Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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Reflexão e Desabafos: Homem que fica com travesti é gay?

Embora sejam abordadas por homens de todas as idades, classes sociais, belezas e níveis culturais, as travestis e transexuais enfrentam inúmeras pelejas em seus relacionamentos amorosos. Enquanto a massa masculina se sente fascinada (veladamente, diga-se) por suas figuras, pouquíssimos homens aceitam assumir de fato um romance. Preferem o anonimato, as traições, o tradicional momento escondidinho…
Muitos t-lovers [homens amantes de trans] temem sobretudo serem encarados como homossexuais ou sofrerem preconceito – fruto do machismo e homofobia- por tabela. Para os que se envolvem, há os que se tornam cafetões, há os que vivem à custa da parceira e há quem não as dê nada em troca (nem dinheiro, nem respeito), como ir para cama fosse um favor para satisfazerem-lhes o “vício”. 
Antes de cometer suicídio em 2005, a musa Camilla de Castro (foto) – que fez sucesso no Superpop com o quadro Camila quer Casar – escreveu um depoimento, em que dizia sofrer por ser desejada entre quatro paredes, mas nunca em público. “Disseram que não existe amor para travestis e que os homens nos viam como privadas humanas, onde descarregavam seus desejos mais “loucos” sem sequer olhar para trás”.Camila morreu sem vivenciar o amor. 


Dentre várias razões, esta triste realidade – que está se transformando e tendo casos exemplares nos últimos anos – deve-se pela falta de esclarecimento e por conta de nossa gramática sexual, pobre, binária e sexista. Afinal, travestis e transexuais transcendem a lógica arcaica de “sexo biológico-gênero-sexualidade”, o que é ser homem, ser mulher, gay e hétero, logo são uma incógnita. Para os seus parceiros, as dúvidas se multiplicam e o que prevalece é o machismo.
A questão que mais faz parte das dúvidas dos nossos leitores é: “Homens que ficam com travestis são gays?”. E aí, meninas?

Fernanda Vermant

“Eu me atraio e me sinto feliz com homens héteros, porém namoro um modelo que gosta de travesti. É o que tem  para mim nesse Brasil e não vou dispensar… Penso que homens que gostam de travestis são gays, porque gostam na verdade do pênis delas. 
Mas, por outro lado, acredito que sejam héteros os homens que aceitam a sua amada e a observam como uma verdadeira mulher, sendo operada ou não.  
Há ainda um estudo que visa pesquisar o comportamento sexual e que encara os homens que gostam de trans como uma nova orientação sexual. 
É difícil definir o relacionamento das trans, porque muitas nós não nos aceitamos – o corpo, a identidade, a referência trans – logo ninguém nos aceitará…. 
Nos dias atuais, homens héteros ou gays enrustidos só saem com travestis para fantasias ou alívio para o seu homossexualismo [sic] reprimido. Os amigos do meu namorado, por exemplo, inclusive os gays, não apoiam o nosso relacionamento. Mas, acima de qualquer reprovação e medos, o mais importante é ser feliz, né gente? Love, Fernanda”

“Homens que se relacionam com travestis não são gays, são héteros. Digo isso porque a imagem que temos é feminina e o gay não se interessa por uma imagem feminina. O gay gosta é de outro homem, com corpo, trejeitos e maneira de ser masculina – o que obviamente não é o meu caso.
Muitos homens se sentem atraídos por nós por conta da nossa feminilidade e mistério, querem saber como é, como funciona… Já fui casada com homens héteros, lindos, que respeitaram a minha identidade. Outros não foram tão legais, mas esses a gente deleta. Para aqueles que preferem ser passivos, não há nenhum problema, pois isso não faz dele gay.
É sabido e comprovado que a próstata é um lugar que, se massageado, penetrado, proporciona um grande prazer. É por isso que muitos homens, casados com mulheres, saem com travestis: para ter mais esta forma de prazer em sua vida sexual.
Hoje, consciente dessa realidade, muitas mulheres fazem inversão de papeis e penetram seus maridos. Nós – travesti, transexuais e mulheres – devemos parar de nos assustar com a questão da passividade, afinal a grande maioria dos homens adoram explorar todos os prazeres do corpo, sem neuras ou tabus, Que vivemos felizes, sem rótulos, sem culpas!”
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Kimberly Luciana

“Tive apenas dois grandes amores na minha vida. No primeiro, tinha 17 anos, namorei durante um ano e fui casada durante nove. Ele nunca foi passivo comigo, mas não apoiava a possibilidade de um dia eu mudar de sexo. Fui feliz ao seu lado por cinco anos, os outros continuei porque fiz o que qualquer casal hétero faz: levei em conta que era dependente financeiramente, que ele não me agredia e que era trabalhador. 

No meu ponto de vista, ele é heterossexual, pois sempre me viu como uma grande mulher e, tempos depois, se casou com uma mulher biológica. Não acho que ter ou não um pênis seja fundamental para um envolvimento amoroso, 

O segundo relacionamento me deixou cicatrizes na alma. Nos conhecemos pelo Orkut e, após nos vermos pessoalmente, me apresentou para a família e amigos. O problema é que, com o tempo, descobri que ele era uma pessoa doente por sexo. Ele me proibia de ter uma vida social e queria vivesse absolutamente para ele. Abri mão do relacionamento. Não poderia viver apenas de sexo e amor.

