Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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"Homem? Nem pensar! Eu gosto é de mulher", diz caminhoneira trans e lésbica


 Foi só após realizar a transição de gênero, em 2010, que a caminhoneira Fabiana Ferreira, 58, passou a ter a vida sexual ativa. Antes disso, quando ainda tinha o órgão sexual masculino e se chamava Hamilton, ela se considerava sem interesse por relações amorosas, tanto com homens quanto com mulheres.

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"Parece que antes [da operação] eu era uma pessoa neutra. Achava alguns homens bonitos e queria me parecer com uma mulher. Mas me envolver com homem? Nem pensar, cruz credo! Só para amizade e poucos. Eu gosto é de mulher", diz Fabiana, que afirma nunca ter transado com um homem e, hoje, se define como mulher trans lésbica.
"Toda vida parece que eu tinha vontade de ser feminina. Fiquei muito bem depois que fiz a cirurgia. Agora me sinto mais feliz."
O desejo por mulheres, no entanto, só apareceu de verdade depois de mais de um ano da cirurgia. "Quando operei, fiquei um ano e quatro meses sem fazer nada, sem ter prazer algum. Depois deste tempo, consegui transar com uma mulher. No dia, lembro que era quase 23h e liguei para a doutora que me operou, dizendo que eu tinha conseguido."
Antes de passar pela transição, Fabiana chegou a se envolver com uma mulher, com quem tem um filho, hoje com 28 anos. "Quando eu ainda era do sexo masculino, uma mulher invocou comigo. Ela tinha quatro filhos e largou do marido por minha causa." Os dois acabaram morando juntos. "Aí, por incrível que pareça e depois de muita insistência dela, tivemos um filho."   

A vida na estrada para uma mulher

Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), existem cerca de 180 mil mulheres habilitadas para dirigir caminhão no Brasil. Elas representam apenas 6,5% do total de motoristas de caminhão no país. Mas, apesar de ser uma profissão predominantemente masculina, Fabiana, que começou a dirigir carretas em 1986, garante que nunca se intimidou.
Divulgação
A caminhoneira Fabiana Ferreira Imagem: Divulgação
"Nunca dei moral para ninguém. Se eu desço em um ponto, pode ter 50, 60 pessoas, não olho na cara de ninguém, vou onde tenho que ir e falo com quem tenho que falar." Apesar de se comportar assim, ela não nega que exista preconceito --mais na forma de piadas. "Você tem que fazer de conta que não está vendo nada e vai levando a vida. Se for ligar para isso, você não vive. Você vegeta."
Além disso, Fabiana diz que acha muito bonito ver uma mulher dirigindo caminhão e nunca deixaria de fazer algo por causa da opinião dos outros. "Não é só o homem que tem direito de trabalhar [dirigindo]. A mulher também tem. Às vezes, a mulher até faz as coisas melhor do que o homem, mas eles não querem aceitar", acredita.
Fabiana, recentemente, se aposentou e já sente falta da estrada. "Eu gostava do que fazia, das amizades que a gente faz viajando e da liberdade. Caminhão é um vício. Agora que estou sem trabalhar, fico com a cabeça estressada." Para não ficar parada, ela planeja abrir sua própria transportadora.

"O que mais admiro na Fabiana é sua liberdade"

A história de Fabiana virou um documentário, que foi exibido, recentemente, na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival Mix Brasil, também realizado em São Paulo e dedicado à produção audiovisual LGBT.
A diretora do documentário, Brunna Laboissière, conheceu Fabiana ao pedir carona para ela. "Já viajei muito de carona e gosto de ouvir as histórias dos motoristas. Em geral, sempre eram caminhoneiros homens, mas, uma vez, indo para Goiânia, conheci a Fabiana. Viajamos por dois dias", lembra Brunna.
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Imagem: Divulgação
"Na hora, não me liguei que ela era uma mulher trans. Muitos amigos dela nem desconfiam que ela é trans. A Fabiana não fica falando muito sobre isso."
Brunna conta até que, em uma das exibições do filme, perguntou para Fabiana se poderia convidar uma das colegas evangélicas da caminhoneira. A mulher nem imaginava que ela era uma mulher trans e lésbica.
Questionada sobre o que aprendeu com Fabiana, ao longo das filmagens, diz: "O jeito que ela leva a vida é tremendo, apesar de todas as dificuldades que tem. Ela também tem uma intuição muito forte e segue seu coração. Fabiana é pura liberdade. Ela não deixou o mundo e a sociedade sabotarem quem ela verdadeiramente é."
A previsão é de que o documentário "Fabiana" chegue às salas do cinema nacional no primeiro semestre de 2019.


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C&A abre vagas de emprego exclusivas para travestis e transexuais


Em parceria com a ONG Transempregos, a C&A abriu mil vagas exclusivas para travestis e transexuais. A intenção da empresa é proporcionar um espaço no mercado de trabalho para esses profissionais que muitas vezes sofrem preconceito durante a disputa por um emprego.
As vagas anunciadas são para trabalhos temporários agora no fim de ano, em mais de 270 lojas da C&A espalhadas pelo Brasil. O candidato deve ter ensino médio completo, mas não precisa ter experiência anterior na função. Alguns pontos serão considerados diferenciais positivos, como ter atuado em atendimento ao cliente, interesse em moda, entre outros.
Os interessados devem se inscrever na Operação de Loja da C&A. As informações sobre as vagas e como será o processo seletivos estão disponíveis no link.
A Transempregos é uma organização que ajuda na inserção de pessoas travestis e transexuais no mercado de trabalho formal. A instituição também oferece capacitação às empresas, com foco em Recursos Humanos e Departamento Jurídico, a fim de construir um ambiente de trabalho mais humano e inclusivo.
Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% dos travestis e transexuais do Brasil acabam marginalizados na sociedade. Com baixa escolaridade e o preconceito das empresas, a prostituição se torna o único meio de sobrevivência.

