Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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Como ser transgênero foi de 'aberração' e 'doença' a questão de identidade

Gisele Alessandra Schmidt e Silva, de 48 anos, foi a primeira advogada transgênero a falar diante do Supremo Tribunal Federal (STF). Em defesa de uma ação pelo direito de pessoas como ela mudarem seu nome e gênero no registro civil sem precisar fazer uma cirurgia para mudar de sexo, ela disse aos ministros:
"Não somos doentes, como pretende a classificação internacional de doenças. Não sofro de transtorno de identidade sexual. Sofre a sociedade de preconceitos historicamente arraigados contra nós."
Passado um ano e meio daquela sessão, a situação é bem diferente. Não só o STF reconheceu o direito pleiteado naquela ação, como Gisele e outros transgêneros como ela não são mais considerados portadores de um transtorno mental.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou esse entendimento em seu guia que serve de referência para estatísticas e diagnósticos médicos e enviou assim uma mensagem em sintonia com o que defendeu a advogada paranaense no STF: ser transgênero - em geral, ter uma identidade de gênero que não corresponde ao seu sexo ao nascer - não é doença.
A novidade acompanha uma evolução da ciência sobre a questão, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A nova Classificação Internacional de Doenças (CID) será apresentada na assembleia da OMS em 2019 e entrará em vigor nos países-membros, entre eles o Brasil, em 2022.
"É a comprovação de tudo o que eu defendo", diz Gisele à BBC News Brasil. "Nunca me considerei doente."

O que são pessoas transgênero

Transgêneros são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico. Pode ser um homem que se enxerga como mulher, uma mulher que entende como homem ou ainda alguém que acredita não se encaixar perfeitamente em nenhuma destas possibilidades.
O termo foi cunhado em 1965 pelo psiquiatra americano John Oliven, da Universidade de Columbia, no livro Higiene Sexual e Patologia, e se popularizou nas décadas seguintes.

Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de transtorno de identidade de gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), explica que as pessoas transgênero são menos de 1% da população e estão presentes em "todas as culturas" e ao longo de toda a história.
A ciência ainda não sabe explicar ao certo o que faz uma pessoa ser transgênero, mas Sadeeh diz que os estudos feitos até hoje apontam para uma "base biológica" para essa condição.
"Há quem defenda que isso é apenas fruto de influências socioculturais, mas recebo pacientes de 4 ou 5 anos que afirmam que o sexo biológico não diz respeito a eles. É algo que acontece muito cedo para falar que é apenas sociocultural", diz ele.
"Pesquisas mostram que existe uma base biológica na origem da transexualidade, questões genéticas e hormonais."
A experiência de Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), também aponta para sinais precoces de transgeneridade.
"Em muitos casos, é uma reflexão que surge desde a primeira infância. Há influências de ordem genética, mas precisamos de mais estudos para entender em que momento do desenvolvimento isso se apresenta", diz a médica.
"Muitas dessas crianças descobrirão que não são trans, outras se identificarão como homossexuais e outras de fato serão transgênero. Cabe a nós ouvir o que têm a dizer, dar apoio e acompanhar."
Ela explica não haver dados precisos sobre a proporção de transgêneros na população, porque muitas estimativas se baseiam em quem deseja uma cirurgia e, hoje, se entende que essa condição vai além.
Há quem se identifique com o gênero oposto, mas não quer ser operado. Alguns desejam só tomar hormônios ou modificar características externas. E há quem não se identifique com nenhum gênero.
"Existe hoje um leque mais amplo do que os gêneros binários, e ainda vão surgir muitas nomenclaturas para contemplar possibilidades que não eram estudadas", diz Abdo.
"Não quer dizer que temos de ir para o extremo oposto e que todos devam questionar sua identidade de gênero. É algo que surge naturalmente."

'Uma ferida na alma que não cicatriza'

A advogada Gisele Alessandra diz ter sentido que havia algo diferente em torno dos 5 anos de idade. Ela conta nunca ter se identificado com nada do universo masculino.
"Eu me recusava a usar o uniforme dos meninos. Gritava e dizia que não queria ir pra escola. Sentia um grande desconforto e não entendia o que era, mas percebia que, se fizesse modificações para deixar a roupa mais feminina, me sentia melhor", diz a advogada.
"Minha vida escolar foi muito difícil. Sofri muito bullying. Fui chamada de todas as palavras pejorativas: traveco, florzinha, aberração."
Quando Gisele tinha 15 anos, uma prima perguntou por que pessoas a estavam ridicularizando. "Respondi que era mulher. Minha prima me falou que eu não era, que estava doente e me levou para um psiquiatra que fazia cura gay. Minha família é religiosa, e fui levada para uma sessão de exorcismo", conta Gisele.
"Tudo isso criou um trauma inenarrável, uma ferida na alma que não cicatriza. Fiquei com tanto medo que apaguei a Gisele da minha vida por muitos anos."

A advogada passou então a "representar o papel" de Marcus, seu nome de nascimento, e só deixou de fazer isso há cerca de oito anos, quando percebeu que "usar essa máscara" estava gerando problemas como ansiedade, depressão e psoríase. Foi quando começou uma transição gradual para sua nova identidade.
Há cinco anos, não existe mais qualquer sinal de Marcus. Ele deu lugar de vez à advogada transgênero que hoje trabalha no Grupo Dignidade, uma ONG dedicada à defesa de direitos LGBT, e na área criminal.
Ela diz ter recebido a mudança da OMS com uma "grande felicidade". "É importante esse reconhecimento de que não se trata de uma doença mental, para que não tentem nos tratar. Acompanhei o caso de uma menina trans em que a família a internou compulsoriamente em uma clínica. Isso é um perigo."

