada. É difícil falar que identidade de gênero não tem relação a valores, índole...

- Trans-fobia é medo de trans. Você acha que as pessoas têm medo de uma pessoa trans?

Acho. E acho que a gente acabar com isso. Tem gente que acha que só por ser trans é marginal. Esquecem que tem gente boa e ruim em todo lugar. Isso é índole, não tem a ver com a identidade de gênero. A transexualidade é só mais uma característica, não é apenas o que define. Às vezes eu vejo na televisão: “travesti assaltou”, “travesti espancou” e eles fazem questão frisar que foi uma travesti. E as pessoas tendem a achar que toda travesti faz aquilo ali, mas não... É como se não quisessem dar crédito para esse grupo, porque esse grupo é marginal.
- Você já sofreu transfobia?

Desde sempre chamei muita atenção, então desde pequena eu recebia uma abordagem dos homens voltada para a promiscuidade. Algumas vezes aconteceram inconvenientes, mas nada que me tirou do sério. O mais sério aconteceu quando fui fazer exame médico no laboratório da minha cidade e os papeis vieram com o nome social Nathalie de Oliveira. Quando cheguei para fazer o exame a atendente não aceitou porque havia divergência de nome. Da identidade era um e no pedido de exame era outro. Foi transfobia porque mostrei o meu cartão do SUS, que unifica os dois nomes. Tentei explicar o respeito ao nome social naquela fila do SUS, me expondo daquela forma.

- Como foi o seu processo de transição em sua cidade?

O meu pai rejeitou de cara, já a minha mãe, apesar de triste, ela conversava bastante comigo. Depois eu entendi o lado dela, pois ela ficava triste em relação ao que eu sofreria. Eu comecei tudo isso com 14 para 15 anos, com pequenas mudanças e de repente estourou. Hoje eu tenho aprovação do meu pai e da minha mãe, mas eu precisei provar. Sabe aquela coisa o “filho pródigo à casa torna”? Então os pais quiseram se orgulhar de mim, independente de gênero, de sexualidade. Eles viram que o fato de eu ser trans não mudou a minha moral, a minha conduta, a minha ética, aquilo que eles criaram. Só fiquei de uma forma diferente e com um agir diferente.
- E como foi a questão da hormonização em uma cidade pequena?

Difícil, viu? (risos). Porque não tinha nenhuma informação, procurei endócrinos que não sabiam de nada. Comecei com o velho e bom Youtube e no começo fazia a loucura de tomar o hormônio tal de quinze em quinze dias, ou de tomar cinco comprimidos que te deixa... Enfim, faz muito mal à saúde. Hoje eu faço o uso do hormônio em gel, que é o menos prejudicial à saúde. Até então, eu descobri que no Rio tinha um lugar que fazia tratamento para transexuais que queriam se operar pelo SUS. E davam, não só hormônio, mas todo tratamento psicológico para emissão de laudo e entrada na fila. Como eu não tinha ganhado concurso, fui para essa fila também.

- Muitas misses trans do passado fizeram o uso do silicone industrial. O que pensa sobre ele?

Acho que devemos fazer tudo nessa vida para se sentir melhor, mas existem coisas que a gente faz e depois se arrepende. O silicone, pelo que eu observo, é como se aplicasse uma dinamite no seu corpo. A qualquer momento ele pode acender e explodir. Três anos estudando enfermagem, eu seria uma louca se dissesse que colocaria. E mesmo se eu fosse muito magrinha, eu ia tentar dieta, exercício, tentar outros recursos. O grande problema é que a gente quer o resultado imediato, então a gente acaba se submetendo. E quase sempre se arrepende. Você leva uma pancada, o silicone reage e te dá N problemas.

- Quando era criança, você tinha alguma referência de feminilidade ou beleza?

Eu não tinha nem consciência de que existia a transexualidade. Então nunca tive uma trans como referência. Me espelhava muito na minha mãe. Ela era aquela pessoa que cuidava da casa e dos filhos e eu era aquela pessoa que me enxergava daquela forma daqui uns anos. Eu aprendi fazer crochê, bordado, a cozinhar, eu queria ser como a minha mãe. Depois, passei a admirar a Marcela Ohio, a Rafaela Manfrini, que são misses trans que eu considero exemplo de beleza. E também a Lady Gaga, que nos representa.

- Você já chegou sair na mídia anteriormente por ter sido a primeira do concurso público. Como repercutiu?