DO B9

Em 2017 a A C&A apostau, mais uma vez, na diversidade e sua campanha publicitaria apresentando uma mulher trans - AQUI

 
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TransEmpregos: Maite Schneider explica as dificuldades que pessoas trans enfrentam no mercado de trabalho

A partir do reconhecimento da dificuldade de pessoas trans conseguirem espaço no mercado de trabalho, o projeto TransEmprego foi criado em 2013 para diluir a exclusão devido à sua identidade.
O POVO - Quais são os desafios que as pessoas trans enfrentam no mercado de trabalho?
Maite Schneider - O maior desafio, primeiro, é vencer certos estigmas, preconceitos, que são muito negativos, que foram arraigados durante séculos na nossa sociedade, na nossa cultura que é machista, cristã, que tem a figura da pessoa trans como um pecado, suja, maldita. Depois de tirar esses estigmas, a gente tem que potencializar, porque foram anos que elas foram e ainda continuam sendo colocadas à margem da sociedade e sem poder ter uma inserção tanto na família quanto na escola, isso logicamente acarreta no mercado de trabalho. E posteriormente, melhorar as capacitações, fazer com que elas voltem a estudar, se capacitar, se profissionalizar cada vez mais.
OP - Quais os avanços conquistados no mercado de trabalho nos últimos 10 anos?
Maite - Um projeto como o TransEmprego, que tem cinco anos, não poderia nem ter chance de existir há dez anos, seria uma coisa impossível. As empresas estarem abertas também. Hoje, a gente tem a Atento que tem 78 mil funcionários no Brasil, 1.300 são trans. É possível sim essa transformação, de inserção real, de diversidade.
OP - Quantos homens e mulheres trans já conseguiram emprego pelo TransEmprego?
Maite - A gente não tem esse quantitativo, porque para a gente do TransEmprego, de uma a um milhão, o que a gente quer é fazer a inserção. A gente acaba trabalhando a questão das pessoas transgêneras, mas a gente abarca todas as diversidades. Se você quebrar esse preconceito que é um dos maiores que existe, de repúdio, de asco na sociedade com relação à pessoa transgênera, a gente consegue quebrar preconceitos com outras ditas minorias, mesmo que não quantitativas, mas políticas. Semana passada, a gente conseguiu empregar 15. Então, é muita gente. A gente vê que elas estão felizes, empregadas. Às vezes, as empresas que contratam querem mais, porque elas se dedicam muito, valorizam muito o emprego, muitas vezes é o primeiro emprego com 40 ou 50 anos de idade.
TransEmpregos 
Os interessados podem enviar currículos para o email marciademais@yahoo.com.

Do O Povo
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Reflexão e Desabafos: Travestis e Transgêneros são marginalizadas

https://4.bp.blogspot.com/-ErGl33NvQdI/W5W9POzmKVI/AAAAAAAAHY4/nltKxwgyTM8nR4xSf5avWcBnPGx3cDuxgCLcBGAs/s1600/apos-ser-dopada-estuprada-e-agredida-travesti-busca-ajuda-em-igreja-evangelica-5b854f72abe05.jpeg
"Muitas Travestis e Transgêneros são marginalizadas por se envolver a profissões ligadas ao sexo . Embora algumas estejam nessa vida por opção do chamado " Dinheiro fácil " (embora pelo que elas precisam aguentar eu não diria ser tão fácil assim) Muitas só estão vivendo essa vida porque não conseguem ingressar no mercado de trabalho por puro preconceito.

Muitas vendem seus corpos porque precisam comer, beber, pagar aluguel e contas , dar de comer aos seus filhos etc. Tudo porque muitos empregadores nos negam trabalho.

Porém São esses mesmos empregadores que muitas das vezes de maneira hipócrita nos procuram pelas madrugadas deixando suas esposas em casa em busca de nossos serviços após baterem com a porta de um emprego formal em nossa cara. Nada contra minhas amigas que vivem de seu corpo por opção.

Mas muitas de nós como eu queremos estar em uma Empresa mostrando nossa competência e profissionalismo... e não aturando... bêbados... drogados... bandidos... pelas madrugadas correndo risco de vida.

Se temos essa visão por parte da sociedade é porque a própria sociedade fecha as portas para nós. E como precisamos comer...beber...vestir...pagar as contas... bem advinha o que nos resta.

 Eu particularmente não sirvo pra viver na vida . Sou romântica demais pras ruas podres da madrugada. Mas ainda não passei por uma situação extrema pra saber até que ponto iria . E peço a Deus nunca passar pra descobrir. Que Deus me ajude a nunca me ver sem opção".

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O que as empresas podem fazer para incluir pessoas trans no mercado de trabalho

Enquanto muitos não consideram mais o gênero como um assunto estritamente binário, ainda há muito estigma ligado à transição de identidade de gênero no trabalho. A conscientização em relação ao tema aumentou, mas há muitos desafios quando se fala de questões de transgêneros no mercado de trabalho.

O presidente americano, Donald Trump, recentemente assinou um decreto banindo algumas pessoas trans de servir no Exército. E, segundo uma pesquisa conduzida pela Rádio Pública Nacional (NPR, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, mais da metade dos professores trans no país enfrentam assédio ou discriminação no trabalho.

