Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens

RENOSP: Policiais LGBTs brasileiros criam rede de apoio no Instagram

Quem acha que profissional LGBT é só um ou dois na corporação da polícia, bombeiros, aeronáutica marinha, exército, ou qualquer outra instituição de segurança pública, muito se engana.
Um grupo de profissionais de segurança pública brasileiros forma a rede RENOSP (Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública), que em seu Instagram já conta com milhares de seguidores. Eles publicam diariamente posts mostrando profissionais LGBTs da área. Pessoas corajosas que acreditam na luta contra o preconceito e ignorância predominante nestas instituições e na sociedade como um todo.
A proposta existe há alguns anos, mas ganhou força desde a semana passada, quando veio a tona a história do PM Leandro Prior, que teve um inferno feito da sua vida após covardemente e anonimamente, alguém tê-lo gravado se despedindo com um simples selinho em outro homem no metrô de São Paulo.
Em um vídeo lançado semana passada, mostramos muitos policiais heterossexuais que fizeram muito além e sem jamais sofrer penalidades:



Por todas as redes sociais, foram muitos os comentários odiosos e até ameaças de morte de dentro da própria corporação da Polícia Militar, como foi o caso do PM Renato Nóbile, que feriu o juramento de honrar a vida – da própria Polícia Militar – ao ameaçar Leandro de morte (na pedrada ainda!).
Mas felizmente, há males que vem pra bem. Por outro lado, apareceram profissionais de dentro dessas mesmas corporações manifestando total apoio ao Leandro. Uma atitude corajosa, uma vez que a maioria dos profissionais LGBTs destes segmentos não se assume e vive uma vida acuada em seus armários pelo medo de todo preconceito que sabem que enfrentariam na profissão.
Inspirados na coragem destes, existe a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI+ RENOSP.  Como diz a bio do Instagram, é um grupo de pessoas em combate a homofobia, lesbofobia e transfobia dentro da Instituições de Segurança Pública. Todos podem seguir e pode fazer parte e mandar sua foto demonstrando apoio, todo profissional de segurança LGBT.
Pra quem acha que isso é novidade, o Brasil – pra variar – está atrasado. Na Europa, por exemplo, já existe desde 2004 uma Associação de Policiais LGBTs que integra profissionais de todos os países do continente e dá apoio a estes e apura casos preconceito nas corporações, por lá algo cada vez mais raro, diga-se de passagem.
Você pode seguir o Instagram do RENOSPLGBT aqui. Estamos juntos e precisamos nos APOIAR pra mostrar ao poder público que EXISTIMOS e merecemos dignidade e respeito em todas as esferas da sociedade.
Seguindo o perfil, você fica ligado nas atualizações, fotos e stories postados diariamente. Por lá, pode-se ver textos e fotos inspiradores de muitos profissionais LGBTs, todos com muita coragem e vontade de mudar o mundo para melhor.
Pelo fim do machismo e homofobia nestas corporações, que sinceramente, deveriam ter como prioridade acabar com tanto preconceito interno, uma vez que servem, acima de tudo, para garantir o bem estar e segurança de TODAS as pessoas.

Share:

Alemanha aprova opção de “terceiro gênero” aos documentos

O parlamento da Alemanha aprovou uma lei que deve adicionar uma opção de  “terceiro gênero” . O uso, pelo menos a princípio, seria exclusivamente para pessoas nascidas intersex (antigamente chamadas hemafroditas, ou seja, nascidas biologicamente com ambos os sexos).
Com a medida, assim que decidirem, pessoas intersex também poderão também trocar de gênero e nome facilmente nos documentos sem precisar de autorização médica ou jurídica pra isso.
A medida garante assim que a pessoa decida seu gênero. E a família possa registrá-la em uma terceira opção até que ela se entenda.
Ativistas LGBTs receberam bem a notícia mas alertaram que falta muito ainda. Anton Hofreiter disse: “Poderia ter sido mais abrangente, a lei não vai muito longe além das pessoas intersex”, afirmou o militante Anton Honfreiter.
O motivo da queixa seria de que gênero não se define só pela característica biológica/física, como é o caso de pessoas intersex.
O terceiro gênero também poderia se aplicar com facilidade a pessoas trans que simplesmente declarem que não se encaixam no gênero feminino ou masculino, mas pelo menos por enquanto, a lei não contempla estas pessoas.
“Gênero não se define só por características físicas, mas também sociais e psicológicas”, explicou o membro da Federação Alemã de Lésbicas e Gays na tentativa de alertar autoridades de que a lei poderia ser mais abrangente e plural a todas as pessoas trans.

Share:

Homofobia e Transfobia agora são crimes com pena de 3 anos de prisão na Suíça

A Suíca acaba de aprovar uma lei criminalizando homofobia e transfobia. Se trata de um ato inédito considerando criminalizar este tipo de discriminação com uma pena severa de até 3 anos de detenção para os infratores.
Um dos responsáveis pela aprovação da lei, o Mathias Reynard, postou em seu Twitter: “Um grande passo para os direitos humanos!”.
Falando ao Shortlist, ele comemorou a nova medida explicando sua importância muito além da Suíça: “A decisão do parlamento da Suíça é uma ótima notícia porque manda uma mensagem ao mundo de que homofobia não é opinião, como o racismo. É uma violação.”
Sobre a justiça sueca, ele ainda disse: “Trabalhando com leis, percebia que estes casos de ódio eram tratados de maneira muito leve pela justiça. Já tive amigos próximos que sofreram homofobia e transfobia e pouco foi feito a respeito.”
Vale lembrar que, ainda que avançada na questão de se criminalizar o preconceito, a Suíça ainda está bem atrasada em questões com casamento homoafetivo e adoção por casais homossexuais, que ainda não são garantias legais em seu território.