Normalmente a transexualidade e travestilidade são associadas à marginalidade e prostituição. E com 17 anos, eu passei no concurso público da minha cidade e calhou de eu ter pegado a primeira colocação. E as pessoas falavam pejorativamente: “como a gente vai ter um viado trabalhando com a gente?”. Mas eu sempre soube me impor e mostrei que não era nenhum bicho de sete cabeças. Então eu sou concursada, agente comunitária de saúde, vai fazer quatro anos. Curso faculdade de enfermagem. É impressionante, porque é como se a gente fosse uma criança incapaz e, de repente, conseguiu alguma coisa. As pessoas dizem: “essa aí PELO MENOS faz faculdade”, essa aí PELO MENOS tem um emprego decente. Mas isso aí não agrega valor na realidade, porque depois elas chegam e falam: “Como você é uma enfermeira?” Como atende no posto de saúde?”.

- Embora você seja concursada pública, 90% das travestis e transexuais estão na prostituição. Como é carregar este estigma?

Não condeno quem faz e acho que independente da profissão o que vale é a índole, a moral e a ética. Só acho muito perigoso, acontecem muitas coisas ruins no meio e acho que quem não quer fazer deveria ter outras oportunidades. E investir mais. E quem não conseguir oportunidade e não quiser, que tente associar a prostituição com outra fonte de renda, com um pouco mais de cultura, ler, se informar... Isso vale para todo mundo. O que quero dizer é que não tem problema nenhum em ser profissional do sexo, mas que a gente pode sim ser dona da nossa história. Eu queria que as travestis e transexuais tivessem o direito de ir e vir, fazer programa se quiserem, ter acesso à escola, emprego, se formar e ser reconhecida. Porque muitas até tem condições de pagar uma faculdade, mas adianta ela cursar uma faculdade se o mercado de trabalho depois não vai dar uma chance para aquela profissional?

- Vi pelas redes sociais que você está namorando... É namorado ou marido?

É namorado, futuro marido. Eu agradeço todos os dias pelo meu namorado. No dia em que a gente se conheceu, eu avisei ele sobre tudo aquilo que a gente passaria, como eu passei. E eu sou assim: magoe-me, mas não magoa as pessoas que eu gosto. É comigo, o problema sou eu, se o problema é a trans, a trans sou eu. Não envolve a minha mãe, o meu namorado, então deixa-os em paz. Quando ele foi me buscar em casa, eu entrei e fui subir o vidro, pois queria preservá-lo. Fui preconceituosa comigo mesma. E ele desceu o vidro. Depois, pegava na minha mão, não tinha vergonha, tinha orgulho de estar comigo. Hoje a gente é o casal sensação da cidade. Todo mundo conhece. E nem por isso perdeu a masculinidade, nem deixou de ser hétero...

-  Como "a cidade" lidou com o relacionamento?

Ele costuma dizer que foi um filtro de amigos. Acho que essa frase é esclarecedora, né? Quando ele estava ficando com mulheres cis, ele era “o cara”. Mas quando ficou com uma trans, cadê aquele círculo de amigos tão grande. Então hoje ele até agradece os que ficaram, pois esses são amigos. E me enxergam com a mulher dele. Observo que os outros até aceitam que o cara fique com uma garota trans, mas desde que seja no escurinho no reservado, mas andar de mãos dadas, como ele faz comigo, não. Ele me apresentou para a família dele como mulher transexual, todo mundo sabe a minha história, tanto que eles estão muito felizes com a minha cirurgia, e a gente segue a vida.

(A entrevista foi realizada em outubro, antes da ida para a Tailândia e, na época, Náthalie estava namorando outra pessoa. Hoje, ela está namorando um italiano).

- Hoje em dia qual é o meu maior sonho?

Vivia falando que o sonho da minha vida era a cirurgia e, agora que eu consegui, eu vi que não era o sonho da minha vida. Eu vejo que era uma coisa que estava ali para mim, e eu apenas peguei ela com a mão. Tinha que acontecer, uma hora ia acontecer e eu só tinha que alcançar. Então o meu maior sonho hoje é me casar, sucesso profissional, constituir família.

- A referência da sua mãe continua?

Aí já entram muitas histórias, mas a minha mãe é muito guerreira. E se eu for metade do que a minha mãe é, eu já estou 100% satisfeita. O que nós passamos juntas, em todos os sentidos, até mesmo na fase do apoio que eu precisei, nossa, ela tirou de letra. Ela é evangélica do meio, de cabelão, de saia lá no meio, e pode mudar a cabeça. Ela continua sendo evangélica, porém tem uma visão diferenciada. Ela tem uma filha trans e aprendeu a conviver com a diferença. Me chama no feminino. É outra coisa que gosto de mencionar, porque existem pessoas que insistem em chamar de “ele”, “porque você nasceu assim”, “não me acostumo”, usam como desculpa, né? Mas acho que quando a pessoa respeita e gosta de você, ela vai te chamar da maneira que você achar mais adequada. Agora a minha mãe foi espetacular, ela soube passar por essa prova e me ensinar.