No Brasil, o cenário é mais sombrio. Segundo levantamento da organização Transgender Europe, 868 pessoas foram mortas em crimes motivados por transfobia no Brasil entre 2008 e 2016, o que coloca o país no primeiro lugar entre as nações com maior número de mortes de transexuais no mundo.

A cultura de violência e a discriminação contra esse grupo também resulta em uma alta taxa de evasão escolar - 82% dos transexuais não concluem seus estudos, de acordo com uma pesquisa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Outra consequência da discriminação de gênero e sexualidade no Brasil é que 61% da comunidade LGBT escondem sua identidade de gênero ou sua sexualidade no trabalho, segundo dados do instituto Center for Talent Inovation.

Como melhorar as condições de trabalho para a população trans?

Então, nesse contexto, como é sair do armário como trans no trabalho? E quais são as diretrizes para os empregadores em relação a funcionários trans?

Claire Birkenshaw fez a transição de gênero quando dirigia um colégio no norte da Inglaterra. Ela relembra sua vida antes da transição. "Superficialmente, eu era bastante feliz, muito sociável, mas por dentro havia um temor interno sobre quem eu era desde a infância. Era a única coisa na minha vida sobre a qual eu não era sincera."

Sua maior preocupação assim que ela tomou a decisão de mudar sua identidade de gênero foi a "rejeição de todos". "Eu tinha muito medo porque eu sabia que assim que contasse não haveria volta, era isso. Você sai do armário de vez", disse.

No fim das contas, a experiência de Birkenshaw foi majoritariamente positiva, mas ela reconhece que outras pessoas precisam de tempo para se ajustar à mudança. "Como tudo na vida, algumas pessoas levarão com facilidade, mas outras terão mais dificuldades", diz ela. "Enquanto eu passo por essa transição, outras pessoas terão que passar por essa transição emocional e psicologicamente também. Mas o tratamento geral em relação a mim teve dignidade e respeito."

Birkenshaw diz que precisou "cavar fundo" para encontrar a confiança ao encarar colegas e alunos, mas que "os jovens foram realmente incríveis. Um [aluno] veio até mim e disse 'bom dia, senhora', e eu respondi 'você é a primeira pessoa a me chamar de senhora'".

Após sua transição, Birkenshaw recebeu apoio de pessoas inesperadas. Ela lembra de ex-alunos que entraram em contato para dizer "estamos muito, muito orgulhosos de você". Até mesmo pessoas que ela nunca havia conhecido entraram em contato. Alguém escreveu para escola dizendo que leu a história da professora no jornal local e só queria dizer "muito bem".

Birkenshaw diz que sua capacidade de desempenhar seu trabalho como diretora da escola não mudou com a transição. "As principais habilidades que você tem, a forma como trabalha com as pessoas e o seu conhecimento continuam exatamente os mesmos", diz.

Uma diferença que ela percebeu desde a transição, porém, é que ela se sente "um pouco mais emotiva" que antes. Mas, como explica, os motivos para isso são complicados e multifacetados. Birkenshaw não sabe "se é porque agora você tem permissão para demonstrar suas emoções, se os hormônios têm algum efeito ou se é apenas a liberação de emoções reprimidas após uma vida inteiro ocultando sua identidade e permitindo que sua verdadeira identidade apareça".

Do ponto de vista de Birkenshaw, as coisas mudaram para melhor nos últimos 15 anos, considerando a visibilidade de pessoas trans e a maior acessibilidade a informações sobre o assunto. Ela também menciona o impacto da internet, que permite que alguém em transição de gênero possa ver "que pessoas fazem a transição no mundo todo. E isso faz uma enorme diferença, perceber que não é só você. Não é só você com você mesmo".
Como as empresas podem lidar com a questão

Então, quais são as diretrizes para os empregadores que têm pessoas trans em suas equipes? E quais são as dificuldades práticas que pessoas trans podem enfrentar no trabalho?

Beck Bailey, da Campanha de Direitos Humanos dos Estados Unidos (HRC, na sigla em inglês), que defende direitos LGBT, diz que houve mais progresso do que pensamos entre as grandes empresas multinacionais e americanas no apoio a funcionários trans.



Bailey diz que o fato mais surpreendente é que "o mundo corporativo americano trabalhou muito para apoiar seus funcionários trans e não-binários". Em 2002, a HRC fez um índice de políticas, práticas e benefícios, acompanhando o progresso desde então. "Quando começamos nossa pesquisa em 2002, apenas 5% das empresas tinham proteções contra discriminação, e hoje 97% das empresas que participam [do índice] têm essas proteções."

No Brasil, também há uma busca pela integração de pessoas trans no mundo corporativo, ainda que tímida se comparada a outros países. A plataforma Transempregos, por exemplo, foi criada para incluir pessoas trans no mercado de trabalho. Em 2014, 12 companhias queriam usar o serviço e, em 2017, houve um crescimento de quase 300% com 46 empresas cadastradas.

Então, como seria uma política de recursos humanos inclusiva no mercado de trabalho moderno?

"O mais fundamental e importante é colocar em prática uma política não-discriminatória e antiassédio", diz Bailey. "A partir daí, eles podem construir coisas como benefícios iguais."

Uma política de RH mais inclusiva significa, por exemplo, que uma pessoa trans possa ter acesso a terapia de hormônios pelo plano de saúde da empresa - caso contrário, essas pessoas não terão os mesmos benefícios que seus colegas cisgêneros.

Houve uma mudança significativa nessa área. Entre as companhias monitoradas pela HRC, em 2002, "zero empresas tinham planos de saúde completamente inclusivos para pessoas trans, e hoje temos 79%".