Por que ser transgênero não é doença

A nova definição da OMS enterra na prática uma noção que se tinha a respeito de pessoas transgênero.
Ser transgênero constava até então no capítulo do sobre problemas mentais do código da organização, como "distúrbio de identidade de gênero".
Agora, muda de nome, para "incongruência de gênero", e passa a integrar um novo capítulo sobre condições relacionadas à saúde sexual.
A edição anterior do guia falava de "transexualismo" - o sufixo "ismo" vem do grego e atribui à condição um caráter de patologia.
Tratava-se de "um desejo de viver e ser aceito como um membro do sexo oposto", normalmente acompanhado por "desconforto" com o órgão genital e vontade de se submeter a cirurgia ou tratamento hormonal para adequar o corpo à percepção pessoal.
Ao deixar de ser doença, a forma de se referir a isso também mudou, como ocorreu com "homossexualismo", que deu lugar a "homossexualidade", quando a OMS tirou de seu guia de doenças a atração por pessoas do mesmo sexo.
O correto é usar transexualidade ou transgeneridade. "O sufixo 'dade' se refere a uma característica. A mudança despatologiza a condição", diz Abdo.
O novo CID abre mão por completo desses termos e trata a transgeneridade como uma "persistente incompatibilidade na percepção de um indivíduo de seu próprio gênero e o sexo designado" ao nascer.

A OMS explica que isso deve se manifestar por vários meses ao menos. O diagnóstico não pode ser feito antes da puberdade, e preferências e comportamentos que destoam do esperado para o sexo biológico não servem de base para isso.
"Uma doença é algo que afeta negativamente o corpo, e a incongruência de gênero não é isso", diz Lale Say, coordenadora do departamento de pesquisa e saúde reprodutiva da OMS.
Ela explica que essa condição, mesmo que não seja uma patologia, ainda consta no guia de doenças porque é algo que demanda serviços de saúde, como cirurgias, tratamento hormonal e apoio psicológico. "Mas não precisa prevenir ou curar. Não é algo que se deve lutar contra, mas que merece suporte."

Mudança 'reflete a visão científica atual'

A versão anterior do CID, de 1990, começou a ser revista há dez anos. Grupos analisaram a literatura científica e consultaram profissionais e pessoas interessadas em cada especialidade.
"O resultado reflete a visão científica atual. Ser transgênero não é uma questão médica, é uma questão pessoal", diz Say.
A OMS levou um tempo para formalizar a mudança de entendimento, diz Saadeh. "A transexualidade não é considerada uma doença mental há 15 ou 20 anos. Demanda um diagnóstico para justificar os tratamentos necessários, senão vira só intervenção estética. E não é o caso, porque a pessoa sofre com a condição", afirma.
"Mas diagnóstico não é sinônimo de doença. Por exemplo, gravidez de risco é um diagnóstico, mas não é doença."
O psiquiatra diz que ainda recebe muitos transgêneros em seu consultório que se consideram uma "aberração". "Chegam de todo o Brasil se achando doentes, um erro de Deus, e mostramos que não é errado ou uma escolha", diz.
Say diz que a mudança no código da OMS ajuda a "aprimorar o conhecimento e a compreensão de profissionais de saúde e a evitar comportamentos com um viés", influenciados por crenças pessoais.
Abdo, da ABP, avalia que isso muda o alvo dos cuidados de saúde, que se voltam para o sofrimento gerado pela condição, e não para a incompatibilidade de gênero em si. "Da mesma forma que não se pode tratar um homossexual para mudar sua orientação sexual, não há por que tratar um transgênero para acabar com a incongruência entre sexo biológico e psicológico", afirma Abdo.
"O acompanhamento será feito para adaptar o sexo biológico ao desejado ou percebido como próprio, um processo que é longo e demanda acompanhamento por uma equipe capacitada."

'É um primeiro passo', diz ativista

Cianán Russell, da Transgender Europe, uma das principais ONGs do mundo de defesa dos direitos de transgêneros, diz que a mudança é um "bom primeiro passo". "Não é apenas simbólica, mas prática. É fantástica e deve ser celebrada. É o resultado de anos de ativismo e um sinal de que a OMS está respondendo às nossas críticas", afirma.

Mas Russell faz ressalvas, por considerar a terminologia ainda "pouco clara", e diz que há um "longo caminho" a percorrer. "A forma usada hoje ainda patologiza de certa forma a condição, porque, por mais que não precise de diagnóstico psiquiátrico, ainda exige algum diagnóstico."
Russell acha improvável que a transgeneridade saia por completo do CID, porque é um mecanismo que dá acesso à cobertura de serviços por planos de saúde. Mas gostaria de ver a condição em uma categoria que não demande diagnósticos atrelados à identidade de gênero.
"Todos os procedimentos médicos que uma pessoa trans precisa, pessoas que não são trans também precisam. Não há nada que seja exclusivo. Mas essa mudança é passo que a OMS não parece estar pronta para dar."
Russell ressalta que a OMS deve se esforçar para implementar as novas diretrizes mais rápido do que no guia anterior. "Mesmo ratificada nos anos 1990, a outra edição foi implementada nos Estados Unidos só em 2015, por exemplo. Enquanto não forem aplicadas na prática, transgêneros continuarão a serem considerados doentes", afirma.

Para combater o estigma

A OMS afirma ainda que não classificar a transgeneridade como uma doença mental pode reduzir o preconceito.
Espera-se que, com o tempo, isso ajude na aceitação social e promova um melhor acesso a serviços de saúde. "A pessoa vai se sentir mais confortável para pedir ajuda", diz Say.
Abdo acredita que isso pode contribuir, mas não será de imediato. Ela cita o exemplo da homossexualidade, que saiu do guia da OMS na edição anterior e, ainda hoje, há um estigma atrelado a essa orientação sexual.
"Os homossexuais se apresentam hoje de forma mais confortável na sociedade, são mais respeitados, considerados indivíduos que existem e que não devem ser submetidos a tratamentos para mudar quem são", afirma a psiquiatra.
"Mas ainda existe quem tente fazer isso, fique deprimido ou tente se matar. As novas gerações serão as responsáveis pela desestigmatização da transgeneridade."
Saadeh faz a mesma avaliação. "Ainda hoje há quem considere homossexualidade uma doença e que tem cura. Para muitas pessoas, ter uma identidade de gênero diferente do sexo biológico é algo maluco", afirma ele. "Conforme as pessoas se tornem menos ignorantes em relação a isso, as atitudes podem mudar, mas levará tempo."