- Qual é a mensagem que você quer deixar com a sua participação de sucesso no Miss International Queen?

Eu gostaria que as pessoas soubessem que independente de condição financeira ou status, porte físico, qualquer pessoa é capaz e ela pode chegar onde ela quiser. É mostrar que você tem os seus valores que você zela por eles. Eu levanto a bandeira contra o racismo, contra a transfobia, acho que todas as formas de amor são válidas, respeito ao próximo e respeito a humanidade. O que está faltando hoje em dia é SER humano. Eu acho que cada uma de nós que nasce com o peso de ser transexual, mas porque nós damos conta sim do recado. Não viemos a passeio. Queremos representatividade, visibilidade, oportunidade e somos capazes de qualquer coisa.

Do NLucon - Por Neto Lucon
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Conheça Ticiane Fernandes de 24 anos e que concorre ao "Miss T" em São Paulo

 Sou bem resolvida como mulher trans e gostaria de representar todas as meninas que, como eu, passam por dificuldades e preconceitos". Estas são palavras da modelo transexual uberlandense, Ticiane Fernandes, de 24 anos, que se prepara para representar Minas Gerais no "Miss T". O concurso será na próxima sexta-feira (21), no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo (SP). Serão 30 concorrentes representando os estados do Brasil. A campeã concorrerá ao Miss Universo, que acontece na Tailândia, em 2018. E antes de embarcar, o G1 falou com ela sobre transformação e carreira.
Durante a entrevista, a jovem ressaltou que o país vive um momento em que as trans podem ganhar mais visibilidade e se empoderar perante a sociedade. "Estou muito ansiosa e, ganhando ou não, já estou feliz”, comentou.
Vida e preconceito
Ticiane lembra que desde a infância já se sentia diferente. “Eu não me sentia um menino e já nessa idade tinha interesse por coisas de mulher. Vestia sapatos da minha avó, da minha tia, brincava com bonecas e outras brincadeiras consideradas de meninas”, afirmou. Aos 13 anos, ela começou a usar roupas femininas, pintar o cabelo e as unhas. Aos 16, deu início ao tratamento hormonal, psicológico e às cirurgias para a transformação.
A modelo contou que no início teve um pouco de dificuldade de aceitação por parte da sociedade, mas principalmente dos pais, o que considera normal, mas que agora eles a aceitam e apoiam. “Se hoje, com muito mais informação ainda existe uma dificuldade de entender, há 10 anos o transexualismo era um tabu”, pontuou.

Ticiane relatou que atualmente sofre menos preconceito, até mesmo, segundo ela, pelo fato de muita gente não saber que é trans. “Com a divulgação do concurso passei a ser reconhecida como trans em toda a cidade. Não que isso me incomode, até porque sou muito bem resolvida, mas acredito que posso passar por algumas situações que ainda não aconteciam”, comentou.
Sonhos e carreira
Aos 24 anos, a modelo está noiva e se casará em fevereiro de 2018. “A família dele também aceita e apoia muito o relacionamento. Quero constituir uma família. Sonho em ser mãe e já estamos planejando um filho”, contou.
Sobre a carreira, Ticiane disse que sempre amou moda e fotografia e que virar modelo ocorreu há três anos, quando participou de uma seleção e foi aprovada, porém, não continuou por não se sentir preparada. Dois anos depois, fez um novo catálogo e decidiu que era o momento. “Desde então, já fiz vários trabalhos de fotos, desfiles e filmagens e vi que realmente é isto que quero como profissão”, acrescentou.
Esta será a primeira vez que a modelo participará de um concurso nacional.
Do G1
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Minha mensagem de pascoa a vocês!

Desejo à você e todos seus familiares uma excelente Páscoa!

Celebre a vida nova e realize novos sonhos. Construa esperanças para novos projetos, com pés firmes rumo ao novo tempo. Viva a cada dia uma nova ressurreição, deixando o homem velho morrer e dando oportunidade para esvaziarmos o sepulcro e construir morada para o homem novo.
"Faça desta Páscoa, a tua Páscoa. Faça desta ressurreição, tua ressurreição. Nunca se entregue, pois é somente a cada adversidade que poderemos vislumbrar uma nova oportunidade".
Ivan Teorilang.

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Valentina Sampaio: Modelo transgênero da SPFW fala sobre exibição do corpo na passarela


Valentina Sampaio na passarela da grife Amir Slama na noite desta quinta-feira, 16, no SPFW era um dos assuntos mais comentados e esperados na temporada de moda. A modelo transgênero afirmou ao EGO que riscar a passarela exibindo o corpo quase nu não é tabu. "É meu trabalho e minha profissão. 