Sou assumidamente travesti e, se existir de fato amor para uma trans, acredito que ele quebre qualquer barreira. O problema é que, da minha experiência e observação, posso concluir que a maioria dos homens que nos amam de fato são problemáticos, emocionalmente inseguros, tímidos, compulsivos sexuais, com baixa-estima, bandidos, policias e pobres. Se ele quiser um namoro às escondidas, não aceito, mesmo que ele seja um boy magia (risos). Isso é preconceito internalizado.”  


Luiza Gaúcha

“O homem pensa que, para não ser julgado ou discriminado, deve fazer o perfil de machão, jogador de futebol, o pegador de gatinhas. Mas os desejos sexuais e afetividades não deveriam ser julgados ou criticados por ninguém. Afinal, a observação sobre ela vai se modificando com o tempo. Na antiguidade, por exemplo, o ato de um homem deitar com outro era status de poder, pois para eles a mulher era um ser frio. Hoje, ele ganha apelido de viadinho, mariquinha, caso o faça. Além disso, nós trans representamos uma nova realidade.

Nossos desejos sexuais, afetivos e nossas identidades estão em constantes transformações. Assim como a transexual não decide “virar mulher” da noite para o dia, o desejo de um homem por um homem, o desejo de uma mulher por uma mulher e o desejo de um homem por uma travesti ou transexual também não acontecem da noite para o dia. Estamos sempre em busca de oportunidades, descobertas. E o sexo é apenas mais uma fantasia do nosso teatro, não deveria ser omitido.

Penso que o pênis seja apenas um detalhe que a transexual não operada tem a mais que uma mulher e tudo vai depender do desejo do seu parceiro. Para uns não faz diferença, para outros é o que te destaca em relações a outras. É muito relativo e se chama desejo. Não os classificam como gays ou héteros.

Vivo um caso amoroso a cada dia, mas não sou do tipo superficial. Gosto de me entregar de corpo e alma quando estou com alguém, nossos momentos são únicos e bem aproveitados. Acabo escutando um pouco de tudo dos homens. Muitos eu acredito que agrado, outros sou vista como um mero objeto. De certa forma, todos nós acabamos sendo objeto ou um fantoche, já que estamos sempre sendo manipuladas e também manipulando. Mas ainda sou sonhadora e não deixaria de viver um grande amor por nada”.

“Antes de mais nada, adianto que não me interesso por homens. Mas penso que homens que ficam com travestis ou transexuais não são gays. O motivo é simples: elas se identificam com o feminino – veja que estou falando em GÊNERO, que nada tem relação com SEXO BIOLÓGICO. E um homem gay geralmente está a procura da imagem masculina (o gênero masculino), coisa que uma travesti não tem. No relato de muitas amigas, elas dizem que muitos ficantes nem tocam no pênis, mas também há casos em que eles querem utilizar o seu “atributo a mais”, o que mostra que varia de pessoa para pessoa e que não dá para rotular esse ou aquele de gay só porque ele é ativo ou passivo.
Quando eu era um menino, já namorei uma travesti e isso não me fazia sentir gay. Sempre gostei de me relacionar com mulheres, figuras femininas. Portanto, para mim, falar que um homem que se relaciona com uma travesti é gay é o mesmo que anular a identidade de gênero da travesti, é chama-la de homem. E muitas travestis conseguem ser muito mais femininas que mulheres biológicas, mesmo com esse algo a mais. O pênis é só um detalhe na vida prática. 
No meu casamento, minha mulher costuma dizer que não me vê como homem ou mulher, embora me trate no feminino. Ela simplesmente vê a pessoa que ama. É por isso que penso que no fundo, a definição não é o mais importante”.


“Sou bissexual e isso é desde sempre, pois o que me move a gostar de uma pessoa é o que está por dentro dela e não a sua aparência física e sexo, que para mim sempre foi consequência. Sempre tive relações duradouras e que sou comprometida desde sempre. Hoje, sou casada pela segunda vez no cartório, tenho o consentimento de ambas as famílias.
Nunca tive relacionamento as escondidas, pois não aceito esse tipo de situação. Se a pessoa não se sente segura, que vá buscar segurança em outro lugar. O que muito me preocupa é no discurso de muitos homens machistas que afirmam que não teriam interesse em namorar uma trans pelo fato de ela não gerar filho. Mas eu pergunto: “E se a mulher fosse estéril?”.
 Mas também existem muitos homens esclarecidos e os mais novos, de 18 e 19 anos, que já são mais decididos e mais corajosos.  
O órgão sexual é um tabu muito desejado, pois o homem que procura uma trans tem o interesse principal em torno dele. O fato de ser ou não passivo não vai mudar a condição dele, que naquele momento é de homossexual. E o fato  de um homem ter uma relação homossexual não faz dele um gay, pois as identidades de gênero não correspondem nunca com o sexo, pois existem gays que se relacionam com pessoas do sexo oposto.
Ser gay vai além de se relacionar sexualmente com pessoa do mesmo sexo. Sou contra o termo de serheterossexual, pois é uma condição e você pode simplesmente “estar hétero” ou “estar homo”. O estar é o momento em que você está vivendo ou se relacionando com outra pessoa, seja ela do mesmo sexo ou não.  Na área da saúde trabalhamos muito com um público denominado HsH, que são homens que fazem sexo com outros homens, mas não são considerados gays.
Mas, para que não me aprofundas muito nesse estudo, sugiro que assista ao vídeo chamado “homossexualidade e ponto final”. 
Do Nlucon
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"Sou prostituta e não quero ser salva": elas contam propostas que receberam



No clássico filme "Uma Linda Mulher", a personagem de Julia Roberts, uma prostituta, larga as ruas depois que seu cliente milionário, interpretado por Richard Gere, se apaixona por ela. Na dramatização da vida de Raquel Pacheco, a "Bruna Surfistinha", a personagem principal também larga a prostituição para se casar com seu primeiro cliente.