Do Poe na roda
Share:

Transexual afastada da Marinha briga na Justiça para voltar a trabalhar

A vontade de voltar a trabalhar tem sido uma busca constante da segundo-sargento da Marinha do Brasil, Bruna Benevides, de 38 anos. Em 2015, ela foi afastada depois de assumir que é uma mulher trans. No último dia 6, a Justiça Federal determinou que Bruna retome o trabalho e que o nome dos seus documentos na corporação seja retificado.
A sentença, proferida pela juíza federal Geraldine Pinto Vital de Castro, determinou ainda que a motivação de transexualidade seja afastada como doença que impedia o exercício de Bruna na Marinha. (saiba mais aqui e aqui)

A militar, que também é diretora da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), esteve nesta quinta (22) no Campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para participar do evento “Respeita as mina” que tratou sobre a violência de gênero.

  • Quando você percebeu que era uma mulher?
Isso vem desde quando eu era criança. Desde que eu me entendo por gente eu já sabia que eu não era um menino.
  • Como você se sentia?
Fui obrigada a me reprimir por questão de sobrevivência. Ou me reprimia ou vivia violências simbólicas e psicológicas. Para amenizar, tentei me enquadrar no padrão. Mas era tentar esconder o rabo de um pavão. Me vestia como um homem, mas eu não era um. Eu falo que era o oposto: me travestia de homem. Era na verdade um disfarce para amenizar a violência.
  • Sofria muito preconceito?
Direto. Era só repressão. Mas naquela época eu não entendia. Hoje lido de forma tranquila porque estou na militância. Passei a entender que não é uma coisa só comigo, é uma questão estrutural. Antes o discurso vinha disfarçado de amor. Diziam “vou te bater porque te amo e quero te consertar” ou “vou te colocar de castigo porque Deus te ama e ele quer te salvar”. Isso acontecia comigo e acontece com muita gente até hoje.
  • Você pensou em parar de estudar?
Não. Eu entendia que o único caminho era estudar. Eu sabia que se eu parasse, o que me restaria era sofrer um processo de marginalização que é imposto para a maioria das pessoas trans.
Como você decidiu entrar para a Marinha?
Sou de Fortaleza, no Ceará e vivia em uma família muito conservadora. Pensei em fazer a prova no Rio de Janeiro porque eu tinha o sonho de ter minha liberdade.
  • Como foi no início?
Passei no concurso quando eu tinha apenas 17 anos. Foi muito difícil. Quando cheguei no Rio comecei a viver uma vida dupla. Eu me travestia de homem para trabalhar. Fiquei nesse disfarce por uns 18 anos.
  • As pessoas na corporação desconfiavam?
Sim. Por mais que eu não verbalizasse nada, as pessoas percebiam. Eu sofri bullying, mas também recebi apoio. Só que chegou um momento que comecei a questionar o que estava fazendo com a minha vida. Decidi reivindicar meu lugar de mulher na sociedade sem me preocupar com o que iam pensar de mim.
Como foi depois de ter assumido que é trans?
Fui encaminhada a junta médica que me deu um laudo de incapacidade por transexualidade ser considerado um transtorno. Fui afastada temporariamente para me cuidar.
  • O que passou na sua cabeça?
Eu pensava que nada que eu falasse ia mudar. Hoje tenho um laudo médico dizendo que eu sou transexual. Sinto que sem esse laudo eu não existiria porque minha experiência de vida não é válida.
  • E como se inseriu no movimento social?
Foi nessa época que fui afastada temporariamente, de 2014 para 2015. No ano passado me deram um laudo definitivo de incapacidade para o trabalho na Marinha. Foi aí que procurei a Defensoria Pública e acionei a Justiça Federal.
  • Você tem algum medo?
Toda vez que vou ao banheiro, tenho miniataques cardíacos. Fico com receio de ser botada para fora, porque isso é uma realidade. Quando vou embarcar já fico com um frio na barriga por tantas vezes que tive que apresentar um documento com uma foto que não era eu mesma. Era super constrangedor.
  • O que te move nessa luta?
Luto pela sobrevivência daqueles que não tem a oportunidade que eu tive. Quando você vê os índices de morte e que a estimativa de vida das pessoas transexuais é de 35 anos, me sinto na obrigação de falar por essas pessoas.
  • Você voltou a trabalhar?
Ainda não. O processo está correndo em primeira instância. A luta não começou comigo. Antes de mim foram oito travestis e transexuais das Forças Armadas que lutaram pelo direito de trabalhar. O meu caso é o primeiro que consegue uma decisão favorável.

Share:

LGBTs antecipam casamentos, com receio de retrocessos no próximo governo




Em entrevista ao portal Brasil de Fato, a youtuber LGBT do Canal das Bee, Jéssica Tauane, revelou que decidiu se casar com a namorada, Julia Azevedo, com quem tem um relacionamento há dois anos e meio.
Acontece que o motivo da união neste exato momento vai além do relacionamento delas: é também por medo de eventuais perdas de direitos no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O receio não vem à toa. A própria Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil recomendou oficializar a união até o fim do ano para “quem quiser ter direitos garantidos”.
Pra quem não sabe, o casamento homoafetivo no Brasil não é lei. Não existe um âmparo legal de peso que garanta o direito e o impeça de ser revogado. O que existe é uma jurisprudência: uma medida do STF que, em 2011, garantiu por unanimidade que uniões homoafetivas tenham os mesmos direitos da união hétero no Brasil.
E assim viemos de lá pra cá, sem conseguir aprovar como lei o casamento gay até agora, com um congresso mais conservador que o outro sendo eleito.