Preconceito velado

Gisele Alessandra diz que declarar-se transgênero foi uma realização pessoal, mas que isso lhe custou o contato com a família.
"Passei dois anos cuidando da minha mãe, que tinha câncer. Depois que ela morreu, viraram as costas para mim. Recebi uma carta em que diziam 'essa coisa em que me transformei' não significava nada para eles. Entraram com uma ação na Justiça para me obrigar a sair do apartamento dela", diz a advogada.
"Em meio ao trauma de tudo que havia acontecido e à dor do luto, eu ainda por cima não tinha mais onde morar."
Ao mesmo tempo, ela diz que hoje, após ter assumido uma aparência feminina, ela sente-se mais aceita socialmente, mesmo que não totalmente. "Ninguém mais me xinga no meio da rua nem sou alvo de qualquer outro ato de violência. Pelo contrário, me elogiam."
Mas ela acredita que o preconceito, antes explícito, agora se manifesta de forma velada. "Talvez seja ainda pior. Posso revidar uma agressão, mas como posso reagir à falta de convites para sair ou de propostas de trabalho? Não há defesa para isso."

Da BBC
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Enxaqueca em homens está relacionado aos níveis de estrogênio

A enxaqueca é uma dor insistente que pode atrapalhar atividades comuns do dia a dia como, por exemplo, a concentração no trabalho. De acordo com uma equipe do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, os homens são três vezes menos propensos a ter enxaqueca por causa da quantidade e estrogênio no sangue. Um estudo realizado pelo grupo e publicado na revista Neurology mostrou como os homens que sofrem de enxaqueca tem uma quantidade maior de estrogênio no sangue do que aqueles que não possuem histórico do distúrbio.
Os pesquisadores coletaram dados de sete homens saudáveis que relataram sofrer cerca de três enxaquecas por mês e 22 que não costumam sentir dor. Foram medidos os níveis de testosterona e esteradio (uma forma do estrogênio) quatro vezes ao longo do dia e compararam os dados. Não foi apresentada nenhuma diferença na concentração de testosterona entre os participantes, no entanto, os níveis de testosterona tinham relação direta com a frequência das dores de cabeça. O estrogênio é um hormônio que apresenta grande concentração no organismo das mulheres, ele é o responsável pelo controle da ovulação e desenvolvimento das características femininas, controlando também a menstruação e a menopausa. É comum, por exemplo, encontrar mulheres reclamando de enxaqueca durante o período menstrual.
Até então, não havia um estudo que relacionasse a mesma de relação de causa e efeito nos homens, que produzem uma quantidade muito menor do hormônio. De acordo com a revista Super Interessante, a equipe entende que o número analisado é muito baixo para que seja feita uma conclusão efetiva. No entanto, eles acreditam que em futuros testes, que estudam a relação entre o hormônio feminino e a dor de cabeça, as respostas se repitam. A informação é do Bahia Notícias.


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Michael Jackson sofreu 'castração química' pelo pai através da ingestão de hormonios

Michael Jackson ficou estéril por conta da ingestão de um hormônio contra acne em sua adolescência, o que explica sua voz suave, segundo um pesquisador francês que vai lançar um livro com essa tese.
"Michael Jackson sofreu, sem saber, uma castração química entre os 12 e os 20 anos", afirma o professor de cirurgia vascular do hospital Timone de Marselha, no sul da França, Alain Branchereau, autor de um livro sobre o rei do pop intitulado O segredo de uma voz, à venda a partir do próximo dia 9.
O médico, que nunca viu o cantor em vida, se baseia em uma pesquisa realizada em parceria com outros médicos e em diversos documentos, como a autópsia do cantor, para chegar a essa "hipótese muito provável", revela em entrevista publicada nesta quarta-feira (2) pelo jornal Le Parisien.
O "timbre excepcional" de sua voz, capaz de "cobrir três oitavas, frente às duas que alcançam os grandes tenores", foi o que despertou o interesse de Branchereau pela pesquisa.
Só algumas sopranos, como Maria Callas, alcançavam três oitavas, afirma o médico, que assegura que ao contrário dos contratenores atuais, que cantam os repertórios dos antigos "castrati" (cantores do sexo masculino emasculados para alcançar o agudo feminino), Jackson nunca passava aos agudos.
Branchereau sustenta que o cantor consumiu entre os 12 e os 20 anos uma molécula para lutar contra a acne, um produto que causou o estreitamento de sua laringe.
Em sua autobiografia, o rei do pop confessou ter sofrido uma crise de acne aos 12 anos, mas afirmou que durou muito pouco, o que permite ao médico especular que consumiu o produto.
Além disso, o remédio fez com que o crescimento de seus ossos não fosse interrompido, o que explica o fato de Jackson ter ficado mais alto e com extremidades maiores que o resto de sua família.
Seus parentes, com medo de que os efeitos da acne prejudicassem sua imagem, teriam incentivado o consumo desse hormônio, que parou de ingerir quando aos 20 anos deixou de ter o pai como empresário.
Só então, explica o médico, apareceram os primeiros pelos em seu rosto.
No entanto, os efeitos na laringe não foram reduzidos e Michael conservou a voz suave que no passado era característica dos "castrati".
O cantor "tinha órgãos genitais perfeitamente normais", afirma o médico, que assegura que "era apto para as relações sexuais como os 'castrati' de outras épocas", mas "foi privado não só de sua infância, como de sua adolescência, o que obrigatoriamente teve repercussões psicológicas".
Conrad já havia afirmado que Joe "foi um dos piores pais da história" e disse que "Michael experimentou a crueldade nas mãos de seu pai". As citações foram repercutidas também pela revista People e outros sites internacionais.
“O fato de ele ter sido ‘quimicamente castrado’ para manter sua voz aguda é algo indescritível”, relatou Conrad.
Esta não é a primeira vez que o médico fala sobre o assunto. Em seu livro “This Is It! The Secret Lives of Dr. Conrad Murray and Michael Jackson”, lançado em 2016, o médico acusa Joe de forçar Michael a tomar injeções de hormônio aos 12 anos de idade para curar acne e prevenir a mudança de voz.
Conrad foi condenado em 2011 por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), e cumpriu dois anos de prisão por administrar alta dose de propofol ao cantor, morto em 2009.

Do G1 
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Travesti morre após sofrer complicações por uma implantação de silicone

Em Ribeirão Preto, um travesti morreu após sofrer complicações por uma implantação de uma prótese de silicone nas nádegas. Após ficar pouco menos de um mês no hospital, a morte foi registrada na manhã desse domingo, 17, às 11h23.
A suspeita é de que a cirurgia de implantação tenha sido realizada no início do maio. O procedimento foi feito em uma clínica médica não especializada. A Polícia Civil investiga onde fica o local.