Histórias de trabalhadoras sexuais que são "salvas" do meio por homens mais ricos, que prometem pagar tudo a elas ou que propõem um relacionamento, são repetidas vez ou outra no entretenimento e também na sociedade. Mas será que estas mulheres realmente querem mudar de vida?

À Universa, prostitutas contam quais foram as propostas que receberam de seus clientes, quais os motivos para recusá-las e porque elas consideram que não precisam ser salvas de suas ocupações:

"Mesmo com outro emprego, não deixei de ser puta"
"Eu não recebia propostas em dinheiro, o que recebi foram propostas de emprego, como quando eu virei assessora parlamentar do Jean Wyllys [deputado federal pelo PSOL-RJ], mas nem por isso deixei de ser puta. Eu gosto disso. A gente convive com outras prostitutas e elas dizem que sempre precisam de uma renda extra em alguns momentos, como na vida de qualquer outra pessoa. Agora, falar para uma prostituta parar de se prostituir para trabalhar como faxineira, como manicure, para ganhar bem menos? É claro que elas não vão largar a profissão. Muitas tiveram a oportunidade de sair, mas não ganhariam tanto".

Indianare Siqueira, 47 anos, prostituta e ativista pelo direito de trabalhadores sexuais

"Me propôs R$ 15 mil por mês para ser amante exclusiva"
"Tive propostas de clientes 'apaixonados', que queriam que eu voltasse a advogar, que eu tivesse um relacionamento sério com eles, e não só rejeitei como nunca mais tive contato. Teve um indivíduo, que tinha cerca de 36 anos, mulher grávida de gêmeos e me propôs R$ 15 mil por mês para ficar só com ele, ser amante exclusiva. Deletei nas redes sociais e telefone. Ele insistiu com outros números, bloqueei todos. Eu sou da opinião de que nenhuma mulher, exceto as que são colocadas quando são menores de idade para serem exploradas, vira trabalhadora sexual sem vontade. Eu sou totalmente avessa a esse tipo de reprodução de discurso de que precisamos de alguém que nos tire deste caminho, acho antifeminista e contra a era da informação".

Claudia de Marchi, 36 anos, acompanhante de luxo e ex-advogada

"Não estou à espera de um príncipe"
"Um dos meus primeiros clientes pediu para eu deixar para lá o meu trabalho, disse que eu não precisaria me preocupar com nada, pois, dali para frente, ele cuidaria de mim, me sustentaria. Bom, nunca levei muito a sério essas propostas. Depender de alguém não é o meu objetivo. Isso eu já vivi quando era menor de idade e dependia dos meus pais. Agora, basta! Algumas mulheres atuam na área por necessidade, outras porque gostam, outras por ambição, mas todas atuam no meio porque querem. Poderiam procurar outro segmento, mas, por algum motivo, optaram por este meio. Não estou à espera de um príncipe que me salvará, me sustentará e depois irei me converter. Estou fora dessa!".

Maria Angélica, 20 anos, prostituta

"Todas as oportunidades de sair são, na verdade, trocas"
"Já tive várias propostas, algumas por pervertidos só querendo me enganar, dizendo estarem apaixonados --quando, na verdade, só queriam sexo grátis. Já tive propostas de pessoas que me ofereceram uma vida 'estável': apartamento, carro, comida, faculdade. Porém, eu teria que ser fiel a eles e, mesmo eles sendo casados, queriam que eu fosse somente deles. Caso eu os 'traísse', o acordo acabava. Resumindo, eu seria uma escrava a troco de pão. No geral, todas as oportunidades de sair são, na verdade, trocas: eu dou minha juventude para um cara velho e casado, e em troca ele me dá o que no momento eu preciso --no caso, dinheiro. Acho que ninguém precisa ser salva, entramos nessa vida por escolha: cada uma com seu motivo pessoal, mas todas por vontade própria".

Júlia Mar, 20 anos, acompanhante


Da Universa - Por Jacqueline Elise

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Romário cobra na Justiça Thalita Zampirolli


O ex-jogador de futebol, hoje senador da República, Romário, cobra na Justiça, uma dívida de R$ 15.600,00 da transexual de Cachoeiro de Itapemirim, Thalita Zampirolli, que teria “namorado” o baixinho, conforme disse em entrevista ao Portal Ego.

Romário, que tem fama de pegador e teve matéria publicada pelo Portal Uol em 29 de janeiro de 2016 sobre as “14 mulheres que contribuíram para que ele ganhasse essa fama”, foi flagrado por um paparazzi em 2013 saindo de uma boate no Rio de Janeiro acompanhado de Thalita. Na época, o ex-jogador pediu a seu motorista que obrigasse o paparazzi a apagar a foto, mas ela acabou sendo publicada em vários jornais e sites do País.

Em 2014, Thalita revelou ao Portal Ego que namorou o ex-craque por um ano e que ele era carinhoso e companheiro com ela. Tudo teria mudado quando foi revelado que ela havia se submetido a uma cirurgia de troca de sexo. Thalita garante que o ex-namorado não sabia que ela era transexual. “Acredito que ele deve ter ficado chateado comigo, sim. Mas ele tem que entender que sou uma mulher. Tivemos um relacionamento durante um ano e foi bom enquanto durou”, contou em entrevista.

