Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens

TransEmpregos: Maite Schneider explica as dificuldades que pessoas trans enfrentam no mercado de trabalho

A partir do reconhecimento da dificuldade de pessoas trans conseguirem espaço no mercado de trabalho, o projeto TransEmprego foi criado em 2013 para diluir a exclusão devido à sua identidade.
O POVO - Quais são os desafios que as pessoas trans enfrentam no mercado de trabalho?
Maite Schneider - O maior desafio, primeiro, é vencer certos estigmas, preconceitos, que são muito negativos, que foram arraigados durante séculos na nossa sociedade, na nossa cultura que é machista, cristã, que tem a figura da pessoa trans como um pecado, suja, maldita. Depois de tirar esses estigmas, a gente tem que potencializar, porque foram anos que elas foram e ainda continuam sendo colocadas à margem da sociedade e sem poder ter uma inserção tanto na família quanto na escola, isso logicamente acarreta no mercado de trabalho. E posteriormente, melhorar as capacitações, fazer com que elas voltem a estudar, se capacitar, se profissionalizar cada vez mais.
OP - Quais os avanços conquistados no mercado de trabalho nos últimos 10 anos?
Maite - Um projeto como o TransEmprego, que tem cinco anos, não poderia nem ter chance de existir há dez anos, seria uma coisa impossível. As empresas estarem abertas também. Hoje, a gente tem a Atento que tem 78 mil funcionários no Brasil, 1.300 são trans. É possível sim essa transformação, de inserção real, de diversidade.
OP - Quantos homens e mulheres trans já conseguiram emprego pelo TransEmprego?
Maite - A gente não tem esse quantitativo, porque para a gente do TransEmprego, de uma a um milhão, o que a gente quer é fazer a inserção. A gente acaba trabalhando a questão das pessoas transgêneras, mas a gente abarca todas as diversidades. Se você quebrar esse preconceito que é um dos maiores que existe, de repúdio, de asco na sociedade com relação à pessoa transgênera, a gente consegue quebrar preconceitos com outras ditas minorias, mesmo que não quantitativas, mas políticas. Semana passada, a gente conseguiu empregar 15. Então, é muita gente. A gente vê que elas estão felizes, empregadas. Às vezes, as empresas que contratam querem mais, porque elas se dedicam muito, valorizam muito o emprego, muitas vezes é o primeiro emprego com 40 ou 50 anos de idade.
TransEmpregos 
Os interessados podem enviar currículos para o email marciademais@yahoo.com.

Do O Povo
Share:

Marcela Thomé: 'Vivemos em um país hipócrita'

 Quando tinha seus 5 anos, Marcela Thomé (Ex-Marcela Ohio) não entendia por que deveria gostar de futebol e não de balé. Afinal, ao se olhar no espelho não se via como um menino. Até se vestia como tal. Mas não se reconhecia. E também não havia o que questionar. Era um garotinho e ponto.
A transição, porém, seria inevitável. Já na adolescência, ela começou a deixar os cabelos crescerem, possuía trejeitos mais femininos e saía de casa com roupas de mulher escondidas em uma mochila. "Não era fácil. Porque eu não sabia o que havia de errado comigo. Aliás, nem sabia se era errado. Me sentia uma mulher, mas dentro de um corpo masculino", conta Marcela, que em novembro foi eleita a transexual mais bonita do mundo e neste ensaio para o EGO conta que quer seguir a carreira internacional como modelo: "No Brasil, infelizmente, ainda existe tanto preconceito que não encontro espaço para fazer uma carreira".
Dona do título Miss Internacional Queen, Marcela quer seguir os passos de Lea T, também transexual, que caiu nas graças dos estilistas internacionais. "Não tenho pai famoso como ela, fica bem mais difícil. O que não entendo é a censura prévia. Então, uma trans não pode ser médica, psicóloga, advogada? Tem que ser cabeleireira, estilista ou prostituta? Não que haja problemas com estas profissões, mas não pode ser só isso. Realmente, vivemos em um país muito hipócrita", desabafa.
Marcela conheceu e ainda conhece o preconceito. Na escola, mesmo já de uniforme feminino, após os pais terem aceitado seu transexualismo,  escutava alguns professores a chamando pelo nome de batismo, Marcos: "Faziam questão de me botar no banheiro masculino, de incentivar outros alunos a me chamarem de Marcão. Sofria calada para não chamar mais a atenção do que já chamava", revela.
Hoje, a modelo sabe que em breve se submeterá à cirurgia para a mudança de sexo. Poderia ter feito assim que venceu o concurso já que fazia parte da premiação, mas preferiu aguardar um pouco mais. "Existem médicos e médicos. Resolvi pesquisar um pouco mais, ouvir alguns relatos e vou fazer a cirurgia ano que vem", conta ela, que não titubeou nem com o que andou lendo ou ouvindo por aí: "Dizem que dói muito, que nunca mais sentirei prazer. Mas estou disposta. Não é questão de prazer ou não. É questão de retirar algo que não me pertence e nunca quis ter".
Em breve, Marcela retorna à Tailândia, onde aconteceu o concurso e tornou-se uma celebridade, para participar de eventos como miss e tentar alavancar uma carreira de modelo internacional. "Já recebi alguns convites. No Japão, as transexuais também são bem vistas, e o que quero é poder desfilar, fotografar. Quero a oportunidade que qualquer modelo tem. Até de levar um não por não estar de acordo com determinado casting. Mas não por ser uma transex", justifica.
Caso aceite as propostas que aparaceram, Marcela, de 18 anos e 1,80m de altura, ficará um ano fora do Brasil. Consequentemente, deixará o namorado, Felipe Ávilla, com quem mora há cinco meses, por estas bandas. "Conversamos muito, o Felipe é meu companheiro e me incentiva na carreira. Se tivermos que ficar separados, paciência. Preciso focar no meu futuro, na carreira que escolhi e quero ter", diz.

Do EGO
Agradecimento Pereira Máquinas / Produção Tracy Rato/ Maquiagem e cabelo Alexandre Glória





Share:

Crossdresser: vestido para mudar...

A questão da semana é o caso do internauta, 52 anos, casado há 18 anos, com duas filhas. Desde pequeno sente forte atração pelo universo feminino. Diz sentir-se uma mulher por dentro e esconde isso de toda a minha família e dos amigos. Lendo artigos na web se deparou com o mundo crossdresser e se encantou. Diz ter se encontrado. Ficou fascinado e começou a viver escondido. Mas ele não está sozinho.
Juliana fazia sempre o mesmo trajeto de volta para casa, no aprazível bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Ia ao mercado comprar pequenas coisas e retornava, cumprimentando gente amiga nas portas e janelas.
No dia em que seu – então recente – casamento acabou, ela cumpria a mesma rotina. Ao dobrar a esquina, contudo, chamou-lhe atenção o padrão do vestido da bela mulher que atravessava a rua.
Era semelhante a um dos seus vestidos, e não era um padrão comum. As duas mulheres foram se aproximando. Juliana não conseguia tirar os olhos da outra, alta, magra… e do “seu vestido”, na verdade curto demais para a estranha, que ficava com as pernas à mostra.
Estranheza, essa era a única palavra possível, até as duas ficaram olho no olho. Juliana foi obrigada a reconhecer que aquela mulher era o seu marido, Roberto, maquiado e equilibrando-se em saltos altíssimos, e que o vestido, sim, também era o seu.
O primeiro casamento de Roberto, 20 anos na época, 51 hoje, acabou logo após a cena do vestido. Como outros CDs (crossdressers), seu impulso surgiu na adolescência, cresceu e se tornou irresistível na idade adulta.
Tem tesão por mulheres, a tal ponto que está casado pela quarta vez e é pai de cinco filhos. Gosta tanto da vida familiar que, durante uma crise de angústia, rasgou e jogou fora sua indumentária feminina. Mas então descobriu que não era tão simples assim.
Roberto é artista plástico e como tal não é tão preso a preconceitos sociais. Contou que, antes de vir ao nosso encontro para a entrevista, parou num bar onde o balconista o tratou como senhora. Ele gosta disso.
Veste-se de forma andrógina, talvez como uma mulher mais solta e jovem; a antiperua. Essa atitude dá ao seu tipo maior ambiguidade, coisa que lhe é agradável também.
Se a percepção inicial de seu desejo de travestir-se foi como a de outros crossdressers, Roberto se destaca deles ao assumir em tempo integral essa postura.
Não compra um sapato masculino há 15 anos. Tentou levar esse comportamento mais livre para a cama com a mulher, mas não obteve sucesso. Ele gostaria que as relações com ela envolvessem a ambiguidade de sua condição.
Os filhos não reagem bem ao seu transformismo. Exigem que se vista como homem com H para visitá-los. Roberto entende a pressão social que eles sofrem, mas também é vítima de desentendimento.
O futuro para Roberto não é claro. Afirma apenas que sente a sua sexualidade em constante mudança. Ele experimenta profunda paz de espírito quando está travestido.
Alguma coisa está em movimento. Se por um lado gostaria de ser um homem normal, ao se ver de fora, como um observador de si mesmo, tem uma boa imagem. Assim como em sua atividade profissional, Roberto escapa do senso comum.
A palavra inglesa crossdresser identifica o travesti, mas numa versão diferente daquela que conhecemos no Brasil.
O crossdresser pode ser, e muitas vezes é, um cidadão bem colocado na sociedade e com um perfil conservador.
Personalidades como o ex-prefeito republicano de Nova York, Rudolph Giuliani ou o astro do futebol inglês David Beckham foram flagrados como crossdressers.
Podemos então concluir que são homens que se travestem, mas na maioria das vezes permanecem heterossexuais.
Como o internauta que relatou seu caso, são pessoas que convivem com uma ambiguidade, que não chega necessariamente ao comportamento sexual, embora convivam com o desejo de serem identificados como do gênero oposto.
As famílias convencionais, quando tomam conhecimento dessas manifestações sofrem o preconceito da tradição e não é incomum que se desintegrem em função dele.
O mundo vive um grande debate sobre a questão de gênero e é possível que essas pessoas, que hoje se travestem confinadas dentro de casa, possam num futuro próximo se exibirem nas ruas. 


Por Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 12 livros sobre relacionamento amoroso e sexual, entre eles o best seller “A Cama na Varanda”, “O Livro do Amor” e "Novas Formas de Amar". Atende em consultório particular há 45 anos e realiza palestras por todo o Brasil. É consultora e participante do programa “Amor & Sexo”, da TV Globo, e apresenta o quadro semanal Sexo em Pauta, no programa Em Pauta, da Globonews. Nasceu e vive no Rio de Janeiro.


 
Share:

Ministério Público Federal recomenda às Forças Armadas que não vetem transexuais

O Ministério Público Federal, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, expediu recomendação aos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para que a transexualidade não seja considerada como motivo determinante para a reforma de militares, nem como forma de incapacidade para o exercício da atividade militar.
A recomendação leva em consideração ‘elementos colhidos’ durante um inquérito civil instaurado em 2014 – nº 1.30.001.000522/2014-11 -, que teve como objetivo apurar suposta violação aos direitos humanos no âmbito das Forças Armadas Brasileiras, que estariam reformando sistematicamente militares por causa da condição ou opção sexual, sob o fundamento da incapacidade para o serviço militar.
Nos casos concretos de militares transexuais analisados durante o inquérito – um do Exército, dois da Marinha e um da Aeronáutica -, todos foram excluídos do serviço ativo das Forças Armadas após manifestarem o desejo de realizar transição de gênero.

Para os procuradores da República Ana Padilha e Renato Machado, autores da recomendação, a suposta impossibilidade de manutenção da militar transexual nas Armas ou Quadros Militares exclusivamente masculinos não encontra amparo constitucional ou legal, seja pela possibilidade de transferência de militares entre Corpos e Quadros, seja pelo ingresso de militares mulheres em Armas/Quadros/Funções antes exclusivamente ocupados por homens.
O Ministério Público Federal recomenda ainda que sejam estabelecidos programas de reabilitação ou transferência de militares transexuais em funções compatíveis em outros Corpos ou Quadros das Forças Armadas, caso exerçam originalmente funções que não podem ser ocupadas por mulheres e tenham alterado o gênero masculino para o feminino.
A Procuradoria quer implementação de programas de combate à discriminação, ‘voltados à erradicação da homofobia e transfobia, de modo a não excluir das Forças Armadas as pessoas transgênero ou homossexuais’.
Os respectivos Comandantes ‘deverão, no prazo de 30 dias, informar as providências adotadas, sob pena de impetração da medida judicial cabível em caso de inércia ou descumprimento’.

Share:

Transexual Bianca, Capitão da Marinha, deve ser reintegrada, observado MPF

A orientação partiu da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, após Inquérito Civil – Abaixo Link de Reportagem sobre Capitão de Corveta da Marinha que virou Mulher.

PRAZO DE 30 DIAS PARA ADEQUAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS
Os Procuradores Ana Padilha e Renato Machado determinaram que às Forças Armadas se adequem em 30 dias.
ADEQUAÇÃO DE FUNÇÃO E PROGRAMA CONTRA DISCRIMINAÇÃO
O MPF entende que não há amparo na Constituição Federal para que os Transexuais não façam parte dos Quadros das Forças Armadas.
Recomenda também que ocorra adequação necessária, bem como Programas de combate a discriminação na Marinha, Exército e Aeronáutica.
Ministro da Defesa e Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, ainda não se pronunciaram

Share:

"Não queria filho veado": a trajetória de um pai e a filha trans de 6 anos

Aos 2 anos de idade, Murilo, que hoje se chama Carolina, 6, deu os primeiros sinais de que gostava do universo feminino. “Ele nasceu menina no corpo de um menino, ser transgênero nunca foi uma escolha”, diz o pai, Anderson de Almeida, 43, que no início do processo era agressivo e tinha vergonha por achar que o filho era gay. Nesse depoimento, o empresário, que ora se refere ao filho como Murilo, e outras vezes como a filha Carol, conta os desafios da família e como é a vida pós-transição de gênero: “Ela é uma criança mais feliz”.
“Eu e minha esposa notamos um comportamento diferente na Carol quando ela tinha 2 anos. Ela colocava fralda de pano na cabeça para fingir que tinha o cabelo comprido, mas eu tirava e forçava ela a brincar de carrinho. Quando visitávamos meu irmão, ela ficava encantada com os brinquedos, as bonecas e as tiaras da prima, pulava de um lado para outro. Eu me isolei e parei de ir na casa dos meus amigos e familiares porque eu morria de vergonha por achar que eu tinha um filho gay, que gostava de coisa de menina.
A Carolina adorava pegar as roupas da mãe. Na tentativa de impedi-la, eu coloquei uma fechadura e tranquei o quarto. Ela se mostrou uma criança muito criativa. Um dia, ela pegou uma camiseta comprida do irmão mais velho, amarrou com um cinto e fez de vestido. Ela sempre tinha um detalhe feminino em tudo o que vestia. Teve uma vez que ela achou um guardanapo rosa no chão, fez de lenço e colocou no bolso da camisa.


Anderson de Almeida: "Sou lutador e fui criado numa família tradicional onde homem é homem e mulher é mulher" Imagem: Arquivo pessoal 

Xingava e batia no meu filho, ele se escondia com medo

Quando o Murilo apresentou esses trejeitos afeminados, eu culpei a minha esposa e fiquei uma semana em casa, sem ir trabalhar, para descobrir se ela estava o influenciando,. Nós quase nos separamos. Ela chorava e dizia que não, que nunca havia o incentivado. Assim como eu, minha mulher também se incomodava com aquela situação, mas pedia a Deus sabedoria para entender nosso filho e dizia que não iria repreendê-lo, pois já via o sofrimento que eu causava.
Eu xingava e batia nele quando ele tinha 3 anos. Ele corria e se escondia com medo. Eu me arrependo e me emociono, porque sei que fui um pai mau para ele. Eu tratava bem os meus outros dois filhos.
Naquela época, eu não compreendia o que estava acontecendo, sofri demais. Sou lutador e fui criado numa família tradicional onde homem é homem e mulher é mulher. Eu não tinha amor, só tinha um rótulo que era assim: nasceu com pinto é menino, nasceu com vagina é menina. Eu não queria ter filho ‘veado’ em casa. Só depois eu aprendi que identidade de gênero não tem nada a ver com orientação sexual. E que transgênero é a pessoa que não se identifica com o sexo e com corpo em que nasceu.

Falaram que minha filha tinha um espírito obsessor

Ao obrigar minha filha a ser o que ela não queria, ela se tornou uma criança agressiva, introspectiva, não falava com ninguém, batia em todo mundo, xingava e cuspia. Cheguei a pensar que ela tinha alguma doença, busquei ajuda na religião. Alguns familiares me falaram que ela tinha um espírito obsessor, outros me orientaram a levá-la na igreja para tirar o demônio do corpo dela.
Minha esposa dizia que sentia no coração de mãe que a Carol não era gay, que havia algo a mais e ela precisava descobrir. Sem informação, ela pesquisou na internet relatos de meninos que gostavam de roupas femininas e foi se familiarizando com o conceito de transgênero. Ao assistir uma reportagem na TV, ela ficou sabendo que o Hospital das Clínicas tinha um grupo que tratava crianças trans.

‘Eu quero acordar menina, quero ser princesa’

Minha mulher marcou uma consulta e iniciamos o tratamento com a equipe do psiquiatra Alexandre Saadeh. Teve início o processo de transição da Carol, que na época tinha 4 anos. Nós fizemos um trato. Em casa, ela poderia se vestir de menina, fora, ela deveria ser o Murilo. Com o tempo, a Carol foi lutando para ser o que ela queria. Um dia, ao colocá-la para dormir, ela disse: ‘Papai, eu quero acordar menina, quero ser princesa, não aguento mais ser desse jeito’.Eu chorei e pedi desculpas a ela e à minha esposa, que sempre foi uma supermãe.
Em julho de 2016, a Carol assumiu o gênero feminino. Compramos vestidos, saias, blusas sandálias. Ela deixou o cabelo crescer, passou a se maquiar e a pintar as unhas. Ela é muito vaidosa e todos os dias se olha no espelho e diz que é linda. Ela mesmo escolheu seu nome feminino e adora brincar de boneca com as amigas. Quando alguma delas pergunta se ela é menino por ter ‘pipi’, ela explica que não, que é menina. Recebemos apoio dos amigos, familiares e vizinhos.

Temos medo que ela seja maltratada

Até hoje, ela nunca foi vítima de bullying, mas sabemos que o preconceito velado existe. Temos medo que ela seja maltratada, agredida ou xingada por ser trans. Explicamos que ela não deve ser agressiva com quem a tratar mal. Se ela ouvir algo que não goste, ela não deve brigar, deve dizer que a família dela a ama, e ir embora. Nós a criamos para que ela saiba se defender com sabedoria.
Minha filha me ensinou a ser um pai de família. Com ela, eu aprendi o que é o amor e o respeito. Hoje estou livre de rótulos e preconceitos. É importante que os pais ouçam seus filhos e deixem eles ser o que eles quiserem. Minha família sofreu muito por falta de informação, por esse motivo estou fundando a Associação das Famílias de Transgêneros. O Murilo nasceu menina no corpo de um menino, ser trans nunca foi uma escolha. Hoje, aos 6 anos, a Carol é uma menina maravilhosa e uma criança espontânea, carismática, alegre e mais feliz”.


Do UOL
Share:

Luciana Rodrigues Silva: "A transexualidade sempre existiu, mas antes era mascarada"

A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) detalha a importância da cartilha criada pela entidade para atualizar médicos em relação aos casos de disforia de gênero que chegam aos consultórios.

Garantir o acolhimento integral de crianças e adolescentes na rede de saúde, independente de suas diferenças. É com esse objetivo que a sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma cartilha completa para auxiliar os pediatras na identificação e na atuação diante de casos de disforia de gênero, condição caracterizada pela divergência entre o sexo biológico e a identidade de gênero do indivíduo.
O manual produzido pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP foi lançado no dia 20 de outubro. Em entrevista a A GAZETA, a presidente da entidade, Luciana Rodrigues Silva, defende a importância do pediatra enquanto o primeiro profissional a identificar a disforia de gênero já na infância. Ele é, portanto, o responsável por abrir as portas para a atuação de uma equipe multidisciplinar – a exemplo de psicólogos – que definirá as estratégias a serem adotadas.
Segundo a cartilha, a construção da identidade de gênero começa entre os dois e três anos de idade. Já a partir dos seis anos, as crianças passam a ter consciência de seu gênero, assim como de sua permanência. Além disso, o documento também aponta características e atitudes que devem ser observadas para identificar a disforia de gênero.
Entre eles, estão o forte desejo de pertencer a outro gênero; a opção pela utilização de roupas e de brinquedos comumente preferidos pelo gênero oposto; a forte preferência por papéis transgêneros em brincadeiras; a opção por brincar com pares de outro gênero; desgosto e desconforto com a própria anatomia sexual e o desejo intenso por características sexuais compatíveis com o sexo oposto.
Para Luciana Rodrigues, a discussão acerca da transexualidade foi ainda mais acentuada após a novela “A Força do Querer”, na qual a personagem Ivana passou por um processo de redefinição de nome e de gênero. Nesse contexto, a pediatra ressalta a importância da preparação dos profissionais para lidarem com crianças que, além de sofrerem por se sentirem diferentes dos demais, também são alvos mais fáceis do bullying. Do mesmo modo, a especialista fala sobre o papel dos pais nesse processo e da necessidade de atenção às alterações sistemáticas de comportamentos. Veja a seguir:
Como a SBP define a disforia de gênero em crianças?
Essa é uma questão que pode acontecer com a criança na fase escolar e na adolescência. Ela é traduzida como um desconforto que o indivíduo tem com seu sexo biológico. A criança tem preferência por brinquedos e roupas que são preferidas pelo outro gênero, ela não se integra com outras crianças do mesmo sexo.
Cerca de 80% das crianças que apresentam a disforia de gênero na idade escolar voltam a se sentir confortáveis com o sexo com o qual nasceram. Mas quando esse desconforto começa a existir a partir da adolescência o retorno ao sexo biológico fica mais difícil.
O pediatra é o único médico que deve assistir crianças e adolescentes. Ele os atende desde o nascimento até o final da adolescência. Então, ele precisa estar preparado para quando as mães e os pais levarem essa questão para dentro dos consultórios. O pediatra não trata só de dar antibióticos para a criança que tem pneumonia. Ele acolhe a criança e sua família, orienta o desenvolvimento da criança e os fatores de risco para crianças e adolescentes. Esse papel de atenção ao desenvolvimento é do pediatra: desde a vacina até alimentação e o alerta para os riscos de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes. Trata-se de uma orientação para a vida.
Por isso, o pediatra tem que ficar preparado para entender que essa é uma situação que pode chegar ao consultório e que pode requerer tempo e conhecimento para um diálogo tanto com a criança, quanto com a família. Quando for identificado um desconforto persistente, que a criança ou o adolescente vem mantendo alterações comportamentais, ele será capaz de indicar o acompanhamento de psicólogos e de outros profissionais que possam acompanhar os casos. Então, o pediatra vai ser o primeiro profissional que irá identificar essa situação.
Os pediatras estão preparados para lidar com esse tema nos consultórios?
Essa é uma questão recente, mas os pediatras já estão começando a ficar mais atentos, mas ainda há dúvidas sobre como lidar com o assunto. Por conta disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria decidiu elaborar essa cartilha, que traz todo o detalhamento do que ocorre nessa situação e como lidar com ela. Estamos atentos às questões atuais e resolvemos convocar um grande grupo de especialistas no tema para escrever esse documento.
Eu acho que existem problemas mais graves e urgentes na área pediátrica do que este, é claro. Deveríamos, por exemplo, ter um pediatra disponível em todas as estruturas de atenção primária, secundária e terciária, onde são atendidas crianças e adolescentes. Sabemos que deveria haver um número maior de leitos hospitalares e que ainda existe uma falta de pediatras em muitos serviços. Também notamos que os gestores públicos não estão atentos para a importância do pediatra para a criança e sua família na prevenção e no tratamento de doenças.
Mas essa questão da disforia de gênero tomou proporções grandes na mídia, sobretudo após a novela que acabou recentemente (“A Força do Querer”, da TV Globo), que falou sobre o caso de um transexual. Mas acho que houve algumas abordagens muito inadequadas. A autoadministração de hormônios, por exemplo, que era retratada na novela, é absolutamente inadequada e contraindicada. O adolescente que sente desconforto com seu sexo biológico deve pensar nessas questões, bem como na mudança de sexo após a chegada da maturidade, pois a adolescência é uma fase de muitas transformações. Então, a recomendação geral é que haja um acompanhamento pediátrico e psicológico para melhores orientações.
Como você avalia a repercussão que o tema vem tomando?
Acho que a disforia de gênero, a transexualidade sempre existiu, mas era mascarada e agora há um grande foco em torno da questão. Muitas vezes, pela falta de uma análise crítica, esse foco excessivo pode acabar distorcendo a realidade. Passa-se a pensar que isso é algo que tem que ser tratado de maneira comum e banal, quando na verdade não é. As crianças e os adolescentes que lidam com a disforia de gênero sofrem muito com essa questão.
Não se trata de uma bobagem. É uma questão que exige acompanhamento porque são indivíduos que se sentem deslocados, diferentes e que precisam ser acolhidos e respeitados. Eles geralmente sofrem bullying de outros colegas, o que amplia ainda mais o sofrimento. Normalmente, este sofrimento psicológico pode levar a ansiedade, a alterações do sono e a mudanças de comportamento.
Por que a Sociedade Brasileira de Pediatria decidiu entrar nessa discussão?
Achamos que é uma coisa que está tendo muito foco e como estamos preocupados com crianças e adolescentes, precisamos atualizar os pediatras em relação aos temas que estão sendo debatidos. Lançamos outras cartilhas sobre o uso excessivo da mídia digital, a importância da atividade física e também sobre problemas com o álcool envolvendo adolescentes. O objetivo é atualizar os profissionais sobre todas essas discussões.
Os pediatras poderiam também indicar ou controlar o uso de hormônios no caso de adolescentes que desejam alterar suas características biológicas?
Não. Isso só pode ser feito por um endocrinologista e também não pode ser encarado de maneira banal. A decisão parte de um atendimento individualizado e junto a um acompanhamento multidisciplinar. Isso ocorre nos casos de adolescentes que mantêm a disforia e o desejo de mudar de gênero ao longo do tempo. Elas são encaminhadas para serviços de referência, onde há um psiquiatra, um endocrinologista e toda uma equipe para lidar com essas situações, analisando suas necessidades de modo individual.
Como os pais devem agir ao perceberem a possibilidade de que seus filhos tenham a disforia de gênero?
Acima de tudo, os pais devem estar atentos aos sinais dados por seus filhos e, ao invés de não falar sobre o assunto, conversarem com o pediatra. Não é preciso entrar em desespero e nem ignorar a situação, pois teremos que aprender a conviver com as diferenças.
Essa situação pode requerer um trabalho psicológico que envolva não só a criança ou o adolescente, mas também os pais. Dependendo da gravidade da questão, é preciso colocar toda a família em acompanhamento, já que os casos não são iguais. O que a gente precisa analisar é se essa vontade da criança começa a ser repetida de maneira sistemática. Caso isso aconteça, deve-se tratar a questão com naturalidade, mas sempre com atenção. Para perceberem os pais precisam manter a proximidade com seus filhos. Diante da percepção dessa vontade que se repete, devem começar a procurar ajuda.
Recentemente a entidade também lançou uma cartilha sobre o bullying. Crianças com disforia de gênero estão mais sujeitas ao preconceito?
Com certeza crianças que apresentam disforia de gênero são mais alvos de bullying do que outras crianças, o que torna o seu sofrimento ainda maior. É o mesmo que acontece com crianças acima do peso ou com alguma deficiência. O que acontece é que as pessoas aprendem desde muito cedo a serem intolerantes e a não aceitarem as diferenças. Cabe aos pais, também, a função de ensinar desde cedo as crianças a conviverem com essas diferenças e a aceitar o outro. Essa mensagem é fundamental.

 

Do Gazeta online - por Maira Mendonça- mmendonca@redegazeta.com.br

Share:

Advogada transgênero destaca luta por igualdade durante evento em universidade

Na presença de mais de 800 universitários, a advogada Bianca Figueira, conhecida por ter sido aposentada compulsoriamente pela Marinha do Brasil, por ter mudado seu gênero – submetendo-se ao processo de cirurgia de mudança de sexo, destacou nesta quarta-feira (17) no Teatro Jorge Andrade, as batalhas promovidas pelas pessoas que buscam o respeito e direito à diversidade sexual. O evento alusivo ao Dia Internacional do Combate à Homofobia, também celebrado nesta quarta, integrou a programação da II Semana de Diversidade e Gênero da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Além de compartilhar toda a trajetória de sua vida pessoal até a decisão da mudança de sexo, Bianca Figueira discorreu sobre diversas situações enfrentadas pela população GLBT, como o uso de banheiros públicos por transexuais, mudança de nome social independente de cirurgia, e também interpretação das leis brasileiras. “Não queremos oprimir o direito de ninguém, queremos igualdade, pois tudo o que se consegue para a população LGBT é através de muito sacrifício. As conquistas vêm através de um ativismo judicial muito importante, especialmente para que o legislativo faça sua parte.” - destacou.


Video: https://globoplay.globo.com/v/2776508/ 
Share:

“Faço questão de dizer que sou mulher transexual”, diz a miss Náthalie de Oliveira

A brasileira Náthalie de Oliveira foi eleita na sexta-feira (10) a segunda mulher transexual mais bonita do mundo, durante o concurso Miss International Queen, em Pattaya, na Tailândia. Vice no campeonato, ela mostrou muito mais que beleza: mas charme, inteligência e talento.

Nascida em Bom Jardim, interior do Rio de Janeiro, ela sempre gostou de fazer história. Aos 17 anos, passou em primeiro lugar no concurso público da cidade. Também cursou enfermagem e driblou os comentários transfóbicos dos colegas. “Sempre soube me impor e mostrar que não somos bicho de sete cabeças”.

Depois, tentou o Miss T Brasil em 2013, em 2014 e, por fim, em 2015, quando finalmente levou o título. Na época, muito se falou sobre sua forma física e a ausência de cirurgias, que estava “aquém dos concursos de beleza”. Hoje, com uma excelente colocação no concurso internacional, ela sambou na cara das inimigas.

Aliás, pouco antes de ir ao Miss na Tailândia, Náthalie conversou pessoalmente com o NLUCON em um shopping em São Paulo. Disse que não gostaria de ter nascido uma mulher cis, que tem orgulho de ser uma mulher transexual e admite os seus privilégios. “Cada história é única e acho que esse é o meu diferencial”.

Confira o que pensa a nossa miss:

- Toda vez que eu escrevo matéria de miss, as pessoas falam: “tem tanta travesti e mulher transexual morrendo e você dando visibilidade para concurso de beleza”...

Os meios de comunicação dão prioridade para as notícias ruins. Mas de tantas notícias ruins, a gente tem as boas e a gente acaba esquecendo. É óbvio que existem mortes, que a gente não pode deixar de lado, não podemos esquecer dessa violência. Mas eu acho que focar apenas em notícias ruins acabam com a nossa autoestima e nos coloca para baixo. Acho que podemos mostrar nossas competências, habilidades, possibilidades, um lado positivo de ser trans. Eu posso ser uma miss, uma modelo, eu posso ser quem eu quiser ser, pois a minha vida me pertence. É dizer que, diante de tanta violência e preconceito, temos motivos para sorrir e ter esperanças. (Durante o concurso, Náthalie aproveitou da sua visibilidade para falar sobre a transfobia no Brasil e citou o caso da Dandara).

- Você já tentou três vezes ser Miss T Brasil e hoje é a segunda mais bonita do Mundo no Miss International Queen. Ser miss era um grande sonho?

Não foi, mas acabou se tornando. Em 2013, era uma garotinha gordinha do interior que recebia bastante elogios, então achava que era capaz de vencer. Fui e não ganhei, mas não fiquei chateada. Não tinha o brilho nos olhos pela coroa e nem pela faixa. No ano seguinte, um dos prêmios era a CRS (Cirurgia de Redesignação Sexual) e então eu me inscrevi novamente pensando no título, mas na cirurgia. Já em 2015 foi para provar para mim mesma que, se eu corresse atrás de verdade, eu poderia ser miss. É claro que veio pelo interesse da cirurgia, mas não foi a prioridade. Eu já tinha mais consciência de querer representar a classe, o meu município e de ter a coroa.

- Quando você ganhou, falaram que você estava "fora de forma". Como você lidou com as críticas em relação a peso?

Tive consciência de que independente de quem ganhasse, poderia ser a mais magra ou a que mais tivesse silicone, sempre teria algum tipo de cobrança. Afinal, ninguém é perfeita. Mesmo tendo ganhado um pouco acima do peso, foi um orgulho para a minha cidade e fico pensando em quantas meninas gordinhas puderam se espelhar. Hoje, eu não faço mais parte do grupo de gordinhas, mas eu vivi a minha vida toda como gordinha. E até acho mais bonito o padrão de uma mulher mais cheinha, mais gostosa. Hoje, me adequei ao concurso, mas não penso viver assim o resto da minha vida. Acho que independentemente de estar magra ou gorda, o importante é se sentir bem. Hoje em dia a gente tem o mercado plus size também. Então, veja, uma mulher trans, que é uma minoria, gordinha, que é outra categoria, em um concurso de beleza. Por que não? Acho que é bacana esse olhar também.

- Um ano de preparação de preparação com a Majorie Marchi (organizadora do concurso, que morreu no último ano) e ela morreu... Como foi interromper o processo?

Não chegou a ser nem um ano. Eu fiquei triste pela perda, desanimada, desmotivada, achei que mais nada fosse acontecer. Só que depois apareceu a Alessandra Vargas, que foi madrinha, ela me adotou praticamente, mora na Alemanha e me ajudou na questão financeira. Tive que colocar prótese, fiz rifa, eu fazia almoço beneficente, eu fazia o escarcéu para participar e sempre consegui. E ela acabou inteirando o valor que faltava. A minha inscrição no concurso também foi paga por ela. Tive contato com o Ribas Azevedo, que me patrocinou. Hoje, mostro para a Majorie que não decepcionei.

- O que acontece depois que você ganha a faixa? O que ninguém fala?

Assim que ganhei o concurso, achei que as coisas fossem mais fáceis, mais encaminhadas. Mas vi que quando você coloca uma faixa e uma coroa na cabeça as responsabilidades aumentam. A cobrança pelo padrão de beleza aumenta. Querem um estereótipo. E mesmo não querendo fazer parte deste estereótipo, a gente só vai ter chance no próximo concurso desta forma. Tive que me empenhar na dieta e em toda a preparação. Só que como o concurso foi adiado (morreu o Rei da Tailândia), tive mais tempo de me preparar, emagreci 26 e até a minha cirurgia de redesignação (CRS) foi antecipada.
Durante o MIQ, no traje típico

- A CRS que você fez foi por meio do concurso Miss T Brasil?


Na verdade a Kamol, que é patrocinadora do Miss T, oferece voucher de
cirurgias plásticas. E eu optei por essa cirurgia de redesignação. E eles bancaram a cirurgia. Eu concordo que lá ainda seja o melhor lugar, mas já escutei opiniões diversas sobre a cirurgia.

- Você chegou a fazer outra cirurgia?

Na Facial Teen em São Paulo em fiz frontoplastia e também coloquei a prótese de silicone. E ao contrário do que as pessoas falam, eu não coloquei pelas críticas que recebi pelo concurso. Porque disseram que trans para ganhar concurso tinha que ter peito. E eu não acho isso. A gente vê aquelas que se sentem bem sem. A modelo Valentina Sampaio é um exemplo de top model e nem por isso está se quebrando toda, né? É super feminina, super bonita e está aí no mercado. Afinal, sabemos que não é a cirurgia que faz de alguém mulher. Mas eu sempre quis colocar, porque para mim é um agregador de feminilidade.

- Sobre a CRS, o o que mudou em sua vida?

Mesmo com a cirurgia eu vou continuar sendo uma mulher transexual. Estou falando isso porque muitas, após a cirurgia e trocar os documentos, querem ter uma identidade de mulher cis, mudam de cidade e fazem de tudo para esconder o passado. Acho que você sofre menos aceitando quem você é. Meu corpo já passou por algumas adaptações e eu procuro viver da melhor forma possível. Eu me enxergo como mulher, meu marido me enxerga como mulher, minha família também. O que eu preciso é que as pessoas que me amam e que me respeitam me enxerguem dessa forma. Já as pessoas que não me amam, não me respeitam, não querem me ver feliz, eu não me importo com elas. Na verdade, eu faço questão de falar que sou uma mulher transexual, sabe?

- Me explica...

Cada pessoa é única. Mas no meu caso – e eu estou falando de mim, tá? – é o que fez a diferença na minha vida. É o que me fez estar aqui hoje dando essa entrevista, participar do concurso, ganhar, ir para outro país... Talvez se eu nascesse uma mulher cis, acho que eu seria meio sem sal. Eu me movo na dificuldade. Eu busco o problema para solucionar, sabe? Eu gosto de ser desafiada, e ser bem-sucedida. Eu gosto de ser mais notada, porque isso acontece, né? Normalmente a gente tem uma estatura mais alta, às vezes é o subconsciente da pessoa ficar te olhando. E depois contar: eu sou uma pessoa trans. E a pessoa falar: nossa, que bacana. Eu gosto de ouvir isso. Eu gosto de ouvir que a diferença também é aceita, ela não é só julgada.

- Se alguém te apontar e falar que é travesti, isso te incomoda?

Sou bem tranquila quanto a isso. Me chamem do que quiser. Até porque o concurso que ganhei era de travestis e transexuais, então eu represento toda uma classe. Todas nós passamos por fases, passamos por um processo e em algum momento já podemos ter ficado em dúvida em uma ou outra nomenclatura.

- Se existisse uma outra vida, e a sua resposta valesse mesmo, você voltaria como mulher trans de novo?

É uma vida que envolve muitas dificuldades, mas que eu tive muita sorte. Se fosse para voltar com a sorte que eu tive, de olhar no espelho, me sentir bem e conquistar o meu espaço, eu voltaria. Mas se for para voltar como transexual e não saber se vou conseguir fazer as mudanças que eu tanto quero, não saber se vou conquistar o espaço, se vou sofrer violência, é frustrante e eu não encararia. Cada uma tem uma história para contar, e eu reconheço que tenho privilégios. E não gostaria que fosse uma exclusividade minha, porque a gente vê que tem uma a cada mil com esse padrão mais comum. É difícil porque a cabeça das pessoas ainda é fechada. É difícil falar que identidade de gênero não tem relação a valores, índole...

- Trans-fobia é medo de trans. Você acha que as pessoas têm medo de uma pessoa trans?

Acho. E acho que a gente acabar com isso. Tem gente que acha que só por ser trans é marginal. Esquecem que tem gente boa e ruim em todo lugar. Isso é índole, não tem a ver com a identidade de gênero. A transexualidade é só mais uma característica, não é apenas o que define. Às vezes eu vejo na televisão: “travesti assaltou”, “travesti espancou” e eles fazem questão frisar que foi uma travesti. E as pessoas tendem a achar que toda travesti faz aquilo ali, mas não... É como se não quisessem dar crédito para esse grupo, porque esse grupo é marginal.
- Você já sofreu transfobia?

Desde sempre chamei muita atenção, então desde pequena eu recebia uma abordagem dos homens voltada para a promiscuidade. Algumas vezes aconteceram inconvenientes, mas nada que me tirou do sério. O mais sério aconteceu quando fui fazer exame médico no laboratório da minha cidade e os papeis vieram com o nome social Nathalie de Oliveira. Quando cheguei para fazer o exame a atendente não aceitou porque havia divergência de nome. Da identidade era um e no pedido de exame era outro. Foi transfobia porque mostrei o meu cartão do SUS, que unifica os dois nomes. Tentei explicar o respeito ao nome social naquela fila do SUS, me expondo daquela forma.

- Como foi o seu processo de transição em sua cidade?

O meu pai rejeitou de cara, já a minha mãe, apesar de triste, ela conversava bastante comigo. Depois eu entendi o lado dela, pois ela ficava triste em relação ao que eu sofreria. Eu comecei tudo isso com 14 para 15 anos, com pequenas mudanças e de repente estourou. Hoje eu tenho aprovação do meu pai e da minha mãe, mas eu precisei provar. Sabe aquela coisa o “filho pródigo à casa torna”? Então os pais quiseram se orgulhar de mim, independente de gênero, de sexualidade. Eles viram que o fato de eu ser trans não mudou a minha moral, a minha conduta, a minha ética, aquilo que eles criaram. Só fiquei de uma forma diferente e com um agir diferente.
- E como foi a questão da hormonização em uma cidade pequena?

Difícil, viu? (risos). Porque não tinha nenhuma informação, procurei endócrinos que não sabiam de nada. Comecei com o velho e bom Youtube e no começo fazia a loucura de tomar o hormônio tal de quinze em quinze dias, ou de tomar cinco comprimidos que te deixa... Enfim, faz muito mal à saúde. Hoje eu faço o uso do hormônio em gel, que é o menos prejudicial à saúde. Até então, eu descobri que no Rio tinha um lugar que fazia tratamento para transexuais que queriam se operar pelo SUS. E davam, não só hormônio, mas todo tratamento psicológico para emissão de laudo e entrada na fila. Como eu não tinha ganhado concurso, fui para essa fila também.

- Muitas misses trans do passado fizeram o uso do silicone industrial. O que pensa sobre ele?

Acho que devemos fazer tudo nessa vida para se sentir melhor, mas existem coisas que a gente faz e depois se arrepende. O silicone, pelo que eu observo, é como se aplicasse uma dinamite no seu corpo. A qualquer momento ele pode acender e explodir. Três anos estudando enfermagem, eu seria uma louca se dissesse que colocaria. E mesmo se eu fosse muito magrinha, eu ia tentar dieta, exercício, tentar outros recursos. O grande problema é que a gente quer o resultado imediato, então a gente acaba se submetendo. E quase sempre se arrepende. Você leva uma pancada, o silicone reage e te dá N problemas.

- Quando era criança, você tinha alguma referência de feminilidade ou beleza?

Eu não tinha nem consciência de que existia a transexualidade. Então nunca tive uma trans como referência. Me espelhava muito na minha mãe. Ela era aquela pessoa que cuidava da casa e dos filhos e eu era aquela pessoa que me enxergava daquela forma daqui uns anos. Eu aprendi fazer crochê, bordado, a cozinhar, eu queria ser como a minha mãe. Depois, passei a admirar a Marcela Ohio, a Rafaela Manfrini, que são misses trans que eu considero exemplo de beleza. E também a Lady Gaga, que nos representa.

- Você já chegou sair na mídia anteriormente por ter sido a primeira do concurso público. Como repercutiu?


Normalmente a transexualidade e travestilidade são associadas à marginalidade e prostituição. E com 17 anos, eu passei no concurso público da minha cidade e calhou de eu ter pegado a primeira colocação. E as pessoas falavam pejorativamente: “como a gente vai ter um viado trabalhando com a gente?”. Mas eu sempre soube me impor e mostrei que não era nenhum bicho de sete cabeças. Então eu sou concursada, agente comunitária de saúde, vai fazer quatro anos. Curso faculdade de enfermagem. É impressionante, porque é como se a gente fosse uma criança incapaz e, de repente, conseguiu alguma coisa. As pessoas dizem: “essa aí PELO MENOS faz faculdade”, essa aí PELO MENOS tem um emprego decente. Mas isso aí não agrega valor na realidade, porque depois elas chegam e falam: “Como você é uma enfermeira?” Como atende no posto de saúde?”.

- Embora você seja concursada pública, 90% das travestis e transexuais estão na prostituição. Como é carregar este estigma?

Não condeno quem faz e acho que independente da profissão o que vale é a índole, a moral e a ética. Só acho muito perigoso, acontecem muitas coisas ruins no meio e acho que quem não quer fazer deveria ter outras oportunidades. E investir mais. E quem não conseguir oportunidade e não quiser, que tente associar a prostituição com outra fonte de renda, com um pouco mais de cultura, ler, se informar... Isso vale para todo mundo. O que quero dizer é que não tem problema nenhum em ser profissional do sexo, mas que a gente pode sim ser dona da nossa história. Eu queria que as travestis e transexuais tivessem o direito de ir e vir, fazer programa se quiserem, ter acesso à escola, emprego, se formar e ser reconhecida. Porque muitas até tem condições de pagar uma faculdade, mas adianta ela cursar uma faculdade se o mercado de trabalho depois não vai dar uma chance para aquela profissional?

- Vi pelas redes sociais que você está namorando... É namorado ou marido?

É namorado, futuro marido. Eu agradeço todos os dias pelo meu namorado. No dia em que a gente se conheceu, eu avisei ele sobre tudo aquilo que a gente passaria, como eu passei. E eu sou assim: magoe-me, mas não magoa as pessoas que eu gosto. É comigo, o problema sou eu, se o problema é a trans, a trans sou eu. Não envolve a minha mãe, o meu namorado, então deixa-os em paz. Quando ele foi me buscar em casa, eu entrei e fui subir o vidro, pois queria preservá-lo. Fui preconceituosa comigo mesma. E ele desceu o vidro. Depois, pegava na minha mão, não tinha vergonha, tinha orgulho de estar comigo. Hoje a gente é o casal sensação da cidade. Todo mundo conhece. E nem por isso perdeu a masculinidade, nem deixou de ser hétero...

-  Como "a cidade" lidou com o relacionamento?

Ele costuma dizer que foi um filtro de amigos. Acho que essa frase é esclarecedora, né? Quando ele estava ficando com mulheres cis, ele era “o cara”. Mas quando ficou com uma trans, cadê aquele círculo de amigos tão grande. Então hoje ele até agradece os que ficaram, pois esses são amigos. E me enxergam com a mulher dele. Observo que os outros até aceitam que o cara fique com uma garota trans, mas desde que seja no escurinho no reservado, mas andar de mãos dadas, como ele faz comigo, não. Ele me apresentou para a família dele como mulher transexual, todo mundo sabe a minha história, tanto que eles estão muito felizes com a minha cirurgia, e a gente segue a vida.

(A entrevista foi realizada em outubro, antes da ida para a Tailândia e, na época, Náthalie estava namorando outra pessoa. Hoje, ela está namorando um italiano).

- Hoje em dia qual é o meu maior sonho?

Vivia falando que o sonho da minha vida era a cirurgia e, agora que eu consegui, eu vi que não era o sonho da minha vida. Eu vejo que era uma coisa que estava ali para mim, e eu apenas peguei ela com a mão. Tinha que acontecer, uma hora ia acontecer e eu só tinha que alcançar. Então o meu maior sonho hoje é me casar, sucesso profissional, constituir família.

- A referência da sua mãe continua?

Aí já entram muitas histórias, mas a minha mãe é muito guerreira. E se eu for metade do que a minha mãe é, eu já estou 100% satisfeita. O que nós passamos juntas, em todos os sentidos, até mesmo na fase do apoio que eu precisei, nossa, ela tirou de letra. Ela é evangélica do meio, de cabelão, de saia lá no meio, e pode mudar a cabeça. Ela continua sendo evangélica, porém tem uma visão diferenciada. Ela tem uma filha trans e aprendeu a conviver com a diferença. Me chama no feminino. É outra coisa que gosto de mencionar, porque existem pessoas que insistem em chamar de “ele”, “porque você nasceu assim”, “não me acostumo”, usam como desculpa, né? Mas acho que quando a pessoa respeita e gosta de você, ela vai te chamar da maneira que você achar mais adequada. Agora a minha mãe foi espetacular, ela soube passar por essa prova e me ensinar.

- Qual é a mensagem que você quer deixar com a sua participação de sucesso no Miss International Queen?

Eu gostaria que as pessoas soubessem que independente de condição financeira ou status, porte físico, qualquer pessoa é capaz e ela pode chegar onde ela quiser. É mostrar que você tem os seus valores que você zela por eles. Eu levanto a bandeira contra o racismo, contra a transfobia, acho que todas as formas de amor são válidas, respeito ao próximo e respeito a humanidade. O que está faltando hoje em dia é SER humano. Eu acho que cada uma de nós que nasce com o peso de ser transexual, mas porque nós damos conta sim do recado. Não viemos a passeio. Queremos representatividade, visibilidade, oportunidade e somos capazes de qualquer coisa.

Do NLucon - Por Neto Lucon
Share:

Conheça Ticiane Fernandes de 24 anos e que concorre ao "Miss T" em São Paulo

 Sou bem resolvida como mulher trans e gostaria de representar todas as meninas que, como eu, passam por dificuldades e preconceitos". Estas são palavras da modelo transexual uberlandense, Ticiane Fernandes, de 24 anos, que se prepara para representar Minas Gerais no "Miss T". O concurso será na próxima sexta-feira (21), no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo (SP). Serão 30 concorrentes representando os estados do Brasil. A campeã concorrerá ao Miss Universo, que acontece na Tailândia, em 2018. E antes de embarcar, o G1 falou com ela sobre transformação e carreira.
Durante a entrevista, a jovem ressaltou que o país vive um momento em que as trans podem ganhar mais visibilidade e se empoderar perante a sociedade. "Estou muito ansiosa e, ganhando ou não, já estou feliz”, comentou.
Vida e preconceito
Ticiane lembra que desde a infância já se sentia diferente. “Eu não me sentia um menino e já nessa idade tinha interesse por coisas de mulher. Vestia sapatos da minha avó, da minha tia, brincava com bonecas e outras brincadeiras consideradas de meninas”, afirmou. Aos 13 anos, ela começou a usar roupas femininas, pintar o cabelo e as unhas. Aos 16, deu início ao tratamento hormonal, psicológico e às cirurgias para a transformação.
A modelo contou que no início teve um pouco de dificuldade de aceitação por parte da sociedade, mas principalmente dos pais, o que considera normal, mas que agora eles a aceitam e apoiam. “Se hoje, com muito mais informação ainda existe uma dificuldade de entender, há 10 anos o transexualismo era um tabu”, pontuou.

Ticiane relatou que atualmente sofre menos preconceito, até mesmo, segundo ela, pelo fato de muita gente não saber que é trans. “Com a divulgação do concurso passei a ser reconhecida como trans em toda a cidade. Não que isso me incomode, até porque sou muito bem resolvida, mas acredito que posso passar por algumas situações que ainda não aconteciam”, comentou.
Sonhos e carreira
Aos 24 anos, a modelo está noiva e se casará em fevereiro de 2018. “A família dele também aceita e apoia muito o relacionamento. Quero constituir uma família. Sonho em ser mãe e já estamos planejando um filho”, contou.
Sobre a carreira, Ticiane disse que sempre amou moda e fotografia e que virar modelo ocorreu há três anos, quando participou de uma seleção e foi aprovada, porém, não continuou por não se sentir preparada. Dois anos depois, fez um novo catálogo e decidiu que era o momento. “Desde então, já fiz vários trabalhos de fotos, desfiles e filmagens e vi que realmente é isto que quero como profissão”, acrescentou.
Esta será a primeira vez que a modelo participará de um concurso nacional.
Do G1
Share:

Como o segmento plus size vem ganhando destaque no mundo da moda e na mídia

 Pense rápido: quantas vezes nos últimos meses você deparou com o termo plus size? Seja você gordinha ou não, é fato que, cada vez mais, fala-se sobre moda GG, empoderamento, autoestima e aceitação. O movimento não tem nada de novo, mas vem ganhando cada vez mais espaço. Prova disso é esta revista que você tem em mãos: é a segunda vez que Donna dedica a capa de uma edição ao segmento (relembre a matéria aqui!). A primeira foi lançada há exatamente um ano, em maio de 2015 – e, de lá para cá, as plus size não pararam de virar notícia.

Ainda no início daquele ano, a top Candice Huffine , manequim 46, dividiu espaço no Calendário Pirelli, tradicional reduto de corpos sarados, com as modelos Adriana Lima e Joan Smalls. No clique, assinado pelo renomado fotógrafo Steven Meisel, Candice aparece com seios à mostra e corpete, em clima fetichista – poucas vezes associado a mulheres curvilíneas, aliás.

— Amo meu corpo e sou feliz comigo mesma. Me mostrando para o mundo eu posso ajudar a outras mulheres – declarou a modelo, que viraria um dos principais nomes do segmento plus size no mundo.

Em fevereiro, o grande público seria apresentado a uma das gurias plus que mais gerariam burburinho em 2015: Ashley Graham. Em meio às modelos magras, a icônica edição anual de moda praia da revista norte-americana Sports Illustrated apresentou, em página dupla, a musa em um anúncio de biquíni da grife SwimsuitsForAll, especializada em tamanhos maiores.

— Sei que minhas curvas são sexy e quero que todas saibam que as delas também são. Não há motivo para se esconder — declarou a modelo em comunicado. — O mundo está pronto para mais curvas em biquínis.

E parece que estava mesmo. Na edição seguinte, publicada no início deste ano, a própria Ashley foi a estrela da edição de biquínis da Sports Illustrated – desta vez, na capa . Em entrevista à revista People, a top model não escondeu a emoção.

— Achei que a revista estava assumindo um risco ao colocar uma garota do meu tamanho nas páginas. Mas me colocar na capa? Isso sim é épico — surpreendeu-se.

Também igualmente histórico é uma revista especializada em corridas aderir ao movimento. A publicação Women’s Running de março deste ano colocou a blogueira (e corredora!) Nadia Aboulhosn na capa. A chamada dizia: “A melhor razão para ser positiva com o seu corpo: a ciência diz que o amor próprio faz você correr mais rápido”.

Desde então, o termo plus size cada vez mais fica em evidência. E não só para a mulherada: em março, a IMG Models, a agência da über model Gisele Bündchen, anunciou uma divisão dedicada somente aos modelos plus. Sim, os rapazes!

A proposta do setor, chamado de Brawn, é aumentar a representatividade de diferentes tipos de corpos na indústria da moda, principalmente no que se refere aos meninos. O primeiro nome a integrar o casting da IMG é Zach Miko , conhecido como a versão masculina de Ashley Graham. Quem explica é o vice-presidente da agência, Ivan Bart, em entrevista ao portal de moda WWD:

— Brawn tem uma mensagem positiva do corpo. Brawn é força física. É horrível ir a certas lojas e não ter peças do meu tamanho. Estamos em 2016 e todo mundo tem algum tipo de vaidade. Todos querem vestir roupas bonitas e seguir a moda. Precisamos de mais opções.

Para completar, há poucas semanas, uma candidata plus size chegou à final do concurso de beleza Miss Peru, o mais tradicional do país. Quando Mirella Paz Baylón cruzou a passarela, o que se viu foi uma garota linda, confiante, sorridente – mas que, ao contrário das demais candidatas, tinha um pouquinho de barriga e coxas grossas. Nos bastidores do concurso, a candidata contou um episódio de gordofobia que talvez lembre ocasiões que muitas gordinhas conhecem bem.
— As pessoas me chamavam de gorda e diziam que eu era uma “porca” na universidade — revelou a garota. — Toda vez que eu via modelos na TV, eu queria estar lá, dentro da tela. Mas eu me sentia intimidada devido ao tamanho do meu corpo e porque eu sofri muito bullying por conta do meu peso — afirmou ao site Fusion.net.


Por que, afinal, todas essas pequenas conquistas são importantes? A resposta é simples: representatividade. Pode parecer pouco, mas faz toda a diferença para uma mulher de manequim 48 se identificar com quem ela vê na novela, nas revistas e nos outdoors nas ruas. Embora não carreguem o mesmo apelo que antes, os concursos de miss, por exemplo, ainda ajudam a reforçar a imagem de mulher considerada bela pela sociedade – assim como na publicidade e na TV. Gera identificação e, se não acaba, pelo menos diminui a ideia de que é só o corpo magro que é belo e merece faixas e coroas. Ajuda a reforçar que beleza não tem manequim único.
Ainda estamos longe do ideal – que seria não precisarmos sequer do termo plus size –, mas é fato que essas pequenas novidades, somadas a abertura de mais e mais lojas com numeração grande, têm contribuído para diminuir o abismo que existe em áreas como a moda e, claro, tornar mais “normal” aos olhos do mundo um manequim tamanho 50.

Share:

-

BANNER 728X90

Video Recomendado

-

AD BANNER

Visualizações

About & Social

Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

Entre em contato comigo!

Nome

E-mail *

Mensagem *

busque no blog

Arquivo do blog

TROCA DE LINKS

Apoio ao Crossdresser
Universo Crossdress
Márcia Tirésias
Club Cross
Fórum Crossdressing Place
Jornalismo Trans - Neto Lucon
Kannel Art
Noite Rainha Cross
Diário de uma Crossdresser

Gospel LGBT
Dom Monteiro - Contos do Dom
La nueva chica del bairro
Ravens Ladies
Travestismo Heterosexual

CROSSDRESSER
Nathasha b'Fly
Veronica Mendes
Camilinha Lafert
Kamila Cross BH
Sophia Mel Cdzinha

DANYELA CROSSDRESSER
Duda CD
Bruninha Loira sapeka
Cross Gatas
Klesia cd
Renata Loren
Coroa CD
Suzan Crossdresser
Érika Diniz
CDZINHA EXIBICIONISTA
Aninha CDzinha
Camila Praz
CD VALDETTY
CD Paty
Cdzinha Moranguinho
Jaqueline CD
Paty Cdzinha

Contos Eróticos da Casa da Maitê
Elite Transex

Mais

Mais vistos na ultima semana

Tags

Postagens mais visitadas há um ano

Postagem em destaque

Renata Montezine arrasando como sempre

Renata Albuquerque Montezine é atualmente uma das mulheres trans, de maior sucesso no país. Já foi modelo plus size, sendo a primeira...

Pages