Uma Crossdresser Gordinha Complicada e Imperfeita

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Mamma Bruschetta pede desculpas após ser acusada de transfobia

A apresentadora Mamma Bruschetta pediu desculpas ao vivo no Fofocalizando desta terça-feira, 15, para Luisa Marilac, após ser acusada de transfobia por tê-la chamado de "homem" no programa de segunda-feira.
Luisa chamou atenção nesta semana após se envolver em uma polêmica com o cantor Nego do Borel. Em uma foto, ela comentou: "Cada dia que passa você está mais gato, homem."
Na sequência, Nego respondeu: "Você é um homem gato também, parabéns. Deve estar cheio de gatas, né?". Luisa se disse "perplexa" e "passada" com a resposta: "Onde é que você está vendo um homem aqui?"
Ao comentar o caso no programa de segunda-feira, 14, Mamma Bruschetta deu indícios de que imaginaria a repercussão que sua fala poderia render: "Vou dizer uma coisa. É capaz que eu receba até umas pedradas por aí..."
"Escuta, mas pelo que aconteceu, é muita reclamação pra nada. O que o menino fez? Não fez nada. Ele que foi fazer uma brincadeira... Brincadeira não, que não deixa de tá falando a verdade, porque, afinal de contas, a Luisa Marilac é homem também."
Leão Lobo, então, interferiu na fala de Mamma: "Mas acho que ela falou uma coisa muito séria: 'Se coloque no lugar do outro'. Porque isso ofende muito a quem é trans". "Mas ofender o que?", rebateu a apresentadora.
Nos stories de seu Instagram, Luisa ficou revoltada com a situação: "Ah, é homem? Você vai ter que falar isso pro meu advogado, Mamma Bruschetta. Hoje eu sou mulher documentada. Eu vou lhe processar. É uma 'bobagem' e você vai tomar processo."
"Vou processar a Mamma Bruschetta! Avisem ela lá, gente, pra ela se preparar. A Mamma Bruschetta vai tomar um processo no 'toba' pra ela aprender a me respeitar. Eu não processei o Borel, mas ela eu vou processar."
"A Mamma Bruschetta teve a coragem, a audácia de falar que o Nego do Borel não estava errado, que eu realmente sou um homem. Mamma, prepara porque eu vou te processar! "Eu hoje sou do sexo feminino no documento, meu nome é Luisa Marilac da Silva, mulher, e achei um absurdo aquilo. Ela tem que aprender a respeitar o gênero", concluiu.
Em entrevista ao TV Fama, Luisa contou acreditar que haja uma intenção ruim por parte da apresentadora.
"A Mamma Bruschetta é uma pessoa muito inteligente, então acho que aquilo que ela falou foi na maldade. Senti uma maldade nela, que às vezes eu não sentiria no Borel, mas eu senti nela. Eu não processei o Borel, mas ela eu vou processar."
Durante o Fofocalizando desta terça-feira, 15, Mamma se desculpou pelos comentários feitos no programa anterior, reconhecendo que Luisa é "uma mulher oficialmente pelos documentos."
"Cometi a indelicadeza de chamá-lo... chamá-la de 'homem'. Peço desculpas a quem ficar ofendido."
Luisa deu sinais de que não vai voltar atrás em sua intenção de processar a apresentadora. "Agora fala com minha advogada", escreveu ao publicar um trecho do momento de desculpas de Mamma Bruschetta em seus stories.
Luisa Marilac ficou conhecida em 2011, quando um vídeo em que aparece em uma piscina e fala a frase: "E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior... p***, o que quer dizer tá bem, né?"


 
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'Ele é como um pai', diz transexual que adotou o sobrenome do padre Julio Lancellotti

Uma agente de saúde transexual homenageou o padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral da Rua, ao escolher o seu nome de mulher. Na terça (15), Alessandra Lancellotti Sousa retirou a sua nova certidão de nascimento, com o gênero feminino.

EM NOME DO PAI 

“A vida me deu ele como um pai”, diz Alessandra. O clérigo a ajudou a se adaptar e a arrumar emprego em SP quando ela chegou de Presidente Prudente (SP), em 2017. “No interior, os padres têm repulsa da gente.”

AMÉM 

O padre diz se sentir “tocado pelo carinho”. “Ela perguntou se eu aceitava [que seu nome fosse usado] e eu disse que tudo bem. Ela está fazendo um caminho de emancipação.”

Lei a coluna completa aqui.
Mônica Bergamo
Jornalista e colunista. 


Da Folha
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No mês da visibilidade transexual, organizações preparam Caminhada pela Vida Trans

Janeiro é o mês da visibilidade das pessoas transexuais ou travestis, ou seja, pessoas que não se identificam com gênero que foi designado a elas no nascimento. Para dialogar melhor sobre o tema com a sociedade, organizações e órgãos públicos como o Mães Pela Diversidade, o Espaço Trans do HC e a Defensoria Pública do Estado de Pernambuco promovem a Caminhada pelas vidas Trans. O evento acontecerá no dia 26 de janeiro com concentração a partir das 14h na Praça do Derby e segue em direção ao Monumento Tortura Nunca Mais, com chegada prevista ás 17h
Edição: Monyse Ravenna

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Descubra a Modelo Trans Yasmine Petty


A modelo transgênero Yasmine Petty posou em Nova York para uma campanha da Calvin Klein (foto acima). "As vezes é muito difícil levantar da cama", brincou a gata americana ao postar uma foto do ensaio no Instagram... Mas quem é ela? Traduzi esse texto do IMDb de autoria do Eriq Chang: "Descrevendo rapidamente, Yasmine Petty é uma modelo transexual americana de ascendência marroquina. Petty trabalha principalmente como modelo de passarela e modelo fotografia, mas tambem realiza trabalhos como atriz e fotógrafa.