Não fico nervosa e não tenho medo, mas como toda mulher claro que tenho celulite e estria. Me cuido o ano inteiro para manter medidas e estar pronta para este momento. Já desfilei de biquíni e sei como é este momento de mostrar o corpo", afirmou ela, garantindo que não segue nenhum tipo de truque para deixar as pernas lisinhas antes da apresentação.
 
"Se a grife passar óleo, tudo bem. Mas eu mesma não passo nada. No meu dia a dia costumo fazer ioga e muitos exercícios aeróbicos para manter a boa forma física. Não gosto de academia ou pegar peso. Agachamento, por exemplo, nunca fiz na vida", diz ela, que exibiu bumbum perfeito em maiô com fio-dental supercavado. "Quando vou à praia, uso de tudo. Desde cortininha até aquelas calcinhas tipo surfista mais largas. Acho lindo fio-dental e uso muito no meu dia a dia. Deixa a mulher bem poderosa", diz ela.
Na hora do bronzeado, Valentina dispensa aquelas marquinhas da cor do pecado. "Quando morava no Ceará, ia com mais frequência à praia e pegava muito sol. Hoje, por causa do trabalho evito e quase não consigo ir", disse.


Do Ego






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Marcela Thomé (Ex-Marcela Ohio) abre desfile do SPFW e esbanja beleza e talento


A modelo Marcela Ohio – que agora assina como Marcela Thomé - foi uma das estrelas da 43ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), na Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que ocorre de 13 a 17 de março. 
Agenciada pela Allure, a top simplesmente abriu o desfile do estilista Lino Villaventura, na terça-feira (14), mostrou beleza e talento na arte de desfilar. E esteve em destaque em todos os sites de moda.
Na primeira entrada, Marcela e as demais modelos trouxeram looks todos brancos. Eles foram da camisaria aos vestidos oversized, com alfaiataria desconstruída, deixando as pernas à mostra, que deram sofisticação e sensualidade. 

Na quarta-feira (15), ela esteve linda em street style para a marca PatBo. A estilista Patricia Bonaldi investiu em looks modernos, com moletons, veludos, parkas e bonés. Mais uma vez, Marcela nos encheu de orgulho!
Depois de uma temporada na Ásia, onde ganhou concurso Miss International Queen e trabalhou como modelo, Marcela voltou ao Brasil para dar continuidade na carreira. Aos 21 anos, ela tem um mundo de oportunidades para alcançar. 

Do Nlucon


Nesta quinta-feira (16), a modelo transgênero Marcela Thomé estreou nas passarelas e foi destaque no desfile da grife do estilista Amir Slama.
De maiô supercavado e com frases de empoderamento feminino no corpo, Marcela brilhou no quarto dia do evento e deu maior visibilidade à causa da discriminação sexual.

Amir Slama também contou com a top transgênero Valentina Sampaio, que acaba de estampar a capa da revista "Vogue" francesa.

Mesmo com a diversidade exibida na passarela, o estilista afirmou que não escolhe as modelos por raça e gênero, mas sim pelos corpos estonteantes e postura.
Do noticiasaominuto
 
Paulista de Andradina, Marcela Thomé decidiu seguir a carreira de modelo há apenas dois meses, e já estreou com tudo nesta temporada do SPFW. Nesta quinta-feira, 16, a top transexual de 20 anos foi um dos destaques do desfile de Amir Slama. Coube à ela encerrar a apresentação da grife, usando um maiô supercavado.

"Fiz a cirurgia aos 18 anos, no Rio, e ficou perfeita. Já sou 100% mulher, então estou tranquila porque não tem como escapar nada aqui", brincou Marcela, ainda no backstage da marca.
"Sempre me senti mulher, mas a cirurgia me deixou plena, fez eu me olhar no espelho e reconhecer a mulher que sou", disse a modelo, que nesta edição da semana de moda também desfilou para Lino Vilaventura, PatBo e À La Garçonne.

Amir Slama também convidou Valentina Sampaio, top trans que estourou ao estrelar uma campanha de cosméticos ao lado da atriz Grazi Massafera e que acaba de estampar a capa da "Vogue" francesa. "É claro que a Valentina abriu portas. Acho que daqui a um tempo todo desfile terá uma modelo trans. E é importante mostrarmos que podemos ser modelos mas também atuar em qualquer profissão, como qualquer pessoa", declarou Marcela.

"Vemos as modelos sem saber gênero, raça. Gostamos da atitude delas e dos corpos estonteantes. Não botamos escrito "loira", "morena", "olhos verdes". Vocês da imprensa que acabam divulgando", afirmou Slama.

Do Ego gay1

 
 
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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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