Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Mostrando postagens com marcador SEX SWAP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SEX SWAP. Mostrar todas as postagens

Romário cobra na Justiça Thalita Zampirolli


O ex-jogador de futebol, hoje senador da República, Romário, cobra na Justiça, uma dívida de R$ 15.600,00 da transexual de Cachoeiro de Itapemirim, Thalita Zampirolli, que teria “namorado” o baixinho, conforme disse em entrevista ao Portal Ego.

Romário, que tem fama de pegador e teve matéria publicada pelo Portal Uol em 29 de janeiro de 2016 sobre as “14 mulheres que contribuíram para que ele ganhasse essa fama”, foi flagrado por um paparazzi em 2013 saindo de uma boate no Rio de Janeiro acompanhado de Thalita. Na época, o ex-jogador pediu a seu motorista que obrigasse o paparazzi a apagar a foto, mas ela acabou sendo publicada em vários jornais e sites do País.

Em 2014, Thalita revelou ao Portal Ego que namorou o ex-craque por um ano e que ele era carinhoso e companheiro com ela. Tudo teria mudado quando foi revelado que ela havia se submetido a uma cirurgia de troca de sexo. Thalita garante que o ex-namorado não sabia que ela era transexual. “Acredito que ele deve ter ficado chateado comigo, sim. Mas ele tem que entender que sou uma mulher. Tivemos um relacionamento durante um ano e foi bom enquanto durou”, contou em entrevista.

Romário negou o relacionamento e disse que no dia do flagra feito pelo paparazzi “ele foi para sua casa e ela foi para a casa dela. Não aconteceu nada. Ela não pode dizer que namorou comigo durante um ano porque estou separado há 1 ano e depois disso só tive dois relacionamentos. Não consigo namorar escondido”, rebateu na época.
Romário, por se sentir enganado, já que teria acreditado namorar uma mulher e não um homem que fizera cirurgia para mudança de sexo, entrou na Justiça Cível, em Brasília, com uma ação de indenização contra Thalita e teve o pedido favorável. A transexual foi condenada a indenizar o baixinho em R$ 15.617,77.

Execução
Como a dívida não foi paga, a execução foi encaminhada para a 2ª Vara Civil de Cachoeiro de Itapemirim, sob o número 0004269-26.2018.8.08.0011.
No último dia 10 de outubro, o juiz George Luiz Silva Figueira deu um parecer sobre o caso. “Considerando o teor das certidões, no qual informam que a requerida encontra-se residindo no exterior, sem endereço certo/conhecido, e como a tentativa de citação nos demais endereços encontrados gerará custos desnecessários, determino que se expeça edital de citação de Thalita Campos Zampirolli, pelo prazo de 20 dias, para tomar conhecimento do feito e, caso queira, apresente a defesa que tiver, no prazo de 15 dias, sob pena de revelia”, diz trecho do despacho.
*Com informações dos portais Ego, Extra, UOL, Blog do Elimar Cortes e TJES.


Share:

Reflexão e Desabafos: Transformações...

Os sentimentos transformam. E se o sentimento for amor, a transformação é encantadoramente linda. Lembro-me da minha infância, das mudas que hoje se tornaram árvores, e percebo a transformação do tempo em minha vida,chego a conclusão de que estou hoje construindo o passado de um tempo futuro e não quero me arrepender de nada. O conhecimento promoverá sempre a transformação; e esse desconhecido que nos é chegado atua e é “atuado”, modifica e é modificado em nossas bases mais profundas. Por isso estamos sempre em construção.

Todos mudam. Em algum momento, transformações ocorrem. Muitas vezes porque queremos, outras tantas não. A verdade é que um dia você terá de mudar. A questão é tentar isso para melhor, porque se for para o contrário, bastaria permanecer da mesma forma em que tu se encontras. Pois, pela lógica, muda-se para se tornar alguém melhor, e não apenas para dizer que mudou.

Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.






 

A pessoa que preciso me tornar não é simplesmente uma versão melhor de mim mesmo; é um ser novo, oculto, secreto e completamente diferente do que sou agora.








Nossos Eus
Estamos em constante transformação:
nossas idéias se renovam a cada dia
e a cada segundo surge uma nova versão de nós.

Cada novo Eu questiona,
discorda
e nos faz refletir sobre o que antes acreditavamos ser incontestável...



 
Share:

A primera transexual na Superliga feminina de vôlei, entre a ciência e o preconceito


Um furacão, dentro e fora das quadras. Assim pode ser definida a trajetória tão recente quanto arrebatadora da ponteira Tifanny Abreu pelo vôlei brasileiro. Ela é a primeira mulher transexual a disputar a Superliga feminina, mas, além de levantar o debate sobre uma possível vantagem que levaria sobre outras atletas, seu pioneirismo não passou imune a manifestações de preconceito. Mensagens discriminatórias nas redes sociais se misturam a teses pretensamente científicas que insinuam um suposto oportunismo da atleta, como se jogar com mulheres cisgênero fosse uma escolha para sobressair pela imposição física. “Não tem nada de errado no que faço. Estou dentro das regras do esporte”, rebateu Tifanny após sua primeira exibição pelo Bauru.

De fato, o regulamento da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), em conformidade com diretrizes aprovadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2015, permite a participação de transexuais em competições oficiais. Não há sequer a exigência da cirurgia de mudança de sexo. No caso das mulheres trans, é preciso comprovar um nível de testosterona (hormônio masculino) abaixo de 10 nanomols por litro de sangue para competir na categoria feminina. A atleta só pode defender uma equipe após manter esse índice por pelo menos 12 meses consecutivos e, depois de estrear, deve passar por monitoramento frequente do nível de testosterona. Aos 33 anos, Tifanny cumpre os requisitos. Ela concluiu o processo de transição de gênero em 2015 e atualmente registra em torno de 0,2 nanomol de testosterona por litro de sangue.
Terminada a transição, como esperado em casos desse tipo, a atleta perdeu força muscular, resistência e velocidade devido ao tratamento hormonal. A impulsão, segundo ela, teria sido um de seus fundamentos mais afetados. Entretanto, boa parte da comunidade médica e especialistas do esporte entende que apenas o controle do nível de testosterona não é suficiente para colocá-la em pé de igualdade – ao menos no aspecto físico – com as outras atletas cisgênero. Como a transição de gênero só foi iniciada quando ela já tinha quase 30 anos, seu corpo se desenvolveu a partir da composição fisiológica masculina. Um diferencial que o tratamento hormonal, apesar das consideráveis perdas de testosterona, seria incapaz de anular. “Se tivesse feito o tratamento para a mudança de sexo mais cedo, ela provavelmente teria menos vantagens físicas em relação às demais atletas”, afirma a médica do esporte Karina Hatano.
Coordenador da Comissão Nacional de Médicos do Vôlei, responsável pelo parecer da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que liberou Tifanny, João Grangeiro defende que ela não deveria atuar com mulheres cisgênero, mas, por falta de estudos científicos para embasar uma decisão contrária, chancelou a liberação da jogadora com base na norma do COI. “A diretriz médica que leva em conta apenas o índice de testosterona está aquém da complexidade do caso. De qualquer forma, é o único parâmetro que temos até o momento. E ele foi respeitado para liberar a atleta na CBV”, explica Grangeiro.