Romário negou o relacionamento e disse que no dia do flagra feito pelo paparazzi “ele foi para sua casa e ela foi para a casa dela. Não aconteceu nada. Ela não pode dizer que namorou comigo durante um ano porque estou separado há 1 ano e depois disso só tive dois relacionamentos. Não consigo namorar escondido”, rebateu na época.
Romário, por se sentir enganado, já que teria acreditado namorar uma mulher e não um homem que fizera cirurgia para mudança de sexo, entrou na Justiça Cível, em Brasília, com uma ação de indenização contra Thalita e teve o pedido favorável. A transexual foi condenada a indenizar o baixinho em R$ 15.617,77.

Execução
Como a dívida não foi paga, a execução foi encaminhada para a 2ª Vara Civil de Cachoeiro de Itapemirim, sob o número 0004269-26.2018.8.08.0011.
No último dia 10 de outubro, o juiz George Luiz Silva Figueira deu um parecer sobre o caso. “Considerando o teor das certidões, no qual informam que a requerida encontra-se residindo no exterior, sem endereço certo/conhecido, e como a tentativa de citação nos demais endereços encontrados gerará custos desnecessários, determino que se expeça edital de citação de Thalita Campos Zampirolli, pelo prazo de 20 dias, para tomar conhecimento do feito e, caso queira, apresente a defesa que tiver, no prazo de 15 dias, sob pena de revelia”, diz trecho do despacho.
*Com informações dos portais Ego, Extra, UOL, Blog do Elimar Cortes e TJES.


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Reflexões e Desabafos - Por que alguns homens se interessam por travestis?

Essa é uma pergunta frequente na mente de muitas pessoas. Ainda que o assunto, tomado muitas vezes como tabu, seja pouco discutido, o fato é que existem muitos homens que se interessam por travestis. E é difícil definir um perfil típico para eles ou estabelecer uma única razão para esse interesse.
Podemos dizer que as travestis são bonitas sim, claro que são! Muitas vezes temos a dúvida se são mulheres de verdade e isto traz uma grande curiosidade ao homem. Podemos ver alguns nas ruas em que olhamos com cuidado e ficamos pensamos: que linda mulher! Ao descobrir que esta mulher é na verdade um travesti, certamente muitos homens irão prontamente retroceder, mas alguns terão a curiosidade de buscá-las. Algumas travestis são tão parecidas com mulheres que se torna tarefa muito difícil para identificá-los (se tiver bebido a tarefa pode ser ainda mais difícil). Nesse link há vários exemplos disso (alerta, conteúdo adulto).

A vida agitada dos casais, muitas pessoas solitárias, vida sexual infeliz, falta de amor, são muitos os fatores que levam uma pessoa a se interessar por travestis. Vamos detalhar um pouco alguns dos motivos que levam os homens a procurar por estes profissionais do sexo.

O interesse por travestis é realmente muito frequente

Quem não lembra do ex-jogador Ronaldo que se envolveu com três travestis no Hotel Papillon em 2008 e acabou discutindo com uma delas e foram todos para a delegacia? A imagem do atleta ficou extremamente desgastada na época e houve também muita polêmica no caso.
Outro caso memorável foi o do tetracampeão Romário, que foi flagrado de mão dadas com uma travesti saindo de um show (veja aqui).
Os homens que se interessam por travestis são tantos, que provavelmente nem conseguimos imaginar. E para quem pensa que essa é apenas uma questão de opinião, uma rápida pesquisa sobre pontos de prostituição confirmam: frequentemente, os locais ocupados por travestis são tanto quanto ou até mais numerosos do que aqueles ocupados por mulheres. Parentes, colegas e amigos, é claro, “nunca sabem de nada”. Mas se esse interesse existe, e é tão mais comum do que imaginamos, talvez a atmosfera de anormalidade que se cria em torno dos travestis e daqueles que por eles se interessam tenha muito mais a ver com tabus da vida pública do que com justificativas da vida privada, não é mesmo?


Um leque muito mais amplo de possibilidades é atendido

Na verdade os travestis exercem uma sedução em muitos homens. Eles surgiram nos anos 70 usando saias minúsculas e seios exuberantes. Segundo a opinião de psiquiatras, os travestis gostam de agir e se sentir como mulheres. Não é apenas uma troca de sexo, é algo mais profundo e tem a ver com a autoestima do cliente e do travesti. Estes profissionais do sexo pensam que os heterossexuais que saem com eles são pessoas de cabeça aberta e podem simplesmente sentir prazer e ter um sentimento de amor, muitas vezes não encontrado dentro de casa.
Na verdade os homens veem os travestis como uma “mulher com pênis” e isto cria fantasias na cabeça deles. Muitos psiquiatras dizem que apenas os travestis podem ser tão femininos nas fantasias dos homens e isto é um grande diferencial.
Os travestis afirmam que muitos de seus clientes procuram por proteção, diálogo, carinho, enfim, procuram algo diferente que muitos deles não têm em casa. A transgressão é essencial e tudo que é proibido atrai, desta forma os homens preferem os travestis para sentirem-se amados e respeitados.
Muitos afirmam que desejo é desejo e não podemos reprimir ou explicar. O importante é respeitar estes profissionais do sexo e ter a mente aberta a relacionamentos futuros. Há vários casos de homens que preferem namorar travestis por darem a ele a proteção necessária no dia a dia.
Muitos homens não estão resolvidos em sua orientação sexual e procuram por estes profissionais, então o respeito deve ser dado e colocado em primeiro lugar. O homem casado ou solteiro tem o direito de ter relações sexuais com quem ele quiser desde que não haja preconceito de qualquer parte e seja um consentimento mútuo.
A questão é que travestis são tudo. Têm tudo. Isso, é claro, facilita muito na hora de satisfazer as mais diversas fantasias eróticas. E mais, os travestis assim são porque exatamente assim escolheram ser. Não estão submetidos aos padrões binários impostos para um ou outro gênero, com todos os moldes pré-estabelecidos que podem ou não agradar completamente um mesmo indivíduo. A consequência quase imediata desse “são tudo que querem e amam tudo que têm” é a sensação de que não apenas o travesti é capaz, como também aceita com mais prazer realizar quase tudo. E, seguindo essa lógica, o homem sente que não é apenas mais um cliente pervertido que paga para conseguir suas exigências. Ele também satisfaz, também sacia desejos. Está ali com alguém que também abriu mão de muito para saciar os próprios. Pode ser psicologicamente reconfortante realizar fantasias sem se sentir culpado ou julgado de alguma maneira.