E também existem maneiras de uma companhia apoiar as pessoas que estão em transição no trabalho, como facilitar a mudança de nome nos documentos da empresa ou permitir que expressem seu gênero de acordo com o código de vestimenta que fizer sentido para elas.

Para Bailey, educação e treinamento são fatores-chave, assim como "diálogo e conversas que abrem espaço para as pessoas entenderem colegas trans e até clientes trans".

O que, no ponto de vista de Bailey, levou a essa mudança? "Os empresários americanos e os empregadores de multinacionais no mundo inteiro realmente entendem que diversidade e inclusão são bons para os negócios, para atrair [e] manter a melhor força de trabalho."

Uma consequência dessa abertura dos negócios à diversidade é ter mais opções para recrutamento, mas também pode favorecer a empresa em termos de reputação no olhar de possíveis novos funcionários. "Há pessoas que não fazem parte da comunidade trans, mas veem esse tipo de política como indicador do compromisso da empresa de ser um lugar acolhedor para se trabalhar."

As mulheres podem achar difícil subir na carreira considerando quão dominada por homens é a cultura corporativa, mas as pessoas trans enfrentam esse mesmo desafio. "Há muito preconceito contra as pessoas trans", diz Bailey. "Mesmo que elas passem como pessoas trans, as mulheres trans enfrentam o mesmo tipo de sexismo e misoginia que as mulheres cis". Da mesma maneira, algumas pessoas trans lidas como homens "encontram novas aberturas, especialmente se são brancos, com o privilégio masculino que não tinham antes da transição".

Enquanto pode ser mais fácil realizar a transição no trabalho e o apoio a funcionários seja maior do que há 30 ou 40 anos, sem dúvidas muitos desafios persistem.
Da BBC 
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Atriz transexual Gabriela Loran consegue mudança de sexo em certidão

Gabriela Loran ficou conhecida ao dar vida a professora de dança Priscila, em “Malhação: Vidas brasileiras”. A participação foi durante a história de Leandro (Dhonata Augusto), e apesar de rápida, fez barulho. Tudo porque, na vida pessoal, a atriz é transexual. E nesta segunda, dia 25, em seu Instagram, Gabriela comemorou uma nova vitória: a atualização da sua certidão de nascimento para o sexo feminino.
“Agora é oficial: Gabriela”, escreveu a atriz ao compartilhar a foto da certidão nova.




À coluna da jornalista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, Gabriela falou sobre a oportunidade para pessoas trans na TV:
"É muito importante que nós tenhamos chances. O filme da Daniela Vega (atriz do longa 'Uma mulher fantástica', premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, e primeira mulher trans a participar da cerimônia) ganhou porque teve representatividade, ela estava presente. E, quando a pessoa está presente, a gente vê que ela existe. Estamos conquistando um espaço legal, mas não podemos nos acomodar, senão perderemos o pouco que alcançamos. Hoje, há diversas mulheres trans buscando espaço, mas a gente precisa de mais e mais. Porque eu posso ter sido a primeira a ocupar esse espaço de 'Malhação', mas não quero ser a única", disse. 

Do Extra

Aos 24 anos, a atriz transexual Gabriela Loran nunca mais se esquecerá do dia 25 de junho de 2018. Isso porque a artista conseguiu de maneira oficial nesta segunda-feira (25) a mudança de sexo em sua certidão de nascimento.
“Agora é oficial: Gabriela”, escreveu ela ao compartilhar a foto da certidão nova em seu Instagram.
A atriz é uma aposta de ‘Malhação – Vidas Brasileiras’ e vem se destacando com sua personagem Priscila, professora de dança na trama.


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Curso qualifica travestis e transexuais para o mercado de trabalho

Curso de gastronomia deve chegar ao Rio nos próximos meses. Na Maré, há um projeto semelhante

Ao assumir a opção de se travestir e a identidade afirmada por um novo nome feminino, muitas portas se fecharam para Anderson Palma e Francisco Teixeira, dentro e fora de casa. No mercado de trabalho, o preconceito foi a principal barreira para que eles se desenvolvessem profissionalmente. Mas essas dificuldades ficaram para trás. Hoje, são aceitos como Bia Mattos e Alessandra Martinelly no lugar onde trabalham. A oportunidade de emprego com carteira assinada foi resultado do programa de capacitação 'Empregabilidade de Pessoas Trans Cozinha & Voz', que forma travestis, homens e mulheres transexuais em situação de vulnerabilidade para o cargo de assistente de cozinha.