Ela pode parecer uma boneca viva do lado de fora, mas embaixo de sua beleza ela incorpora partes iguais de intelecto, ambição e impulso. Este ícone moderno destrói o fingimento e o preconceito com sua beleza exótica e arrojada, confundindo as linhas entre a fantasia e a realidade.

A verdadeira paixão de Yasmine é ajudar os indivíduos a alcançarem seu verdadeiro potencial, inspirando-os a serem os melhores do mundo. Sua crença é que você pode conseguir qualquer coisa na vida que você coloca sua mente e ela espera que ela possa ser um testemunho vivo desse lema.

Nascida no norte da Califórnia, com uma herança italiana e marroquina, Yasmine sempre teve grandes aspirações. Com formação educacional em artes visuais, design de moda e fotografia, ela se mudou para Nova York, onde se aventurou por várias facetas da indústria da moda, criando momentos lindos e icônicos na frente e atrás da câmera. 

Estudou fotografia no ICP, design de moda na faculdade de Anza e artes culinárias no West Valley College. Enquanto morava em Nova York, Yasmine trabalhou como modelo, e exerceu também cargos de diretor de várias agências de modelos bem como diretor de criação/estilista de moda para várias revistas de moda, incluindo a Surface Magazine.





Como musa, Yasmine despertou o interesse de muitos estilistas e fotógrafos internacionais. Ela começou a desfilar pelas passarelas internacionais como modelo ao lado de ícones como Naomi Campbell e Karolina Kurkova, fazendo aparições em desfiles produzidos pela Vogue Itália entre outros.

Ela tem sido destaque em muitas das principais revistas de moda atuais, como a W Magazine, Hercules e modelada para Louis Vuitton, desenhada por Marc Jacobs para a LOVE Magazine.

Ela também foi baleada por alguns dos fotógrafos mais emblemáticos do setor, incluindo Patrick Demarchelier, Mario Sorrenti, Ellen Von Unworth e Marianno Vivanco.

Não demorou muito para que Hollywood se interessasse pelos talentos de Yasmine. Suas últimas realizações incluem um papel de protagonista em um próximo filme de Adam Shankman e Frank Meli, bem como várias aparições em vários programas de televisão e vídeos musicais. Yasmine está muito animada pelo mais novo capítulo de sua carreira.

Dada sua paixão pelo entretenimento e pelas artes, ela está ansiosa e aberta para continuar sua carreira como atriz profissional e está ativamente estudando com um dos melhores treinadores de atuação de Nova York."

Por Katia Walker - Via: IMDb por Eriq Chang



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Transição aos 55


Começou com uma brincadeira: o artista plástico dinamarquês Einar Wegener (1882-1931) posava vestido de mulher para a esposa, Gerda, produzir suas pinturas. Ele gostou da ideia, até assumir a identidade de Lili Elbe e passar por uma das primeiras cirurgias de readequação sexual da história, drama contado no filme "A Garota Dinamarquesa" (2015). A taxista paulistana Marcella Almeida, de 55 anos e 1,74m, começa a entrevista comparando-se ao casal de artistas. Ela já se vestia de mulher com roupas da irmã na infância e a ajuda de suas ex-mulheres enquanto se identificava como Marcus Vinícius. Foi só há seis meses que iniciou sua transição de gênero. Ela conta como tem sido à Universa.

"Tenho uma irmã um ano mais velha que eu. Aos 6 anos, eu pegava as roupas dela e me admirava no espelho. Adorava ser menina. Roubava as calcinhas e colocava batom da minha mãe. Gostava de boneca. Esperava todo mundo sair de casa para ficar me montando.

Quando adolescente, era bonito, loiro, olhos claros, e pegava muita menina. Quando elas dormiam, eu colocava suas roupas, ou trocávamos mesmo. Gostava do ser feminino, não para transar. Via uma mulher bonita e a invejava.

Minha questão não era ser gay, mas ser mulher. O problema é que, na minha juventude, não tinha acesso a tratamento no Brasil. E aceitei minha situação da seguinte forma: amo Ferrari mas tenho Chevrolet, então serei feliz com o que tenho. Nesses 55 anos, o Marcus Vinícius foi feliz como pode.

Vestia roupas das ex-mulheres

Casei duas vezes. Com a primeira mulher, fiquei cinco anos e tivemos um filho quando ela tinha 14. Ela sabia das minhas manias e transávamos vestidas de mulher, fazíamos trocas de roupas. A segunda mulher, com quem estava há 30 anos, me dava baby dolls.

De uns anos para cá, comecei a acompanhar casos de transição de gênero e imaginar como seria comigo. Estudei os locais em que poderia ser atendida e, há três anos, cheguei ao Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento, em São Paulo. Me inscrevi para o tratamento gratuito, e somente em maio de 2018 me ligaram para a triagem.

Eu sei que não serei 100 % mulher. Eu sou trans. São gêneros diferentes, e o importante é ser feliz.
Fiz exames de sangue para saber se podia tomar hormônio e não tive dificuldade para começar o tratamento. Fui a duas sessões com um psicólogo e, em junho, iniciei a terapia hormonal.