Recorrendo à retórica da biologia, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula escreveu uma carta ao COI atribuindo a inclusão de transexuais no esporte feminino a uma “questão ideológica”. Segundo ela, a liberação de Tifanny configura “um grande deboche às mulheres” e pode incentivar o surgimento de um mercado de atletas trans, em que “homens biológicos ocuparão o lugar de mulheres nos times”. Por outro lado, ativistas sociais, militantes LGBT e especialistas em diversidade como Liliane Rocha, fundadora da Gestão Kairós, encaram como indignação seletiva os protestos que se dizem solidários às atletas cis supostamente injustiçadas pela concorrência com Tifanny, mas desconsideram o futuro da jogadora trans caso seja impedida de disputar a liga feminina. “Estamos diante de um caso emblemático”, diz Liliane. “Vejo as reações negativas à presença da Tifanny muito mais como um reflexo de preconceito do que um levante pela igualdade no esporte. Se não jogar no feminino, o que ela vai fazer da vida? O acesso ao trabalho é um direito básico. Mas há pouca gente se preocupando com ela nessa história.”
A especialista em diversidade também rejeita a hipótese de que homens passem a mudar de gênero somente para integrar modalidades femininas, ressaltando que, antes de se aventurarem pelas quadras, transexuais precisam lutar pela sobrevivência. A expectativa de vida de pessoas trans no Brasil é de 35 anos, metade da média nacional. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, uma pessoa trans é assassinada a cada 48 horas no país. Para Liliane, é nesse contexto, de marginalização e violência, que a inclusão de Tifanny precisa ser assimilada, descartando ainda a criação de uma categoria específica para transexuais, já que há poucos casos semelhantes ao da ponteira do Bauru no esporte de alto rendimento – o que contribui para a escassez de estudos científicos sobre a questão do desempenho. “Em todo mercado de trabalho, o profissional trans ainda enfrenta muitas barreiras. Essa realidade se reproduz na esfera esportiva. Parte-se do princípio de que todo homem é forte e toda mulher é fraca. Por que, em vez de julgamentos precipitados, não sugerem à Tifanny um teste de força, para checar se ela leva tanta vantagem assim como dizem?”, questiona.

Tifanny jogando pelo Dero Zele-Berlare, time masculino da Bélgica.
 
Hoje, Tifanny se enxerga como “uma mulher forte”. Ela estreou pelo Bauru no último dia 10 de dezembro. Em seis jogos na Superliga, alcançou uma média de 4,8 pontos por set, igualando a marca da oposta Tandara, do Vôlei Nestlé e da seleção brasileira, que é a maior pontuadora do torneio. Antes de iniciar o processo de transição de gênero, levava o nome de batismo, Rodrigo Pereira de Abreu, mas era conhecida como “Rodrigo Pará”, em referência ao estado onde foi criada. Chegou a disputar a Superliga masculina no Brasil antes de ir para a Europa. Passou por equipes de Portugal, França e Holanda. Em 2016, com a transição de gênero concluída, defendeu o Dero Zele-Berlare, time da segunda divisão masculina na Bélgica, mas sentiu o declínio físico causado pelo tratamento hormonal e decidiu interromper a carreira.
Naquele mesmo ano, Alessia Ameri tornava-se a primeira mulher trans a disputar um campeonato de vôlei feminino na Itália. Na temporada seguinte, Tifanny recebeu autorização da FIVB para seguir o mesmo caminho e fechou com o Golem Palmi, da segunda divisão italiana. Sua estreia, em fevereiro de 2017, causou furor semelhante ao despertado no Brasil. Logo no primeiro jogo, entrou em quadra no segundo set e comandou a vitória de virada da equipe. Jogadoras, treinadores adversários e até o presidente da liga reclamaram de sua “estrondosa imponência física”. Equipes rivais chegaram a ensaiar inclusive uma ação conjunta na Justiça esportiva para impedi-la de jogar. “Tifanny perdeu quase 40 centímetros de impulsão no salto. Precisou adaptar todo seu estilo para a dinâmica do vôlei feminino. Não é algo simples”, conta seu ex-técnico na Itália, Pasqualino Giangrossi. “Ela é quase perfeita tecnicamente, não se resume à potência física. Isso precisa ser considerado.”
Após uma temporada no Golem Palmi, Tifanny voltou ao Brasil para se recuperar de uma cirurgia na mão. O Bauru ofereceu tratamento à atleta e, meses depois, acertou sua contratação. No entanto, o regresso ao país de origem, agora como uma mulher trans, não lhe blindou de sofrer a mesma resistência – e os mesmos preconceitos – que enfrentou na Itália. Em sua carta ao COI, Ana Paula disse que várias atletas da Superliga estão descontentes em dividir quadra com uma jogadora transexual. Técnicos adversários do Bauru já expuseram publicamente a contrariedade diante do início arrasador da ponteira. As queixas começam a surtir efeito. Na última quarta-feira, Annie Peytavin, presidente da comissão médica da FIVB, ratificou o aval a transexuais na modalidade, mas admitiu que a decisão pode ser revista a partir de novos estudos. O COI também prometeu reavaliar suas diretrizes nos próximos meses.
Enquanto isso, Tifanny resolveu não conceder mais entrevistas nem participar de programas de TV. Pretende evitar a superexposição e, de acordo com a assessoria de imprensa do Bauru, quer “manter o foco em treinos e jogos”. Mesmo em silêncio, ela continua sendo, até quando permitirem, o grande símbolo de representatividade da pessoa trans no esporte brasileiro.