O curso, uma ação em conjunto entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), teve conteúdo desenvolvido pela chef Paola Carosella. A segunda turma do projeto celebrou a formatura na última terça-feira. As aulas aconteceram na Faculdade Hotec, em São Paulo. Segundo a OIT, a intenção é que o programa de capacitação seja levado para outros estados em breve, como Rio de Janeiro, Goiás, Pará e Bahia.
Bia Mattos e Alessandra Martinelly participaram da primeira turma, que concluiu as aulas em novembro. Em pouco tempo, o encaminhamento para a vaga de emprego já promove transformações em suas vidas. Alessandra morava em um abrigo e conseguiu alugar um apartamento no segundo mês de trabalho. "Mudou tudo, pois agora tenho maior liberdade e privacidade. Minha intenção é dar entrada em uma casa própria no ano que vem", projeta Alessandra, que atua como assistente de cozinha em um outro abrigo.
Aos 39 anos, é a primeira vez que ela tem carteira assinada. "Tentei emprego muitas vezes. Mas as chances não aparecem para uma travesti. Até hoje faltam oportunidades para a gente sobreviver de forma digna. Por isso que muitas caem na prostituição, por necessidade de sobreviver. E isso é cruel", diz.
Para Bia, que trabalha num restaurante, a oportunidade de emprego surgida após o curso está possibilitando a retomada dos estudos. "Estou concluindo a escola e pretendo cursar faculdade de gastronomia. Nós podemos. Basta força de vontade", diz.
Coordenadora pedagógica da Faculdade Hotec, que abriga o projeto 'Empregabilidade de Pessoas Trans Cozinha & Voz', Beatriz Rampim conta que os alunos saem do curso com novas perspectivas não só de trabalho, mas de vida. "A autoestima melhora muito. Eles passam a acreditar que têm possibilidades reais de entrar no mercado de trabalho formal, com carteira assinada", diz Beatriz.
Além da capacitação na cozinha, o curso também contempla aulas de poesia, com as atrizes Elisa Lucinda e Geovana Pires.
COZINHA NA FAVELA
Um projeto semelhante está sendo estruturado no Complexo da Maré pelo Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas, que fica na comunidade da Nova Holanda. No momento, a instituição busca financiamento para construir uma 'cozinha trans' na região. "As políticas públicas de empregabilidade não chegam à população trans das comunidades. E a falta de oportunidades é mais uma agressão que a gente sofre. Temos quatro chefs de cozinha na Maré que são travestis. Elas comandarão o projeto, que vai seguir o mote 'nós por nós mesmas'", antecipa Gilmara Cunha, diretora geral do Grupo Conexão G.
Com a cozinha implantada, a proposta, segundo Gilmara Cunha, é que o projeto possa ser um caminho para o empreendedorismo. "A ideia inicial é vendermos o que vamos produzir em eventos de empresas parceiras. Essa atuação vai mostrar a forma correta de enxergarmos a travesti, para além do imaginário erótico, ligado ao fetiche", diz.
O Grupo G está com edital aberto para jovens que irão atuar na prevenção de DSTs na Maré. Os candidatos selecionados receberão bolsa-auxílio.


Por Bernardo Costa - O Dia
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Valentina Sampaio: Modelo transgênero da SPFW fala sobre exibição do corpo na passarela


Valentina Sampaio na passarela da grife Amir Slama na noite desta quinta-feira, 16, no SPFW era um dos assuntos mais comentados e esperados na temporada de moda. A modelo transgênero afirmou ao EGO que riscar a passarela exibindo o corpo quase nu não é tabu. "É meu trabalho e minha profissão. 

Não fico nervosa e não tenho medo, mas como toda mulher claro que tenho celulite e estria. Me cuido o ano inteiro para manter medidas e estar pronta para este momento. Já desfilei de biquíni e sei como é este momento de mostrar o corpo", afirmou ela, garantindo que não segue nenhum tipo de truque para deixar as pernas lisinhas antes da apresentação.
 
"Se a grife passar óleo, tudo bem. Mas eu mesma não passo nada. No meu dia a dia costumo fazer ioga e muitos exercícios aeróbicos para manter a boa forma física. Não gosto de academia ou pegar peso. Agachamento, por exemplo, nunca fiz na vida", diz ela, que exibiu bumbum perfeito em maiô com fio-dental supercavado. "Quando vou à praia, uso de tudo. Desde cortininha até aquelas calcinhas tipo surfista mais largas. Acho lindo fio-dental e uso muito no meu dia a dia. Deixa a mulher bem poderosa", diz ela.
Na hora do bronzeado, Valentina dispensa aquelas marquinhas da cor do pecado. "Quando morava no Ceará, ia com mais frequência à praia e pegava muito sol. Hoje, por causa do trabalho evito e quase não consigo ir", disse.


Do Ego






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Marcela Thomé (Ex-Marcela Ohio) abre desfile do SPFW e esbanja beleza e talento


A modelo Marcela Ohio – que agora assina como Marcela Thomé - foi uma das estrelas da 43ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), na Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que ocorre de 13 a 17 de março. 
Agenciada pela Allure, a top simplesmente abriu o desfile do estilista Lino Villaventura, na terça-feira (14), mostrou beleza e talento na arte de desfilar. E esteve em destaque em todos os sites de moda.
Na primeira entrada, Marcela e as demais modelos trouxeram looks todos brancos. Eles foram da camisaria aos vestidos oversized, com alfaiataria desconstruída, deixando as pernas à mostra, que deram sofisticação e sensualidade. 

Na quarta-feira (15), ela esteve linda em street style para a marca PatBo. A estilista Patricia Bonaldi investiu em looks modernos, com moletons, veludos, parkas e bonés. Mais uma vez, Marcela nos encheu de orgulho!
Depois de uma temporada na Ásia, onde ganhou concurso Miss International Queen e trabalhou como modelo, Marcela voltou ao Brasil para dar continuidade na carreira. Aos 21 anos, ela tem um mundo de oportunidades para alcançar. 

Do Nlucon


Nesta quinta-feira (16), a modelo transgênero Marcela Thomé estreou nas passarelas e foi destaque no desfile da grife do estilista Amir Slama.
De maiô supercavado e com frases de empoderamento feminino no corpo, Marcela brilhou no quarto dia do evento e deu maior visibilidade à causa da discriminação sexual.

Amir Slama também contou com a top transgênero Valentina Sampaio, que acaba de estampar a capa da revista "Vogue" francesa.