Exemplo do escárnio de como somos frequentemente tratadas... 


Experimentar

É só pensar nas tantas fantasias eróticas que todos sabem que existem muito por aí. E elas são cultivadas, quase sempre, sem que nada precise ser revelado a ninguém. Buscando satisfazer esses desejos mais íntimos sem precisar se expor às pessoas que os cercam, alguns homens simplesmente recorrem a locais específicos ou sites que proporcionem essa experiência sem dificuldades. A vontade de provar um papel sexual diverso daquele que realizou a vida inteira, a curiosidade de saciar alguns desejos específicos sem abrir mão da imagem feminina ou a simples ambição de ter experiências diferentes… As causas podem ser as mais diversas, mas são todas como qualquer outra fantasia, com todas as particularidades que as caracterizam. No fim, nada além daquilo que todo mundo já sabe sobre sexo: os interesses estão por aí aos montes, e nem sempre é possível, ou necessário, justifica-los.

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Reflexão e Desabafos: Travestis e Transgêneros são marginalizadas

https://4.bp.blogspot.com/-ErGl33NvQdI/W5W9POzmKVI/AAAAAAAAHY4/nltKxwgyTM8nR4xSf5avWcBnPGx3cDuxgCLcBGAs/s1600/apos-ser-dopada-estuprada-e-agredida-travesti-busca-ajuda-em-igreja-evangelica-5b854f72abe05.jpeg
"Muitas Travestis e Transgêneros são marginalizadas por se envolver a profissões ligadas ao sexo . Embora algumas estejam nessa vida por opção do chamado " Dinheiro fácil " (embora pelo que elas precisam aguentar eu não diria ser tão fácil assim) Muitas só estão vivendo essa vida porque não conseguem ingressar no mercado de trabalho por puro preconceito.

Muitas vendem seus corpos porque precisam comer, beber, pagar aluguel e contas , dar de comer aos seus filhos etc. Tudo porque muitos empregadores nos negam trabalho.

Porém São esses mesmos empregadores que muitas das vezes de maneira hipócrita nos procuram pelas madrugadas deixando suas esposas em casa em busca de nossos serviços após baterem com a porta de um emprego formal em nossa cara. Nada contra minhas amigas que vivem de seu corpo por opção.

Mas muitas de nós como eu queremos estar em uma Empresa mostrando nossa competência e profissionalismo... e não aturando... bêbados... drogados... bandidos... pelas madrugadas correndo risco de vida.

Se temos essa visão por parte da sociedade é porque a própria sociedade fecha as portas para nós. E como precisamos comer...beber...vestir...pagar as contas... bem advinha o que nos resta.

 Eu particularmente não sirvo pra viver na vida . Sou romântica demais pras ruas podres da madrugada. Mas ainda não passei por uma situação extrema pra saber até que ponto iria . E peço a Deus nunca passar pra descobrir. Que Deus me ajude a nunca me ver sem opção".

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Trans filma escondido momento em que chefe a assedia sexualmente

A americana Makana Milho (foto a lado), transgênero, 21 anos, filmou o momento em que seu chefe a assedia sexualmente no horário do trabalho. Makana conta que trabalha como faxineira em uma empresa e Honolulu, no Havia (EUA) quando no horário do expediente foi abordada pelo chefe Harold Villanueva Jr, 47 anos.

Ela disse que estava limpando o banheiro quando ele chegou e deu um "beliscão" em seu bumbum e depois a chamou para ir até o carro. A americana percebeu que ia ser assediada e resolver filmar tudo escondido com o celular. O homem disse que queria fazer sexo e que, em troca, "ajudaria a funcionária na empresa". 

Em entrevista ao jornal The Daily Beast, ela conta que o chefe já havida 'dado em cima dela outras vezes e que estava na cara que ele a 'obrigaria a fazer algo'. Ressalta ainda: "Tive medo. Cheguei a pensar que ele fosse tentar me violentar, mesmo ali, no estacionamento".

Após publicar na internet, a transmissão que dura em torno de 30 minutos, teve mais de 200 mil visualizações e cerca de 10 mil compartilhamentos.

No início do assédio, o chefe pede para que Makana faça sexo oral nele e avisa que "se você fizer sexo comigo, poderá sair mais cedo do trabalho hoje".

Para fugir do assédio, a funcionária avisa, durante a filmagem, que preferia fazer sexo com camisinha e que iria buscar ali perto um preservativo. "Fiz isso para escapar", confessa a trans.

Após ela dizer que não queria fazer sexo com ele e ouvir de volta muitas ameaças, a jovem consegue escapar e posta as imagens no facebook, marcando a polícia da cidade que acabou prendendo o chefe. Ele ficou detido e foi solto após pagar fiança.