Share:

Laverne Cox é a primeira atriz transexual na capa da Cosmopolitan

Laverne Cox, atriz de Orange Is The New Black, sempre foi uma grande ativista pelos direitos transexuais e é uma das maiores porta-vozes do assunto em Hollywood. Ela se tornou, na última segunda-feira, 22, a primeira mulher transexual a ser capa da revista Cosmopolitan.
A edição de fevereiro da publicação sul-africana tem como tema a hashtag #SayYestoLove, ou seja, diga sim ao amor. Na carta de abertura da Cosmopolitan, Laverne escreveu: “Mulheres trans merecem ser amadas a céu aberto”.
Não é a primeira vez que a atriz se consolida como primeira trans na capa de uma grande publicação. Em 2014, ela saiu como destaque da revista Times.

De Isto É
Share:

A história do caminhoneiro que se assumiu crossdresser e roda o Brasil de salto alto

O caminhão Mercedes, de cor azul bebê, estaciona e abre as portas. A motorista, Afrodite, de 68 anos, desce com destreza em cima de um par de saltos, habilidade conquistada nas décadas em que utilizou o calçado escondida de todos. Seu vestido é de cor preta, uma forma de luto, em respeito à morte do homem que foi um dia.
Afrodite nasceu Heraldo Almeida Araújo - nome que consta em todos os seus documentos -, mas há cerca de seis meses pede para ser chamada pelo nome feminino, escolhido por conta da admiração que nutre pela deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade.
Em meados do ano passado, decidiu se assumir como crossdresser, prática na qual homens utilizam roupas e acessórios considerados femininos.
"Desde criança, sempre me senti mulher. Perguntava para a minha mãe por que meus seios não cresciam e ela dizia que homens não têm seios. Nunca entendi por que nasci assim", revela.
Afrodite se considera heterossexual e parou de se envolver com mulheres há alguns anos. Em meio às mudanças dos últimos meses, espera virar transexual e passar a se interessar por homens, deixando para trás uma vida que avalia como triste, por não ter conseguido ser quem realmente é. 


Já foi cabo do Exército, caminhoneiro, eletricista, empresário e pastor. Casou-se duas vezes e teve uma filha. E arrumava formas para suprir os desejos escondidos.
"Na infância, eu pegava roupas de algumas primas e usava. Depois, quando adulta, eu mesma costurava minhas roupas, escondida, ou comprava algumas peças. E usava roupas íntimas femininas, como calcinha ou sutiã, por baixo das roupas masculinas."
Usou roupas de mulher pela primeira vez aos 13 anos, quando pediu às primas que a vestissem e maquiassem. Agora, mais de cinco décadas depois, decidiu que irá fazer a cirurgia de redesignação sexual. "O procedimento, junto com o silicone que pretendo colocar, vão fazer com que eu complete esse ciclo", diz.

A vida de Afrodite assemelha-se à de diversas crossdressers brasileiras. Conforme Cristina Camps, uma das diretoras do Brazilian Crossdresser Club - dedicado a praticantes do crossdressing e transgêneros -, muitas demoram décadas para se assumir. 

"Normalmente, essa vontade surge na infância, mas em função dos padrões da sociedade, somente na faixa adulta irão compreendê-lo. Geralmente, os homens se assumem entre quatro paredes, pelo receio de serem descobertos e perderem as conquistas profissionais e sociais."
Não há levantamentos sobre o número de crossdressers no Brasil. Entretanto, Cristina explica que mais de 3 mil homens já passaram pelo Brazilian Club. "O crossdressing, no Brasil, ainda é embrionário. Nós somos o primeiro clube voltado a esse fetiche no país. Surgimos em 1997, mas, antes disso, certamente centenas de pessoas já eram adeptas da prática. É difícil mensurar", comenta.

Casamentos

Nascida em Jacarezinho (PR), Afrodite hoje vive em Cuiabá (MT). Durante a infância no Paraná, ela se recorda que sempre teve tendência a escolher atividades relacionadas às meninas, o que a tornava alvo de comentários dos colegas de classe. "Ele riam de mim, por causa do meu jeito mais delicado."
Na puberdade, teve uma crise de identidade. "Fiquei revoltada quando nasceram os primeiros pelos em mim e minha voz engrossou. Foi estudando anatomia que passei a entender que não poderia ter seios. Mas ainda assim, mantive meu sonho de um dia me tornar mulher", declara.

Quando se mudou para São Paulo, ainda na adolescência, começou a trabalhar em uma tecelagem e passou a costurar roupas femininas para si, quando ficava sozinha. E usava-as apenas dentro da fábrica, porque não tinha coragem de sair à rua.
Manteve o costume de usar, secretamente, roupas íntimas femininas nos períodos em que serviu o Exército, em que foi funcionária pública em Corumbá (MS) e, posteriormente, caminhoneira. Na cidade sul-mato-grossense, conheceu sua primeira mulher, de quem escondeu o fetiche. Eles se casaram em 1974.
"Muitas vezes, eu tinha que viajar de caminhão, a trabalho, e usava lingeries. Mas nunca usei nada na frente dela", relata. Certa vez, a mulher encontrou, no bolso de uma calça de Heraldo, calcinhas que haviam sido utilizadas pelo próprio marido. "Talvez ela desconfiasse, mas não falou nada."
Foi também nesse período que Afrodite teve a única filha, Tatiana, um ano após o casamento. Foi um dos momentos mais importantes de sua vida.
"Eu sempre quis ter uma filha, porque acreditava que me identificaria mais", comenta.
O casamento durou 16 anos e terminou após Afrodite engatar um romance com outra mulher. Depois desse relacionamento, pela primeira vez, ela arriscou sair na rua com roupas femininas.
"Eram coisas discretas. Comecei no fim de 1995. Eu não conhecia sobre crossdresser nem transgênero, só tinha muita vontade de andar vestida de mulher e de ser uma", relata.
Ela deixou de esconder os desejos aos amigos mais próximos, mas logo desistiu de usar roupas femininas em público. "O preconceito era muito grande nas ruas. Não cheguei a ser alvo de nenhuma agressão, mas ouvia comentários como 'bicha' ou 'viado'. Então, decidi me preservar e também desisti, temporariamente, dos meus planos de mudar de sexo."
O segundo casamento durou 14 anos e terminou em 2013. Um dos motivos do rompimento, diz a crossdresser, era a vida sexual do casal - Afrodite diz que sempre teve dificuldade em se relacionar com mulheres, mas tampouco se interessa por homens. "Eu me considero heterossexual, porque pessoas do mesmo sexo nunca me atraíram. Às vezes penso que posso ser assexual."