A primeira internação de R. S. V. ocorreu no dia 26 de maio, na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas. No dia 2 de junho, ele teve complicações e passou por cirurgia para retirada do material.

A piora continuou e a vítima não resistiu, sofrendo um choque séptico refratário, que ocorre quando algo infeccioso, como bactérias, fungos e vírus, entram na corrente sanguínea de uma pessoa. Essa infecção afeta todo o sistema imunológico e pode causar a morte.

Não há informações sobre a idade e os familiares da vítima. O homem é natural do município de Parnaíba (PI).


Notícia alterada às 17h18 de 18 de junho de 2018 para correção de informações.
Foto: Divulgação
Do Revide
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OMS retira a transexualidade da lista de doenças mentais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a transexualidade como um transtorno mental e reconheceu o vício em videogames como um distúrbio de comportamento, segundo a nova edição da Classificação Internacional de Doenças (CID), publicada nesta segunda-feira. A última revisão desta norma havia sido feita 28 anos atrás. Durante a última década, especialistas analisaram as informações científicas mais recentes para criar um novo padrão que pudesse ser usado por profissionais da saúde do mundo inteiro. Cada país, no entanto, precisa se adaptar à nova CID, com prazo até 1º. de janeiro de 2022.
A CID é uma codificação padronizada de todas as doenças, distúrbios, condições e causas de morte. Essa norma serve para que os países obtenham dados estatísticos e epidemiológicos sobre sua situação sanitária e possam planejar programas de acordo com isso.

Até agora, as pessoas que não se identificavam com o sexo que lhes foi atribuído ao nascer eram consideradas doentes mentais pelos principais manuais de diagnóstico, devido à classificação da OMS. As entidades LGTBI passaram anos reivindicando que a transexualidade, que é um transtorno de identidade de gênero, saísse do compartimento das doenças mentais e entrasse no de comportamentos sexuais. Com esta mudança, a OMS mantém a transexualidade dentro da classificação para que uma pessoa possa obter ajuda médica se assim desejar, já que em muitos países o sistema sanitário público ou privado não reembolsa o tratamento se o diagnóstico não estiver na lista.
“Queremos que as pessoas que sofrem dessas condições possam obter assistência médica quando a necessitarem”, explicou o diretor do departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, Shekhar Saxena. Mas a transexualidade deixou de ser considerada uma doença mental “porque não há evidências de que uma pessoa com um transtorno de identidade de gênero deva ter automaticamente um transtorno mental, embora aconteça muito frequentemente seja acompanhado de ansiedade ou depressão”.
Saxena observou que se uma pessoa transexual é identificada automaticamente como vítima de um transtorno mental, “em muitos países ela é estigmatizada e pode ter reduzidas as chances de procurar ajuda”.
Outra das modificações mais chamativas da nova CID é a inclusão do vício em videogames como doença mental. Este transtorno se caracteriza por um padrão de comportamento de jogo “contínuo ou recorrente”. A OMS estima que entre 2% e 3% dos jogadores de videogames têm um comportamento abusivo, mas salienta que por enquanto faltam dados empíricos.
Saxena esclareceu que o fato de jogar a um game não é nocivo por si só, assim como ingerir álcool também não é, por exemplo. O problema, diz, ocorre quando o consumo é abusivo e altera o comportamento da pessoa. “Se a criança, adolescente ou adulto que joga faz isso sem parar e deixa de sair com seus amigos, deixa de fazer atividades com seus pais, se isola, não estuda, não dorme e só quer jogar, esses são sinais de alerta de que poderia ter um comportamento aditivo e que precisa procurar ajuda”, afirmou Saxena.


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Luciana Rodrigues Silva: "A transexualidade sempre existiu, mas antes era mascarada"

A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) detalha a importância da cartilha criada pela entidade para atualizar médicos em relação aos casos de disforia de gênero que chegam aos consultórios.