O que acontece agora é que, em um governo de um presidente que sempre se disse contra os direitos LGBTs, exatamente pela ausência de uma lei que nos garanta este direito de maneira irrevogável, este mesmo presidente tem condições de eventualmente baixar medidas provisórias ou, em uma canetada, negar o acesso a direitos já adquiridos.
É verdade que seria um verdadeiro tiro no pé um governo cutucar esse vespeiro gratuitamente, impedindo a união de milhares de casais que já legalizaram suas uniões e vivem muito bem assim, e também impedir a legalização dos futuros casais. Mas é melhor não pagar pra ver, não é mesmo?
Vale lembrar que recentemente, ainda em campanha, Bolsonaro assinou um documento de um grupo católico se comprometendo a barrar avanços LGBT em um futuro governo.
Outro risco fora uma decisão arbitrária do presidente assumidamente homofóbico Bolsonaro, é o mesmo indicar novos ministros ao STF (com a saída de antigos por aposentadoria ou morte) que alterem a jurisprudência existente sobre a união homoafetiva. Vale lembrar que Bolsonaro já sugeriu não apenas indicar novos juízes ao STF, mas também ampliar de 11 para 22 o número de representantes do STF.
Em um cenário hipotético e terrível, se em sua maioria, esses novos juízes tiverem os mesmos pensamentos retrógrados que o presidente, podemos perder os poucos direitos que já conquistamos por igualdade no Brasil.
Conforme Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada e presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse à reportagem: “Não existe legislação no Brasil assegurando qualquer direito da população LGBTI+”.
A recomendação segundo ela, seria então, diante da ameaça simbolizada por Bolsonaro, que os casais homoafetivos que desejam consumar sua união num futuro próximo, se antecipem até o fim deste ano para preservar seus direitos à pensão, à previdência, à partilha de bens, etc.
Nas palavras de Maria Berenice Dias: “Oficializem até o final do ano seus relacionamentos porque os casamentos realizados daqui até lá não podem ser anulados. Um receio que existe é de eventualmente, a partir da posse, um presidente absolutamente homofóbico, conservador e retrógrado, tomar alguma iniciativa neste sentido. Ele tem a faculdade de baixar medidas provisórias, essa caneta ele tem na mão, e eventualmente pode ser que baixe algo que tenha força de lei, negando acesso ao casamento, o que teria mais força do que uma decisão do STF, que só se constitui pela jurisprudência”, afirmou à reportagem.
Seria um cenário péssimo pra todos os LGBTs que se casaram ou querem se casar, mas quem já adquiriu um direito, terá mais dificuldade em perdê-lo mesmo com um veto do presidente, que atingiria diretamente muito mais as futuras uniões.
Foi justamente o que consideraram Jéssica e Júlia: “A gente já queria se casar, mas estávamos aguardando o momento mais oportuno financeiramente. Mas é muito instável, a jurisprudência pode mudar. Como não foi construída em lei, temos medo de daqui a pouco não conseguirmos mais.”, contou a youtuber à reportagem do Brasil de Fato.

Os números de casamentos homoafetivos nos cartórios vêm aumentando desde 2013, quando foram 3.701 registros. Em 2017, o número chegou a 6.746. Neste mês de outubro, foram 81 processos de união afetiva confirmados.