A carreira de pastor

Durante o segundo casamento, Heraldo, espírita kardecista desde a infância, decidiu conhecer mais sobre a religião da companheira, que era evangélica. Acabou se tornando pastor, função que exerceu por mais de 10 anos na Assembleia de Deus em Cuiabá.
"Eu pregava, dava testemunhos e falava sobre a palavra de Deus. Eu fazia até culto em minha residência, para 150 pessoas. Gostava muito". E costumava liderar cerimônias religiosas com roupas íntimas femininas. "Ninguém percebia, mas eu usava, porque me sentia bem."
Com o passar dos anos, passou a se questionar sobre como a religião enxergaria o fato de se sentir como uma mulher. "As minhas fantasias continuavam e, muitas vezes, perguntei a Deus se eu estava errada. Mas me sentia em paz com minha consciência e isso me tranquilizava."
Em 2013, após decidir que iria se tornar crossdresser, deixou a Assembleia de Deus. "Muitas coisas iam contra os meus princípios e me sentia muito reprimida. Eu acho que não deveria ter ficado tanto tempo (na igreja). Hoje penso que não deveria ter retardado tanto a minha felicidade."

Relação com a família

Afrodite conta que tinha uma boa relação com seus irmãos - com quem chegou a formar uma sociedade em uma empresa eletrotécnica - até ela passar a usar roupas femininas abertamente.
"Falaram que eu estava ficando maluca. Foram me isolando e até me proibiram de atender clientes", afirma.
Afrodite chegou a registrar boletim de ocorrência contra parentes, alegando sofrer ameaças de agressão. E abriu um processo contra os dois irmãos por injúria e difamação. "Já tivemos algumas audiências e a juíza orientou que a gente faça acompanhamento psicológico", diz.


A doutora em psicologia social Sandra Elena Sposito afirma que o acompanhamento psicológico pode auxiliar uma crossdresser a se entender melhor. "Essas pessoas podem precisar, talvez, de algum amparo para enfrentar situações de estigma e preconceito. Não pelo crossdressing em si, mas para que compreendam que essa situação não precisa gerar sofrimento. A dificuldade vem da forma de estar no mundo e não ser reconhecida, não poder transitar na sociedade nem se expressar socialmente."
O preconceito dentro da própria família foi justamente a parte mais difícil para Afrodite. "Eram pessoas que eu esperava que, ao menos, me respeitassem. Não imaginava que fossem me atacar dessa forma", lamenta. No entanto, ela afirma ter recebido apoio dos sobrinhos e do pai. "Ele agiu normalmente comigo. Não fez nenhum comentário quando me viu de mulher pela primeira vez."
Ao recordar-se da mãe, já falecida, ela se emociona. "Ela me amaria ainda mais. Sei que ela me assiste, porque nada dá errado para mim. Sei que estou conseguindo vencer. Hoje, sinto a presença dela me encorajando", diz, entre lágrimas.
Outro apoio importante veio da filha, a dona de casa Tatiana Rodrigues, de 42 anos. "Ela lidou tranquilamente com isso. Na primeira vez em que ela me viu, só me deu um conselho: 'não pinta a unha de cor muito forte quando estiver trabalhando'. Mas eu disse que gosto de cores assim, pois escondem a sujeira da unha, por conta do meu trabalho como caminhoneira."
Rodrigues conta que, até 2017, nunca havia identificado no pai um interesse em se transformar em mulher. "Nunca pensei nisso. Meu pai não era aquela figura extremamente machista, mas nunca demonstrou tendência afeminada. Era um senhor comum", explica.
"Não posso dizer que (vê-lo vestido de mulher) foi algo que você olha e pensa: 'tudo bem'. A primeira coisa que pensei foi: 'nossa, é o meu pai. Aquela imagem que eu tinha antes não existe mais'. Mas a essência dele é a mesma e é isso que importa. Depois do primeiro impacto, passei a encarar normalmente, porque meu pai para mim é um tesouro, junto com a minha mãe", conta.

Preconceito e mudança de gênero

Mas a filha teme pela integridade física do pai. "O meu medo é que ele sofra algum tipo de violência, porque o mundo está cada vez mais perigoso e existem muitas pessoas intolerantes", diz.
É o mesmo temor do pai. "Nunca fui agredida fisicamente, mas esse é o meu maior medo", conta Afrodite.
Desde que se assumiu como crossdresser, ela passou a enfrentar comentários maldosos e situações constrangedoras. "Já levei empurrões em bares, mas outras pessoas entraram para me defender. Eu também já fui impedida de entrar em alguns estabelecimentos. O preconceito agora faz parte da minha rotina. As pessoas torcem o nariz, às vezes levantam e vão sentar em outro lugar. Eu ignoro, mas isso tudo machuca."
Um dos momentos mais difíceis é quando precisa utilizar banheiro em algum estabelecimento público. "Muitos não me deixam entrar no feminino e eu tenho que ir ao masculino. É ruim, porque eu uso meia-calça, tenho que usar o mictório e acabo tendo que levantar o vestido. Me sinto exposta, porque sempre tem alguém que me constrange ou me xinga dentro do sanitário", lamenta.
Afrodite gostaria de realizar a cirurgia de mudança de sexo ainda neste ano. Antes, porém, deverá fazer acompanhamento terapêutico, para que possa receber laudo psicológico/psiquiátrico favorável e o diagnóstico de transexualidade.
 