Garantir o acolhimento integral de crianças e adolescentes na rede de saúde, independente de suas diferenças. É com esse objetivo que a sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma cartilha completa para auxiliar os pediatras na identificação e na atuação diante de casos de disforia de gênero, condição caracterizada pela divergência entre o sexo biológico e a identidade de gênero do indivíduo.
O manual produzido pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP foi lançado no dia 20 de outubro. Em entrevista a A GAZETA, a presidente da entidade, Luciana Rodrigues Silva, defende a importância do pediatra enquanto o primeiro profissional a identificar a disforia de gênero já na infância. Ele é, portanto, o responsável por abrir as portas para a atuação de uma equipe multidisciplinar – a exemplo de psicólogos – que definirá as estratégias a serem adotadas.
Segundo a cartilha, a construção da identidade de gênero começa entre os dois e três anos de idade. Já a partir dos seis anos, as crianças passam a ter consciência de seu gênero, assim como de sua permanência. Além disso, o documento também aponta características e atitudes que devem ser observadas para identificar a disforia de gênero.
Entre eles, estão o forte desejo de pertencer a outro gênero; a opção pela utilização de roupas e de brinquedos comumente preferidos pelo gênero oposto; a forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras; a opção por brincar com pares de outro gênero; desgosto e desconforto com a própria anatomia sexual e o desejo intenso por características sexuais compatíveis com o sexo oposto.
Para Luciana Rodrigues, a discussão acerca da transexualidade foi ainda mais acentuada após a novela “A Força do Querer”, na qual a personagem Ivana passou por um processo de redefinição de nome e de gênero. Nesse contexto, a pediatra ressalta a importância da preparação dos profissionais para lidarem com crianças que, além de sofrerem por se sentirem diferentes dos demais, também são alvos mais fáceis do bullying. Do mesmo modo, a especialista fala sobre o papel dos pais nesse processo e da necessidade de atenção às alterações sistemáticas de comportamentos. Veja a seguir:
Como a SBP define a disforia de gênero em crianças?
Essa é uma questão que pode acontecer com a criança na fase escolar e na adolescência. Ela é traduzida como um desconforto que o indivíduo tem com seu sexo biológico. A criança tem preferência por brinquedos e roupas que são preferidas pelo outro gênero, ela não se integra com outras crianças do mesmo sexo.
Cerca de 80% das crianças que apresentam a disforia de gênero na idade escolar voltam a se sentir confortáveis com o sexo com o qual nasceram. Mas quando esse desconforto começa a existir a partir da adolescência o retorno ao sexo biológico fica mais difícil.
O pediatra é o único médico que deve assistir crianças e adolescentes. Ele os atende desde o nascimento até o final da adolescência. Então, ele precisa estar preparado para quando as mães e os pais levarem essa questão para dentro dos consultórios. O pediatra não trata só de dar antibióticos para a criança que tem pneumonia. Ele acolhe a criança e sua família, orienta o desenvolvimento da criança e os fatores de risco para crianças e adolescentes. Esse papel de atenção ao desenvolvimento é do pediatra: desde a vacina até alimentação e o alerta para os riscos de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes. Trata-se de uma orientação para a vida.
Por isso, o pediatra tem que ficar preparado para entender que essa é uma situação que pode chegar ao consultório e que pode requerer tempo e conhecimento para um diálogo tanto com a criança, quanto com a família. Quando for identificado um desconforto persistente, que a criança ou o adolescente vem mantendo alterações comportamentais, ele será capaz de indicar o acompanhamento de psicólogos e de outros profissionais que possam acompanhar os casos. Então, o pediatra vai ser o primeiro profissional que irá identificar essa situação.
Os pediatras estão preparados para lidar com esse tema nos consultórios?
Essa é uma questão recente, mas os pediatras já estão começando a ficar mais atentos, mas ainda há dúvidas sobre como lidar com o assunto. Por conta disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria decidiu elaborar essa cartilha, que traz todo o detalhamento do que ocorre nessa situação e como lidar com ela. Estamos atentos às questões atuais e resolvemos convocar um grande grupo de especialistas no tema para escrever esse documento.
Eu acho que existem problemas mais graves e urgentes na área pediátrica do que este, é claro. Deveríamos, por exemplo, ter um pediatra disponível em todas as estruturas de atenção primária, secundária e terciária, onde são atendidas crianças e adolescentes. Sabemos que deveria haver um número maior de leitos hospitalares e que ainda existe uma falta de pediatras em muitos serviços. Também notamos que os gestores públicos não estão atentos para a importância do pediatra para a criança e sua família na prevenção e no tratamento de doenças.
Mas essa questão da disforia de gênero tomou proporções grandes na mídia, sobretudo após a novela que acabou recentemente (“A Força do Querer”, da TV Globo), que falou sobre o caso de um transexual. Mas acho que houve algumas abordagens muito inadequadas. A autoadministração de hormônios, por exemplo, que era retratada na novela, é absolutamente inadequada e contraindicada. O adolescente que sente desconforto com seu sexo biológico deve pensar nessas questões, bem como na mudança de sexo após a chegada da maturidade, pois a adolescência é uma fase de muitas transformações. Então, a recomendação geral é que haja um acompanhamento pediátrico e psicológico para melhores orientações.
Como você avalia a repercussão que o tema vem tomando?
Acho que a disforia de gênero, a transexualidade sempre existiu, mas era mascarada e agora há um grande foco em torno da questão. Muitas vezes, pela falta de uma análise crítica, esse foco excessivo pode acabar distorcendo a realidade. Passa-se a pensar que isso é algo que tem que ser tratado de maneira comum e banal, quando na verdade não é. As crianças e os adolescentes que lidam com a disforia de gênero sofrem muito com essa questão.
Não se trata de uma bobagem. É uma questão que exige acompanhamento porque são indivíduos que se sentem deslocados, diferentes e que precisam ser acolhidos e respeitados. Eles geralmente sofrem bullying de outros colegas, o que amplia ainda mais o sofrimento. Normalmente, este sofrimento psicológico pode levar a ansiedade, a alterações do sono e a mudanças de comportamento.
Por que a Sociedade Brasileira de Pediatria decidiu entrar nessa discussão?
Achamos que é uma coisa que está tendo muito foco e como estamos preocupados com crianças e adolescentes, precisamos atualizar os pediatras em relação aos temas que estão sendo debatidos. Lançamos outras cartilhas sobre o uso excessivo da mídia digital, a importância da atividade física e também sobre problemas com o álcool envolvendo adolescentes. O objetivo é atualizar os profissionais sobre todas essas discussões.
Os pediatras poderiam também indicar ou controlar o uso de hormônios no caso de adolescentes que desejam alterar suas características biológicas?
Não. Isso só pode ser feito por um endocrinologista e também não pode ser encarado de maneira banal. A decisão parte de um atendimento individualizado e junto a um acompanhamento multidisciplinar. Isso ocorre nos casos de adolescentes que mantêm a disforia e o desejo de mudar de gênero ao longo do tempo. Elas são encaminhadas para serviços de referência, onde há um psiquiatra, um endocrinologista e toda uma equipe para lidar com essas situações, analisando suas necessidades de modo individual.
Como os pais devem agir ao perceberem a possibilidade de que seus filhos tenham a disforia de gênero?
Acima de tudo, os pais devem estar atentos aos sinais dados por seus filhos e, ao invés de não falar sobre o assunto, conversarem com o pediatra. Não é preciso entrar em desespero e nem ignorar a situação, pois teremos que aprender a conviver com as diferenças.
Essa situação pode requerer um trabalho psicológico que envolva não só a criança ou o adolescente, mas também os pais. Dependendo da gravidade da questão, é preciso colocar toda a família em acompanhamento, já que os casos não são iguais. O que a gente precisa analisar é se essa vontade da criança começa a ser repetida de maneira sistemática. Caso isso aconteça, deve-se tratar a questão com naturalidade, mas sempre com atenção. Para perceberem os pais precisam manter a proximidade com seus filhos. Diante da percepção dessa vontade que se repete, devem começar a procurar ajuda.
Recentemente a entidade também lançou uma cartilha sobre o bullying. Crianças com disforia de gênero estão mais sujeitas ao preconceito?
Com certeza crianças que apresentam disforia de gênero são mais alvos de bullying do que outras crianças, o que torna o seu sofrimento ainda maior. É o mesmo que acontece com crianças acima do peso ou com alguma deficiência. O que acontece é que as pessoas aprendem desde muito cedo a serem intolerantes e a não aceitarem as diferenças. Cabe aos pais, também, a função de ensinar desde cedo as crianças a conviverem com essas diferenças e a aceitar o outro. Essa mensagem é fundamental.