Mesmo com a diversidade exibida na passarela, o estilista afirmou que não escolhe as modelos por raça e gênero, mas sim pelos corpos estonteantes e postura.
Do noticiasaominuto
 
Paulista de Andradina, Marcela Thomé decidiu seguir a carreira de modelo há apenas dois meses, e já estreou com tudo nesta temporada do SPFW. Nesta quinta-feira, 16, a top transexual de 20 anos foi um dos destaques do desfile de Amir Slama. Coube à ela encerrar a apresentação da grife, usando um maiô supercavado.

"Fiz a cirurgia aos 18 anos, no Rio, e ficou perfeita. Já sou 100% mulher, então estou tranquila porque não tem como escapar nada aqui", brincou Marcela, ainda no backstage da marca.
"Sempre me senti mulher, mas a cirurgia me deixou plena, fez eu me olhar no espelho e reconhecer a mulher que sou", disse a modelo, que nesta edição da semana de moda também desfilou para Lino Vilaventura, PatBo e À La Garçonne.

Amir Slama também convidou Valentina Sampaio, top trans que estourou ao estrelar uma campanha de cosméticos ao lado da atriz Grazi Massafera e que acaba de estampar a capa da "Vogue" francesa. "É claro que a Valentina abriu portas. Acho que daqui a um tempo todo desfile terá uma modelo trans. E é importante mostrarmos que podemos ser modelos mas também atuar em qualquer profissão, como qualquer pessoa", declarou Marcela.

"Vemos as modelos sem saber gênero, raça. Gostamos da atitude delas e dos corpos estonteantes. Não botamos escrito "loira", "morena", "olhos verdes". Vocês da imprensa que acabam divulgando", afirmou Slama.

Do Ego gay1

 
 
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Organização mapeia casos de violência contra transexuais no País

A luta por ser reconhecida pelo gênero ao qual se identifica vai além da vida de uma pessoa transexual. Mesmo após a morte, as informações se misturam e muitos crimes cometidos contra transexuais são registrados de forma errada, fazendo com que as estatísticas sobre a violência contra as pessoas trans não reflitam a realidade.
O assassinato de travestis, por exemplo, pode ser registrado como a morte de um homem tido como gay, excluindo a possibilidade de que a morte possa ter sido causada por transfobia,desvirtuando os números da violência contra a pessoa trans.
Para registrar e divulgar assassinato, suicídio, tentativa de homicídio e violação de direitos humanos de transexuais, foi criada, em 2015, a Rede Trans Brasil, uma organização não governamental que se empenha em registrar e mapear esses casos pelo Brasil.
A professora Sayonara Nogueira é uma das responsáveis pelo projeto e conta que a ideia surgiu a partir de um trabalho acadêmico, que tomou corpo e passou a ser uma ferramenta de luta e visibilidade da causa trans.
— A ideia foi construir um site com notificação de violência somente contra pessoas travestis e transexuais, para expor casos dessa parcela da população que sofre constantemente com a violação dos seus Direitos Humanos. Centenas de travestis morrem por ano vítimas do uso de silicone industrial ou por problemas causados pelo uso indiscriminado de hormônios, inúmeras tentativas de homicídio, além do suicídio.
A professora conta que as informações repassadas pelo site são encontradas em ferramentas de buscas, usando termos como: travesti, transexual, morte, assassinato e agressão. Porém, Sayonara conta a dificuldade de encontrar registros nos quais as travestis e transexuais são tratadas conforme o gênero em que se apresentam.
— No início, percebi que se colocasse a busca no gênero feminino, não encontrava notícias. Mas, quando eu buscava pelo artigo masculino “o” as notícias apareciam, além de termos como "traveco" e "homem encontrado com vestimentas de mulher", o que demonstra o total desrespeito da mídia com esse segmento. Percebi ainda que, quando digitava o termo transexual, sempre surgia notícias relacionadas às pessoas transexuais que terminaram algum curso acadêmico, constituíram família ou assuntos relacionados à cirurgias e moda. Mas, quando se digita o termo travesti, as notícias estão sempre relacionadas a prostituição, vídeos pornográficos, agressões e morte.
A rede ainda é composta por mais dois pesquisadores,que ajudam a selecionar notícias e denúncias que chegam de todo o País. Os dados coletados são enviados mensalmente para o Transgender Europe, entidade com a qual a Rede Trans Brasil firmou, em junho deste ano, uma parceria na cidade de Bologna, na Itália, para que os números de violência contra a pessoa trans no Brasil ganhem visibilidade mundial.
— Sempre expomos fotos das vítimas para chamar a atenção da sociedade em relação à crueldade a que somos submetidas. Nenhum grupo social no Brasil sofre mais discriminação do que o das travestis. Os assassinatos costumam ser muito cruéis. É um nível de violência elevadíssimo. A expectativa de vida dessa população não ultrapassa os 37 anos de idade, são excluídas da escola, da família, do trabalho.

Do R7
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Transerviços: Novo site conecta transexuais e travestis a empresas

 Vítimas do preconceito e da exclusão, transexuais e travestis vivem à margem do mercado de trabalho formal, situação que coloca este grupo em situação ainda mais vulnerável. Para amenizar esse quadro de falta de oportunidades, foi lançada, no início deste mês, a plataforma online Transerviços (http://www.transervicos.com.br/), que funciona como uma espécie de catálogo, onde travestis e transgêneros podem oferecer trabalhos autônomos em diversas áreas.