Julia Azevedo e Jéssica Tauane (foto) são namoradas há dois anos e meio. No sábado (27), véspera do segundo turno das eleições presidenciais, elas decidiram dar entrada no processo de união civil homoafetiva no cartório. A decisão, que está se tornando um movimento da população LGBTI no país, veio como uma resposta política ao receio de que o próximo governo eleito, de Jair Bolsonaro (PSL), retire seus direitos.
Bolsonaro, conhecido pelos históricos discursos preconceituosos contra diferentes grupos sociais, já chegou a afirmar publicamente agressões como: "ter filho gay é falta de porrada". No dia 12 de outubro, durante a campanha eleitoral, o candidato assinou um termo da organização Voto Católico Brasil no qual se comprometeu a defender a família "constituída de acordo com o ensinamento da Igreja" e o "verdadeiro sentido do Matrimônio (sic), como união entre homem e mulher".
Segundo Julia, o casamento não estava nos planos atuais do casal, mas, com a conjuntura política, acabou entrando.
"É uma burocracia, a gente ia fazer mais para frente, mas sabendo das coisas que poderiam acontecer a gente não queria arriscar. Quando a falamos que estávamos nos programando de casar, os amigos ficaram assustados, falando que eles [o governo] vão saber quem é quem, terão documentos. Eu pensei, se eu não puder fazer isso agora, por medo disso… Agora se a gente precisar pedir refúgio, ou algo do tipo, temos um comprovante. Não é o que queremos fazer, mas se for desse jeito, perseguição como na Ditadura, será assim", afirmou, em entrevista ao Brasil de Fato, do apartamento de sua família.
O resultado do pleito havia acabado de ser divulgado quando a reportagem chegou à casa, onde Jessica também estava. Comunicadora social, Jéssica foi fundadora do Canal das Bee, um canal no Youtube que trata de temas LGBTI+ e hoje reúne mais de 350 mil seguidores. A youtuber esperou um tempo para se recuperar, e, com uma bandeira do movimento, com as cores do arco-íris, e uma voz entrecortada pelo choro, contou que nunca realmente havia acredito na possibilidade da eleição do capitão reformado do Exército.
"Deu tempo de ele aprender que o que ele estava falando estava machucando pessoas, virando violências concretas. Não foi por falta de diálogo. O que fez ele ganhar agora foi o preconceito do brasileiro, esse negócio de que a galera de grupo minorizado quer privilégio e faz 'mimimi'. A gente anda muito menos já na rua, sabe, ainda mais por sermos duas minas. As pessoas são sempre homofóbicas, agora elas vão ter um presidente que tem orgulho de ser também. Isso vai potencializar. Ele vai instigar. É uma cartada tão genial, porque o sangue não vai sair da mão dele. Eu prefiro muito acreditar que eles estão enganados, porque senão eu fico desesperançosa da vida mesmo", lamentou.
Em uma foto postada nas respectivas redes sociais o casal teve muito apoio dos seguidores, e também recebeu comentários de diferentes pessoas afirmando que pretendiam fazer o mesmo. A preocupação vem estimulado a mesma decisão em muitos casais. É o caso do oficial da Defensoria Pública de São Paulo Matheus Rodrigues dos Santos Silva. Ele já mora com o namorado, Guilherme Zagonel Silva, há um ano, e namora há mais de seis.
"A gente já queria se casar, mas estávamos aguardando o momento mais oportuno financeiramente. Mas é muito instável, a jurisprudência pode mudar. Como não foi construída em lei, temos medo de daqui a pouco não conseguirmos mais. Como é um assunto que eu acompanho bastante eu falei pra gente aguardar, tentar segurar até o meio do ano que vem, mas com um pouco de receio, a qualquer momento pode ser que não dê mais", afirmou.
Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou por unanimidade o reconhecimento da união homoafetiva. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução nº 175, pela qual ficou estabelecido que casais do mesmo sexo teriam direito ao casamento civil, e que tabeliães e juízes ficaram proibidos de se recusar a registrar qualquer união do tipo. Como explicou Matheus, no entanto, a resolução não tem força de lei. Um projeto do Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero, formulado em 2011 e apresentado em 2017 no Senado, ainda tramita no Congresso Nacional.
Sem garantias
Segundo Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada e presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), "não existe legislação no Brasil assegurando qualquer direito da população LGBTI+". Ela recomenda que, por esse motivo, e diante da ameaça simbolizada por Bolsonaro, os casais se antecipem para preservar os direitos garantidos "à pensão, à Previdência, à partilha de bens".
"O que existe é uma justiça sensível que, atenta a esse segmento, começou a assegurar direitos. A recomendação feita, para as pessoas que quiserem, é que oficializem até o final do ano seus relacionamentos. Porque os casamentos realizados daqui até lá não podem ser anulados. Um receio que existe é de eventualmente, a partir da posse, um presidente absolutamente homofóbico, conservador e retrógrado, tomar alguma iniciativa. Ele tem a faculdade de baixar medidas provisórias, essa caneta ele tem na mão, e eventualmente pode ser que baixe algo que tenha força de lei, negando acesso ao casamento, o que teria mais força do que uma decisão da justiça, que só se constitui pela jurisprudência. A jurisprudência existe aqui agora, no momento em que mudam os julgadores, as cortes, há a possibilidade de se trocar a jurisprudência, vão se renovando os tribunais", afirmou.
No entanto, o casamento, mesmo no civil, continua sendo caro no Brasil. Os valores atualizados de casamento em cartório em São Paulo, um dos mais altos do país, chegam a R$404,90. A urgência do casamento até o fim de 2018, portanto, exclui a parte dos casais LGBT que não teria como arcar com os custos. 
Para Matheus, a oficialização do matrimônio seria principalmente uma simbologia. "Eu acho importante a gente casar, como um ato político. A união estável é importante principalmente pela questão patrimonial, se um de nós falecer ou precisar de aposentadoria, esse tipo de coisa pode ser restringida. Mas no nosso caso talvez não enfrentássemos muitos problemas porque nossas famílias estão super de acordo com a gente. Mas o que me deixa muito triste é no caso de pais que não aceitaram a vida inteira que o filho morasse com outro cara, o filho morre e os bens vão para os pais, e não para o companheiro, com quem ele construiu a vida", explicou, completando que sua principal preocupação não é a eleição de Bolsonaro, mas de uma grande bancada que o apoia no Congresso. Foram 52 Deputados Federais do PSL eleitos no primeiro turno dessas eleições.
A marcação política também foi uma questão importante considerada pela educadora e fotógrafa Cássia Oliveira, que há um mês realizou o processo da união estável com a companheira Iara Coutinho.
"Com toda certeza [é uma questão política], a gente sempre discute isso. Fizemos questão de ir lá, assinar, por ser uma questão política dos nossos direitos, e pensamos em fazer o casamento tradicional um pouco mais para frente para reafirmar isso, de que temos esse direito não só perante a lei, mas aos amigos e a família. Ontem depois do resultado eu fiquei desacreditada, não vivi para ver isso no Brasil. Hoje caiu a ficha, eu vi uma notícia dizendo que em 2017 aumentou 30% a violência contra LGBTs e fico pirando mesmo. Não tem como não ter medo. Mas na verdade, me sinto fortalecida", afirmou.
Segundo dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo, os dados nacionais do Registro Civil mostram que os números de casamentos homoafetivos nos cartórios vêm aumentando desde 2013, quando foram 3.701 registros. Em 2017, o número chegou a 6.746. Neste mês de outubro, foram 81 processos de união afetiva confirmados.
Do Brasil de Fato - Edição: Diego Sartorato
Share:

sargento trans da Marinha Bruna Benevides conseguiu liminar que garante que seja reintegrada ao serviço militar


O dia da Marinha do Brasil é (foi) celebrado nesta segunda-feira, 11 de junho. Coincidentemente, essa também foi a data na qual foi divulgada uma derrota imposta pela Justiça ao conservadorismo da instituição. Conforme antecipado pela Coluna de Ancelmo Gois, o Tribunal Regional Federal da 2ª região (TRF-2) negou recurso da União que pretendia cassar uma liminar favorável da segundo-sargento trans da Marinha Bruna Benevides, que foi afastada após revelar sua condição. Ela conseguiu reverter na Justiça, ainda que de forma temporária, a tentativa da Marinha de reformá-la compulsoriamente.