 

Do Gazeta online - por Maira Mendonça- mmendonca@redegazeta.com.br

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Brasil: Ministério deve habilitar processo de mudança de sexo em três estados

Apenas cinco hospitais em todo o Brasil são autorizados a fazer cirurgias de redesignação sexual. Os hospitais são ligados a universidades e ficam nos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo, Pernambuco, Goiás e do Rio Grande do Sul.
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma das cinco unidades habilitadas pelo Ministério da Saúde para realização de cirurgia de redesignação sexual Passarinho/Divulgação HC-UFPE
Além destes, mais quatro unidades podem dar início ao processo de transexualização que inclui a terapia hormonal e o acompanhamento multidisciplinar e já estão habilitados pelo Ministério da Saúde: o Hospital das Clínicas de Uberlândia (MG); Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro; Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS de São Paulo e o CRE Metropolitano, de Curitiba.
O Ministério da Saúde informou, em nota, que hospitais nos estados do Espírito Santo, da Bahia e da Paraíba estão em fase de habilitação para oferecer o procedimento de transexualização, mas não mencionou se a cirurgia será oferecida.
No ambulatório do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, o serviço aguarda a habilitação do Ministério da Saúde para funcionar, mas, segundo a assessoria de comunicação da unidade, os procedimentos cirúrgicos não estão entre os serviços a serem disponibilizados.
Procura
Embora exista grande procura pelo procedimento de mudança de sexo, as transformações estéticas começam pela terapia hormonal. O ginecologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Carlos de Lima destaca que boa parte das pessoas trans atendidas por ele começam esse processo por conta própria, sem orientação médica adequada.
O ginecologista José Carlos de Lima alerta para a necessidade de orientação médica adequada para início do processo de transexualizaçãoSumaia Villela/Agência Brasil
“Tem muitos pacientes que nos chega já em uso de hormônio há muitos anos. Temos paciente de 50 anos que já faz uso há 30. E muitas vezes indevido, excessivo, porque precisam do imediatismo do resultado, com uso sem nenhuma informação médica. E uso de silicone inadequado, industrial, com procedimentos arriscados. Existia uma omissão por parte do Estado e essas coisas aconteciam de forma paralela. Óbitos ocorreram, sequelas ocorreram, até que essa resposta começasse a ser dada. Hoje estamos de portas abertas”, conta.
A falta de acolhimento no serviço de saúde, tanto público como privado, contribui para isso. A cabeleireira Luclécia Amorim, de 29 anos é atendida há um ano e meio no Espaço Trans. Proveniente de uma família de classe média, a jovem tem plano de saúde e conta que, primeiramente, procurou endocrinologistas que atendessem o convênio para dar início à hormonoterapia.
“Os médicos não tinham esse conhecimento nem tinham interesse de procurar saber. Passei por três profissionais e fui negada. Na terceira também fui, mas ela me deu essa luz do Espaço Trans”, conta.
José Carlos Lima, que é um dos cirurgiões do Espaço Trans, em Pernambuco, orienta que os procedimentos devem ser feitos em locais que observem as condições legais ou científicas necessárias. “É importante ter serviço que trate do assunto com a seriedade que ele exige. Nós estamos observando a proliferação de serviços que visam apenas o lucro, sem nenhum tipo de critério e trazendo grande consequência para a vida dessas pessoas”.
Serviços
Há ainda iniciativas que não são habilitadas pelo Ministério da Saúde, ou seja, não recebem recursos específicos do Sistema Único do Saúde (SUS) para esse tipo de procedimento, mas tratam de casos de transexualização: o Ambulatório AMTIGOS do Hospital das Clínicas de São Paulo; o Ambulatório para Travestis e Transexuais do Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa (PB); o Ambulatório Transexualizador da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe), de Belém (PA); e o Ambulatório Portas Abertas, do Hospital Universitário de Lagarto da Universidade Federal de Sergipe, no município de Lagarto (SE).
O mais antigo deles é o de João Pessoa que já funciona há 3 anos e meio. O gerente do ambulatório, Sérgio Araújo, afirma que já foi feito estudo de impacto financeiro para começar as cirurgias e aguarda a habilitação do Ministério da Saúde.
Em Belém, o serviço foi inaugurado em outubro de 2016 e já atende 118 pessoas com acesso aos exames necessários para a introdução e acompanhamento da reposição hormonal. Não há previsão para a realização de procedimentos cirúrgicos.
O ambulatório de Lagarto é o único do Brasil localizado em uma cidade de interior, e não em capital. O espaço funciona há um ano e meio com atendimento especializado, hormonioterapia e atendimento psicológico, destaca o coordenador do local, o fonoaudiólogo Rodrigo Dornelas.
De acordo com o Ministério da Saúde, em todo o Brasil, foram realizados, entre 2008 e 2016, 349 procedimentos hospitalares (incluindo todas as cirurgias, como redesignação sexual, prótese mamária, retirada de ovários e mudança de voz) e 13.863 procedimentos ambulatoriais relacionados ao processo de transexualização, incluindo hormonioterapia, atendimento ambulatorial e acompanhamentos pré e pós-internação. Com informações da Agência Brasil.
 Hospitais públicos habilitados para cirurgia de mudança de sexo:
- Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
- Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG)
- Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)
- Fundação Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo (USP)
- Hospital das Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


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Médicos acreditam que cura da Aids deve ser descoberta até 2020

Grande parte da comunidade médica mundial acredita que a cura para o HIV é possível e deve ser encontrada em poucos anos. “Se me perguntassem três anos atrás se o HIV tem cura, minha resposta seria não. Hoje, é sim”, afirmou Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA.
Durante conferência sobre o tema em São Paulo, o profissional reforçou que “é difícil, como médico, não enxergar um caminho para a cura”. Segundo o jornal O Globo, a Fundação para Pesquisa da Aids, na Escola da Medicina da Universidade de São Paulo (USP), apontou que a “mágica” é encontrar um meio eficiente para eliminar os reservatórios virais, que acumulam os vírus “adormecidos”.
A fundação estipula até 2020 o prazo para descoberta da cura.