— É muito difícil conscientizar empresas inteiras, especialmente as maiores, sobre a necessidade de inclusão desse público. Por isso, a plataforma foi pensada como uma maneira de dar publicidade à força de trabalhos de travestis e transexuais. Assim, no site, eles conseguem oferecer seu trabalho e, quem precisa do serviço, pode contratá-los — explica Daniela Andrade, cocriadora do site.
Para ter acesso ao serviço, basta que a pessoa se cadastre no site com informações pessoais e o detalhamento do serviço que deseja oferecer.
Atualmente, segundo estimativa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das mulheres transexuais conseguem trabalhar apenas com a prostituição, e os homens estão sujeitos ao subemprego. Dessa maneira, de acordo com a entidade, quase a totalidade das pessoas sob essas condições, no Brasil, nunca consegue acessar o mercado de trabalho formal, com carteira assinada.
— Não é uma questão de formação ou qualificação profissional que, na maioria das vezes, nós temos. É questão de inclusão e falta de políticas públicas específicas — destacou a travesti e presidente da Antra, Keila Simpson.
Nascida no Rio Grande do Norte e moradora do Rio há oito anos, a transexual Biancka Fernandes, de 28 anos, é exceção à regra de exclusão no mercado de trabalho. Após passar por dificuldades, como a maioria das pessoas trans, hoje ela faz parte do setor administrativo do Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
— Estou há mais de um ano no emprego e fui muito bem recebida. Passei por muito preconceito para chegar até aqui, mas poder trabalhar é uma questão de cidadania — contou Biancka que, nas horas vagas, é atriz no Instituto do Ator.
Diversidade no Teatro Rival
Tradicional casa de espetáculos do Rio, o Teatro Rival, no Centro, se orgulha de ter em seus quadros funcionários transexuais. Três dos postos mais importantes para o funcionamento da casa, segundo a administração, são comandados por pessoas trans. Da recepção ao bar, o espaço cultural optou pela inclusão.
— O Rival é precursor da inclusão há 70 anos, e fazemos questão de continuar assim. Então, quando reinauguramos a casa, resolvemos buscar mão de obra na diversidade, e deu muito certo — disse Bianca Barbosa, sócia do teatro.
A contratação de pessoas trans, porém, ainda passa pela burocracia. Segundo Bianca, questões como o nome social, aquele que é usado pela travesti ou transexual, diferente daquele da identidade, ainda não é respeitado, o que causa constrangimento.
— Todos eles trabalham com carteira assinada e, no momento da contratação, enfrentamos dificuldades burocráticas em relação a isso. É preciso mudar, para que o processo de inclusão seja mais efetivo — ressaltou.



Entre as funcionárias estão a caixa Danny Santos, de 29 anos, e a recepcionista Selena dos Santos Benício, de 21. Ambas se orgulham de poder, hoje, usufruir dos benefícios trabalhistas, como qualquer profissional.
— É ótimo poder trabalhar com carteira assinada, especialmente num lugar onde nos respeitam — afirmou Danny.
Selena disse não sentir saudade da prostituição:
— Sempre estive na informalidade, e esta tem sido a melhor chance da minha vida.
Projeto Prepara Nem investe na formação de travestis e transexuais
Para além das cores rosa, azul e branco, da bandeira que representa o orgulho trans, a Casa Nem, que funciona na Lapa, na região central do Rio, trabalha para dar formação profissional e tentar ampliar o horizonte de travestis e transexuais. No local, a população marginalizada tem acesso a cursos de modelagem, corte e costura e até a um pré-vestibular, o Prepara Nem.
— Aqui é um lugar de passagem. Recebemos travestis e transexuais, abrigamos todo mundo, mas queremos emponderar e dar educação para que as pessoas consigam se incluir na sociedade — disse a idealizadora e coordenadora da Casa Nem, Indianara Siqueira.
Além do pré-vestibular no Rio, que oferece 20 vagas, o projeto também tem curso preparatório na Maré, em Niterói e na Zona Oeste do Rio.




“O mercado não está preparado para nós”, diz Halux Maranhão
— A questão central em torno do debate sobre nossa exclusão do mercado de trabalho passa, antes de tudo, pelo preconceito. Tiram nossas oportunidades sem que analisem nossas qualificações para o trabalho. Eu, como homem trans e indígena, enfrento mais dificuldade. Sou técnico de enfermagem por formação, mas nunca consegui emprego. O motivo? Preconceito. O mercado não está preparado para nós.

Do Extra
 
 
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Projeto da prefeitura prepara travestis e transexuais para disputar emprego

Depois de três anos vivendo de trabalhos informais, como ficar horas em pé, debaixo de sol ou chuva, nos canteiros das ruas da Barra e do Recreio, segurando cartazes de lançamentos imobiliários da região, Carol Trajano não pensou duas vezes quando soube por um amigo que havia uma vaga de operadora de loja na Casa & Vídeo. Mandou o currículo e, no dia da entrevista, apareceu, como convém nesses casos, vestida e maquiada discretamente, com os longos cabelos louros presos. Aprovada pelo gerente, Carol hoje tem carteira assinada, fica na caixa e repõe mercadorias. Num país em que a taxa de desemprego não chega a 5,5%, o final feliz seria ordinariamente comum para qualquer jovem de 22 anos — mas não para ela. Carol não nasceu Carol. 

— Para uma travesti, conseguir emprego é igual a ganhar na Mega-Sena. É muito difícil — assegura.
Carol faz parte de uma força de trabalho numerosa e invisível, que não consta do Censo nem faz parte de qualquer estatística — a de travestis e transexuais. Ignoradas, as centenas de cariocas, talvez até alguns poucos milhares, que nasceram homens, mas hoje têm aparência e identidade — não a do RG, mas a subjetiva — femininas, enfrentam a rejeição do mercado de trabalho. Por mais qualificadas que sejam, por mais esforço que demonstrem e diplomas que exibam, as portas se fecham com estrondo. Para tentar mudar esse quadro, a Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual do Rio tem apostado no projeto Damas, que, junto com secretarias municipais, procura fazer a inclusão social e profissional de travestis e transexuais, como noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. 