Enquanto isso, ela entrou com uma ação na Justiça para que o nome Afrodite passe a constar em seus documentos. "Expliquei para a juíza que eu não sou homossexual, sou transexual. No Fórum, todos me chamavam de Afrodite", relata. O processo ainda está em tramitação.
Atualmente, Afrodite se classifica como crossdresser, por não ter feito nenhuma modificação em seu corpo. Quando fizer a cirurgia de mudança de sexo, passará a se considerar transexual. "Eu quero chegar o mais próximo possível de uma mulher, que é como eu realmente me sinto", conta.
Crossdresser há cerca de dez anos, a psicóloga e artista plástica Fe Maidel argumenta que o crossdressing não necessariamente precede uma mudança de gênero: "Cada pessoa tem uma maneira única de se expressar no mundo. Ser crossdresser pode ser o começo de um processo de conhecimento, que pode culminar na transição de gênero, ou não".
A vontade de concluir a fase de transição é tamanha que Afrodite tem tomado hormônios por conta própria, sem consultar um médico, há cinco meses. "A minha filha já me deu bronca. Ela falou: 'papai, eu convivi com o Heraldo por 42 anos e quero viver o mesmo período com a Afrodite'", comenta. A crossdresser prometeu suspender o medicamento até a devida indicação médica.
A redesignação sexual será, segundo ela, o começo de uma nova vida. "É um sonho que tenho desde criança. Eu preciso muito dessa cirurgia", diz. E, mesmo antes disso, Afrodite já decretou a morte do homem que era desde a infância. "As pessoas me perguntam o porquê de eu gostar tanto de preto. É porque estou de luto, em respeito ao Heraldo, que morreu."
A crossdresser leva uma vida solitária. Sua rotina se resume a alguns fretes no caminhão, ir a lojas comprar roupas e frequentar bares, nas noites em que está feliz. A maior parte de seus dias ela tem passado em casa, onde mora sozinha, junto com 16 gatos. Diz que há poucas pessoas com as quais pode contar. "É triste, mas eu sei que acabam se afastando de mim. Só tenho a minha filha, minha neta, meu genro e minha primeira esposa."
Mesmo assim, Afrodite não se arrepende de ter se assumido crossdresser. "Eu só me culpo por não ter feito isso antes. O que me deixa triste é que sei que já estou velha e não vou ter tanto tempo para desfrutar desse meu sonho."


Da BBC
Share:

Transexual Bianca, Capitão da Marinha, deve ser reintegrada, observado MPF

A orientação partiu da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, após Inquérito Civil – Abaixo Link de Reportagem sobre Capitão de Corveta da Marinha que virou Mulher.

PRAZO DE 30 DIAS PARA ADEQUAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS
Os Procuradores Ana Padilha e Renato Machado determinaram que às Forças Armadas se adequem em 30 dias.
ADEQUAÇÃO DE FUNÇÃO E PROGRAMA CONTRA DISCRIMINAÇÃO
O MPF entende que não há amparo na Constituição Federal para que os Transexuais não façam parte dos Quadros das Forças Armadas.
Recomenda também que ocorra adequação necessária, bem como Programas de combate a discriminação na Marinha, Exército e Aeronáutica.
Ministro da Defesa e Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, ainda não se pronunciaram

Share:

Engenheiro finaliza transformação de Enrique para Mariza

O engenheiro eletricista e empresário Enrique Camilot, que costumava se comportar como homem, há 1 ano e meio, foi dando lugar à Mariza. É assim que ela se apresenta hoje, após decidir se transformar em quem realmente é na intimidade: uma mulher, apesar de ter nascido em corpo masculino.
Aos 37 anos, Mariza é uma das poucas mulheres trans em Cuiabá. A mulher trans é aquela que nasceu homem mas não se identifica assim. "Tenho alma feminina, corpo masculino. Tecnicamente mulher trans", explica Mariza.
Esta é uma questão de gênero e não de identidade sexual. Tanto é que ela é bissexual, ou como a engenheira prefere explicar, "sem restrição quanto ao modelo do hardware". Sendo assim, se relaciona "com seres humanos, pessoas e não corpos ou rótulos". "Falo sobre esse assunto porque ainda é um tabu e carece de informação", justifica. "Geralmente o pessoal não entende muito o que eu falo", lamenta, mas continua explicando.
Aos 14 anos, foi pega vestindo roupas da mãe, mas fazia isso desde os 12. "Eu me sentia bem usando roupas femininas, era como se eu deixasse de ser menino, passando a ser menina por aquele curto espaço de tempo, mas já tinha consciência que precisava ser menino, que devia ser menino sempre, aquilo era só meu, meu mundo", relembra.
Questionada se sofreu muito emocionalmente com isso, responde que sim. "Imagine um quarto escuro, sem janelas, sem nada, de tempo em tempo um banho de sol, mas de curta duração, só que presídio não é físico, é a sua mente", compara.
Em termos de relacionamento, Mariza, ainda enquanto Enrique, casou-se 3 vezes. "No meu primeiro casamento, ela não entendeu direito minha questão de gênero, mas não terminamos por conta disso. No segundo, tive um filho. A mãe do meu filho entendeu meu crossdressing e apoiava, mas terminamos. Quanto ao terceiro casamento, ela não é mais minha esposa, eu terminei em fevereiro deste ano, mas continua sendo minha sócia em tudo, temos um convívio muito bom", explica. "Somos o porto seguro uma da outra. Terminamos o casamento apenas".
Você sabe o que é um crossdresser?
Crossdresser é uma pessoa que veste roupas e usa acessórios associados ao sexo oposto. Ou seja: um homem que se veste de mulher e uma mulher que se veste de homem. Um crossdresser não necessariamente precisa ser homossexual ou transgênero, apesar de muitos terem se assumido através da prática. Mesmo assim, o crossdressing é totalmente independente da orientação sexual do praticante. Um crossdresser tampouco deve ser confundido com uma drag queen, que tem um caráter totalmente performático. Em suma: crossdresser é simplesmente uma prática adotada por pessoas de todos os tipos, profissões, gêneros e orientações sexuais - a experiência de estar na pele do sexo oposto.
Seios e curvas
A terceira esposa de Enrique-Mariza acompanhou a primeira fase de transformação. "Nesse período, era um crossdresser, mas agora não, agora sou uma mulher", comenta. "Me sinto bem assim".
Quanto à transformação física, Mariza faz tratamento hormonal e já ganhou seios e curvas. "Não penso em intervenção cirúrgica, não caminho para o corpo feminino", pontua.
O filho
Sobre o filho, afirma que o amor é incondicional. "Para ele não faz diferença, homem, mulher, etc, são conceitos, eu amo meu filho e ele me ama, não tem nenhuma condição".
Homofobia
Quanto à discriminação, "isso é presente sempre, mas a gente vence com competência" - afirma.
O medo maior agora é da homofobia. "Procuro evitar certos lugares. Uso a mente para reduzir a probabilidade de acontecer algo. De qualquer forma não posso negar essa violência, seria uma infantilidade enorme, hoje em dia tem muita gente que sente raiva do outro simplesmente por não baixar a cabeça para padrões, isso gera ódio", lamenta. "Mas o problema está na cabeça deles, não na minha. Eu estou feliz agora".