Em nota, a empresa se posicionou dando uma suspensão a Harold e disse que vai aguardar o resultado da investigação e afirmou ainda que ele poderá até mesmo ser demitido. Mokana trabalha como temporária na empresa por determinação da Justiça. Ela cumpre pena por ter furtado uma bolsa em uma loja de luxo em 2014.

Nas redes sociais, a americana chegou a ser acusada de que teria "estimulado o chefe" a fazer tudo aquilo. Ela responde as acusações: "Absurdo. Estava trabalhando. Já tinha sofrido assédio, mas precisava ficar na empresa até o último dia por determinação da Justiça" e ressalta ainda que não fez nada. "Ele quem começou a me assediar e tentou passar a mão em mim algumas vezes" e que fez isso porque muitas mulheres, trans e até mesmo homem passam por isso.

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Traficantes de transexuais aplicavam silicone industrial nas vítimas

Investigados da Operação Fada Madrinha, deflagrada nesta quinta-feira (9/8), aplicavam silicone industrial em transexuais. A informação é do Ministério Público Federal (MPF), que trabalha em parceria com a Polícia Federal e com o Ministério Público do Trabalho na apuração de tráfico internacional de pessoas e o trabalho escravo.

As investigações apontam que o grupo traficou pelo menos 11 vítimas para a Itália em 2017. O inquérito indica que as vítimas eram exploradas e enviadas para a Itália após procedimentos estéticos arriscados, com uso de silicone industrial.

Segundo a Procuradoria da República, o silicone industrial era usado com finalidade estética para modelagem de bocas, quadris e mamas. O emprego corporal da substância, usada para lubrificar máquinas e motores, é proibido pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, pois pode causar necrose, embolia, deformidades e até a morte. Nos casos apurados, há relatos de vazamentos do silicone e deformação corporal. As investigações indicam ainda o uso de próteses mamárias reutilizadas, vencidas ou de baixíssima qualidade nas vítimas do esquema.

Os alvos das prisões usam redes sociais para aliciar pessoas transexuais com a promessa de participação em concursos de beleza na Europa. Proprietários de repúblicas e pensionatos, alguns investigados oferecem procedimentos cirúrgicos para que as vítimas assumam corpos femininos antes de viajarem.

A Procuradoria afirma que, para se hospedarem nos locais e financiarem a transição corporal, as transexuais adquirem dívidas altíssimas e se tornam prisioneiras dos criminosos, sendo reduzidas a condição análoga à de escravo. O endividamento é agravado pelo superfaturamento das intervenções estéticas e pelos altos valores cobrados para a remessa das vítimas ao exterior.

"Para conseguirem se manter na república, e com a sempre esperança de alcançarem o sonho da identidade de gênero e verem seus corpos transformados, elas se prostituem nas ruas da região, não sendo a elas permitido voltar à casa sem o faturamento mínimo do dia", ressalta o MPF. Além da exploração sexual, as vítimas são submetidas a condições degradantes e têm a liberdade restringida, não apenas em virtude das dívidas contraídas, mas também por ameaças e violência física.

A PF informou que 52 federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Franca (SP), São Paulo (SP), Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Jataí (GO), Rio Verde (GO) e Leopoldina (MG), todos expedidos pela 2ª Vara Federal de Franca, SP.





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Como ser transgênero foi de 'aberração' e 'doença' a questão de identidade

Gisele Alessandra Schmidt e Silva, de 48 anos, foi a primeira advogada transgênero a falar diante do Supremo Tribunal Federal (STF). Em defesa de uma ação pelo direito de pessoas como ela mudarem seu nome e gênero no registro civil sem precisar fazer uma cirurgia para mudar de sexo, ela disse aos ministros:
"Não somos doentes, como pretende a classificação internacional de doenças. Não sofro de transtorno de identidade sexual. Sofre a sociedade de preconceitos historicamente arraigados contra nós."
Passado um ano e meio daquela sessão, a situação é bem diferente. Não só o STF reconheceu o direito pleiteado naquela ação, como Gisele e outros transgêneros como ela não são mais considerados portadores de um transtorno mental.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou esse entendimento em seu guia que serve de referência para estatísticas e diagnósticos médicos e enviou assim uma mensagem em sintonia com o que defendeu a advogada paranaense no STF: ser transgênero - em geral, ter uma identidade de gênero que não corresponde ao seu sexo ao nascer - não é doença.
A novidade acompanha uma evolução da ciência sobre a questão, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A nova Classificação Internacional de Doenças (CID) será apresentada na assembleia da OMS em 2019 e entrará em vigor nos países-membros, entre eles o Brasil, em 2022.
"É a comprovação de tudo o que eu defendo", diz Gisele à BBC News Brasil. "Nunca me considerei doente."

O que são pessoas transgênero

Transgêneros são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico. Pode ser um homem que se enxerga como mulher, uma mulher que entende como homem ou ainda alguém que acredita não se encaixar perfeitamente em nenhuma destas possibilidades.
O termo foi cunhado em 1965 pelo psiquiatra americano John Oliven, da Universidade de Columbia, no livro Higiene Sexual e Patologia, e se popularizou nas décadas seguintes.

Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de transtorno de identidade de gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), explica que as pessoas transgênero são menos de 1% da população e estão presentes em "todas as culturas" e ao longo de toda a história.
A ciência ainda não sabe explicar ao certo o que faz uma pessoa ser transgênero, mas Sadeeh diz que os estudos feitos até hoje apontam para uma "base biológica" para essa condição.
"Há quem defenda que isso é apenas fruto de influências socioculturais, mas recebo pacientes de 4 ou 5 anos que afirmam que o sexo biológico não diz respeito a eles. É algo que acontece muito cedo para falar que é apenas sociocultural", diz ele.
"Pesquisas mostram que existe uma base biológica na origem da transexualidade, questões genéticas e hormonais."
A experiência de Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), também aponta para sinais precoces de transgeneridade.
"Em muitos casos, é uma reflexão que surge desde a primeira infância. Há influências de ordem genética, mas precisamos de mais estudos para entender em que momento do desenvolvimento isso se apresenta", diz a médica.
"Muitas dessas crianças descobrirão que não são trans, outras se identificarão como homossexuais e outras de fato serão transgênero. Cabe a nós ouvir o que têm a dizer, dar apoio e acompanhar."
Ela explica não haver dados precisos sobre a proporção de transgêneros na população, porque muitas estimativas se baseiam em quem deseja uma cirurgia e, hoje, se entende que essa condição vai além.
Há quem se identifique com o gênero oposto, mas não quer ser operado. Alguns desejam só tomar hormônios ou modificar características externas. E há quem não se identifique com nenhum gênero.
"Existe hoje um leque mais amplo do que os gêneros binários, e ainda vão surgir muitas nomenclaturas para contemplar possibilidades que não eram estudadas", diz Abdo.
"Não quer dizer que temos de ir para o extremo oposto e que todos devam questionar sua identidade de gênero. É algo que surge naturalmente."

'Uma ferida na alma que não cicatriza'

A advogada Gisele Alessandra diz ter sentido que havia algo diferente em torno dos 5 anos de idade. Ela conta nunca ter se identificado com nada do universo masculino.
"Eu me recusava a usar o uniforme dos meninos. Gritava e dizia que não queria ir pra escola. Sentia um grande desconforto e não entendia o que era, mas percebia que, se fizesse modificações para deixar a roupa mais feminina, me sentia melhor", diz a advogada.
"Minha vida escolar foi muito difícil. Sofri muito bullying. Fui chamada de todas as palavras pejorativas: traveco, florzinha, aberração."
Quando Gisele tinha 15 anos, uma prima perguntou por que pessoas a estavam ridicularizando. "Respondi que era mulher. Minha prima me falou que eu não era, que estava doente e me levou para um psiquiatra que fazia cura gay. Minha família é religiosa, e fui levada para uma sessão de exorcismo", conta Gisele.
"Tudo isso criou um trauma inenarrável, uma ferida na alma que não cicatriza. Fiquei com tanto medo que apaguei a Gisele da minha vida por muitos anos."

A advogada passou então a "representar o papel" de Marcus, seu nome de nascimento, e só deixou de fazer isso há cerca de oito anos, quando percebeu que "usar essa máscara" estava gerando problemas como ansiedade, depressão e psoríase. Foi quando começou uma transição gradual para sua nova identidade.
Há cinco anos, não existe mais qualquer sinal de Marcus. Ele deu lugar de vez à advogada transgênero que hoje trabalha no Grupo Dignidade, uma ONG dedicada à defesa de direitos LGBT, e na área criminal.
Ela diz ter recebido a mudança da OMS com uma "grande felicidade". "É importante esse reconhecimento de que não se trata de uma doença mental, para que não tentem nos tratar. Acompanhei o caso de uma menina trans em que a família a internou compulsoriamente em uma clínica. Isso é um perigo."

Por que ser transgênero não é doença

A nova definição da OMS enterra na prática uma noção que se tinha a respeito de pessoas transgênero.
Ser transgênero constava até então no capítulo do sobre problemas mentais do código da organização, como "distúrbio de identidade de gênero".
Agora, muda de nome, para "incongruência de gênero", e passa a integrar um novo capítulo sobre condições relacionadas à saúde sexual.
A edição anterior do guia falava de "transexualismo" - o sufixo "ismo" vem do grego e atribui à condição um caráter de patologia.
Tratava-se de "um desejo de viver e ser aceito como um membro do sexo oposto", normalmente acompanhado por "desconforto" com o órgão genital e vontade de se submeter a cirurgia ou tratamento hormonal para adequar o corpo à percepção pessoal.
Ao deixar de ser doença, a forma de se referir a isso também mudou, como ocorreu com "homossexualismo", que deu lugar a "homossexualidade", quando a OMS tirou de seu guia de doenças a atração por pessoas do mesmo sexo.
O correto é usar transexualidade ou transgeneridade. "O sufixo 'dade' se refere a uma característica. A mudança despatologiza a condição", diz Abdo.
O novo CID abre mão por completo desses termos e trata a transgeneridade como uma "persistente incompatibilidade na percepção de um indivíduo de seu próprio gênero e o sexo designado" ao nascer.

A OMS explica que isso deve se manifestar por vários meses ao menos. O diagnóstico não pode ser feito antes da puberdade, e preferências e comportamentos que destoam do esperado para o sexo biológico não servem de base para isso.
"Uma doença é algo que afeta negativamente o corpo, e a incongruência de gênero não é isso", diz Lale Say, coordenadora do departamento de pesquisa e saúde reprodutiva da OMS.
Ela explica que essa condição, mesmo que não seja uma patologia, ainda consta no guia de doenças porque é algo que demanda serviços de saúde, como cirurgias, tratamento hormonal e apoio psicológico. "Mas não precisa prevenir ou curar. Não é algo que se deve lutar contra, mas que merece suporte."