As alunas têm, por cinco meses, aulas variadas, que vão de reforço escolar a palestras sobre hormônios e direitos civis. A teoria e a prática se alternam durante o curso: as alunas também aprendem como dar entrada no processo para mudar de nome na Justiça, procedimento que pode levar três anos. Atualmente, na Defensoria Pública, 35 pessoas aguardam sentença, e apenas cinco conseguiram efetuar a troca. As alunas são orientadas ainda sobre como fazer um currículo trans — o nome social deve sempre aparecer na frente, entre parênteses. Juntando experiências diferentes, travestis e transexuais que se prostituem com os que são sustentados pelos pais ou vivem de bicos, o Damas tem feito sucesso. Já atendeu cerca de 50 pessoas, deixou gente de fora por falta de vagas, mas as inscrições para uma nova turma de 20 alunas já estão abertas, pelo telefone 2976-9137.
— A ideia era atender apenas quem vivia da prostituição, mas nos surpreendemos com meninas que tinham formação em direito, psicologia pela PUC... Há pessoas qualificadas, mas uma dificuldade enorme dos empregadores. O projeto não tem como garantir emprego a ninguém, mas esperamos sensibilizar as empresas — diz Carlos Tufvesson, coordenador especial de Diversidade Sexual. 

Empresas ainda resistema contratar
Há pouco mais de um mês na Casa & Vídeo, Carol, que passou pelo Damas, sabe que seu caso é uma exceção:
— Pela primeira vez, posso trabalhar como sou. Uso o cabelo longo, passo sombra nos olhos. Trabalhei em lanchonete com meu nome de registro, masculino, no crachá. Os gerentes me mandavam cortar o cabelo, fingir que era homem. Agora, um cliente ou outro me olha torto, faz piada, mas eu sou muito bem tratada pela empresa.
A supervisora do Damas, Beatriz Cordeiro, ainda conta nos dedos das mãos quantas alunas conseguiram emprego.
— A história é sempre igual. As meninas participam de processos seletivos, fazem entrevista, treinamento. Mas, quando entregam os documentos para ser efetivadas e as empresas veem que o nome é masculino, é aquele choque. Os recrutadores dizem que foi um engano, que a vaga já havia sido preenchida — diz Beatriz, ela mesma uma transexual que já viveu na pele a experiência da rejeição diversas vezes. — Procurava empregos administrativos, sem contato com o público, mas nem assim conseguia. O empresariado é resistente.
Lara Lincoln foi uma das que conseguiram emprego através do Damas. Ela foi contratada como recepcionista pelo salão HBD Spa, em Ipanema. As clientes, diz, a aceitam. Já as senhoras da limpeza... 

— Algumas me chamavam de “ele”. Mas, com jeitinho, resolvi isso.
Para o pesquisador Guilherme Almeida, do Laboratório Integrado de Diversidade Sexual e de Gênero, Políticas e Direitos da Uerj, a situação só vai melhorar quando a mudança de nome (que, no Brasil, só é feita judicialmente) for menos burocrática:
— Na Argentina e em Portugal, basta procurar o cartório com laudo médico. Quando o empregador vir o nome feminino diante da figura feminina, terá mais facilidade para contratar.
Consultorias de RH evitam o tema
Não é difícil perceber que o assunto é tratado com muita reserva. Repórteres do GLOBO procuraram três consultorias de RH para que elas falassem sobre as dificuldades de contratação de travestis e transexuais. Duas disseram não ser possível marcar entrevistas, mesmo com mais de 48 horas de antecedência. Uma delas foi mais sincera: ninguém da empresa ia falar, porque o assunto era muito “espinhoso”.
Nesse universo que mistura preconceito e desinformação, muitos travestis e transexuais acabam no mercado do sexo. E quem disse que é fácil sair dele? Juliana Silva, de 31 anos, não esconde de ninguém que já vendeu o corpo na Zona Oeste, onde nasceu, e depois na Espanha e na Itália. Três anos de Europa bastaram para ela voltar com um pé de meia, investido num curso de técnica de enfermagem. Formada desde 2010, Juliana é a única da turma de 30 alunos que nunca conseguiu emprego. 

— Fiz inscrição em clínica particular, empresa de home care, mas ninguém me chama. Todos acham que o lugar da travesti e da transexual é só a prostituição. Ninguém dá chance. Você almoça fora todo dia? Tem alguma travesti no restaurante que você frequenta? Você conhece alguma jornalista transexual? — pergunta.
A dificuldade também foi sentida por Tatiana Crispim. Formada em direito, ela não conseguia vaga nem como atendente de telemarketing. Hoje, trabalha como assessora jurídica num escritório de advocacia, onde os cinco advogados sabem que ela é transexual. Ninguém mais:
— O transexual está no topo da pirâmide do preconceito. Como será a reação das pessoas aqui do prédio? Dos outros advogados que vêm aqui? Para todos, eu sou a doutora Tatiana, e pronto. E agora? — preocupa-se, escaldada pelos relacionamentos amorosos. — Quando eu conheço um cara, nunca passo da página 20. Para ir para a 21, tenho que contar quem eu sou. E aí a reação é sempre a mesma. Todos vão embora.
Bacharel, ela pretende fazer novamente a prova da Ordem dos Advogados do Brasil, na qual foi reprovada ano passado. A prova de fogo no emprego ela já venceu.
— Ela é ótima, muito competente — diz Sérgio Camargo, empregador de Tatiana. 

Do O Globo




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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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