Share:

Brasil: Ministério deve habilitar processo de mudança de sexo em três estados

Apenas cinco hospitais em todo o Brasil são autorizados a fazer cirurgias de redesignação sexual. Os hospitais são ligados a universidades e ficam nos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo, Pernambuco, Goiás e do Rio Grande do Sul.
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma das cinco unidades habilitadas pelo Ministério da Saúde para realização de cirurgia de redesignação sexual Passarinho/Divulgação HC-UFPE
Além destes, mais quatro unidades podem dar início ao processo de transexualização que inclui a terapia hormonal e o acompanhamento multidisciplinar e já estão habilitados pelo Ministério da Saúde: o Hospital das Clínicas de Uberlândia (MG); Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro; Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS de São Paulo e o CRE Metropolitano, de Curitiba.
O Ministério da Saúde informou, em nota, que hospitais nos estados do Espírito Santo, da Bahia e da Paraíba estão em fase de habilitação para oferecer o procedimento de transexualização, mas não mencionou se a cirurgia será oferecida.
No ambulatório do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, o serviço aguarda a habilitação do Ministério da Saúde para funcionar, mas, segundo a assessoria de comunicação da unidade, os procedimentos cirúrgicos não estão entre os serviços a serem disponibilizados.
Procura
Embora exista grande procura pelo procedimento de mudança de sexo, as transformações estéticas começam pela terapia hormonal. O ginecologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Carlos de Lima destaca que boa parte das pessoas trans atendidas por ele começam esse processo por conta própria, sem orientação médica adequada.
O ginecologista José Carlos de Lima alerta para a necessidade de orientação médica adequada para início do processo de transexualizaçãoSumaia Villela/Agência Brasil
“Tem muitos pacientes que nos chega já em uso de hormônio há muitos anos. Temos paciente de 50 anos que já faz uso há 30. E muitas vezes indevido, excessivo, porque precisam do imediatismo do resultado, com uso sem nenhuma informação médica. E uso de silicone inadequado, industrial, com procedimentos arriscados. Existia uma omissão por parte do Estado e essas coisas aconteciam de forma paralela. Óbitos ocorreram, sequelas ocorreram, até que essa resposta começasse a ser dada. Hoje estamos de portas abertas”, conta.
A falta de acolhimento no serviço de saúde, tanto público como privado, contribui para isso. A cabeleireira Luclécia Amorim, de 29 anos é atendida há um ano e meio no Espaço Trans. Proveniente de uma família de classe média, a jovem tem plano de saúde e conta que, primeiramente, procurou endocrinologistas que atendessem o convênio para dar início à hormonoterapia.
“Os médicos não tinham esse conhecimento nem tinham interesse de procurar saber. Passei por três profissionais e fui negada. Na terceira também fui, mas ela me deu essa luz do Espaço Trans”, conta.
José Carlos Lima, que é um dos cirurgiões do Espaço Trans, em Pernambuco, orienta que os procedimentos devem ser feitos em locais que observem as condições legais ou científicas necessárias. “É importante ter serviço que trate do assunto com a seriedade que ele exige. Nós estamos observando a proliferação de serviços que visam apenas o lucro, sem nenhum tipo de critério e trazendo grande consequência para a vida dessas pessoas”.
Serviços
Há ainda iniciativas que não são habilitadas pelo Ministério da Saúde, ou seja, não recebem recursos específicos do Sistema Único do Saúde (SUS) para esse tipo de procedimento, mas tratam de casos de transexualização: o Ambulatório AMTIGOS do Hospital das Clínicas de São Paulo; o Ambulatório para Travestis e Transexuais do Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa (PB); o Ambulatório Transexualizador da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe), de Belém (PA); e o Ambulatório Portas Abertas, do Hospital Universitário de Lagarto da Universidade Federal de Sergipe, no município de Lagarto (SE).
O mais antigo deles é o de João Pessoa que já funciona há 3 anos e meio. O gerente do ambulatório, Sérgio Araújo, afirma que já foi feito estudo de impacto financeiro para começar as cirurgias e aguarda a habilitação do Ministério da Saúde.
Em Belém, o serviço foi inaugurado em outubro de 2016 e já atende 118 pessoas com acesso aos exames necessários para a introdução e acompanhamento da reposição hormonal. Não há previsão para a realização de procedimentos cirúrgicos.
O ambulatório de Lagarto é o único do Brasil localizado em uma cidade de interior, e não em capital. O espaço funciona há um ano e meio com atendimento especializado, hormonioterapia e atendimento psicológico, destaca o coordenador do local, o fonoaudiólogo Rodrigo Dornelas.
De acordo com o Ministério da Saúde, em todo o Brasil, foram realizados, entre 2008 e 2016, 349 procedimentos hospitalares (incluindo todas as cirurgias, como redesignação sexual, prótese mamária, retirada de ovários e mudança de voz) e 13.863 procedimentos ambulatoriais relacionados ao processo de transexualização, incluindo hormonioterapia, atendimento ambulatorial e acompanhamentos pré e pós-internação. Com informações da Agência Brasil.
 Hospitais públicos habilitados para cirurgia de mudança de sexo:
- Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
- Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG)
- Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)
- Fundação Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo (USP)
- Hospital das Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


Share:

Homem trans dá lição de vida ao mostrar transformação do corpo


Felizmente, os transgêneros têm ganhado espaço para falarem sobre as mais diversas dificuldades encontradas em suas vidas, um fato importante para que outras pessoas, que têm a mesma identidade de gênero, se sintam representadas e possam acabar com o preconceito.

E foi o que fez Jamie Wilson, um homem trans que vem mostrando a transformação do seu corpo nas redes sociais como uma forma de desconstrução do visto como “padrão” por muitos.

Rejeitado pelos pais por ser transexual, na última semana o jovem norte-americano desabafou em seu Facebook e deu uma lição de vida para muitos ao falar sobre a aceitação.

“Eu sinto falta dos meus parentes sentindo orgulho de mim… Mas você sabe do que eu não sinto falta? Eu não sinto falta das noites em que ficava deitado sozinho batalhando com meus próprios sentimentos… Eu não sinto falta de esperar por ninguém sair de casa para poder me vestir como homem e esconder o meu cabelo grande debaixo de um chapéu. Eu não sinto falta de me esconder.”, disse ele.

“Quando eu olho para mim, eu não sou o homem mais forte, o mais alto ou o mais bonito, mas você sabe o que eu sou? Eu finalmente sou eu e esse é um sentimento maravilhoso”, complementou.
Dominado ainda pela ignorância, o Brasil é o país que mais mata transexuais em todo o mundo, sendo 144 vítimas só em 2016, 42% das mortes das vítimas LGBTs.