Sem orgasmos

A Marcella nasceu de julho para agosto deste ano, quando estava completando 55. Tomo bloqueador de testosterona. Já emagreci 20kg. Em 40 dias de hormonização, meu sexo encolheu 50%. As calcinhas nem me incomodam. Minha certidão de nascimento já foi mudada. Sempre achei que tinha cara de Marcella. Hoje, por causa do tratamento, choro à toa. Perdi 30% da minha força física. Parece que a massa muscular está derretendo, a pele está fina. Ainda faço depilação a laser. Ser mulher custa caro. Só não tenho orgasmo, mas prazer.
Minha mulher pediu para não fazer a transição. Ela teve um ataque, disse que ia colocar veneno na minha comida. Não pensou que minha vontade de ser mulher sairia das quatro paredes.
Ela vomitou, ficou mal. Contei o que faria no dia do aniversário da nossa filha, de 23 anos. Uma vez, ela foi atrás de mim no DST [sigla usada para o ambulatório]. Queria quebrar meu carro, abriu as portas do ambulatório.

A gente se ama muito. Brigamos pouco nesses 30 anos e ela criou meu filho do primeiro casamento. Mas estamos contornando. Ela procurou um psicólogo e já conheceu uma pessoa. Entramos no processo de divórcio.

Questionei muito a mim mesma se faria tudo isso. Foram 55 anos da minha vida analisando. E, como ela sabia disso, pensei que aceitaria mais fácil essa transição. Ela ama o Marcus e a Marcella, mas sabe que o primeiro não existe mais. Eu o enterrei. Quando a gente sai, ela me apresenta como uma amiga. 

"Enfiei a Marcella goela abaixo"

Minha mulher se culpa por ter me vestido de mulher durante todo esse tempo. Às vezes, dormimos juntos, e dia desses ficamos. Se ela me aceitasse assim, seria bom, porque sempre a amarei. É difícil perdê-la. Era infeliz quanto à minha sexualidade, mas feliz no casamento. Agora é o contrário. 
Arquivo pessoal
Marcella trabalha como taxista pelas ruas de São Paulo Imagem: Arquivo pessoal
Eu enfiei a Marcella goela abaixo. Simplesmente acordei, fui no departamento jurídico do transporte público de São Paulo e falei que ia mudar meu gênero. Fui no ponto de táxi que fundei, em Moema, e falei para todo mundo.
Meu filho mais velho, de 31 anos, foi a única pessoa que me ofendeu nesses seis meses de transição. Ele queria que eu me afastasse e o atendi.
Ele está preso após uma briga com um policial e fui na cadeia como mulher visitá-lo. O pessoal de lá falou que ele deveria tirar o chapéu para mim e se encher de orgulho pela coragem.
Minha filha aceitou e meus cinco netos estão aprendendo a conviver. Meus pais são falecidos e minha sogra, que mora conosco, é cega e tem Alzheimer. Não compreende. Acho que minha mãe iria se decepcionar, porque eu era um filho lindo. Minha irmã chora todo dia. Não consegue aceitar. Disse que nunca vai me chamar de Marcella.
Tive amigo que jantava na minha casa e hoje não olha na minha cara. Às vezes fico chateada, porque as pessoas à minha volta estão tristes enquanto deveriam me apoiar. 

Experiência com homens

Nunca tinha ficado com homem e, a princípio, achei que era lésbica. Tenho muito prazer com mulher. Mas conheci um carinha na rede social há dois meses, casado com uma moça e bissexual. Saímos algumas vezes e me senti maravilhosa. Tive muito prazer nos braços dele, porque me senti feminina. Nunca transamos. Me apaixonei como uma menina de 15 anos, e não soube lidar com a situação. Eu queria algo sério.

Contei tudo para minha mulher. Uma vez, marquei de dormir com esse rapaz. Comprei camisola e mostrei para ela. Mas não aconteceu. Também fiquei com um modelo famoso, mas ele é casado e tem filha. Nos falamos até hoje. 
Eu me considero bissexual. Transei com uma mulher dia desses, mas tenho gostado mais de ficar com homem. Minha primeira experiência sexual com homem foi com um menino de 22 anos e foi maravilhoso porque tirei todas as vontades que tive durante esses 55 anos. 
Não sei se farei a cirurgia de redesignação sexual. Num primeiro momento, não queria mais usar meu órgão, mas os caras gostam assim e posso querer usar com uma mulher. Também não sei se colocarei silicone. Não quero ser uma miss. 
Nunca sofri nenhum tipo de agressão, nem tenho medo. Eu votei no Bolsonaro (presidente eleito), mas se ele acabar com o tratamento gratuito para pessoas trans, vou lá e compro os medicamentos.
Depois de ficar 55 anos dentro de um corpo que não é meu, nada me atinge. Pode chamar de travesti, trans, 'viado' mas o que me importa é minha família. Não dependo de ninguém para nada. Uma mulher que foi cliente minha por 20 anos não quer mais meu serviço como taxista, por causa da religião dela. Respeito, e quero que me respeitem também".

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Thalita Zampirolli investe em carreira nos Estados Unidos



Há alguns meses, Thalita Zampirolli começou uma grande mudança não só na sua vida pessoal, mas também na profissional.

A modelo decidiu se mudar para os Estados Unidos a fim de aprimorar seus conhecimentos e assim refletir isso na carreira que pretende traçar daqui uns anos.

A morena estuda o idioma local e faz cursos de artes cênicas.