Para justificar o afastamento, a Marinha alegou que Bruna Benevides era incapaz de exercer o serviço público devido a um quadro de "transexualismo", ainda que a segundo-sargento tivesse desempenhado por quase 20 anos seu trabalho com excelência dentro da instituição. A corrida da militar para tentar garantir o direito de desempenhar a atividade — para a qual foi aprovada em concurso público na década de 1990— começou há cerca de quatro anos quando ela decidiu revelar a seus superiores que era uma mulher trans. Antes disso, os longos cabelos crespos não existiam, em uma tentativa de se adequar ao papel masculino que precisava representar para ir ao trabalho.
— Como consegui jogar o jogo que estava posto, consegui passar por cima da maior parte dos problemas. Até que passei a me contestar. Antes eu pensava 'sou militar, vou dar esse orgulho a minha família, vou alcançar o prestígio', mas nunca foi suficiente, porque eu não era de fato feliz. Então eu resolvi que não queria 'ter' e sim 'ser', e quando eu decidi isso eu resolvi falar com meus superiores. Até então, eu tinha uma dupla identidade. Estrategicamente, ali eu precisava estar com a farda masculina, o cabelo curto — conta ela, explicando que no ambiente privado continuava levando a vida conforme sua verdadeira identidade: de mulher.
Depois de falar com o chefe imediato, Bruna deixou de fingir ser o que não era. Com a permissão do comandante do setor, deixou inclusive os cabelos crescerem. Mas, tratada com respeito pelos colegas, o preconceito veio de forma institucional quando, pouco depois, o caso chegou nas instâncias superiores e ela foi encostada compulsoriamente por uma licença médica na qual sua "doença" era diagnosticada como " transexualismo". Assim ficou por cerca de dois anos, tentando reverter o quadro administrativamente, mas quando o afastamento atingiu por licença atingiu o tempo limite, a militar decidiu que precisava entrar na Justiça.

— Quais as limitações laborais que eu tinha? O que impunha que eu não pudesse desempenhar funções como militar? Eu não tinha nenhuma questão física e nem psíquica. Foi horrível, eu me senti a pior pessoa do mundo. Eu saí de casa aos 17 anos para me dedicar à Força e no final estava sendo dispensada porque estava usando saia — questiona. — A questão é burocrática e social. Quem tem um transtorno (de adaptação) não sou eu, são as forças armadas.
Após resistir à judicialização do caso, Bruna finalmente concluiu que entrar na Justiça era a única alternativa. No ano passado, ela obteve, no dia do Marinheiro, comemorado em 13 de dezembro, a primeira vitória: uma liminar que determinava, em caráter de urgência, que fosse reintegrada ao corpo militar. A Marinha então entrou com recurso, que foi derrubado pelo TRF-2 no dia 24 de maio, mantendo a determinação de que Bruna volte a trabalhar.
— A liminar foi cumprida parcialmente, a gente aguarda uma sentença de mérito. Bruna foi novamente agregada à Força e voltou a receber como uma militar da ativa, mas o que ela quer não é o salário. Ela está brigando pelo direito de trabalhar, exercer sua profissão — explica o defensor da União Thales Arcoverde Treiger, que faz a defesa da segundo-sargento. Treiger explica que a justificativa apresentada pela Marinha causou uma "impressão muito ruim" pela falta de elementos que justifiquem o afastamento da segundo-sargento.

— As Forças Armadas argumentam que o problema é a impossibilidade de Bruna sair do quadro de servidores masculinos e ir para o feminino, questionam que vestiário ela usaria na instituição. A Bruna é uma mulher, ela sempre foi e sempre vai ser. Espero que a partir de agora, a administração pública veja isso como uma coisa muito natural. O Supremo já reconheceu o direito das pessoas trans, que agora podem mudar o nome (sem necessidade de cirurgia de mudança de sexo) — disse.
Segundo Bruna, a decisão é um marco para garantir aos transexuais o direito à dignidade, em um contexto que faz com que, diariamente, essas pessoas sejam levadas à informalidade:
— A população trans não consegue trabalhar nos empregos formais. Quando a gente se depara com uma pessoa como eu, que teve oportunidade de se formar e mesmo assim é atingida pelo preconceito vemos o que faz com que grande parte de nossa população seja empurrada para a prostituição.

Do O Globo - Fotos Reportagem o globo e DCM
Share:

Advocacia-Geral da União: Travesti não pode cumprir pena em presídio feminino

Permitir que travestis cumpram pena em presídio feminino viola a Constituição Federal, que estabelece a segmentação espacial da população carcerária segundo o sexo do preso, dentre outros critérios.  É o que defende a Advocacia-Geral da União nesta quinta-feira (23/8), em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, sobre normas que regulamentam as prisões brasileiras. 

De acordo com a entidade, as normas atuais de como travestis devem cumprir pena combinam os preceitos constitucionais e legais com a necessidade de assegurar proteção a um grupo vulnerável.

Por isso, permitir a medida afrontaria o artigo 5º da Constituição Federal, que prevê que os presos sejam separados de acordo com a natureza do delito, idade e sexo, assim como a Lei 7.210/1984, que assegurou às mulheres o cumprimento das penas em estabelecimentos próprios.

"Em atenção às particularidades físicas e psíquicas de seus destinatários, as normas atacadas inserem os travestis e transexuais no referido sistema binário, observando, a um só tempo, os comandos constitucionais e legais que adotam o sexo como fator objetivo de divisão dos custodiados, bem como a segurança e o grau de vulnerabilidade desses indivíduos e do grupo no qual devem ser acomodados", considera a entidade.

Até o momento não há previsão de julgamento da ação, que está sob relatoria do ministro Roberto Barroso.

Resoluções
No documento, a AGU aponta que há uma resolução de órgãos vinculados ao Ministério da Justiça que estabelece um conjunto de proteções para que travestis possam cumprir pena em segurança e tenham a identidade sexual respeitada.

Dentre elas, está a possibilidade de cumprir pena em espaços separados dos demais presos; de ser chamado pelo nome social; optar pela utilização de roupas femininas e manter cabelos compridos. Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU.

Clique aqui para ler a manifestação da AGU.
ADPF 527


Sobre a foto clique AQUI 
Share:

TRF confirma indenização de mulher transexual que teve foto de alistamento vazada

A estudante transexual Marianna Lively, de 19 anos, vai receber do Exército Brasileiro a indenização de R$ 60 mil reais.