Da Cosmopolitan - Por: Gustavo Frank
Share:

Documentário brasileiro ‘Laerte-se’ estreia na Netflix

Laerte-se começa com uma hesitação de Laerte Coutinho. As diretoras do documentário, Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, acham importante que as entrevistas com a cartunista para a produção sejam feitas na casa dela. Laerte pede mais tempo: ainda não está à vontade para gravar lá. Elas já estão há tempos nessa negociação. Numa troca de e-mails, Eliane acaba a convencendo. “Minha porção exibida falou mais alto (risos)”, graceja Laerte, em conversa com a imprensa, em São Paulo, para divulgar o documentário – o primeiro da Netflix original do País, produzido pela Tru3Lab -, que entra nesta sexta, 19, no serviço de TV por streaming no Brasil e em mais de 190 países.
“A hesitação já é de outra etapa. A Laerte aceitou fazer o documentário”, emenda Eliane. “Mas tinha uma questão que aparece no início do filme que é essa hesitação, que é a questão com a casa. A gente levou quase um ano para a Laerte nos receber, e isso nos deu uma pista para entender os caminhos que tínhamos de trilhar nesse documentário, porque a Laerte estava fazendo toda essa reflexão publicamente, tinha feito fotos nuas, ou seja, ela já estava exposta.”
Para Eliane, elas precisavam buscar uma outra ‘nudez’. “A gente entendeu ali, nessa dificuldade com a casa, que o documentário ia acontecer mesmo no momento em que a gente entrasse nessa casa, que, de certa maneira, é uma casa-corpo: as coisas vão acontecendo um pouco juntas. Essas reflexões, eu e a Lygia íamos fazendo a todo tempo. A gente foi aberta, e com essa ideia de seguir as interrogações, as pistas, mas sempre refletindo sobre o que a gente estava escutando.” Lygia lembra que elas fizeram um filme que estava acontecendo na frente delas. “Não era um documentário em que você faz uma pesquisa, traça uma pauta. Obviamente todo documentário depois te traz coisas novas, esse era 100% novo”, observa ela.
Enquanto as diretoras registravam os pensamentos da Laerte sobre questões de gênero, sexualidade, entre outros temas, e como tudo isso está inserido no seu dia a dia, de trabalho, no convívio com a família, a casa da cartunista passava por uma reforma. Uma sintonia simbólica: tanto Laerte quanto seu lar passavam por um momento de transformação – não de reconstrução. Sua casa talvez já esteja finalizada, mas a própria Laerte avalia sua vivência como transgênero como algo pelo qual ainda passa. “É um processo”, afirma ela. “Em princípio, acho que as pessoas não têm nada a ver com isso, mas elas têm, sim, a ver com isso. A minha cultura, a minha sociedade, o meu tempo têm a ver com isso, sim, e acho legal que haja uma curiosidade, uma inquietação, e que seja feita também uma abordagem disso como eu estou fazendo.”
Além de codiretora, Eliane Brum também conduz as entrevistas com Laerte diante da câmera. A jornalista e escritora tem notória experiência em lidar com temas que precisam ser tratados com delicadeza. E, com Laerte, não é diferente. Eliane lança perguntas, muitas vezes de cunho mais íntimo, e automaticamente se coloca na posição de ouvinte e não da jornalista afoita por respostas rápidas ou emendando mais questões. Ela percebe que os silêncios são necessários para Laerte elaborar sua resposta mais sincera, mais profunda, ou expor sua mais latente insegurança. Assim, Laerte vai se expondo pouco a pouco naquela casa que, até então, parecia inacessível.
O que permite que Eliane vá, como ela mesma diz, por camadas mais profundas, partindo da relação da cartunista com os pais e como foi para eles ter o filho, com quase 60 anos, três casamentos e três filhos, se mostrando ao mundo como mulher. “Eu sabia que ela não ia de maneira nenhuma me renegar, ou coisa desse tipo, mas eu sabia que ela tinha objeções a colocar”, diz Laerte, no documentário, sobre a mãe, que chegou a lhe oferecer saias e vestidos que não usava.
Mais adiante no filme, a cartunista fala de seu desejo e também de suas inseguranças em fazer implante de seios. Na conversa com a imprensa, nesta semana, Laerte diz que ainda não resolveu essa questão. “O nosso querer aos 66 anos é diferente do querer aos 3 ou 4”, afirma. “Passada uma experiência de vida como a que eu passei, o que é entrar numa mesa de cirurgia aos 66 anos? Meu cotidiano comporta isso: ficar um mês de molho? Tem uma série de pequenas questões. Depois outra: o que é este corpo? Todas essas coisas se colocam entre uma decisão de eu ligar para o cirurgião e falar ‘vamos fazer na semana que vem?’. Pode ser que eu nunca faça.” 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo - Via Isto É.




Share:

Advogada transgênero destaca luta por igualdade durante evento em universidade

Na presença de mais de 800 universitários, a advogada Bianca Figueira, conhecida por ter sido aposentada compulsoriamente pela Marinha do Brasil, por ter mudado seu gênero – submetendo-se ao processo de cirurgia de mudança de sexo, destacou nesta quarta-feira (17) no Teatro Jorge Andrade, as batalhas promovidas pelas pessoas que buscam o respeito e direito à diversidade sexual. O evento alusivo ao Dia Internacional do Combate à Homofobia, também celebrado nesta quarta, integrou a programação da II Semana de Diversidade e Gênero da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Além de compartilhar toda a trajetória de sua vida pessoal até a decisão da mudança de sexo, Bianca Figueira discorreu sobre diversas situações enfrentadas pela população GLBT, como o uso de banheiros públicos por transexuais, mudança de nome social independente de cirurgia, e também interpretação das leis brasileiras. “Não queremos oprimir o direito de ninguém, queremos igualdade, pois tudo o que se consegue para a população LGBT é através de muito sacrifício. As conquistas vêm através de um ativismo judicial muito importante, especialmente para que o legislativo faça sua parte.” - destacou.


Video: https://globoplay.globo.com/v/2776508/ 
Share:

Com título, Miss AP Gay 2017 quer ajudar LGBTs a lutarem pela vida


Após três horas de cuidados e montagens, o cabeleireiro e maquiador amapaense Diego Santos, de 28 anos, se torna Ísis Goulart, a Miss Amapá Gay Universo 2017. Com coroa, faixa e o título, ele acredita que vai ajudar outras pessoas a lutarem na vida e irem em busca dos próprios sonhos, principalmente a classe LGBT.
“Eu não me reconheci nos meus vídeos do concurso. Depois de toda essa maratona, ter chegado às semifinalistas e, em seguida, ser coroada Miss Amapá 2017 foi um exemplo para mim e para os outros de que se eu luto, eu posso vencer”, disse Santos.