Mudança 'reflete a visão científica atual'

A versão anterior do CID, de 1990, começou a ser revista há dez anos. Grupos analisaram a literatura científica e consultaram profissionais e pessoas interessadas em cada especialidade.
"O resultado reflete a visão científica atual. Ser transgênero não é uma questão médica, é uma questão pessoal", diz Say.
A OMS levou um tempo para formalizar a mudança de entendimento, diz Saadeh. "A transexualidade não é considerada uma doença mental há 15 ou 20 anos. Demanda um diagnóstico para justificar os tratamentos necessários, senão vira só intervenção estética. E não é o caso, porque a pessoa sofre com a condição", afirma.
"Mas diagnóstico não é sinônimo de doença. Por exemplo, gravidez de risco é um diagnóstico, mas não é doença."
O psiquiatra diz que ainda recebe muitos transgêneros em seu consultório que se consideram uma "aberração". "Chegam de todo o Brasil se achando doentes, um erro de Deus, e mostramos que não é errado ou uma escolha", diz.
Say diz que a mudança no código da OMS ajuda a "aprimorar o conhecimento e a compreensão de profissionais de saúde e a evitar comportamentos com um viés", influenciados por crenças pessoais.
Abdo, da ABP, avalia que isso muda o alvo dos cuidados de saúde, que se voltam para o sofrimento gerado pela condição, e não para a incompatibilidade de gênero em si. "Da mesma forma que não se pode tratar um homossexual para mudar sua orientação sexual, não há por que tratar um transgênero para acabar com a incongruência entre sexo biológico e psicológico", afirma Abdo.
"O acompanhamento será feito para adaptar o sexo biológico ao desejado ou percebido como próprio, um processo que é longo e demanda acompanhamento por uma equipe capacitada."

'É um primeiro passo', diz ativista

Cianán Russell, da Transgender Europe, uma das principais ONGs do mundo de defesa dos direitos de transgêneros, diz que a mudança é um "bom primeiro passo". "Não é apenas simbólica, mas prática. É fantástica e deve ser celebrada. É o resultado de anos de ativismo e um sinal de que a OMS está respondendo às nossas críticas", afirma.

Mas Russell faz ressalvas, por considerar a terminologia ainda "pouco clara", e diz que há um "longo caminho" a percorrer. "A forma usada hoje ainda patologiza de certa forma a condição, porque, por mais que não precise de diagnóstico psiquiátrico, ainda exige algum diagnóstico."
Russell acha improvável que a transgeneridade saia por completo do CID, porque é um mecanismo que dá acesso à cobertura de serviços por planos de saúde. Mas gostaria de ver a condição em uma categoria que não demande diagnósticos atrelados à identidade de gênero.
"Todos os procedimentos médicos que uma pessoa trans precisa, pessoas que não são trans também precisam. Não há nada que seja exclusivo. Mas essa mudança é passo que a OMS não parece estar pronta para dar."
Russell ressalta que a OMS deve se esforçar para implementar as novas diretrizes mais rápido do que no guia anterior. "Mesmo ratificada nos anos 1990, a outra edição foi implementada nos Estados Unidos só em 2015, por exemplo. Enquanto não forem aplicadas na prática, transgêneros continuarão a serem considerados doentes", afirma.

Para combater o estigma

A OMS afirma ainda que não classificar a transgeneridade como uma doença mental pode reduzir o preconceito.
Espera-se que, com o tempo, isso ajude na aceitação social e promova um melhor acesso a serviços de saúde. "A pessoa vai se sentir mais confortável para pedir ajuda", diz Say.
Abdo acredita que isso pode contribuir, mas não será de imediato. Ela cita o exemplo da homossexualidade, que saiu do guia da OMS na edição anterior e, ainda hoje, há um estigma atrelado a essa orientação sexual.
"Os homossexuais se apresentam hoje de forma mais confortável na sociedade, são mais respeitados, considerados indivíduos que existem e que não devem ser submetidos a tratamentos para mudar quem são", afirma a psiquiatra.
"Mas ainda existe quem tente fazer isso, fique deprimido ou tente se matar. As novas gerações serão as responsáveis pela desestigmatização da transgeneridade."
Saadeh faz a mesma avaliação. "Ainda hoje há quem considere homossexualidade uma doença e que tem cura. Para muitas pessoas, ter uma identidade de gênero diferente do sexo biológico é algo maluco", afirma ele. "Conforme as pessoas se tornem menos ignorantes em relação a isso, as atitudes podem mudar, mas levará tempo."

Preconceito velado

Gisele Alessandra diz que declarar-se transgênero foi uma realização pessoal, mas que isso lhe custou o contato com a família.
"Passei dois anos cuidando da minha mãe, que tinha câncer. Depois que ela morreu, viraram as costas para mim. Recebi uma carta em que diziam 'essa coisa em que me transformei' não significava nada para eles. Entraram com uma ação na Justiça para me obrigar a sair do apartamento dela", diz a advogada.
"Em meio ao trauma de tudo que havia acontecido e à dor do luto, eu ainda por cima não tinha mais onde morar."
Ao mesmo tempo, ela diz que hoje, após ter assumido uma aparência feminina, ela sente-se mais aceita socialmente, mesmo que não totalmente. "Ninguém mais me xinga no meio da rua nem sou alvo de qualquer outro ato de violência. Pelo contrário, me elogiam."
Mas ela acredita que o preconceito, antes explícito, agora se manifesta de forma velada. "Talvez seja ainda pior. Posso revidar uma agressão, mas como posso reagir à falta de convites para sair ou de propostas de trabalho? Não há defesa para isso."

Da BBC
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Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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