Os desembargadores da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3) negaram provimento a recursos da União e confirmaram indenização de R$ 60 mil por dano moral a uma adolescente transexual fotografada por um oficial do Exército quando compareceu ao quartel para alistamento militar em Osasco (SP). Na ocasião, o capitão que presidia a comissão de recrutamento militar anexou o certificado de dispensa da adolescente e o transmitiu pelo aplicativo WhatsApp, que se espalhou pelas redes sociais.
As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação Social do TRF-3 – Apelação Cível 0049184-73.2015.4.03.6144/SP
Para os magistrados, o fato de ter ocorrido em instituição militar e ter sido provocado por capitães do Exército, que estavam em função pública, ‘retrata desrespeito ao direito constitucional de imagem, às regras do estatuto dos militares e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)’.
Como consequência, a situação gerou o dever de indenizar, de acordo com o artigo 37, parágrafo 6.º, da Constituição.
Em primeira instância, a União já havia sido condenada a indenizar a adolescente em R$ 60 mil, com correção monetária e juros de mora.
Após a sentença, a União recorreu afirmando ‘ausência de nexo entre a conduta dos militares e os sofrimentos morais da parte autora da ação’. A União alegou, ainda, ‘ausência de responsabilidade objetiva’.
Ao analisar a questão, o relator do processo no TRF-3, desembargador federal Johonsom Di Salvo, salientou que ‘a prova trazida aos autos e a admissão dos fatos feita pela própria ré não deixam dúvidas de que a adolescente foi fotografada sem autorização durante o alistamento militar’.
Na decisão, o magistrado relata que, sem seu conhecimento, a adolescente foi fotografada pelo capitão Carlos Roberto de Jesus Júnior, tendo o militar repassado as duas fotos ao capitão Rômulo Marcondes de França, que presidia a própria Comissão de Seleção de alistandos.
“Capitão França, por sua vez, sem qualquer licença da pessoa fotografada, divulgou as duas fotos e também o próprio certificado de alistamento militar com dispensa – onde se encontravam todos os dados pessoais da parte autora, inclusive endereço e telefone”, ressaltou o desembargador.
Seguindo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal, Di Salvo apontou que a adolescente poderia requerer indenização ‘mesmo que não tivesse sofrido qualquer insulto de terceiros’.

 
“Mesmo que a parte autora não tivesse sofrido concretamente qualquer desgosto, é óbvio que, em razão da divulgação de sua imagem obtida sem seu consentimento na rede mundial de computadores, poderia pedir indenização”, assinala o desembargador do TRF-3. “A essa pessoa natural cabe autorizar a divulgação, ou negá-la, conforme queira ou não ser conhecida. Só isso. Não pode qualquer outro obter fotografias, sem sua autorização, e postá-las em redes sociais.”
Para Johonsom Di Salvo, os capitães ‘não obedeceram a fundamentos importantes da ética militar’ – respeitar a pessoa humana (artigo 28, inciso III, Estatuto dos Militares), ser discreto em suas atitudes (artigo 28, inciso IX), observar as normas da boa educação (artigo 28, inciso XIV), zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes, obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar (artigo 28, inciso XIX).
“A dupla de capitães que fotografou a adolescente e seu documento, lançando-os nas redes sociais, descumpriu todos os preceitos. Na verdade, são transgressores, tal como consta do artigo 42 do Estatuto dos Militares, na medida em que amesquinharam um direito alheio constitucionalmente assegurado, fazendo-o na condição de capitães do Exército Nacional”, salientou. o desembargador.
Di Salvo concluiu que ‘a União deve responder pelos atos comissivos dos agentes, que se achavam no exercício da função militar, e ofenderam pessoa que exercia um dever cívico-constitucional’.


Confira a íntegra do acórdão 





De acordo com a advogada Patrícia Gorisch, que também é presidente da Comissão de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), a sentença é um marco na luta contra o preconceito. “Nunca o Exército foi responsabilizado por condutas transfóbicas e homofóbicas por parte de seus agentes”.
 
Share:

Policial militar trans recorre ao STF para alterar documentos no Paraná

Um policial militar paranaense entrou no Supremo Tribunal Federal com um pedido de liminar para poder mudar seus nomes nos documentos e passar oficialmente como homem. Transexual, o PM já é chamado pelo seu nome correto no batalhão, mas seus documentos continuam usando o nome feminino do soldado.

O pedido ao STF foi feito pela área jurídica do Grupo Dignidade, organização especializada no atendimento da população LGBTI+. O Supremo já decidiu que o relator do caso será o decano Celso de Mello.


O Paraná, ao contrário de outros oito estados, ainda não regulamentou a decisão do Supremo que garante a mudança de nome. Hoje, no país, já não é necessário fazer cirurgia nem ter laudos psicológicos para fazer a mudança de nome.

No Paraná, ainda não há regulamentação e os cartórios, por decisão da Corregedoria de Justiça do TJPR, estariam se recusando a fazer a mudança de registro sem que haja uma decisão do CNJ.

Share:

Atriz transexual Gabriela Loran consegue mudança de sexo em certidão

Gabriela Loran ficou conhecida ao dar vida a professora de dança Priscila, em “Malhação: Vidas brasileiras”. A participação foi durante a história de Leandro (Dhonata Augusto), e apesar de rápida, fez barulho. Tudo porque, na vida pessoal, a atriz é transexual. E nesta segunda, dia 25, em seu Instagram, Gabriela comemorou uma nova vitória: a atualização da sua certidão de nascimento para o sexo feminino.
“Agora é oficial: Gabriela”, escreveu a atriz ao compartilhar a foto da certidão nova.




À coluna da jornalista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, Gabriela falou sobre a oportunidade para pessoas trans na TV:
"É muito importante que nós tenhamos chances. O filme da Daniela Vega (atriz do longa 'Uma mulher fantástica', premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, e primeira mulher trans a participar da cerimônia) ganhou porque teve representatividade, ela estava presente. E, quando a pessoa está presente, a gente vê que ela existe. Estamos conquistando um espaço legal, mas não podemos nos acomodar, senão perderemos o pouco que alcançamos. Hoje, há diversas mulheres trans buscando espaço, mas a gente precisa de mais e mais. Porque eu posso ter sido a primeira a ocupar esse espaço de 'Malhação', mas não quero ser a única", disse. 