"Vim para os EUA para estudar e estou totalmente focada nessa nova fase da minha vida. Estudo inglês e artes cênicas e pretendo investir na minha carreira de atriz aqui”, disse Zampirolli.
 
Ainda sabendo da dificuldade que é conseguir um espaço em um mercado tão concorrido como o mundo do entretenimento norte americano, ela disse estar disposta a superar seus limites e conquistar seus sonhos.

“Eu sei que não será fácil, mas estou pronta para seguir essa jornada enfrentando tudo o que vier pela frente.

O que nos faz forte o suficiente para vencer uma batalha, seja ela em qualquer campo de nossas vidas, é o quanto você deseja cruzar a linha de chegada, o quanto você resiste até o final da corrida e eu estou pronta para superar os meus limites", disse a atriz.

Do Fuxico

 
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Transexual afastada da Marinha briga na Justiça para voltar a trabalhar

A vontade de voltar a trabalhar tem sido uma busca constante da segundo-sargento da Marinha do Brasil, Bruna Benevides, de 38 anos. Em 2015, ela foi afastada depois de assumir que é uma mulher trans. No último dia 6, a Justiça Federal determinou que Bruna retome o trabalho e que o nome dos seus documentos na corporação seja retificado.
A sentença, proferida pela juíza federal Geraldine Pinto Vital de Castro, determinou ainda que a motivação de transexualidade seja afastada como doença que impedia o exercício de Bruna na Marinha. (saiba mais aqui e aqui)

A militar, que também é diretora da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), esteve nesta quinta (22) no Campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para participar do evento “Respeita as mina” que tratou sobre a violência de gênero.

  • Quando você percebeu que era uma mulher?
Isso vem desde quando eu era criança. Desde que eu me entendo por gente eu já sabia que eu não era um menino.
  • Como você se sentia?
Fui obrigada a me reprimir por questão de sobrevivência. Ou me reprimia ou vivia violências simbólicas e psicológicas. Para amenizar, tentei me enquadrar no padrão. Mas era tentar esconder o rabo de um pavão. Me vestia como um homem, mas eu não era um. Eu falo que era o oposto: me travestia de homem. Era na verdade um disfarce para amenizar a violência.
  • Sofria muito preconceito?
Direto. Era só repressão. Mas naquela época eu não entendia. Hoje lido de forma tranquila porque estou na militância. Passei a entender que não é uma coisa só comigo, é uma questão estrutural. Antes o discurso vinha disfarçado de amor. Diziam “vou te bater porque te amo e quero te consertar” ou “vou te colocar de castigo porque Deus te ama e ele quer te salvar”. Isso acontecia comigo e acontece com muita gente até hoje.
  • Você pensou em parar de estudar?
Não. Eu entendia que o único caminho era estudar. Eu sabia que se eu parasse, o que me restaria era sofrer um processo de marginalização que é imposto para a maioria das pessoas trans.
Como você decidiu entrar para a Marinha?
Sou de Fortaleza, no Ceará e vivia em uma família muito conservadora. Pensei em fazer a prova no Rio de Janeiro porque eu tinha o sonho de ter minha liberdade.
  • Como foi no início?
Passei no concurso quando eu tinha apenas 17 anos. Foi muito difícil. Quando cheguei no Rio comecei a viver uma vida dupla. Eu me travestia de homem para trabalhar. Fiquei nesse disfarce por uns 18 anos.
  • As pessoas na corporação desconfiavam?
Sim. Por mais que eu não verbalizasse nada, as pessoas percebiam. Eu sofri bullying, mas também recebi apoio. Só que chegou um momento que comecei a questionar o que estava fazendo com a minha vida. Decidi reivindicar meu lugar de mulher na sociedade sem me preocupar com o que iam pensar de mim.
Como foi depois de ter assumido que é trans?
Fui encaminhada a junta médica que me deu um laudo de incapacidade por transexualidade ser considerado um transtorno. Fui afastada temporariamente para me cuidar.
  • O que passou na sua cabeça?
Eu pensava que nada que eu falasse ia mudar. Hoje tenho um laudo médico dizendo que eu sou transexual. Sinto que sem esse laudo eu não existiria porque minha experiência de vida não é válida.
  • E como se inseriu no movimento social?
Foi nessa época que fui afastada temporariamente, de 2014 para 2015. No ano passado me deram um laudo definitivo de incapacidade para o trabalho na Marinha. Foi aí que procurei a Defensoria Pública e acionei a Justiça Federal.
  • Você tem algum medo?
Toda vez que vou ao banheiro, tenho miniataques cardíacos. Fico com receio de ser botada para fora, porque isso é uma realidade. Quando vou embarcar já fico com um frio na barriga por tantas vezes que tive que apresentar um documento com uma foto que não era eu mesma. Era super constrangedor.
  • O que te move nessa luta?
Luto pela sobrevivência daqueles que não tem a oportunidade que eu tive. Quando você vê os índices de morte e que a estimativa de vida das pessoas transexuais é de 35 anos, me sinto na obrigação de falar por essas pessoas.
  • Você voltou a trabalhar?
Ainda não. O processo está correndo em primeira instância. A luta não começou comigo. Antes de mim foram oito travestis e transexuais das Forças Armadas que lutaram pelo direito de trabalhar. O meu caso é o primeiro que consegue uma decisão favorável.