Segue a Entrevista  Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA, publicada na revista Isto é:


O virologista molecular escocês Mario Stevenson tem 59 anos, mais de 25 deles dedicados à pesquisa sobre o HIV, o vírus responsável pela Aids. Pela primeira vez em quase três décadas de estudos, ele se sente confiante em afirmar que haverá cura para a doença. “Ela virá de ideias inesperadas, surpreendentes”, acredita o pesquisador, professor de Medicina da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, e considerado um dos maiores estudiosos do vírus que se tornou um desafio para a ciência. Stevenson baseia boa parte de sua certeza na vitória da medicina contra a Aids no trabalho conduzido pelo colega Ronald Desrosiers, que curou um macaco fazendo com que o organismo da cobaia produzisse anticorpos extremamente potentes contra o HIV. Casado com uma baiana e dono de um português invejável para um escocês, ele esteve em São Paulo para participar do encontro promovido pela Fundação amfAR, maior instituto sem fins lucrativos do mundo envolvido em pesquisa sobre HIV.
Haverá cura para a Aids?
Há um ano eu responderia que não. Mas agora minha resposta é sim. A cura da Aids será possível.
O que mudou em tão pouco tempo, especialmente considerando uma doença que vem sendo estudada há 36 anos?
Estamos conduzindo na Universidade de Miami (Estados Unidos) um trabalho com resultados muito importantes. O cientista Ronald Desrosiers está tentando criar uma vacina para o HIV, para prevenir a infecção, e descobriu que o mecanismo cura a doença em macacos. Há um deles curado. O animal foi tratado um ano atrás e agora não é possível encontrar mais presença do vírus em seu corpo.
Como funciona essa vacina?
Há algum tempo a ciência descobriu que algumas pessoas criam anticorpos muito potentes contra o HIV. Mas não se sabia como fazer com que o organismo produzisse esses anticorpos. Uma das estratégias é tentar vacinas que induzam as mesmas respostas imunológicas, mas hoje agora não conseguimos isso. Desrosiers decidiu que não tentaria criar uma reação que estimulasse a fabricação dessas defesas. Foi por outro caminho.
Qual?
Ele extraiu a informação genética dos genes que determinam a produção desses anticorpos e a colocou em adenovirus (vírus que não causam doenças usados em terapia genética como “carregadores” de DNA até o ponto desejado pelos cientistas). Quando o vírus infecta as células, há a produção de anticorpos potentes, continuamente, e em concentrações muito altas.
Quais os resultados registrados até agora?
O animal foi infectado com o SHIV (mistura material genético do SIV, o vírus que causa imunodeficiência em macacos, com o HIV, e é usado com fins de pesquisa). Ele tinha altos níveis de carga viral. Depois de uma semana da injeção do adenovírus, a carga viral desapareceu. Foi muito rápido. E, após um ano, foram retirados dele linfonodos (produzem anticorpos), posteriormente colocados em outro macaco. Este animal não foi infeccionado pelo HIV. O macaco está de fato curado. Os dados serão publicados brevemente.
Ele também estava recebendo medicação anti-retroviral?
Não.
Quando serão realizados os testes em humanos?
Devem começar em um ano e meio, dois anos. E aí então saberemos se funcionará.
No que essa vacina se difere das outras que estão em pesquisa?
Não é um antígeno, feito com parte de vírus atenuado para provocar a resposta de defesa do corpo e a consequente fabricação de anticorpos. Trata-se de um vírus que produz anticorpos, e aqueles muito potentes. São dois anticorpos específicos, com propriedades especiais.
 
De que forma ela consegue superar um dos maiores obstáculos contra o HIV, que é o de fazer com que as medicações alcancem as células nas quais ele fica em estado latente? Os chamados esconderijos?
Muitos cientistas acham que não será possível eliminar totalmente as células infectadas pelo HIV porque o vírus fica latente, escondido, em algumas delas. Não concordo com isso. Na minha opinião, o vírus produz proteínas continuamente, o que permite a identificação dos esconderijos. E esses anticorpos sobre os quais estamos falando atacam esses pontos. Eles podem inclusive entrar no cérebro porque ultrapassam a barreira hematoencefálica (barreira permeável que protege o sistema nervoso central de compostos tóxicos).
Quais são os outros avanços mais significativos contra a Aids?
Temos em estudo a terapia genética. A única pessoa curada do HIV é o berlinense Timothy Ray Brown. Ele tinha HIV e foi submetido a um transplante de medula óssea para tratar uma leucemia. Acontece que o doador apresentava uma mutação genética que impossibilita a produção de uma proteína, a CCR-5. Essa substância permite a entrada do HIV circulante no sangue dentro das células a serem infectadas (as CD-4). Alguns cientistas acham que podem recriar essa situação de uma forma mais segura.
O que acha dessa estratégia?
O transplante de medula tem 30% de mortalidade. Isso acontece porque a imunidade é suprimida e a pessoa fica mais vulnerável às infecções. E também é muito caro. Custa em torno de US$ 200 mil a US$ 300 mil. Não é a cura para a maior parte das pessoas com HIV que mora em locais pobres, como os países da África. Precisamos de uma fórmula e de mecanismos que funcionem em todos os lugares, para os 44 milhões de pessoas infectadas pelo HIV no mundo. Não uma cura só para quem está em Nova York ou em São Francisco (duas cidades americanas).
O desafio de criar soluções médicas eficazes e ao mesmo tempo acessíveis é um dos mais urgentes na medicina. Quais os caminhos para que ele seja superado quando se trata da Aids?
Temos um ótimo recurso contra o HIV que se chama terapia antirretroviral. Mas, apesar disso, muitas pessoas não têm a oportunidade de usar essas medicações. Na Tailândia, as prostitutas entram em uma clínica e em dez minutos saem com os antirretrovirais. Em muitos outros lugares isso é impossível.
 