A preparação para se tornar miss começou ainda em agosto de 2016, com importação de peruca dos Estados Unidos, a compra do sapato, até as aulas “intermináveis” de passarela, que foi o maior desafio para ele, por nunca ter andado num “salto”. Diego Santos venceu outros dez transformistas no concurso de beleza, que ocorreu em 3 de março, no Teatro das Bacabaeiras, em Macapá.
Depois de ter ajudado tantas misses a conquistarem os títulos e maquiado modelos que se destacaram pelo país, Diego Santos achou que chegou a vez dele se transformar e encarar as passarelas. Na preparação para o concurso foi a primeira vez que ele se viu como uma mulher.
“À princípio eu não me reconheci. Mas me olhando no espelho depois de montado, eu me vi como eu tinha traçado. Eu fico exatamente igual eu gostaria de ser. Eu sempre me voltei para a moda, trabalhando em desfiles de moda e conquistei títulos junto com misses. Na verdade, eu acho que era algo que eu idealizava para mim e queria que as meninas conseguissem. Quando eu percebi que era isso que eu queria, achei justo lutar por mim”, afirmou o amapaense.

Dedicação social
Para o cabelereiro, a Ísis Goulart vai poder alertar às pessoas da classe LGBT a buscarem ajuda pela vida. Segundo ele, muitos ficam doentes e não procuram ajuda por vergonha.

Percebendo essa realidade, o amapaense criou em 2015 a ONG “Amigos do Bem”, que faz ações voltadas a esse público, principalmente com entrega de lubrificantes e preservativos aos profissionais da noite como prostitutos e dançarinos, e esclarecimentos sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
“Sem o título, eu já fiz muitas coisas. Com a faixa de Miss Amapá e, quem sabe de Miss Brasil, eu poderei fazer por muito mais pelas pessoas. Meu sonho é tornar a ONG ainda maior, e levar esse suporte para tantas pessoas que eu tenho certeza que estão precisando da gente. Eu perdi um amigo há 2 anos, vítima do HIV, porque ele tinha vergonha de se tratar. Quantas pessoas eu puder evitar passar por isso, isso sim é uma vitória para mim”, comentou Diego Santos.

Carinho para enfrentar desafios
Diego Santos nasceu em Macapá, a infância foi no bairro Congós, na Zona Sul, e a formação toda foi na rede pública de ensino. Também já morou em Natal (RN) e voltou ao Amapá quase há 2 anos. Nesse tempo, ele buscou formação e se tornou professor com dupla habilitação em português e inglês e está se alfabetizando na língua espanhola.
Sempre se destacando por onde passa, o amapaense acredita que o carisma para acolher as pessoas o livrou de enfrentar preconceitos por ser homossexual, sexualidade descoberta perto dos 15 anos. Além disso, o apoio da família para ir em busca dos sonhos também foi combustível para as conquistas dele.

“Eu tive uma infância que foi muito amparada por eles. Sempre tive carinho, respeito. Meus pais sempre souberam que eu era um menino diferente e cuidaram para que isso fosse o mais confortável possível. Graças a Deus eu posso dizer que não fui vítima de nenhum tipo de agressão moral ou assédio, nada desse tipo, em relação à minha sexualidade. Pelo contrário, sempre tive muitos amigos por onde eu passo. Acredito que é tudo uma questão de postura. Ser homossexual não é um padrão, as pessoas são diferentes umas das outras e eu sou tratado por quem eu sou”, disse Santos.
Sobre relacionamentos, o cabelereiro contou que os namoros dele foram duradouros. Ele namora há um ano, com um profissional da beleza que faz parte da equipe dele, e os planos são de casamento em breve e até adoção de uma criança.

Concurso mundial
Diego Santos contou que, aos 18 anos, sonhou em ser miss ao ver pela primeira vez um concurso de beleza LGBT. Esse sonho da juventude deu gás para ele ir em busca do título estadual. Agora ele começa a preparação com foco no Miss Brasil Gay Universo 2017 e até mesmo no Miss Global Gay Universo 2017.
“Foi maravilhoso ter me preparado tanto para o Miss Amapá que isso já me antecipa muito para o Miss Brasil. A preparação vai continuar a mesma, aulas de dança, oratória, passarela, cuidados com a pele, com o corpo. Eu só vou dar seguimento ao que eu já estou fazendo”, falou o Miss Amapá Gay 2017.
Ao vencer a etapa estadual, ele e a equipe ganharam passagens de ida e volta, hospedagem e alimentação em São Paulo, onde representará o estado no Miss Brasil Gay Universo 2017 no dia 26 de setembro. Ísis também ganhou no concurso os trajes de gala e típico para o concurso nacional, assinados pelos estilistas Ruy dos Anjos e Rony Alencar, respectivamente.
 
Do G1
Share:

Valentina Sampaio: Modelo transgênero da SPFW fala sobre exibição do corpo na passarela


Valentina Sampaio na passarela da grife Amir Slama na noite desta quinta-feira, 16, no SPFW era um dos assuntos mais comentados e esperados na temporada de moda. A modelo transgênero afirmou ao EGO que riscar a passarela exibindo o corpo quase nu não é tabu. "É meu trabalho e minha profissão. 

Não fico nervosa e não tenho medo, mas como toda mulher claro que tenho celulite e estria. Me cuido o ano inteiro para manter medidas e estar pronta para este momento. Já desfilei de biquíni e sei como é este momento de mostrar o corpo", afirmou ela, garantindo que não segue nenhum tipo de truque para deixar as pernas lisinhas antes da apresentação.
 
"Se a grife passar óleo, tudo bem. Mas eu mesma não passo nada. No meu dia a dia costumo fazer ioga e muitos exercícios aeróbicos para manter a boa forma física. Não gosto de academia ou pegar peso. Agachamento, por exemplo, nunca fiz na vida", diz ela, que exibiu bumbum perfeito em maiô com fio-dental supercavado. "Quando vou à praia, uso de tudo. Desde cortininha até aquelas calcinhas tipo surfista mais largas. Acho lindo fio-dental e uso muito no meu dia a dia. Deixa a mulher bem poderosa", diz ela.
Na hora do bronzeado, Valentina dispensa aquelas marquinhas da cor do pecado. "Quando morava no Ceará, ia com mais frequência à praia e pegava muito sol. Hoje, por causa do trabalho evito e quase não consigo ir", disse.


Do Ego






Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages