Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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Suspeito de matar transexual também é investigado por estupro de adolescente

Uma adolescente de 16 anos procurou a polícia após ser sequestrada e estuprada dentro de um carro, no topo de um morro, localizado na cidade de Camapuã. O suspeito do crime seria um jovem de 19 anos, o mesmo que estrangulou e matou uma transexual no dia 20 de dezembro do ano passado, na mesma cidade.
De acordo com a polícia, a adolescente só decidiu falar, porque o suspeito está preso desde o último dia 22 pela a morte da transexual, com quem ele manteve um relacionamento de pelo menos 6 meses. A polícia atestou que o perfil do jovem é de psicopatia. 
Conforme a jovem, na noite do crime, ela estava em uma conveniência na cidade, onde o suspeito também estava. Em depoimento a menina disse que o homem a “observava o tempo todo”. 
Por volta da 0h, a vítima foi ao banheiro, mas, a fila estava grande, então ela decidiu ir até uma praça da cidade, a três quadras do local, para usar o sanitário.
Ainda segundo o depoimento, a menina foi abordada pelo suspeito quando chegava ao banheiro, e após ser atingida com um golpe de ‘mata-leão’ foi jogada dentro do carro e levada até um morro da cidade , distante a dois quilômetros da região central.
Ela foi estuprada por cerca de 20 minutos, no banco da frente do veículo, enforcada e ameaçada de morte, mas, conseguiu fugir após dar uma cotovelada na barriga do suspeito, abrir a porta do carro e se jogar morro abaixo.
A polícia informou que a adolescente ficou bastante ferida na queda. Depois de bater em uma cerca de arame farpado, ela teria caminhado por um trecho de 800 metros até conseguir pedir ajuda em uma casa. O casal na residência teria acionado o pai adolescente. 
Na delegacia o pai da jovem informou que a filha chegou em casa de madrugada “toda ensaguentada”. Ela disse que tinha sido estuprada pelo suspeito e também contou que ele teria tentado matá-la. Pai e filha decidiram não procurar a polícia no momento porque estavam com medo das ameaças feitas pelo rapaz. Uma terceira mulher também teria sido vítima do suspeito. 
De acordo a investigação, a jovem será submetida a exames da perícia médica legal, em Coxim (MS), onde fica o Instituto Médico Legal (IML), que atende a região de Camapuã. A adolescente será encaminhada para o Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Droga (Caps), onde fará um acompanhamento psicossocial.
OUTRO CASO 
Uma transexual de 29 anos foi encontrada morta por estrangulamento no dia 20 de dezembro, em Camapuã. O assassino de Marcinha Rodrigues, que na época tinha 18 anos, se entregou à polícia, alegando estar arrependido. O crime teria sido motivado pela recusa dele em ter relações sexuais com a vítima.
Segundo a polícia, o suspeito contou estar bebendo cerveja com a vítima e amigos quando, por volta das 3h, Marcinha pediu carona a ele, que estava de bicicleta. Durante o trajeto, Marcinha teria lhe aliciado, provocando a reação violenta.

O jovem contou os detalhes: deu o golpe conhecido como 'mata-leão', apagou a vítima e, com ela caída ao chão, forçou o joelho em sua garganta, matando-a asfixiada. Mesma ação tentada para matar a menor. 
A denúncia será anexada as investigações, e o jovem deve responder por homicídio qualificado, sequestro e estupro.  

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"Sou prostituta e não quero ser salva": elas contam propostas que receberam



No clássico filme "Uma Linda Mulher", a personagem de Julia Roberts, uma prostituta, larga as ruas depois que seu cliente milionário, interpretado por Richard Gere, se apaixona por ela. Na dramatização da vida de Raquel Pacheco, a "Bruna Surfistinha", a personagem principal também larga a prostituição para se casar com seu primeiro cliente.

Histórias de trabalhadoras sexuais que são "salvas" do meio por homens mais ricos, que prometem pagar tudo a elas ou que propõem um relacionamento, são repetidas vez ou outra no entretenimento e também na sociedade. Mas será que estas mulheres realmente querem mudar de vida?

À Universa, prostitutas contam quais foram as propostas que receberam de seus clientes, quais os motivos para recusá-las e porque elas consideram que não precisam ser salvas de suas ocupações:

"Mesmo com outro emprego, não deixei de ser puta"
"Eu não recebia propostas em dinheiro, o que recebi foram propostas de emprego, como quando eu virei assessora parlamentar do Jean Wyllys [deputado federal pelo PSOL-RJ], mas nem por isso deixei de ser puta. Eu gosto disso. A gente convive com outras prostitutas e elas dizem que sempre precisam de uma renda extra em alguns momentos, como na vida de qualquer outra pessoa. Agora, falar para uma prostituta parar de se prostituir para trabalhar como faxineira, como manicure, para ganhar bem menos? É claro que elas não vão largar a profissão. Muitas tiveram a oportunidade de sair, mas não ganhariam tanto".

Indianare Siqueira, 47 anos, prostituta e ativista pelo direito de trabalhadores sexuais

"Me propôs R$ 15 mil por mês para ser amante exclusiva"
"Tive propostas de clientes 'apaixonados', que queriam que eu voltasse a advogar, que eu tivesse um relacionamento sério com eles, e não só rejeitei como nunca mais tive contato. Teve um indivíduo, que tinha cerca de 36 anos, mulher grávida de gêmeos e me propôs R$ 15 mil por mês para ficar só com ele, ser amante exclusiva. Deletei nas redes sociais e telefone. Ele insistiu com outros números, bloqueei todos. Eu sou da opinião de que nenhuma mulher, exceto as que são colocadas quando são menores de idade para serem exploradas, vira trabalhadora sexual sem vontade. Eu sou totalmente avessa a esse tipo de reprodução de discurso de que precisamos de alguém que nos tire deste caminho, acho antifeminista e contra a era da informação".

Claudia de Marchi, 36 anos, acompanhante de luxo e ex-advogada

"Não estou à espera de um príncipe"
"Um dos meus primeiros clientes pediu para eu deixar para lá o meu trabalho, disse que eu não precisaria me preocupar com nada, pois, dali para frente, ele cuidaria de mim, me sustentaria. Bom, nunca levei muito a sério essas propostas. Depender de alguém não é o meu objetivo. Isso eu já vivi quando era menor de idade e dependia dos meus pais. Agora, basta! Algumas mulheres atuam na área por necessidade, outras porque gostam, outras por ambição, mas todas atuam no meio porque querem. Poderiam procurar outro segmento, mas, por algum motivo, optaram por este meio. Não estou à espera de um príncipe que me salvará, me sustentará e depois irei me converter. Estou fora dessa!".

Maria Angélica, 20 anos, prostituta

"Todas as oportunidades de sair são, na verdade, trocas"
"Já tive várias propostas, algumas por pervertidos só querendo me enganar, dizendo estarem apaixonados --quando, na verdade, só queriam sexo grátis. Já tive propostas de pessoas que me ofereceram uma vida 'estável': apartamento, carro, comida, faculdade. Porém, eu teria que ser fiel a eles e, mesmo eles sendo casados, queriam que eu fosse somente deles. Caso eu os 'traísse', o acordo acabava. Resumindo, eu seria uma escrava a troco de pão. No geral, todas as oportunidades de sair são, na verdade, trocas: eu dou minha juventude para um cara velho e casado, e em troca ele me dá o que no momento eu preciso --no caso, dinheiro. Acho que ninguém precisa ser salva, entramos nessa vida por escolha: cada uma com seu motivo pessoal, mas todas por vontade própria".

Júlia Mar, 20 anos, acompanhante


Da Universa - Por Jacqueline Elise

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1º transexual a competir no Miss Universo é aplaudida de pé


Neste domingo (16), aconteceu a 67ª do Miss Universo, que elegeu a modelo Catriona Gray, de 24 anos, representante das Filipinas, como vencedora. A cerimônia foi realizada em Bangcoc, na Tailândia.

amazonense Mayra Dias, 27, foi classificada no top 20, mas não avançou para o segundo corte, o top 10, onde também se classificaram as misses Costa Rica, Curaçao, Nepal, Canadá e Tailândia.
 
Além da entrega do prêmio para a vencedora, outro momento emocionou quem assistia ao concurso. Angela Ponce, a Miss Espanha, foi a primeira participante transgênero da história do Miss Universo. Em sua homenagem foi exibido um vídeo sobre sua trajetória de vida e a miss desfilou no palco sozinha, o que fez com que os convidados a aplaudissem de pé. Confira:


Angela, que nasceu em uma cidade perto de Sevilha, iniciou um tratamento hormonal aos 16 anos e passou pela cirurgia para mudança de sexo aos 24. Ela é manequim e trabalha em uma ONG que ajuda jovens transgêneros.






 Angela Ponce: primeira candidata trans do Miss Universo faz história

A Miss Espanha, Angela Ponce, fez história ao se tornar a primeira concorrente trans do Miss Universo. A 67ª edição aconteceu na Tailândia nesse domingo (16/12). Pelo horário local, já era segunda-feira.

Angela não se classificou entre as 20 primeiras colocadas da competição. No entanto, sua participação é um avanço na pauta da diversidade. A modelo já conquistou mais de 500 mil seguidores no Instagram.

Vem comigo!

A Miss Espanha afirmou que o importante para ela não era ganhar, mas participar do evento. “As mulheres trans vêm sendo perseguidas e apagadas há muito tempo. Estou mostrando que podemos ser o que quisermos”, disse em entrevista à Reuters.

Aos 16, Angela começou um tratamento hormonal e, depois de oito anos, passou pela cirurgia de redesignação sexual. Hoje em dia, ela atua em uma ONG que apoia jovens transgêneros.

No desfile preliminar, Angela usou um conjunto brilhoso de minissaia e cropped. O traje de banho foi um biquíni rosa. Para a roupa típica, a escolha foi uma “bata de cola”, modelo usado na dança flamenca.
A filipina Catriona Gray foi a vencedora do Miss Universo 2018. A candidata da África do Sul ficou em segundo lugar, e a da Venezuela, em terceiro. A amazonense Mayra Dias, representante do Brasil, chegou entre as 20 semifinalistas. O concurso é transmitido para 190 países.

Para outras dicas e novidades sobre o mundo da moda, não deixe de visitar o meu Instagram. Até a próxima!
Colaborou Rebeca Ligabue

Do Metropoles - Por:Ilca Maria Estevão



 
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Mato Grosso: Transexual que trabalhava como garota de programa é morta a tiros por cliente

Uma transexual foi assassinada a tiros na madrugada deste domingo (9) em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a vítima, Victória Landeiro, de 20 anos, trabalhava em um ponto de prostituição quando foi morta por um suposto cliente.
O crime ocorreu às 2h no Bairro Novo Horizonte, nos fundos do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
Uma testemunha relatou aos policiais que estava perto do local e ouviu o barulho de um disparo. Victória fazia programa nessa região e aguardava por clientes.
Depois de ouvir o disparo, a testemunha viu um carro, modelo Siena de cor prata, saindo do local. O mesmo carro parou perto e tentou contratar os programas da profissional.
Armado, ele teria se apresentado como agente da Polícia Federal. Victória teria recusado e foi baleada pelo suposto cliente.
Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e deu os primeiros socorros à vítima. Victória foi encaminhada ao Hospital Regional, onde morreu durante o atendimento.
A Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) foi comunicada do crime e abriu um procedimento para investigá-lo. 

Do G1
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Reflexão e Desabafos: Travestis e Transgêneros são marginalizadas

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"Muitas Travestis e Transgêneros são marginalizadas por se envolver a profissões ligadas ao sexo . Embora algumas estejam nessa vida por opção do chamado " Dinheiro fácil " (embora pelo que elas precisam aguentar eu não diria ser tão fácil assim) Muitas só estão vivendo essa vida porque não conseguem ingressar no mercado de trabalho por puro preconceito.

Muitas vendem seus corpos porque precisam comer, beber, pagar aluguel e contas , dar de comer aos seus filhos etc. Tudo porque muitos empregadores nos negam trabalho.

Porém São esses mesmos empregadores que muitas das vezes de maneira hipócrita nos procuram pelas madrugadas deixando suas esposas em casa em busca de nossos serviços após baterem com a porta de um emprego formal em nossa cara. Nada contra minhas amigas que vivem de seu corpo por opção.

Mas muitas de nós como eu queremos estar em uma Empresa mostrando nossa competência e profissionalismo... e não aturando... bêbados... drogados... bandidos... pelas madrugadas correndo risco de vida.

Se temos essa visão por parte da sociedade é porque a própria sociedade fecha as portas para nós. E como precisamos comer...beber...vestir...pagar as contas... bem advinha o que nos resta.

 Eu particularmente não sirvo pra viver na vida . Sou romântica demais pras ruas podres da madrugada. Mas ainda não passei por uma situação extrema pra saber até que ponto iria . E peço a Deus nunca passar pra descobrir. Que Deus me ajude a nunca me ver sem opção".

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Trans filma escondido momento em que chefe a assedia sexualmente

A americana Makana Milho (foto a lado), transgênero, 21 anos, filmou o momento em que seu chefe a assedia sexualmente no horário do trabalho. Makana conta que trabalha como faxineira em uma empresa e Honolulu, no Havia (EUA) quando no horário do expediente foi abordada pelo chefe Harold Villanueva Jr, 47 anos.

Ela disse que estava limpando o banheiro quando ele chegou e deu um "beliscão" em seu bumbum e depois a chamou para ir até o carro. A americana percebeu que ia ser assediada e resolver filmar tudo escondido com o celular. O homem disse que queria fazer sexo e que, em troca, "ajudaria a funcionária na empresa". 

Em entrevista ao jornal The Daily Beast, ela conta que o chefe já havida 'dado em cima dela outras vezes e que estava na cara que ele a 'obrigaria a fazer algo'. Ressalta ainda: "Tive medo. Cheguei a pensar que ele fosse tentar me violentar, mesmo ali, no estacionamento".

Após publicar na internet, a transmissão que dura em torno de 30 minutos, teve mais de 200 mil visualizações e cerca de 10 mil compartilhamentos.

No início do assédio, o chefe pede para que Makana faça sexo oral nele e avisa que "se você fizer sexo comigo, poderá sair mais cedo do trabalho hoje".

Para fugir do assédio, a funcionária avisa, durante a filmagem, que preferia fazer sexo com camisinha e que iria buscar ali perto um preservativo. "Fiz isso para escapar", confessa a trans.

Após ela dizer que não queria fazer sexo com ele e ouvir de volta muitas ameaças, a jovem consegue escapar e posta as imagens no facebook, marcando a polícia da cidade que acabou prendendo o chefe. Ele ficou detido e foi solto após pagar fiança.

Em nota, a empresa se posicionou dando uma suspensão a Harold e disse que vai aguardar o resultado da investigação e afirmou ainda que ele poderá até mesmo ser demitido. Mokana trabalha como temporária na empresa por determinação da Justiça. Ela cumpre pena por ter furtado uma bolsa em uma loja de luxo em 2014.

Nas redes sociais, a americana chegou a ser acusada de que teria "estimulado o chefe" a fazer tudo aquilo. Ela responde as acusações: "Absurdo. Estava trabalhando. Já tinha sofrido assédio, mas precisava ficar na empresa até o último dia por determinação da Justiça" e ressalta ainda que não fez nada. "Ele quem começou a me assediar e tentou passar a mão em mim algumas vezes" e que fez isso porque muitas mulheres, trans e até mesmo homem passam por isso.

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Como ser transgênero foi de 'aberração' e 'doença' a questão de identidade

Gisele Alessandra Schmidt e Silva, de 48 anos, foi a primeira advogada transgênero a falar diante do Supremo Tribunal Federal (STF). Em defesa de uma ação pelo direito de pessoas como ela mudarem seu nome e gênero no registro civil sem precisar fazer uma cirurgia para mudar de sexo, ela disse aos ministros:
"Não somos doentes, como pretende a classificação internacional de doenças. Não sofro de transtorno de identidade sexual. Sofre a sociedade de preconceitos historicamente arraigados contra nós."
Passado um ano e meio daquela sessão, a situação é bem diferente. Não só o STF reconheceu o direito pleiteado naquela ação, como Gisele e outros transgêneros como ela não são mais considerados portadores de um transtorno mental.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou esse entendimento em seu guia que serve de referência para estatísticas e diagnósticos médicos e enviou assim uma mensagem em sintonia com o que defendeu a advogada paranaense no STF: ser transgênero - em geral, ter uma identidade de gênero que não corresponde ao seu sexo ao nascer - não é doença.
A novidade acompanha uma evolução da ciência sobre a questão, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A nova Classificação Internacional de Doenças (CID) será apresentada na assembleia da OMS em 2019 e entrará em vigor nos países-membros, entre eles o Brasil, em 2022.
"É a comprovação de tudo o que eu defendo", diz Gisele à BBC News Brasil. "Nunca me considerei doente."

O que são pessoas transgênero

Transgêneros são pessoas que não se identificam com seu sexo biológico. Pode ser um homem que se enxerga como mulher, uma mulher que entende como homem ou ainda alguém que acredita não se encaixar perfeitamente em nenhuma destas possibilidades.
O termo foi cunhado em 1965 pelo psiquiatra americano John Oliven, da Universidade de Columbia, no livro Higiene Sexual e Patologia, e se popularizou nas décadas seguintes.

Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de transtorno de identidade de gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), explica que as pessoas transgênero são menos de 1% da população e estão presentes em "todas as culturas" e ao longo de toda a história.
A ciência ainda não sabe explicar ao certo o que faz uma pessoa ser transgênero, mas Sadeeh diz que os estudos feitos até hoje apontam para uma "base biológica" para essa condição.
"Há quem defenda que isso é apenas fruto de influências socioculturais, mas recebo pacientes de 4 ou 5 anos que afirmam que o sexo biológico não diz respeito a eles. É algo que acontece muito cedo para falar que é apenas sociocultural", diz ele.
"Pesquisas mostram que existe uma base biológica na origem da transexualidade, questões genéticas e hormonais."
A experiência de Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), também aponta para sinais precoces de transgeneridade.
"Em muitos casos, é uma reflexão que surge desde a primeira infância. Há influências de ordem genética, mas precisamos de mais estudos para entender em que momento do desenvolvimento isso se apresenta", diz a médica.
"Muitas dessas crianças descobrirão que não são trans, outras se identificarão como homossexuais e outras de fato serão transgênero. Cabe a nós ouvir o que têm a dizer, dar apoio e acompanhar."
Ela explica não haver dados precisos sobre a proporção de transgêneros na população, porque muitas estimativas se baseiam em quem deseja uma cirurgia e, hoje, se entende que essa condição vai além.
Há quem se identifique com o gênero oposto, mas não quer ser operado. Alguns desejam só tomar hormônios ou modificar características externas. E há quem não se identifique com nenhum gênero.
"Existe hoje um leque mais amplo do que os gêneros binários, e ainda vão surgir muitas nomenclaturas para contemplar possibilidades que não eram estudadas", diz Abdo.
"Não quer dizer que temos de ir para o extremo oposto e que todos devam questionar sua identidade de gênero. É algo que surge naturalmente."

'Uma ferida na alma que não cicatriza'

A advogada Gisele Alessandra diz ter sentido que havia algo diferente em torno dos 5 anos de idade. Ela conta nunca ter se identificado com nada do universo masculino.
"Eu me recusava a usar o uniforme dos meninos. Gritava e dizia que não queria ir pra escola. Sentia um grande desconforto e não entendia o que era, mas percebia que, se fizesse modificações para deixar a roupa mais feminina, me sentia melhor", diz a advogada.
"Minha vida escolar foi muito difícil. Sofri muito bullying. Fui chamada de todas as palavras pejorativas: traveco, florzinha, aberração."
Quando Gisele tinha 15 anos, uma prima perguntou por que pessoas a estavam ridicularizando. "Respondi que era mulher. Minha prima me falou que eu não era, que estava doente e me levou para um psiquiatra que fazia cura gay. Minha família é religiosa, e fui levada para uma sessão de exorcismo", conta Gisele.
"Tudo isso criou um trauma inenarrável, uma ferida na alma que não cicatriza. Fiquei com tanto medo que apaguei a Gisele da minha vida por muitos anos."

A advogada passou então a "representar o papel" de Marcus, seu nome de nascimento, e só deixou de fazer isso há cerca de oito anos, quando percebeu que "usar essa máscara" estava gerando problemas como ansiedade, depressão e psoríase. Foi quando começou uma transição gradual para sua nova identidade.
Há cinco anos, não existe mais qualquer sinal de Marcus. Ele deu lugar de vez à advogada transgênero que hoje trabalha no Grupo Dignidade, uma ONG dedicada à defesa de direitos LGBT, e na área criminal.
Ela diz ter recebido a mudança da OMS com uma "grande felicidade". "É importante esse reconhecimento de que não se trata de uma doença mental, para que não tentem nos tratar. Acompanhei o caso de uma menina trans em que a família a internou compulsoriamente em uma clínica. Isso é um perigo."

Por que ser transgênero não é doença

A nova definição da OMS enterra na prática uma noção que se tinha a respeito de pessoas transgênero.
Ser transgênero constava até então no capítulo do sobre problemas mentais do código da organização, como "distúrbio de identidade de gênero".
Agora, muda de nome, para "incongruência de gênero", e passa a integrar um novo capítulo sobre condições relacionadas à saúde sexual.
A edição anterior do guia falava de "transexualismo" - o sufixo "ismo" vem do grego e atribui à condição um caráter de patologia.
Tratava-se de "um desejo de viver e ser aceito como um membro do sexo oposto", normalmente acompanhado por "desconforto" com o órgão genital e vontade de se submeter a cirurgia ou tratamento hormonal para adequar o corpo à percepção pessoal.
Ao deixar de ser doença, a forma de se referir a isso também mudou, como ocorreu com "homossexualismo", que deu lugar a "homossexualidade", quando a OMS tirou de seu guia de doenças a atração por pessoas do mesmo sexo.
O correto é usar transexualidade ou transgeneridade. "O sufixo 'dade' se refere a uma característica. A mudança despatologiza a condição", diz Abdo.
O novo CID abre mão por completo desses termos e trata a transgeneridade como uma "persistente incompatibilidade na percepção de um indivíduo de seu próprio gênero e o sexo designado" ao nascer.

A OMS explica que isso deve se manifestar por vários meses ao menos. O diagnóstico não pode ser feito antes da puberdade, e preferências e comportamentos que destoam do esperado para o sexo biológico não servem de base para isso.
"Uma doença é algo que afeta negativamente o corpo, e a incongruência de gênero não é isso", diz Lale Say, coordenadora do departamento de pesquisa e saúde reprodutiva da OMS.
Ela explica que essa condição, mesmo que não seja uma patologia, ainda consta no guia de doenças porque é algo que demanda serviços de saúde, como cirurgias, tratamento hormonal e apoio psicológico. "Mas não precisa prevenir ou curar. Não é algo que se deve lutar contra, mas que merece suporte."

Mudança 'reflete a visão científica atual'

A versão anterior do CID, de 1990, começou a ser revista há dez anos. Grupos analisaram a literatura científica e consultaram profissionais e pessoas interessadas em cada especialidade.
"O resultado reflete a visão científica atual. Ser transgênero não é uma questão médica, é uma questão pessoal", diz Say.
A OMS levou um tempo para formalizar a mudança de entendimento, diz Saadeh. "A transexualidade não é considerada uma doença mental há 15 ou 20 anos. Demanda um diagnóstico para justificar os tratamentos necessários, senão vira só intervenção estética. E não é o caso, porque a pessoa sofre com a condição", afirma.
"Mas diagnóstico não é sinônimo de doença. Por exemplo, gravidez de risco é um diagnóstico, mas não é doença."
O psiquiatra diz que ainda recebe muitos transgêneros em seu consultório que se consideram uma "aberração". "Chegam de todo o Brasil se achando doentes, um erro de Deus, e mostramos que não é errado ou uma escolha", diz.
Say diz que a mudança no código da OMS ajuda a "aprimorar o conhecimento e a compreensão de profissionais de saúde e a evitar comportamentos com um viés", influenciados por crenças pessoais.
Abdo, da ABP, avalia que isso muda o alvo dos cuidados de saúde, que se voltam para o sofrimento gerado pela condição, e não para a incompatibilidade de gênero em si. "Da mesma forma que não se pode tratar um homossexual para mudar sua orientação sexual, não há por que tratar um transgênero para acabar com a incongruência entre sexo biológico e psicológico", afirma Abdo.
"O acompanhamento será feito para adaptar o sexo biológico ao desejado ou percebido como próprio, um processo que é longo e demanda acompanhamento por uma equipe capacitada."

'É um primeiro passo', diz ativista

Cianán Russell, da Transgender Europe, uma das principais ONGs do mundo de defesa dos direitos de transgêneros, diz que a mudança é um "bom primeiro passo". "Não é apenas simbólica, mas prática. É fantástica e deve ser celebrada. É o resultado de anos de ativismo e um sinal de que a OMS está respondendo às nossas críticas", afirma.

Mas Russell faz ressalvas, por considerar a terminologia ainda "pouco clara", e diz que há um "longo caminho" a percorrer. "A forma usada hoje ainda patologiza de certa forma a condição, porque, por mais que não precise de diagnóstico psiquiátrico, ainda exige algum diagnóstico."
Russell acha improvável que a transgeneridade saia por completo do CID, porque é um mecanismo que dá acesso à cobertura de serviços por planos de saúde. Mas gostaria de ver a condição em uma categoria que não demande diagnósticos atrelados à identidade de gênero.
"Todos os procedimentos médicos que uma pessoa trans precisa, pessoas que não são trans também precisam. Não há nada que seja exclusivo. Mas essa mudança é passo que a OMS não parece estar pronta para dar."
Russell ressalta que a OMS deve se esforçar para implementar as novas diretrizes mais rápido do que no guia anterior. "Mesmo ratificada nos anos 1990, a outra edição foi implementada nos Estados Unidos só em 2015, por exemplo. Enquanto não forem aplicadas na prática, transgêneros continuarão a serem considerados doentes", afirma.

Para combater o estigma

A OMS afirma ainda que não classificar a transgeneridade como uma doença mental pode reduzir o preconceito.
Espera-se que, com o tempo, isso ajude na aceitação social e promova um melhor acesso a serviços de saúde. "A pessoa vai se sentir mais confortável para pedir ajuda", diz Say.
Abdo acredita que isso pode contribuir, mas não será de imediato. Ela cita o exemplo da homossexualidade, que saiu do guia da OMS na edição anterior e, ainda hoje, há um estigma atrelado a essa orientação sexual.
"Os homossexuais se apresentam hoje de forma mais confortável na sociedade, são mais respeitados, considerados indivíduos que existem e que não devem ser submetidos a tratamentos para mudar quem são", afirma a psiquiatra.
"Mas ainda existe quem tente fazer isso, fique deprimido ou tente se matar. As novas gerações serão as responsáveis pela desestigmatização da transgeneridade."
Saadeh faz a mesma avaliação. "Ainda hoje há quem considere homossexualidade uma doença e que tem cura. Para muitas pessoas, ter uma identidade de gênero diferente do sexo biológico é algo maluco", afirma ele. "Conforme as pessoas se tornem menos ignorantes em relação a isso, as atitudes podem mudar, mas levará tempo."

Preconceito velado

Gisele Alessandra diz que declarar-se transgênero foi uma realização pessoal, mas que isso lhe custou o contato com a família.
"Passei dois anos cuidando da minha mãe, que tinha câncer. Depois que ela morreu, viraram as costas para mim. Recebi uma carta em que diziam 'essa coisa em que me transformei' não significava nada para eles. Entraram com uma ação na Justiça para me obrigar a sair do apartamento dela", diz a advogada.
"Em meio ao trauma de tudo que havia acontecido e à dor do luto, eu ainda por cima não tinha mais onde morar."
Ao mesmo tempo, ela diz que hoje, após ter assumido uma aparência feminina, ela sente-se mais aceita socialmente, mesmo que não totalmente. "Ninguém mais me xinga no meio da rua nem sou alvo de qualquer outro ato de violência. Pelo contrário, me elogiam."
Mas ela acredita que o preconceito, antes explícito, agora se manifesta de forma velada. "Talvez seja ainda pior. Posso revidar uma agressão, mas como posso reagir à falta de convites para sair ou de propostas de trabalho? Não há defesa para isso."

Da BBC
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Crossdressers têm festa própria em São Paulo

Quando recebi o convite da artista Luhly Cow para ser jurado de um concurso que elegeria a “melhor crossdresser" de uma festa em São Paulo, me assustei. Nunca tive proximidade com o grupo e a imagem que tinha até então beirava ao preconceito: fotos de “bundas peludas com calcinha publicadas nas redes sociais”.

Relutei ao convite num primeiro momento, até por esperar uma resposta negativa dos leitores, mas logo entendi que muitas vezes é preciso encarar o outro lado e se permitir a entender universos que ficam evidentes somente entre quatro paredes, em festas fechadas e em fotos de redes sociais.

E lá estava eu, em frente à festa Rainha Cross, no Bar Queen, no centro de São Paulo, com os preconceitos e conceitos deixados em casa. Logo no início a imagem preconceituosa dá vida a rostos maquiados, tensos e com muito medo. Deparo-me na portaria com três jovens CDs. De peruca, maquiagem e salto alto. Corriam e pareciam assustadas, intimidadas com a rua, com os olhares e com o preconceito que poderia bater a porta. 

Outra apareceu dentro de um taxi e, quando virei o rosto, já estava dentro da festa.

O espaço – já conhecido pela temática LGBT - conta com música eletrônica, clipes de divas internacionais nos televisores e pequenos grupos de CDs conversando nas mesas. A vestimenta vai desde vestidinhos “periguete” aos vestidos de gala. A maquiagem vai desde as primeiras montagens às profissionais de concurso. E não há regra ou padrão de público.  Teve até uma que estava de peruca, bermuda e... Tênis! Todas olhavam e riam.

No piso superior, figuras ilustres aguardavam o início dos shows e do concurso: a drag queen Kaká di Polly, a apresentadora Marisa Carnicelli e o apresentador Cazé Peçanha, que há pouco falou sobre crossdresser no programa A Liga, da Band, são algumas delas. 


lull
MAS O QUE É CROSSDRESSER?

O termo foi criado nos EUA e existe desde os anos 60. A princípio, era referido aos "homens, geralmente casados com mulheres e heterossexuais, que se realizavam em se vestir com trajes do universo feminino em algum espaço de tempo". E, depois, se desmontar e levar a vida como qualquer outro homem. No Brasil, não é uma prática apenas de héteros, tendo muitos gays e bissexuais praticando o crossdressing. E nem com um único discurso ou motivação.

“O que eu mais gosto é poder usar um vestido, sentir o tecido na minha pele, colocar peruca e desabrochar esse outro lado feminino em alguns momentos. Depois, tirar tudo e levar uma vida de homem, como qualquer outro”, declarou a CD Carla, que é um empresário em outros espaços. “Para mim, é um modo de vida e a possibilidade de viver o lado masculino e feminino”, concordou a amiga, que é bancário.

Enquanto a maioria dava as costas quando sabia que eu era jornalista, outras surpreendiam ao mostrar que, em alguns casos, a vivência crossdresser é um passo para se assumirem posteriormente travesti ou mulher transexual. A cartunista Laerte Coutinho, por exemplo, iniciou dizendo-se crossdresser. Hoje, com o guarda-roupa todo feminino e o contato com outros grupos de militância TT e definições, define-se como travesti ou simplesmente transgênero.

Bianca vê na cartunista uma inspiração: “Sou CD porque não tenho condições de me tornar uma travesti. É o meu sonho, mas minha família não me aceitaria”. “Não fico com uma aparência bonita para me assumir trans. Então me contento com esses momentos. Mas, para mim, desmontar, tirar o vestido, o esmalte e a maquiagem é o momento mais triste”. Chamam de síndrome da acetona.

Além disso, concorrendo no concurso havia uma pessoa que se reconheceu como travesti por uma década, mas que acabou desistindo pela transfobia. Hoje, ela se diz verdadeiramente feliz em espaços em que pode se montar e ser uma CD. "É onde eu respiro", limitou-se a responder.  


NOITE PARA SE SENTIR MULHER – SEM CULPA

A festa é produzida e comandada por Jaime Braz Tarallo, que encarna a personagem Lizz Camargo – cover de ninguém menos que Hebe Camargo. “Criei a festa há quatro anos, quando percebi que não havia um espaço social para elas em São Paulo, que tivesse estrutura adequada, com camarim para elas se montarem”, contou.

Segundo Lizz, o primeiro evento teve a presença de apenas nove CD, fruto do medo de serem flagradas e sofrerem preconceito. “Há resistência de algumas ainda, por culpa ou medo da visibilidade. É uma festa delicada, pois há cross que se programam para vir há três anos, mas ainda não conseguiram. Seja porque a esposa ainda não sabe, por medo e até por não entenderem a sua condição”.


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Ela, que também se considera cross e até é chamada de mãe por algumas, defende que luta é para que elas possam ter uma noite em que se sintam mulheres – e sem culpa. “Antes da Luhly surgir na minha vida, há um ano e meio, a Lizz não existia. Ela fez o make e, depois de dois dias, a internet estava bombando com todo mundo me dizendo: ‘Olha a Hebe’. Foi algo espontâneo e que eu adorei”.

No palco, Lana Miranda – artista transformista que é cover oficial de Carmem Miranda – arrasa nas performances.

CDZINHA É PEJORATIVO

- Posso falar CD para dizer crossdresser ou é um termo pejorativo?
- O termo CD não é ofensivo, mas CDzinha, sim.
- Sério?
- As CDzinhas, apesar de também se considerarem crossdresser, tem o fetiche alto e normalmente utilizando do crossdressing para promover encontros sexuais.
- Mas qual é o problema de partir para o lado fetichista?
- Nenhum, mas é que é bem diferente do princípio do crossdressing, que fala mais sobre arte.
- Para você ser crossdresser é fazer arte?
- É um estilo de vida. Pessoas que levam dois momentos e que transitam nos universos masculinos e femininos. Se você reparar aqui, as pessoas não estão pensando em fazer pegação, estão mais para vivenciar o lado feminino. Entende a diferença?
- Total!

CAZÉ PEÇANHA É HOMENAGEADO

Durante a festa, o apresentador Cazé Peçanha, que estava acompanhado da mulher Fernanda Thompson, foi homenageado, devido à reportagem que fez para o programa A Liga, da Band. Ao anunciar, Liz declarou que ele tirou as CDs das sombras.
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Muito simpático e aparentemente bem a vontade, Cazé tirou foto com vários presentes e declarou que a reportagem o ajudou a “harmonizar o lado masculino com o feminino”. Foi a primeira vez que entrei neste universo feminino, com bastante respeito. E tentei trazer a mulher que existe dentro de mim para fora.

O apresentador declarou que o ser humano divide as pessoas em tantos rótulos que, muitas vezes, algo que poderia ser unido está separado. Da experiência de se montar para a reportagem, ele declarou que pior parte foi a depilação. “Foi muito doloroso e quase desisti”.

Ao NLUCON, Liz comentou a declaração sobre as CDs quererem “sair das sombras”, uma vez que grande parte prefere, sim, o anonimato. “Referia-me ao respeito e entendimento que elas precisam ter delas próprias e pela sociedade. O anonimato que elas querem é de exercer o fetiche e numa noite de sonho. Mas muitas, quanto acabam as festas, não se conformam em ter de se desmontar”.

O CONCURSO

Ao todo foram 12 concorrentes, das cidades de São Paulo, Roraima, Santo André, Morro do Pinhalzinho, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Elas foram anunciadas por Luhly e desfilaram para a plateia com seus vestidos.

Diferente de outros concursos de beleza, não há padrões pré-definidos para participar, tampouco a cobrança de andar ou figurinos de miss. As candidatas têm de 18 a 43 anos, 1,67m a 1,84m, diversos padrões de beleza (magras, gordinhas, novatas, veteranas...) e apostas diversas de figurino.

Depois de vários desfiles – tímidos, desinibidos, desajeitados e até de modelos de passarela – os jurados deram os votos em público. Cazé Peçanha votou em Alyssa Brandão, o Neto Lucon votou em Playt Patricia, assim como Kaká di Polly. E os demais jurados deram o voto para Cynthia Andreia, tornando-a Rainha Cross.

Ela recebeu a faixa, tirou fotos e terá, entre as responsabilidades, bater cartão na festa e representar as crossdressers.

BATE-PAPO COM A RAINHA CROSS
Andréense ou Cynthia Andreia, 35 anos, projetista mecânico, solteiríssima, meiga e adora fazer amizade.


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- Me falaram aqui que crossdressers buscam o direito a um estilo de vida. Me explica?

A gente quer poder transitar nestes dois mundos sem problema nenhum, sem sofrer preconceito. O crossdressing pode ser encarado como um hobbie, um estilo de vida e para algumas pessoas também pode ser um fetiche. Mas no fundo queremos o que todos os transgêneros querem, sermos reconhecidas e podermos andar na rua livremente, se sentir a vontade com o gênero feminino, mesmo que temporariamente.

- Mas não se trata de uma luta pela identidade, como é o caso das travestis e mulheres transexuais, certo?

Não, pois a luta pela identidade é das travestis, transexuais, que são mulheres ou que vivem o gênero feminino 24h. Ele não faz parte da vontade da crossdresser, que vivencia os dois gêneros por determinado período. Apesar disso, não há rivalidade. Nós entramos como apoiadoras da luta e achamos legítima a luta. Até porque tem algumas cross que acabam se descobrindo travestis ou transexuais depois de um tempo.

- A Liz disse que o Cazé tirou as CDs do escuro. Mas o grupo não prefere justamente ficar às escondidas? Não é um grupo fechado?

Não queremos ficar escondidas de forma alguma, esse grupo tem que ser aberto, a maioria ainda fica se escondendo por medo exatamente dessa sociedade. E muitas também são casadas, namoram, a família não sabe, o emprego também não aceitaria este outro gênero. Mas no fundo sabemos que temos que nos mostrar para ampliar este grupo, para que a sociedade passe a nos ver com menos preconceito e mais aceitação. No meu trabalho, por exemplo, todos sabem que me monto, porém isso não interfere em nada. Até porque nunca fui montada para lá.

- E você gostaria de trabalhar montada?

Diria que sim, porque às vezes acordo tão menina que minha vontade é ir (risos).

- Existe diferença entre as CDs do Brasil e dos EUA?

Aqui noto que a maioria é gay ou bissexual, sendo que lá existe aquela questão de “serem homens heterossexuais que se vestem...”. Neste sentido, acho que estamos mais soltos. Eu sou sou heterossexual, ou seja, só me relaciono com mulher. 

- Como foi que você percebeu que era uma CD?

Costumo dizer que a gente não se descobre CD, nasce CD. Eu já curtia esse lado feminino desde criança mesmo. Sempre achei mais graça nas peças femininas que nas masculinas. E o interessante é que nunca fui afeminadinha, sempre curti mulheres... Mas o lado feminino me atrai demais, incluindo essa mudança temporária de gênero.

- Foi tranquilo o processo de se entender CD?

No início foi difícil, porque eu me achava totalmente diferente. Às vezes pensava: Será que eu sou travesti, será que eu sou trans? Mas depois de muito pesquisar, ler e conversar com outros iguais, me encontrei. Resolvei buscar amizade com outras CDs também para trocar experiências, ver novas perspectivas e abrir mais a minha mente também. Hoje, eu me considero dentro da categoria transgênero.

- Lembra a primeira vez que você se montou?

Com sete anos eu já colocava escondida as lingeries da minha mãe, tia e primas (risos). Mas quando realmente me montei por completo eu tinha uns 23 anos. E fui só evoluindo e tomando gosto cada vez mais por essa prática.

- O que acha da festa Rainha Cross?

Essa festa foi uma das maiores descobertas da minha vida. Me deu muita liberdade em fazer o que realmente é importante, que é ampliar minhas amizades com as cross, além de ajudar as iniciantes. O Jaime é um anjo de pessoa, um ser humano fantástico e tem me ajudado muito nessa minha caminhada. A festa realmente é um lugar para as cross se sentirem bem recepcionadas e serem tratada como Divas e Rainhas, por que ali é o momento delas.

- Como foi ganhar o Miss Rainha Cross?

Foi uma surpresa, porque tinha candidatas maravilhosas. Adorei! É uma responsabilidade grande representar essa classe.

- E miss pode beijar nas festas?

Só se não borrar o batom (risos).


Do NLucon - Por Neto Lucon
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Adriana Sales: "população trans não existe para a escola brasileira"

Antes de qualquer título acadêmico – ela é mestre em Educação e está terminando o doutorado –, Adriana Sales gosta de ressaltar que é travesti. E foi prostituta. “São palavras carregadas de estigma, preconceito e discriminação. Então, quero me marcar nesse rótulo para dar visibilidade para a gente desconstruir os estigmas que foram elaborados em cima desses termos”, diz, logo no início da nossa conversa.
Nascida em Londrina, numa família pobre, junto a outras duas irmãs, foi aos 12 anos que ela descobriu a travestilidade. Assim como acontece com a maioria das travestis, foi expulsa de casa pelo pai. Decidiu, a partir daquele momento, que a educação seria seu cabedal de salvação.
Entrou para uma universidade pública, passou num concurso de professores, cursou mestrado e está prestes a ser doutora. “Sempre acreditei na educação e percebi que, através do conhecimento, eu tinha uma moeda de troca para me manter nos lugares e acessar muitos outros”, explica. Feminista, revolucionária, determinada, Adriana fala sério, mas sem perder a ternura. Ela esteve em Vitória, onde foi palestrante. Na plateia, um auditório lotado de professores, ouvindo sua história e os possíveis caminhos para sermos uma sociedade menos preconceituosa e com oportunidades para todos. Adriana, mais do que tudo, acredita na educação.

Você é uma exceção. Uma das poucas travestis do país a cursar um mestrado. Como isso acontece?

Entro no mestrado em 2011 e nunca foi um desejo. Aconteceu e foi muito bom, me abrindo outros caminhos. E a academia cometeu um grande erro ao dar espaço para nós, travestis e transexuais (diz, em tom de ironia). Há 20 anos a academia falava sobre a gente. Quando começamos a nos organizar como coletivo, e ela percebe a nossa força intelecto e teórica, começa a chamar a gente para falar com ela. E de 10 anos para cá, como temos acessado este universo acadêmico, falamos por nós próprias. Agora não tem mais volta, porque temos mais de cinco travestis doutoras, outras no mestrado e muitas querendo entrar na universidade, vide a procura pelo Enem. Abrimos a porta e não tem retorno. A academia terá de engolir que essas pessoas existem.

Você sempre foi bem aceita no universo acadêmico?

Nunca. Nenhuma travesti é bem aceita e bem-vinda em lugar nenhum. Nós somos resistentes. Não somos bem-vindas em lugar nenhum, mas encontramos parceiros. Alguns pesquisadores – ou de qualquer outra profissão –, que fazem parte de um grupo muito restrito, têm um feeling voltado ao direito das pessoas, à diversidade e ao respeito. Eles têm produzido muita coisa sobre a transexualidade e a travestilidade.

Qual o tema de sua pesquisa no mestrado e no doutorado?

O tema geral trabalha com “Travesti e escola”, fazendo um mapeamento das travestis que estavam nas escolas pública de ensino médio do Mato Grosso. Fizemos um diálogo com elas, porque quando comecei tinha certeza que as travestis não queriam frequentar a escola. E eu errei feio. Porque todas as participantes mostraram que queriam estar na escola. Não naquele modelo, mas queriam. Só que a população trans não existe para a escola brasileira. Então pesquisei qual a pauta de educação que elas (travestis) querem e, no doutorado, trouxe para a psicologia.

As universidades estão abertas e preparadas para receber travestis e transexuais?

Jamais. Elas não estão abertas para travestis, transexuais, negros, pessoas quilombolas, indígenas... As escolas brasileiras estão preparadas daquela maneira que elas foram pensadas, para o filho mais velho que vai poder cursar Direito e defender o seu latifúndio. É uma escola para branco, homem e pessoas heterossexuais, totalmente misógina. A universidade brasileira precisa ser implodida. Essa escola é ineficiente e inexistente, ela está fadada à falência. Ou essas pessoas que resistem dentro deste espaço rearticulam essa escola ou seremos uma sociedade falida.

Então, para você, o modelo de educação tem de ser mudado?

Precisa ser mudado. Ou a gente muda ou vamos continuar reproduzindo pessoas que não entendem da política, da história do Brasil, do que foi a ditadura militar e a escravidão. Elas sabem decodificar, ler e escrever, mas de modo muito limitado. Ou reorganiza – o que é um currículo, a formação profissional e a formação nas universidades – ou essa escola vai continuar reproduzindo essa sociedade emburrecida.

A ocupação dos espaços do conhecimento é uma atitude política?

Totalmente. Por isso que fazemos questão de mantermos a pauta da travesti e transexual quando adentramos em qualquer espaço. Tenho observado que só o fato de existir uma travesti, uma transexual ou homem trans, um negro, que transite nesse espaço, já é um marco político. Porque é um diferente ali dentro.

Como foi a sua infância?

Sou a mais velha de três filhas de uma família estruturada, tida como padrão, mas venho da extrema pobreza, em Cuiabá, no Mato Grosso. Um infância normal até se deparar com a questão da sexualidade na escola, por volta dos 12 anos. Logo em seguida, assumo a travestilidade, meu pai me coloca para fora de casa, como acontece com qualquer outra companheira minha, e eu vou para a vida. Em momento algum eu optei por largar a escola. Eu sempre acreditei nela. Era um lugar em que me sentia bem e eu comecei a perceber que, através do conhecimento, eu tinha uma moeda de troca. Para me manter nos lugares, para acessar o emprego formal. O primeiro foi aos 13 anos, como vendedora de loja, logo em seguida fui contratada para ser professora de inglês da rede pública. Eu sempre achei que a escola era um cabedal de salvação.

E aí você passa no vestibular aos 17 anos...

Passo no primeiro vestibular que prestei, em 1995, em primeiro lugar, para o curso de Letras-Francês. Eu era apaixonada por línguas, então um grupo de amigos que conheci, da comunidade LGBT, me incentivou. Estudar em universidade pública é caro, por isso ganhei todo tipo de material e de bolsas até o final do curso, porque não tinha condições financeiras. E, quando entro na universidade, me desperta essa veia ativista do movimento LGBT, principalmente na minha pauta, porque é na universidade que eu assumo o nome social, a expressão de gênero, a travesti. Esse momento coincide de eu passar no concurso da rede de ensino do Mato Grosso. Vou me garantindo nesse lugar do qual não queria sair, que é a escola.

Nesse período, década de 90, a palavra transexual nem era citada pelas pessoas.

A própria palavra travesti me assustava. Até hoje a palavra travesti é carregada de estigma, preconceito e discriminação. Tudo que não presta está ali. Ao mesmo tempo, fui me encantando por tudo isso que ‘não presta’. Aonde tem sujeira e marginalidade, é onde eu quero estar. Não quero ser capturada pelo embranquecimento social, pela misoginia e pelo falocentrismo. Faço questão de, no meu currículo, colocar que sou professora. Mas, antes de qualquer tipo de título acadêmico, sou travesti. E puta. Outro estigma que carrego, mesmo não atuando mais. Quero me marcar nesse rótulo para dar visibilidade para a gente desconstruir os estigmas que foram elaboradas em cima desses termos.

Assim que você termina a graduação você vai para Paris. O que você vai fazer lá?

Eu ganhei uma bolsa de especialização, junto a outras sete pessoas do Brasil, para três meses, mas acabo ficando um ano. E aí eu viro puta de verdade, porque precisava saber o que era. Todas as minhas amigas eram, só eu que não. Só eu era professora, só eu frequentava aquele espaço, eu queria saber o porquê. Durante esse tempo, conheço um ativismo muito forte na Europa e, quando eu volto para o Brasil, meu voo tinha uma escala no Rio de Janeiro, onde eu decido ficar por mais um ano. Depois, como estava prestes a perder o meu concurso de professora, volto para o meu Estado, porque protelei dois anos e meio para tomar posse.
O que sua experiência como prostituta ensina a respeito do universo masculino?
Me dá mais subsídio para ser feminista. Assumir este lugar, não só por ter passado por ele, é me assumir uma travesti feminista que reconhece um feminismo que agrega, que respeita o direito das mulheres e de todos os tipos de feminilidade, não somente este tipo vaginizado. E sempre levantando essa bandeira contra esse padrão, essa norma universalista que é falocêntrica. Não sou contra os homens e amo ter masculinidade no meu corpo.

Quem é o homem que procura pelo serviço das travestis?

É o mesmo homem que mata. O Brasil hoje é, no globo, o que mais acessa sites de conteúdo erótico com travestis e transexuais. Mas também é o país que mais mata travestis com requintes de crueldade. Então o mesmo homem que me procura na virtualidade é o que me assassina na esquina. É um paradoxo que precisa se enfrentado. A maioria de nós morre simplesmente por ser travesti.

Você bagunça muito a cabeça das pessoas, sendo uma travesti com doutorado?

Eu corro risco de morte todos os dias. Gosto muito do conceito de parresía, de Michel Foucault (filósofo francês), que é a pessoa que sabe que está correndo risco de vida, que a luta dela pode, em contrapartida, encontrar um assassinato, mas ela não desiste. As travestis são parresíastas. É preciso que exista esse embaralhamento na cabeça das pessoas, para que elas enxerguem outras possibilidades de ser. As pessoas não podem tutelar meu corpo e minha sexualidade, o que eu faço com ela no dia a dia só diz respeito a mim.
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Sobre este blog

Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

Me proponho aqui a falar um pouco de tudo, em especial das Crossdressers, dos transexuais, dos Travestis e da enorme comunidade
LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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