Do Extra

Aos 24 anos, a atriz transexual Gabriela Loran nunca mais se esquecerá do dia 25 de junho de 2018. Isso porque a artista conseguiu de maneira oficial nesta segunda-feira (25) a mudança de sexo em sua certidão de nascimento.
“Agora é oficial: Gabriela”, escreveu ela ao compartilhar a foto da certidão nova em seu Instagram.
A atriz é uma aposta de ‘Malhação – Vidas Brasileiras’ e vem se destacando com sua personagem Priscila, professora de dança na trama.


Share:

Travesti é transferida para presídio feminino após decisão judicial

Uma decisão da Justiça autorizou a transferência da travesti Kellyta Rodrigues de Sousa, de 29 anos, para um presídio feminino. Kellyta foi presa na última quinta-feira (7) suspeita de assassinar outra travesti, conhecida como Vitória Castro, em abril do ano passado, após desentendimento em ponto de prostituição.

Registrada no nascimento como Samuel, Kellyta teve os seus direitos desrespeitados com prisão em cadeia masculina, segundo o juiz Antonio Dantas de Oliveira Júnior. "Os direitos humanos precisam sair do papel e serem cumpridos, é que o discurso, por si só, é um natimorto", escreveu o magistrado na sentença.

O defensor público Sandro Ferreira Dias, responsável pela ação, explicou que a suspeita tem "expressão física de mulher e personalidade feminina", o que torna "ilegal a sua manutenção em cadeia masculina".

Kellyta já foi transferida e é mantida em cela isolada na na Cadeia Pública de Babaçulândia, no Tocatins, de acordo com o G1, com informações da Secretaria de Cidadania e Justiça.

Crime

A presa é suspeita de matar atravesti Vítória Castro em abril de 2017, no Setor Entroncamento. Segundo investigações, Vitória se prostituía no local há vários anos, com outras travestis.

Ainda de acordo com a polícia, Kellyta foi ao local de prostituição e disse que havia comprado o ponto de outra travesti. Sendo assim, todos que trabalhavam no lá tinham de pagar uma taxa a ela, além de percentuais sobre os programas.

A vítima não aceitou e isso se transformou em impedimento para o aliciamento de prostitutas. A discórdia teria motivado o crime. Vitória foi espancada e morreu alguns dias depois com traumatismo craniano.

Do NM
Share:

TRF-2 mantém decisão que proíbe reforma de militar transexual da Marinha

Por entender que não há urgência para a Marinha reformar compulsoriamente uma mulher transexual e deixar de tratá-la por seu nome social, o desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES), negou efeito suspensivo a agravo de instrumento da União. O recurso questiona tutela de urgência que impediu que a militar fosse retirada da ativa e exigiu que ela fosse tratada pelo gênero que escolheu.
Há mais de 20 anos na Marinha, a segundo-sargento foi afastada do serviço em 2014 por incapacidade temporária após ter sido diagnosticada com “transexualismo e dislipidemia mista (altos níveis de colesterol e triglicéridos no sangue)”. Em 2017, após laudo de incapacidade definitiva, a Marinha iniciou um processo de reforma compulsória da mulher trans.
Ela então foi à Justiça. Alegou que está em perfeitas condições de saúde e que a Marinha lhe negava o registro de seu nome social na carteira de identidade funcional e nos assentamentos. Assim, pediu que a Marinha seja impedida de continuar seu processo de reforma e que respeite seu nome social nos assentamentos militares e no tratamento pessoal.
Em defesa da Marinha, a Advocacia-Geral da União argumentou que a militar não poderia ser transferida. Isso porque a medida só é permitida entre oficiais, e segundo-sargente não é um cargo desse nível. Além disso, os procuradores federais sustentaram que a mulher trans entrou na Marinha em um posto que só admitia vagas masculinas. Sem autorização legal para transferi-la, isso violaria o princípio da legalidade, disse a AGU.
A 27ª Vara Federal do Rio de Janeiro concedeu tutela de urgência ordenando que a Marinha paralise a aposentadoria da militar e mude a forma de tratamento dela. Em sua decisão, o juiz apontou que a autora foi afastada de suas atividades diversas vezes por ser transexual, uma vez que uma das terapias recomendadas para isso é se vestir e portar de acordo com o gênero desejado — o feminino. E isso, para a Marinha, conflitaria com a atividade militar.
Porém, o julgador destacou que “não se verificou em nenhum momento redução da capacidade cognitiva ou física da parte autora em razão da busca de sua identidade de gênero”. Pelo contrário: médicos relataram que a ansiedade e a depressão da segundo-sargento diminuíram depois que ela se assumiu como mulher.
“Portanto, a transexualidade não determina, por si só, a incapacidade laborativa, nem incompatibilidade funcional com sua condição de militar da ativa da Marinha do Brasil. Veja-se que a manifestação da AGU nem sequer faz referência ao laudo médico, limitando-se a defender a tese segundo a qual não seria possível a transposição do quadro masculino para o feminino”, ressaltou o juiz federal.
A seu ver, aceitar a tese da União de que é proibida a transferência do quadro masculino para o feminino “equivaleria a dizer que transexuais não podem ser admitidos no serviço militar”. E isso, de acordo com ele, violaria “frontalmente” o artigo 3º, IV, da Constituição. O dispositivo prevê como objetivo fundamental do Brasil “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
Sem suspensão
A AGU recorreu da decisão, pedindo a atribuição de efeito suspensivo ao agravo de instrumento, mas o desembargador federal Marcelo Pereira da Silva negou o requerimento.
Em sua opinião, a Advocacia-Geral não demonstrou o perigo da demora na suspensão do processo de reforma da militar e na retificação de seus documentos — o que foi efetivamente determinado pela tutela de urgência.
Clique aqui para ler a íntegra da decisão.
Processo 0000511-73.2018.4.02.0000

Do CONJUR
Share:

OAB já reconheceu nome social a 62 advogados e advogadas trans

Desde que a Ordem dos Advogados do Brasil reconheceu que travestis, transexuais e transgêneros podem usar nome social no lugar do nome civil para exercer a profissão, a entidade emitiu 62 certidões com as alterações.
A autorização foi dada em 2016, por meio da Resolução 5/2016 do Conselho Federal. Desde o ano seguinte, quando o texto entrou em vigor, 11 estados e o Distrito Federal emitiram carteiras da OAB para trans. 
A Bahia foi o estado com mais registros até o momento, com nove documentos. O Distrito Federal ficou em segundo lugar, com oito. A única região do país sem emissões, por enquanto, é a Centro-Oeste.
Segundo a resolução, o registro deve seguir “a designação pela qual a pessoa travesti ou transexual se identifica”, mediante solicitação prévia.