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1º transexual a competir no Miss Universo é aplaudida de pé


Neste domingo (16), aconteceu a 67ª do Miss Universo, que elegeu a modelo Catriona Gray, de 24 anos, representante das Filipinas, como vencedora. A cerimônia foi realizada em Bangcoc, na Tailândia.

amazonense Mayra Dias, 27, foi classificada no top 20, mas não avançou para o segundo corte, o top 10, onde também se classificaram as misses Costa Rica, Curaçao, Nepal, Canadá e Tailândia.
 
Além da entrega do prêmio para a vencedora, outro momento emocionou quem assistia ao concurso. Angela Ponce, a Miss Espanha, foi a primeira participante transgênero da história do Miss Universo. Em sua homenagem foi exibido um vídeo sobre sua trajetória de vida e a miss desfilou no palco sozinha, o que fez com que os convidados a aplaudissem de pé. Confira:


Angela, que nasceu em uma cidade perto de Sevilha, iniciou um tratamento hormonal aos 16 anos e passou pela cirurgia para mudança de sexo aos 24. Ela é manequim e trabalha em uma ONG que ajuda jovens transgêneros.






 Angela Ponce: primeira candidata trans do Miss Universo faz história

A Miss Espanha, Angela Ponce, fez história ao se tornar a primeira concorrente trans do Miss Universo. A 67ª edição aconteceu na Tailândia nesse domingo (16/12). Pelo horário local, já era segunda-feira.

Angela não se classificou entre as 20 primeiras colocadas da competição. No entanto, sua participação é um avanço na pauta da diversidade. A modelo já conquistou mais de 500 mil seguidores no Instagram.

Vem comigo!

A Miss Espanha afirmou que o importante para ela não era ganhar, mas participar do evento. “As mulheres trans vêm sendo perseguidas e apagadas há muito tempo. Estou mostrando que podemos ser o que quisermos”, disse em entrevista à Reuters.

Aos 16, Angela começou um tratamento hormonal e, depois de oito anos, passou pela cirurgia de redesignação sexual. Hoje em dia, ela atua em uma ONG que apoia jovens transgêneros.

No desfile preliminar, Angela usou um conjunto brilhoso de minissaia e cropped. O traje de banho foi um biquíni rosa. Para a roupa típica, a escolha foi uma “bata de cola”, modelo usado na dança flamenca.
A filipina Catriona Gray foi a vencedora do Miss Universo 2018. A candidata da África do Sul ficou em segundo lugar, e a da Venezuela, em terceiro. A amazonense Mayra Dias, representante do Brasil, chegou entre as 20 semifinalistas. O concurso é transmitido para 190 países.

Para outras dicas e novidades sobre o mundo da moda, não deixe de visitar o meu Instagram. Até a próxima!
Colaborou Rebeca Ligabue

Do Metropoles - Por:Ilca Maria Estevão



 
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"Homem? Nem pensar! Eu gosto é de mulher", diz caminhoneira trans e lésbica


 Foi só após realizar a transição de gênero, em 2010, que a caminhoneira Fabiana Ferreira, 58, passou a ter a vida sexual ativa. Antes disso, quando ainda tinha o órgão sexual masculino e se chamava Hamilton, ela se considerava sem interesse por relações amorosas, tanto com homens quanto com mulheres.

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"Parece que antes [da operação] eu era uma pessoa neutra. Achava alguns homens bonitos e queria me parecer com uma mulher. Mas me envolver com homem? Nem pensar, cruz credo! Só para amizade e poucos. Eu gosto é de mulher", diz Fabiana, que afirma nunca ter transado com um homem e, hoje, se define como mulher trans lésbica.
"Toda vida parece que eu tinha vontade de ser feminina. Fiquei muito bem depois que fiz a cirurgia. Agora me sinto mais feliz."
O desejo por mulheres, no entanto, só apareceu de verdade depois de mais de um ano da cirurgia. "Quando operei, fiquei um ano e quatro meses sem fazer nada, sem ter prazer algum. Depois deste tempo, consegui transar com uma mulher. No dia, lembro que era quase 23h e liguei para a doutora que me operou, dizendo que eu tinha conseguido."
Antes de passar pela transição, Fabiana chegou a se envolver com uma mulher, com quem tem um filho, hoje com 28 anos. "Quando eu ainda era do sexo masculino, uma mulher invocou comigo. Ela tinha quatro filhos e largou do marido por minha causa." Os dois acabaram morando juntos. "Aí, por incrível que pareça e depois de muita insistência dela, tivemos um filho."   

A vida na estrada para uma mulher

Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), existem cerca de 180 mil mulheres habilitadas para dirigir caminhão no Brasil. Elas representam apenas 6,5% do total de motoristas de caminhão no país. Mas, apesar de ser uma profissão predominantemente masculina, Fabiana, que começou a dirigir carretas em 1986, garante que nunca se intimidou.
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A caminhoneira Fabiana Ferreira Imagem: Divulgação
"Nunca dei moral para ninguém. Se eu desço em um ponto, pode ter 50, 60 pessoas, não olho na cara de ninguém, vou onde tenho que ir e falo com quem tenho que falar." Apesar de se comportar assim, ela não nega que exista preconceito --mais na forma de piadas. "Você tem que fazer de conta que não está vendo nada e vai levando a vida. Se for ligar para isso, você não vive. Você vegeta."
Além disso, Fabiana diz que acha muito bonito ver uma mulher dirigindo caminhão e nunca deixaria de fazer algo por causa da opinião dos outros. "Não é só o homem que tem direito de trabalhar [dirigindo]. A mulher também tem. Às vezes, a mulher até faz as coisas melhor do que o homem, mas eles não querem aceitar", acredita.
Fabiana, recentemente, se aposentou e já sente falta da estrada. "Eu gostava do que fazia, das amizades que a gente faz viajando e da liberdade. Caminhão é um vício. Agora que estou sem trabalhar, fico com a cabeça estressada." Para não ficar parada, ela planeja abrir sua própria transportadora.

"O que mais admiro na Fabiana é sua liberdade"

A história de Fabiana virou um documentário, que foi exibido, recentemente, na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival Mix Brasil, também realizado em São Paulo e dedicado à produção audiovisual LGBT.
A diretora do documentário, Brunna Laboissière, conheceu Fabiana ao pedir carona para ela. "Já viajei muito de carona e gosto de ouvir as histórias dos motoristas. Em geral, sempre eram caminhoneiros homens, mas, uma vez, indo para Goiânia, conheci a Fabiana. Viajamos por dois dias", lembra Brunna.
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Imagem: Divulgação
"Na hora, não me liguei que ela era uma mulher trans. Muitos amigos dela nem desconfiam que ela é trans. A Fabiana não fica falando muito sobre isso."
Brunna conta até que, em uma das exibições do filme, perguntou para Fabiana se poderia convidar uma das colegas evangélicas da caminhoneira. A mulher nem imaginava que ela era uma mulher trans e lésbica.
Questionada sobre o que aprendeu com Fabiana, ao longo das filmagens, diz: "O jeito que ela leva a vida é tremendo, apesar de todas as dificuldades que tem. Ela também tem uma intuição muito forte e segue seu coração. Fabiana é pura liberdade. Ela não deixou o mundo e a sociedade sabotarem quem ela verdadeiramente é."
A previsão é de que o documentário "Fabiana" chegue às salas do cinema nacional no primeiro semestre de 2019.


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C&A abre vagas de emprego exclusivas para travestis e transexuais


Em parceria com a ONG Transempregos, a C&A abriu mil vagas exclusivas para travestis e transexuais. A intenção da empresa é proporcionar um espaço no mercado de trabalho para esses profissionais que muitas vezes sofrem preconceito durante a disputa por um emprego.
As vagas anunciadas são para trabalhos temporários agora no fim de ano, em mais de 270 lojas da C&A espalhadas pelo Brasil. O candidato deve ter ensino médio completo, mas não precisa ter experiência anterior na função. Alguns pontos serão considerados diferenciais positivos, como ter atuado em atendimento ao cliente, interesse em moda, entre outros.
Os interessados devem se inscrever na Operação de Loja da C&A. As informações sobre as vagas e como será o processo seletivos estão disponíveis no link.
A Transempregos é uma organização que ajuda na inserção de pessoas travestis e transexuais no mercado de trabalho formal. A instituição também oferece capacitação às empresas, com foco em Recursos Humanos e Departamento Jurídico, a fim de construir um ambiente de trabalho mais humano e inclusivo.
Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% dos travestis e transexuais do Brasil acabam marginalizados na sociedade. Com baixa escolaridade e o preconceito das empresas, a prostituição se torna o único meio de sobrevivência.

DO B9

Em 2017 a A C&A apostau, mais uma vez, na diversidade e sua campanha publicitaria apresentando uma mulher trans - AQUI

 
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LGBTs antecipam casamentos, com receio de retrocessos no próximo governo




Em entrevista ao portal Brasil de Fato, a youtuber LGBT do Canal das Bee, Jéssica Tauane, revelou que decidiu se casar com a namorada, Julia Azevedo, com quem tem um relacionamento há dois anos e meio.
Acontece que o motivo da união neste exato momento vai além do relacionamento delas: é também por medo de eventuais perdas de direitos no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O receio não vem à toa. A própria Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil recomendou oficializar a união até o fim do ano para “quem quiser ter direitos garantidos”.
Pra quem não sabe, o casamento homoafetivo no Brasil não é lei. Não existe um âmparo legal de peso que garanta o direito e o impeça de ser revogado. O que existe é uma jurisprudência: uma medida do STF que, em 2011, garantiu por unanimidade que uniões homoafetivas tenham os mesmos direitos da união hétero no Brasil.
E assim viemos de lá pra cá, sem conseguir aprovar como lei o casamento gay até agora, com um congresso mais conservador que o outro sendo eleito.

O que acontece agora é que, em um governo de um presidente que sempre se disse contra os direitos LGBTs, exatamente pela ausência de uma lei que nos garanta este direito de maneira irrevogável, este mesmo presidente tem condições de eventualmente baixar medidas provisórias ou, em uma canetada, negar o acesso a direitos já adquiridos.
É verdade que seria um verdadeiro tiro no pé um governo cutucar esse vespeiro gratuitamente, impedindo a união de milhares de casais que já legalizaram suas uniões e vivem muito bem assim, e também impedir a legalização dos futuros casais. Mas é melhor não pagar pra ver, não é mesmo?
Vale lembrar que recentemente, ainda em campanha, Bolsonaro assinou um documento de um grupo católico se comprometendo a barrar avanços LGBT em um futuro governo.
Outro risco fora uma decisão arbitrária do presidente assumidamente homofóbico Bolsonaro, é o mesmo indicar novos ministros ao STF (com a saída de antigos por aposentadoria ou morte) que alterem a jurisprudência existente sobre a união homoafetiva. Vale lembrar que Bolsonaro já sugeriu não apenas indicar novos juízes ao STF, mas também ampliar de 11 para 22 o número de representantes do STF.
Em um cenário hipotético e terrível, se em sua maioria, esses novos juízes tiverem os mesmos pensamentos retrógrados que o presidente, podemos perder os poucos direitos que já conquistamos por igualdade no Brasil.
Conforme Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada e presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse à reportagem: “Não existe legislação no Brasil assegurando qualquer direito da população LGBTI+”.
A recomendação segundo ela, seria então, diante da ameaça simbolizada por Bolsonaro, que os casais homoafetivos que desejam consumar sua união num futuro próximo, se antecipem até o fim deste ano para preservar seus direitos à pensão, à previdência, à partilha de bens, etc.
Nas palavras de Maria Berenice Dias: “Oficializem até o final do ano seus relacionamentos porque os casamentos realizados daqui até lá não podem ser anulados. Um receio que existe é de eventualmente, a partir da posse, um presidente absolutamente homofóbico, conservador e retrógrado, tomar alguma iniciativa neste sentido. Ele tem a faculdade de baixar medidas provisórias, essa caneta ele tem na mão, e eventualmente pode ser que baixe algo que tenha força de lei, negando acesso ao casamento, o que teria mais força do que uma decisão do STF, que só se constitui pela jurisprudência”, afirmou à reportagem.
Seria um cenário péssimo pra todos os LGBTs que se casaram ou querem se casar, mas quem já adquiriu um direito, terá mais dificuldade em perdê-lo mesmo com um veto do presidente, que atingiria diretamente muito mais as futuras uniões.
Foi justamente o que consideraram Jéssica e Júlia: “A gente já queria se casar, mas estávamos aguardando o momento mais oportuno financeiramente. Mas é muito instável, a jurisprudência pode mudar. Como não foi construída em lei, temos medo de daqui a pouco não conseguirmos mais.”, contou a youtuber à reportagem do Brasil de Fato.

Os números de casamentos homoafetivos nos cartórios vêm aumentando desde 2013, quando foram 3.701 registros. Em 2017, o número chegou a 6.746. Neste mês de outubro, foram 81 processos de união afetiva confirmados.







Julia Azevedo e Jéssica Tauane (foto) são namoradas há dois anos e meio. No sábado (27), véspera do segundo turno das eleições presidenciais, elas decidiram dar entrada no processo de união civil homoafetiva no cartório. A decisão, que está se tornando um movimento da população LGBTI no país, veio como uma resposta política ao receio de que o próximo governo eleito, de Jair Bolsonaro (PSL), retire seus direitos.
Bolsonaro, conhecido pelos históricos discursos preconceituosos contra diferentes grupos sociais, já chegou a afirmar publicamente agressões como: "ter filho gay é falta de porrada". No dia 12 de outubro, durante a campanha eleitoral, o candidato assinou um termo da organização Voto Católico Brasil no qual se comprometeu a defender a família "constituída de acordo com o ensinamento da Igreja" e o "verdadeiro sentido do Matrimônio (sic), como união entre homem e mulher".
Segundo Julia, o casamento não estava nos planos atuais do casal, mas, com a conjuntura política, acabou entrando.
"É uma burocracia, a gente ia fazer mais para frente, mas sabendo das coisas que poderiam acontecer a gente não queria arriscar. Quando a falamos que estávamos nos programando de casar, os amigos ficaram assustados, falando que eles [o governo] vão saber quem é quem, terão documentos. Eu pensei, se eu não puder fazer isso agora, por medo disso… Agora se a gente precisar pedir refúgio, ou algo do tipo, temos um comprovante. Não é o que queremos fazer, mas se for desse jeito, perseguição como na Ditadura, será assim", afirmou, em entrevista ao Brasil de Fato, do apartamento de sua família.
O resultado do pleito havia acabado de ser divulgado quando a reportagem chegou à casa, onde Jessica também estava. Comunicadora social, Jéssica foi fundadora do Canal das Bee, um canal no Youtube que trata de temas LGBTI+ e hoje reúne mais de 350 mil seguidores. A youtuber esperou um tempo para se recuperar, e, com uma bandeira do movimento, com as cores do arco-íris, e uma voz entrecortada pelo choro, contou que nunca realmente havia acredito na possibilidade da eleição do capitão reformado do Exército.
"Deu tempo de ele aprender que o que ele estava falando estava machucando pessoas, virando violências concretas. Não foi por falta de diálogo. O que fez ele ganhar agora foi o preconceito do brasileiro, esse negócio de que a galera de grupo minorizado quer privilégio e faz 'mimimi'. A gente anda muito menos já na rua, sabe, ainda mais por sermos duas minas. As pessoas são sempre homofóbicas, agora elas vão ter um presidente que tem orgulho de ser também. Isso vai potencializar. Ele vai instigar. É uma cartada tão genial, porque o sangue não vai sair da mão dele. Eu prefiro muito acreditar que eles estão enganados, porque senão eu fico desesperançosa da vida mesmo", lamentou.
Em uma foto postada nas respectivas redes sociais o casal teve muito apoio dos seguidores, e também recebeu comentários de diferentes pessoas afirmando que pretendiam fazer o mesmo. A preocupação vem estimulado a mesma decisão em muitos casais. É o caso do oficial da Defensoria Pública de São Paulo Matheus Rodrigues dos Santos Silva. Ele já mora com o namorado, Guilherme Zagonel Silva, há um ano, e namora há mais de seis.
"A gente já queria se casar, mas estávamos aguardando o momento mais oportuno financeiramente. Mas é muito instável, a jurisprudência pode mudar. Como não foi construída em lei, temos medo de daqui a pouco não conseguirmos mais. Como é um assunto que eu acompanho bastante eu falei pra gente aguardar, tentar segurar até o meio do ano que vem, mas com um pouco de receio, a qualquer momento pode ser que não dê mais", afirmou.
Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou por unanimidade o reconhecimento da união homoafetiva. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução nº 175, pela qual ficou estabelecido que casais do mesmo sexo teriam direito ao casamento civil, e que tabeliães e juízes ficaram proibidos de se recusar a registrar qualquer união do tipo. Como explicou Matheus, no entanto, a resolução não tem força de lei. Um projeto do Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero, formulado em 2011 e apresentado em 2017 no Senado, ainda tramita no Congresso Nacional.
Sem garantias
Segundo Maria Berenice Dias, desembargadora aposentada e presidenta da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), "não existe legislação no Brasil assegurando qualquer direito da população LGBTI+". Ela recomenda que, por esse motivo, e diante da ameaça simbolizada por Bolsonaro, os casais se antecipem para preservar os direitos garantidos "à pensão, à Previdência, à partilha de bens".
"O que existe é uma justiça sensível que, atenta a esse segmento, começou a assegurar direitos. A recomendação feita, para as pessoas que quiserem, é que oficializem até o final do ano seus relacionamentos. Porque os casamentos realizados daqui até lá não podem ser anulados. Um receio que existe é de eventualmente, a partir da posse, um presidente absolutamente homofóbico, conservador e retrógrado, tomar alguma iniciativa. Ele tem a faculdade de baixar medidas provisórias, essa caneta ele tem na mão, e eventualmente pode ser que baixe algo que tenha força de lei, negando acesso ao casamento, o que teria mais força do que uma decisão da justiça, que só se constitui pela jurisprudência. A jurisprudência existe aqui agora, no momento em que mudam os julgadores, as cortes, há a possibilidade de se trocar a jurisprudência, vão se renovando os tribunais", afirmou.
No entanto, o casamento, mesmo no civil, continua sendo caro no Brasil. Os valores atualizados de casamento em cartório em São Paulo, um dos mais altos do país, chegam a R$404,90. A urgência do casamento até o fim de 2018, portanto, exclui a parte dos casais LGBT que não teria como arcar com os custos. 
Para Matheus, a oficialização do matrimônio seria principalmente uma simbologia. "Eu acho importante a gente casar, como um ato político. A união estável é importante principalmente pela questão patrimonial, se um de nós falecer ou precisar de aposentadoria, esse tipo de coisa pode ser restringida. Mas no nosso caso talvez não enfrentássemos muitos problemas porque nossas famílias estão super de acordo com a gente. Mas o que me deixa muito triste é no caso de pais que não aceitaram a vida inteira que o filho morasse com outro cara, o filho morre e os bens vão para os pais, e não para o companheiro, com quem ele construiu a vida", explicou, completando que sua principal preocupação não é a eleição de Bolsonaro, mas de uma grande bancada que o apoia no Congresso. Foram 52 Deputados Federais do PSL eleitos no primeiro turno dessas eleições.
A marcação política também foi uma questão importante considerada pela educadora e fotógrafa Cássia Oliveira, que há um mês realizou o processo da união estável com a companheira Iara Coutinho.
"Com toda certeza [é uma questão política], a gente sempre discute isso. Fizemos questão de ir lá, assinar, por ser uma questão política dos nossos direitos, e pensamos em fazer o casamento tradicional um pouco mais para frente para reafirmar isso, de que temos esse direito não só perante a lei, mas aos amigos e a família. Ontem depois do resultado eu fiquei desacreditada, não vivi para ver isso no Brasil. Hoje caiu a ficha, eu vi uma notícia dizendo que em 2017 aumentou 30% a violência contra LGBTs e fico pirando mesmo. Não tem como não ter medo. Mas na verdade, me sinto fortalecida", afirmou.
Segundo dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo, os dados nacionais do Registro Civil mostram que os números de casamentos homoafetivos nos cartórios vêm aumentando desde 2013, quando foram 3.701 registros. Em 2017, o número chegou a 6.746. Neste mês de outubro, foram 81 processos de união afetiva confirmados.
Do Brasil de Fato - Edição: Diego Sartorato
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Aqui eu não sou homem ou mulher. Sou um adepto do crossdresing. Sou uma Crossdresser - CD ou CDzinha. Desde os 9 anos, adoro lingeries e roupas sexyes. Levo uma vida normal masculina e tenho uma vida clandestina feminina.

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LGBT existente em todo o mundo. Um estilo de vida complicado e confuso (para alguns)... Este espaço também se presta para expor a minha indignação quanto ao ódio e preconceito em geral.

Observo que esse é um blog onde parte do que aqui posto pode ser considerado como orientado sexualmente para adultos, ou seja, material destinado a pessoas maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, ou se este tipo de material ofende você, ou ainda se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO siga 'navegando'.

Sou um Crossdresser {homem>mulher} casada {com mulher - que nada sabe} e não sou um 'pedaço de carne'.

Para aqueles que eventualmente perguntam sobre o porque do termo 'Crossdresser GG', eu informo que lógico que o termo trata das minhas medidas. Ja que de fato visto 'GG'. Entretanto alcunhei que 'GG' de Grande e Gorda, afinal minhas medidas numéricas femininas para Blusas, camisetas e vestidos são tamanho: 50 e Calças, bermudas, shorts e saias são tamanho: 50.

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