O recrudescimento da epidemia em todo mundo está sendo alimentado em boa parte por pessoas, jovens em sua maioria, que não vêem a Aids como uma doença perigosa porque tem remédio contra, e se expõem à infecção. Como mudar essa ideia equivocada?
Em Miami, o grupo no qual há mais novas infecções é o de homens entre 15 e 23 anos. Muitos jovens acham que não serão infectados mesmo se praticarem sexo sem proteção e, se forem, basta tomar uma pílula e pronto. No entanto, isso não é verdade. A vida do paciente será seis anos mais curta se ele não tomar as drogas de forma correta, se não for ao médico no tempo certo. Os medicamentos apresentam efeitos colaterais sérios (aumentam o risco cardiovascular, por exemplo). Cerca de 30% dos doentes fracassam porque não tomam os remédios direito. O vírus fica resistente e eles adoecem. Sem falar que fazer sexo sem camisinha eleva a chance de contaminação por outras doenças sexualmente transmissíveis e de infectar outros indivíduos. As pessoas precisam entender que a vida com Aids não é nada fácil.
Quais as principais lições que os cientistas aprenderam com os estudos sobre a doença até hoje?
São muitas. As pesquisas com os anticorpos, por exemplo, nos dão a lição de que a cura chegará de ideias inesperadas. Uma vacina eficaz será resultado de diferentes tipos de pesquisa. Será algo que não esperávamos que nos levará ao sucesso. O governo dos Estados Unidos está patrocinando vários estudos, mas muitos não estão dando em nada porque são muito focados. É preciso realmente pensar fora da caixa.
Por que defende isso com tanta convicção?
Muitas das grandes descobertas vieram de investigações inusitadas. Veja o último Prêmio Nobel de Medicina (o japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o título por suas pesquisas em leveduras, e depois em células humanas, descrevendo como as células fazem a autofagia, processo que permite a elas degradar ou reciclar componentes. O cientista já havia tentado vários campos de pesquisa antes de chegar a esse especificamente). As informações têm de vir de pessoas de diferentes áreas. Às vezes as respostas estão na nossa frente e sozinhos não as enxergamos.
 
 


 
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Transexual com infecção no seio denuncia hospital público por preconceito e omissão

 Quando deu entrada, na quarta-feira, no Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Caxias, Baixada Fluminense, a estudante de técnica de enfermagem Kauana Vitória da Silva, de 22 anos, sentia febre e dores causadas por complicações de uma prótese de silicone, colocada no seio há dois anos. Diagnosticada com mastite — infecção na mama —, ela, que é transexual, afirma ter sido constrangida por médicos e funcionários, que a chamavam de “ele” e se recusavam a dizer seu nome social. 

No pulso, o registro de paciente lembrava a identidade que já não é a sua: Genivaldo Junior da Silva, o nome de batismo. Quatro dias depois, a promessa médica de retirar a prótese, para tratar a infecção, não foi cumprida: Kauana recebeu alta sem a cirurgia. (foto ao lado)

— Eles me trataram que nem bicho. Aliás, nem bicho a gente trata assim. Voltei para casa com febre e muitas dores no peito — conta Kauana, que relembra o constrangimento: — Sempre que me chamavam por Genivaldo as pessoas me olhavam e eu tinha que explicar.

Por duas noites, Kauana fez jejum de 12 horas para entrar na cirurgia, sempre cancelada pelos médicos. A promotora de eventos chegou a ser levada para a sala de espera na clínica cirúrgica, em que só havia homens — foi a gota d’água para buscar a assistência social do hospital, que a transferiu para uma sala feminina.

— Por que me deram alta alegando que não precisava de cirurgia se, no primeiro dia, me botaram na clínica cirúrgica e mandaram eu me preparar para a operação? — questiona Kauana: — Eu só quero tirar a prótese, mais nada.

Seu marido, Lucas Souza dos Santos, de 19 anos, a acompanhou durante os quatro dias de internação. Preocupado com o estado de saúde da mulher, ele também reclama do tratamento na unidade e diz que o casal não tem condições de arcar com a retirada da prótese fora de um hospital público.

— Nós pedimos para chamar só pelo nome social, eles disseram que não era possível. O que custava colocarem o nome social dela entre parênteses, pelo menos? Assim ela não precisava ser humilhada cada vez que a chamavam para dar os remédios — diz Lucas, que mora com Kauana em Saracuruna, bairro de Caxias: — Eu só não quero perder a minha mulher. Disseram que ela não podia ser atendida no hospital público, mas nós não temos condições de arcar com essa operação em outro lugar.

Os médicos do hospital disseram que Kauana devia se tratar com o cirurgião que implantou a prótese. Porém, a clínica que fica na Tijuca, Zona Norte do Rio, de José Vieira Júnior, responsável pela cirurgia, foi fechada. O cirurgião plástico responde a processos na Justiça e já operou mulheres que tiveram sérias complicações nos seios — pelo menos uma delas morreu. Procurado pelo EXTRA, Vieira Junior disse que ainda faz consultas, mas apenas por agendamento.

Risco de infecção que pode levar à óbito

Em casos de infecções como a de Kauana, a prótese precisa ser retirada o mais rápido possível, pois oferece risco de óbito. É o que explica o cirurgião plástico José de Gervais:

— Pode causar septicemia, infecção generalizada nos órgãos que pode levar à morte. Tem que ser retirado rápido, pois essa infecção já está consumindo o organismo e deixando ela mais fragilizada.

O diretor do Grupo Atobá de diversidade sexual, Carlos Alberto Migon, repudiou a atitude dos médicos:

— O hospital deveria estar preparado para receber seus pacientes e precisa aceitar o nome social dela. Sua saúde agora é prioridade, mas quando ela melhorar é preciso denunciar, já que a cidadania dela não foi reconhecida.

A direção do hospital informou que Kauana “foi submetida a tratamento venoso com antibióticos para combater uma infecção e recebeu alta após o resultado dos exames apontarem quadro normal, já sem sinais inflamatórios, com pressão normal e sem febre”. A direção disse, ainda, que no prontuário constam seu nome social e civil da paciente e que seu quadro não indicava a necessidade de uma cirurgia de emergência. “Nesses casos, a paciente é tratada para infecção e orientada a buscar o médico que colocou a prótese, para avaliação do implante, o que foi explicado à sra Kauana Vitória”, diz a nota.

Para denunciar casos de homofobia
DENÚNCIA

No Rio, o disque cidadania LGBT (0800 0234567) está temporariamente fora do ar. Emergências — como violência e discriminação — podem ser denunciadas pelo telefone da Superintendência de Direitos Individuais Coletivos e Difusos: 21 2334-9561. Também é possível denunciar pelo Disque Direitos Humanos: disque 100.

ATENDIMENTO

O Rio Sem Homofobia oferece atendimento jurídico e psicológico e assistência social. A previsão é que seus serviços voltem nesta semana.

DELEGACIA

As delegacias têm de estar preparadas para atender vítimas de homofobia. No Rio, o registro de ocorrência já tem o campo "homofobia" como motivação do crime.


Do Extra
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Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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