A advogada transexual Márcia Rocha foi quem recebeu a primeira certidão do país, da seccional São Paulo, em janeiro de 2017. Depois da carteira de identidade profissional de Márcia, São Paulo emitiu outras cinco. 
Como Márcia Rocha ainda não alterou o registro civil, na carteira da OAB-SP aparecem os dois nomes, o civil e o social. Mas ela não vê problema nisso e diz que sempre foi respeitada no exercício da profissão.
Destaca que em um acórdão do TJ-SP, quando fez sustentação oral durante um julgamento, foi publicado apenas  o seu nome social. “Muito respeitoso da parte do tribunal”, diz. “Em São Paulo não há burocracia para pedir a alteração à OAB, é uma solicitação simples, sem necessidade de apresentar novos documentos”, completa a defensora.
Em fevereiro, foi a vez da seccional de Pernambuco emitir o documento pela primeira vez para a advogada Robeyoncé Lima. Ela preferiu alterar o registro civil antes de pedir a nova carteira, para não ficar com os dois nomes no registro da OAB. De acordo com Robeyoncé, o processo judicial demorou cerca de oito meses.

Após conseguir a mudança no registro civil, demorou cerca de dois meses para a OAB-PE emitir a nova carteira. “Perdi a vergonha de mostrar o documento. Antes ficava constrangida, porque não me representava, não correspondia a pessoa que eu sou”, afirma Robeyoncé.
 
Veja o quadro de emissões pelo país:
Amazonas6
Bahia 9
Ceará4
Distrito Federal8
Maranhão6
Minas Gerais2
Paraíba4
Pernambuco1
Rio de Janeiro6
Rio Grande do Norte4
Rio Grande do Sul6
São Paulo6
Total62



Do Conjur -  Por 
Share:

São Paulo: Policia Militar expulsa soldado que denunciou tortura após assumir ser gay

Polícia Militar do Estado de São Paulo decidiu expulsar o soldado Adriell Rodrigues Alves da Costa, de 35 anos, da corporação. A decisão, publicada no Diário Oficial, acontece pouco mais de seis meses após o soldado acusar os oficiais do 39° Batalhão da Polícia Militar de 'perseguição, tortura e homofobia'. Ao G1, Costa disse, na manhã deste domingo (15), que está com medo de ser morto.
O agora ex-militar tornou-se conhecido a partir de um vídeo gravado por ele e compartilhado em uma rede social. "Se algo acontecer com a minha vida, com a minha integridade física, a responsabilidade é do comandante do batalhão, da Polícia Militar e do Estado, que nada fizeram para apurar as minhas denúncias", dizia.
Seis meses depois da publicação do vídeo, o comando da PM decidiu expulsá-lo por ter cometido "transgressão disciplinar de natureza grave". Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Costa agrediu uma equipe de saúde e outros policiais durante uma avaliação clínica marcada a ele pela corporação durante apuração dos fatos.
O ex-militar, que é formado em odontologia, ficou indignado com a decisão. "Fiquei dentro da minha casa esperando atendimento médico durante oito dias. Eu ia entrar em deserção. Me convenceram a ir dizendo que eu ia para São Paulo. Era mentira". Ele, que acabou preso por 34 dias, diz ser vítima de um crime "forjado" pelo comando. 

Adriell também alega que a corporação nunca aceitou os atestados que apresentava. "Eles me faziam trabalhar engessado e medicado, pois meus laudos não valiam". O salário dele foi suspenso em novembro de 2017. "A cúpula da instituição nomeou um sargento [para defendê-lo] que é subordinado aos tiranos que me perseguiram e torturaram".
"A PM destruiu a minha vida. Temo pela minha integridade física. Temo que me matem para calar todo o mal que me fizeram. Eles provaram que não têm escrúpulos algum. Se alguma coisa acontecer comigo, foi o Estado de São Paulo e a Polícia Militar que fizeram mal", fala, ao complementar que está com medo.

O caso

Soldado há 9 anos, Costa iniciou a carreira na polícia lotado no 24º Batalhão, em Diadema, sendo transferido depois para Mauá, cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Em 2011, teve as mãos lesionadas após um atropelamento durante o trabalho, e desde então, passou a atuar em funções administrativas na corporação.
Em 2016, após decidir morar no litoral paulista, Costa passou a atuar no 39º Batalhão, em São Vicente. Segundo ele, desde o início, havia sido considerado “peso morto” por ter ido para a unidade com restrições médicas, retiradas posteriormente pelo médico do 6º Comando do Policiamento do Interior, responsável por todo litoral.

A situação física se agravou ao lado da psicológica, já que ele acusava o batalhão de persegui-lo em razão da orientação sexual. "Eu escutei de um cabo que eu tinha que 'virar homem'. Ele me disse: 'Você não é homem. Você não está agindo como um homem'. Decididamente, um inferno começou na minha vida quando vim para a Baixada [Santista]", relatou, na época.
Ainda na ocasião da divulgação do vídeo, a Secretaria de Segurança afirmou que estava prestando todo o apoio necessário ao policial. O comunicado enviado ao G1 afirmava que as medidas para solucionar o caso 'estavam sendo tomadas' e que a Corregedoria da Polícia Militar estava acompanhando o caso. 

Do G1
Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages